Sábado, 14 de fevereiro de 2009
Santos Cirilo (Monge) e Metódio (Bispo), Memória, 1ª Semana do Saltério, cor Branca
Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94, 6-7)
Santos do Dia: Abraão de Harran (bispo), Antonino de Sorrento (abade), Auxêncio da Bitínia (eremita), Basso, Antônio e Protólico (mártires de Alexandria), Cirion, Bassiano, Ágato e Moisés (mártires de Alexandria), Dionísio e Amônio (mártires de Alexandria), Leocádio de Ravena (bispo), João Batista da Conceição (trinitário), Maron de Beit-Marun (abade), Nostriano de Nápoles (bispo), Próculo, Efebo e Apolônio (mártires), Teodósio de Vaison (bispo), Valentino de Terni (bispo, mártir), Valentim de Roma (mártir), Vital, Felícula e Zeno (mártires de Roma), Ângelo de Gualdo (monge, bem-aventurado), Nicolau Palea (dominicano, bem-aventurado), Vicente de Sena (franciscano, bem-aventurado).
Oração: Ó Deus, pelos dois irmãos Cirilo e Metódio, levastes a luz do evangelho aos povos eslavos; dai-nos acolher no coração a vossa palavra e fazei de nós um podo unido na verdadeira fé e no fiel testemunho do evangelho. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: Gênesis (Gn 3, 9-24)
As conseqüências do mal
9O Senhor Deus chamou Adão, dizendo: "Onde estás?" 10E ele respondeu: "Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo porque estava nu; e me escondi". 11Disse-lhe o Senhor Deus: "E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?" 12Adão disse: "A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi". 13Disse o Senhor Deus à mulher: "Por que fizeste isso?" E a mulher respondeu: "A serpente enganou-me e eu comi".
14Então o Senhor Deus disse à serpente: "Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida! 15Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar". 16À mulher ele disse: "Multiplicarei os sofrimentos da tua gravidez: entre dores darás à luz os filhos; teus desejos te arrastarão para o teu marido, e ele te dominará". 17E disse em seguida a Adão: "Porque ouviste a voz da tua mulher e comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer, amaldiçoado será o solo por tua causa! Com sofrimento tirarás dele o alimento todos os dias da tua vida. 18Ele produzirá para ti espinhos e cardos e comerás as ervas da terra; 19comerás o pão com o suor do teu rosto até voltares à terra de que foste tirado, porque és pó e ao pó hás de voltar". 20E Adão chamou à sua mulher "Eva", porque ela é a mãe de todos os viventes. 21Então o Senhor Deus fez para Adão e sua mulher túnicas de pele e os vestiu. 22Disse, depois, o Senhor Deus: "Eis que o homem se tornou como um de nós, capaz de conhecer o bem e o mal. Não aconteça, agora, que ele estenda a mão também à árvore da vida para comer dela e viver para sempre!" 23E o Senhor Deus o expulsou do jardim de Éden, para que ele cultivasse a terra donde fora tirado. 24Expulsou o homem, e colocou a oriente do jardim de Éden os querubins, e a espada lampejante de chamas, para guardar o caminho da árvore da vida. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
E o Senhor Deus o expulsou do jardim do Éden
O autor, apresentando a visão crítica da realidade, afirma que a situação em que o projeto do homem e a humanidade inteira se encontram é uma situação de castigo.
“O castigado é responsável pelo castigo: não poderá jamais liberar-se dele fingindo ignorar sua parte de responsabilidade nos males que sofre. Por outro lado, a situação de castigo nunca é normal e definitiva, mas provisória e passageira. A anormalidade permanecerá, enquanto o castigo não for cumprido e a culpa expiada. O bem do culpado, a ser obtido depois de ultimado o castigo, pode ser atingido unicamente através da aceitação ativa e responsável do próprio castigo. Na raiz do castigo está a culpa do castigado, que provoca uma ruptura de relações entre pessoas, relações que precisam ser restabelecida... Dizendo que os males que sofremos são um castigo de Deus, a Bíblia estabelece a relação do homem com Deus como ponto fundamental para a harmonia de todo o resto. Não é possível restabelecer a ordem perturbada da vida sem levar em conta o lugar que Deus deve ocupar na vida dos homens” (C. Mesters). E o primeiro passo foi o próprio Deus quem deu.
89(90), 2.3-4.5-6.12-13 (R/.1)
Ó
Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós
Já bem antes que as montanhas fossem feitas ou a terra e o mundo se formassem, desde sempre. e para sempre vós sois Deus.
Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: "Voltai ao pó, filhos de Adão!" Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou.
Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca.
Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos!
Evangelho: Marcos (Mc 8, 1-10)
Comeram e ficaram satisfeitos
1Naqueles dias, havia de novo uma grande multidão e não tinha o que comer. Jesus chamou os discípulos e disse: 2"Tenho compaixão dessa multidão, porque já faz três dias que está comigo e não têm nada para comer. 3Se eu os mandar para casa sem comer, vão desmaiar pelo caminho, porque muitos deles vieram de longe". 4Os discípulos disseram: "Como poderia alguém saciá-los de pão aqui no deserto?" 5Jesus perguntou-lhes: "Quantos pães tendes?" Eles responderam: "Sete".
6Jesus mandou que a multidão se sentasse no chão. Depois, pegou os sete pães, e deu graças, partiu-os e ia dando aos seus discípulos, para que os distribuíssem. E eles os distribuíam ao povo. 7Tinham também alguns peixinhos. Depois de pronunciar a bênção sobre eles, mandou que os distribuíssem também. 8Comeram e ficaram satisfeitos, e recolheram sete cestos com os pedaços que sobraram. 9Eram quatro mil, mais ou menos. E Jesus os despediu. 10Subindo logo na barca com seus discípulos, Jesus foi para a região de Dalmanuta. Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[2]
Saciando as multidões
A sensibilidade de Jesus em relação a seus ouvintes e seguidores era notória. Vivia continuamente preocupado com eles e cuidava para que não sucumbissem pelo cansaço ou pela fome. Seu coração de pastor falava mais alto, nas situações delicadas. A multiplicação dos pães foi uma clara manifestação da misericórdia de Jesus. Misericórdia que deve existir, também, no coração de quem se faz seu discípulo.
Jesus podia ter considerado encerrada sua missão, depois de ter beneficiado as multidões com inúmeros milagres e expressões de bondade. Que cada qual voltasse para sua casa e retomasse suas atividades! As circunstâncias, porém, não permitiam, porque muitos poderiam morrer pelo caminho. O pastor não podia submeter seu rebanho a tal provação. A misericórdia de Jesus exigia dele encontrar uma saída. Então, sugeriu aos discípulos um gesto de partilha. Alguém colocou à disposição de todos sete pães e alguns peixinhos. Este gesto de desprendimento e espírito comunitário foi o ponto de partida para Jesus poder alimentar a todos, até ficarem saciados.
A misericórdia de Jesus deu frutos imediatos. Assim se explica o despojamento e a solidariedade com que o desconhecido partilhou seus parcos alimentos, levando a multidão a não desfalecer pela fome. A superação do egoísmo já foi um verdadeiro milagre.
São Cirilo e São Metódio[3]
A Igreja uniu numa só comemoração os que de fato foram irmãos de sangue, de fé e de vocação apostólica até a morte. Assim reza a oração da missa: "Õ Deus, pelos dois irmãos, Cirilo e Metódio, levastes a luz do Evangelho aos povos eslavos; dai-nos acolher no coração a vossa palavra".
Nasceram na Macedônia, Grécia. Metódio, nascido em 815, ainda muito jovem, foi nomeado governador da província da Macedônia inferior, onde se estabeleciam os eslavos. Cirilo, nascido em 826, ainda rapaz de 14 anos, foi acolhido pelo chanceler imperial e levado a Constantinopla, capital do Império Bizantino, para completar seus estudos. Depois de formado, lecionou filosofia e desenvolveu missão diplomática junto aos árabes.
Metódio abandonou a carreira administrativa e se fez monge, com trinta e oito anos de idade. Cirilo, anos mais tarde, juntou-se ao irmão.
A missão apostólica dos dois irmãos começou em 861. O príncipe da Moravia enviou uma embaixada a Constantinopla solicitando missionários para a conversão dos povos eslavos. Cirilo e Metódio tinham aprendido a língua eslava com imigrantes, durante a mocidade. Foram eles os designados para tal missão.
Os dois tiveram grande sensibilidade para com os valores culturais do povo: traduziram para a língua eslava a Sagrada Escritura e os textos litúrgicos, assim como adaptaram os ritos à cultura eslava. Assim o povo podia cantar, rezar e ler em sua própria língua, como também expressar-se com ritos mais significativos e próprios (realizando a reforma litúrgica, o Concílio Vaticano II fez o que eles fizeram naquela época para os povos eslavos).
Esta sábia adaptação causou, porém, os maiores dissabores aos missionários. Até então, a língua oficial na liturgia era a grega ou a latina. Havia muitos padres e missionários que se opunham à inovação de Cirilo e Metódio. Julgavam erroneamente que a unidade da Igreja Católica se quebraria pelo fato de um povo participar da liturgia oficial numa língua que não o latim ou o grego, e com ritos apropriados à sua cultura.
Os dois viajaram para Roma. O papa apoiou o trabalho deles e os incentivou. Autorizou o uso da língua eslava na liturgia com o povo. Os livros em eslavo, traduzidos pelos missionários, foram abençoados pelo papa e colocados oficialmente sobre o altar da basílica de Santa Maria Maior.
Cirilo já viera doente da missão. O papa quis sagrá-lo bispo, mas não foi possível, pois sua doença agravou-se e acabou falecendo em Roma com quarenta e dois anos de idade. Metódio foi ordenado sacerdote e celebrou sua primeira missa em rito eslavo com três outros companheiros. Voltou para seu campo de apostolado com os títulos de "missionário apostólico eslavo" e "legado pontifício".
"Numa segunda viagem a Roma, em 869, foi nomeado arcebispo de Sírmio. Dez anos depois teve de voltar a Roma para defender-se mais uma vez dos seus acusadores. Novamente o papa endossou seus métodos e trabalhos. Faleceu em 884. A atividade dos dois irmãos apóstolos dos eslavos foi e continua sendo muito significativa: além de procurarem, por todos os meios, adaptar a evangelização à cultura do povo, representaram também o elo de união entre as assim chamadas Igreja Ocidental e Igreja Oriental, que lamentavelmente iriam se separar com o decorrer do tempo.
O Papa João Paulo II proclamou-os patronos da Europa junto com São Bento.
Nem tudo o que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser
modificado até que seja enfrentado. (James Baldwin)