Sábado, 15 de janeiro de 2011

Primeira Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 1ª Semana do Saltério, Livro III, cor Verde

 

Hoje: Dia Internacional do Compositor, Dia dos Adultos

 

Santos: Bonito de Clermont (monge, bispo) , Ceovulfo (rei da Nortúmbria, Inglaterra, monge), Efísio da Sardenha (mártir), Habacuc (profeta bíblico do Antigo Testamento), Isidoro de Alexandria (presbítero), Ida de Limerick (virgem), João Calabites (eremita), Laudato de Bardsey (abade), Macário, o Grego (eremita de Alexandria), Malardo de Chartres (bispo), Maura e Brita (virgens de Tours), Máximo de Nola (bispo), Miquéias (profeta bíblico do Antigo Testamento), Paulo de Tebas (eremita), Secundina de Roma (virgem, mártir), Tarsícia de Rodez (virgem), Francisco Fernando de Capillas (dominicano, mártir, bem-aventurado), Pedro de Castelnau (monge, mártir, bem-aventurado)

 

Antífona: Ergamos os nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é eterno.

 

Oração: Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 4, 12-16)

Jesus, sumo sacerdote misericordioso

 

Irmãos, 12a palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes. Penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas. Ela julga os pensamentos e as intenções do coração. 13E não há criatura que possa ocultar-se diante dela. Tudo está nu e descoberto aos seus olhos, e é a ela que devemos prestar contas.


14Temos um sumo sacerdote eminente, que entrou no céu, Jesus, o Filho de Deus. Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos. 15Com efeito, temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. 16Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Aproximemo-nos, com toda a confiança, do trono da graça

 

O homem moderno, que se sente tão fortemente atraído a um empenhamento sério em favor da construção de uma nova humanidade, deveria meditar estas palavras. O cristianismo compromete verdadeiramente o homem até o mais profundo de seu ser. Um cristianismo que nasce da “palavra de Deus, viva, eficaz e mais penetrante que uma espada de dois gumes”. Essa palavra de Deus julga “as disposições e intenções do coração”. O homem que quer ser cristão deve decidir-se a sê-lo inteiramente, deixando de lado o que pode constituir impedimento a isso. Jesus exprime repetidas vezes essa necessidade de uma decisão, até mesmo com palavras que parecem hiperbólicas: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus” (Lc 9, 62); “Aquele que ama pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10, 37); “O Reino dos Céus toma-se à força e os violentos o arrebatam” (Mt 11, 12). A pessoa é chamada a escolher e, se necessário, a deixar tudo.

 

Mas o homem será capaz de opções tão decisivas? O homem é fraco, medroso, indeciso, inconstante. Eis, pois, o convite, precioso sobretudo nos momentos de grandes decisões: “Aproximemo-nos, com segurança do trono da graça” (v.16). [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 18 (19B), 8.9.10.15 (R/.cf.Jo 6, 63c)

Vossas palavras são Espírito, são vida,

tendes palavras, ó Senhor, de vida eterna!

 

8A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

9Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

 

10É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.


15Que vos agrade o cantar dos meus lábios e a voz da minha alma; que ela chegue até vós, ó Senhor, meu rochedo e redentor!

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 2, 13-17)

Jesus vai ao encontro dos pecadores

 

Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira do mar. Toda a multidão ia ao seu encontro e Jesus os ensinava. 14Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: "Segue-me!" Levi se levantou e o seguiu. 15E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi, muitos cobradores de impostos e pecadores também estavam à mesa com Jesus e seus discípulos. Com efeito, eram muitos os que o seguiam.

 

16Alguns doutores da lei, que eram fariseus, viram que Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então eles perguntaram aos discípulos: "Por que ele come com os cobradores de impostos e pecadores?" 17Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: "Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas recomendadas: Mt 9, 9-13; Lc 5,27-32

 

Comentário do Evangelho

Da marginalização ao discipulado

 

A passagem de Jesus pela vida de Levi provocou nele uma transformação considerável. Ele saiu imediatamente da marginalização sócio-religiosa para ingressar no discipulado, ao aceitar o convite do Mestre, exigindo dele a renúncia a uma atividade odiosa aos olhos de seus contemporâneos. Doravante, Levi não seria mais um publicano, e sim um discípulo de Jesus. A opção religiosa desse discípulo teve consequências também no plano social.


Na percepção de Jesus, porém, a mudança na vida de Levi deu-se num nível bem diverso. A discriminação, devida à profissão de cobrador de impostos, era irrelevante para o Mestre. Este procurava colocar-se acima dos preconceitos humanos. Importava-lhe, antes, o que se passava no coração de Levi, sentado no seu local de trabalho. Embora vivendo num ambiente corrompido e corruptor, sem dúvida, ele mantinha um elevado padrão de religiosidade. Os preconceitos que recaíam sobre sua categoria profissional não foram suficientes para levá-lo a apegar-se aos bens materiais. Assim, quando Jesus passou, estava suficientemente livre para segui-lo, sem restrições.


Ninguém ficou sabendo da mudança operada na vida de Levi, além dele mesmo, e do próprio Mestre. O homem de fé viu concretizar-se o que, até então, era objeto de esperança. Seguir o Messias Jesus significava ver realizada a promessa divina. Assim, mais que uma marginalização social, Levi superou a verdadeira marginalização religiosa, ao se fazer discípulo do Reino.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997]

 

Liturgia Diária (Paulinas e Paulus)

Pelo papa, pelos bispos e pelos padres, para que sejam santos e acolhedores, rezemos. Ouvi nossa oração, ó Senhor.

Para que os anunciadores da palavra de Deus sejam também seus praticantes, rezemos.

Para que as famílias se empenhem no cultivo da paz e da harmonia, rezemos.

Para que as comunidades eclesiais de base animem a vida da Igreja, rezemos.

Para que as autoridades políticas socorram os menos favorecidos, rezemos.

(Intenções próprias da comunidade)

 

Oração sobre as Oferendas:

Possa agradar-vos, ó Deus, a oferenda do vosso povo; que ela nos obtenha a santificação e o que confiantes vos pedimos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eu vim para que tenham a vida e a tenham cada vez mais, diz o Senhor. (Jo 10,10)

 

Depois da Comunhão:

Deus todo-poderoso, que refazeis as nossas forças pelos vossos sacramentos, nós suplicamos a graça de vos servir por uma vida que vos agrade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Santo Arnaldo Jassen

 

Santo Arnaldo Janssen era o segundo entre 11 irmãos, uma família profundamente católica, da classe média. Trata se um gigante espiritual, cuja biografia é impossível de ser resumida. Com apenas 20 anos de idade habilitou-se como professor de todas as matérias ginasiais em Bonn. Em seguida entrou no seminário maior de Münster, sendo ordenado em 5 de agosto de 1861. Por 12 anos foi professor e escritor de obras divulgadas. Foi diretor do Apostolado da Oração em Bonn. Renunciou ao cargo de professor e diretor do Apostolado da Oração e começou sua grande obra como fundador, a qual se dedicou até sua morte. Eis outras de suas fundações: Fundador da Sociedade Verbo Divino (1875), das Missionárias Servas do Espírito Santo (1889) e das Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua (1896) todos os três institutos em Steyl, na Holanda. Pioneiro das missões entre pagãos e entre católicos num clero escasso na América Latina e nas Ilhas Filipinas. Pioneiro do movimento moderno nos países de língua alemã, holandesa e eslava. Promotor do cuidado espiritual para com os migrantes, imprensa católica, apostolado dos leigos, etc. No final da vida foi obrigado a se refugiar para escapar ao Kuturkampf- perseguições à Igreja no recém Império alemão, dos últimos anos de governo de Bismarck.

 

Espiritualidade e Paz

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

 

Ainda a propósito da mensagem do Dia Mundial da Paz, em 1º de janeiro de 2011, o Papa Bento XVI lançando um olhar pastoral e cidadão sobre as diferentes sociedades e culturas, constata que o cenário mundial, lamentavelmente, hospeda conflitos, crises e situações constrangedoras, com a prática de violências e intolerâncias que comprometem a liberdade religiosa - precioso e imprescindível caminho para a paz. O Papa sublinha o quanto é doloroso, em algumas regiões do mundo, impedimentos e impossibilidades para que se tenha liberdade de professar a própria fé, sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoais.

 

Em muitos lugares há formas silenciosas e até sofisticadas de preconceito e oposição contra os que creem e seus símbolos religiosos. Um alerta importante está na consideração de que os cristãos, na atualidade, são o grupo religioso que mais sofre perseguições na profissão de sua fé. As estatísticas de violências praticadas são estarrecedoras, apontando esse mal inaceitável da intolerância religiosa, um tema de grande importância para a Filosofia, a Antropologia, a Sociologia e outros campos do saber. É alarmante comparar os avanços das reflexões já postas com o que ronda a mentalidade de grupos, sociedades e culturas, provocando esse cenário inaceitável. Consequências, como mortes e atentados, ainda impõem um clima que, diariamente, leva os que professam a sua fé a constantes sobressaltos causados por ofensas, e são até impedidos de procurar a verdade e a viver a sua fé em Jesus Cristo. Há um princípio de compreensão que, na consideração do cenário de intolerância religiosa, aponta a liberdade de credo como expressão da especificidade da pessoa humana, sendo que por ela cada indivíduo pode orientar a vida pessoal e social para Deus, diz o Papa. Ele afirma ainda que negar ou limitar arbitrariamente essa liberdade significa cultivar uma visão redutiva da pessoa humana.

 

Caso se constate que esse cenário de intolerância religiosa beligerante - ofensiva e produtora de mortes e atentados - não esteja nas sociedades cristãs e católicas, como a nossa, é preciso dedicar tempo a considerações importantes, para que não se avancem em direções que produzirão nefastas consequências já presentes noutras plagas. Essas considerações não são a favor de um ou outro grupo religioso, como quem quer, de antemão, protegê-lo de derrocadas ou encontrar modos exitosos para a sua continuidade. Antes de todos estes aspectos, com sua importância própria e necessidades, situa-se o risco de obscurecimento do papel público da religião, também, este, responsável como agente forte na geração e manutenção de uma sociedade injusta. Ora, a verdadeira natureza da pessoa não se compreende e nem se sustenta simplesmente por outros importantes componentes, quando se considera o conjunto da sociedade e a configuração da cidadania.

 

Há algo que ultrapassa tudo, de caráter transcendente que não pode ser negado e pisado, está além das conquistas científicas e tecnológicas. A consequência, pois, é o comprometimento da paz. Na verdade, se tornará difícil e inviável, caso se pisoteie a dimensão transcendente da pessoa, a afirmação de uma paz autêntica e duradoura para toda a família humana. Nem mesmo as estratégias da igualdade social têm força suficiente para mantê-la. Sem a dimensão transcendente da pessoa, cultivo próprio da experiência religiosa, a igualdade estabelecida se deteriorará, porque o que sustenta a paz vem de dentro do coração humano, sacrário recôndito da presença de Deus, fonte de sabedoria, amor e gosto por ela. Esta presença amorosa, se configura, tomando forma em condutas dignas e honestas, e se agigantando em práticas vivenciais com incidências sociais e políticas fortes, com poder de promover e sustentar a paz. Trata-se, pois, de uma espiritualidade imprescindível para o mundo. A vida espiritual é direito sagrado e necessário, como indispensáveis são outras demandas sociais, humanas e corporais. Não se pode descuidar da vida espiritual. Só assim cada pessoa e comunidade de fé, sem fundamentalismos e manipulações, poderão desenvolver espiritualidade fecunda que dará sustentação à paz. [CNBB]

 

Aconteceu no dia 15 de janeiro:

1993: Brasil assina a Convenção Interamericana sobre Obrigação Alimentar

 

 

Abramos para todos nosso ânimo, cheio de amor, e estendamos

a eles nossos braços abertos. (Papa João XXIII)