Sábado, 13 de novembro de 2010

32º do Tempo Comum (Ano “C”), 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Santos: Alberico de Utrecht (monge, bispo), Clementino, Teodoro e Filomeno (mártires de Heracléia, na Trácia), Dubrício de Madley (bispo), Gregório do Sinai (mártir), Hipácio de Gangra (bispo, mártir), Jucundo de Bolonha (bispo), Lourenço de Dublin (agostiniano, bispo), Modano de Aberdeen (bispo), Montano de Lorena (eremita, bispo), Nicolau Tavelic e companheiros (mártires), Serapião de Algiers (mercedário, mártir), Serapião de Alexandria (mártir), Sidônio de Saint-Saëns (abade), Veneranda de Gaul (virgem, mártir), Venerando de Troyes (mártir), João Liccio (dominicano, bem-aventurado) , Maria de Jesus López de Rivas (virgem, bem-aventurada)

 

Antífona: Chegue até vós a minha súplica; inclinai vosso ouvido à minha prece. (Sl 87,3)

 

Oração: Ó Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: 3ª Carta de São João (3Jo 5-8)
Por amor do nome eles empreenderam a viagem

 

5Caríssimo Gaio, é muito leal o teu proceder, agindo assim com teus irmãos, ainda que estrangeiros. 6Eles deram testemunho da tua caridade diante da Igreja. Farás bem em provê-los para a viagem de um modo digno de Deus. 7Pois, por amor do Nome, eles empreenderam a viagem, sem aceitar nada da parte dos pagãos. 8A nós, portanto, cabe acolhê-los, para sermos cooperadores da verdade. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

A nós cabe acolhê-los, para sermos cooperadores da verdade

 

A hospitalidade, como forma de caridade, é "obra de fé". Faz daqueles que ajudam os missionários "cooperadores de Deus na verdade". A ajuda fraterna a quem anuncia o evangelho faz-nos participantes de seu testemunho. Ainda hoje o apostolado missionário da Igreja tem absoluta necessidade do apoio moral e material de todos os membros da comunidade. Cumpre "infundir nos católicos, desde a mais tenra idade, um espírito realmente universal e missionário, para favorecer uma adequada colheita de auxílios em favor de todas as missões e segundo a necessidade de cada uma". "É obra verdadeiramente divina cooperar na salvação das almas", diz são João Crisóstomo; e Agostinho não receia afirmar que "quem ajuda a salvar uma alma garante sua eterna salvação" [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 111 (112), 1-2.3-4.5-6 (R/.1)
Feliz aquele que respeita o Senhor!

 

Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos!

 

Haverá glória e riqueza em sua casa, e permanece para sempre o bem que fez. Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos.

 

Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente!

 

Evangelho: Lucas (Lc 18, 1-8)
Parábola do juiz e da viúva

 

Naquele tempo, 1Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo: 2"Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. 3Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: 'Faze-me justiça contra o meu adversário!' 4Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: 'Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. 5Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha agredir-me!"' 6E o Senhor acrescentou: "Escutai o que diz este juiz injusto. 7E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? 8Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?"  Palavra da Salvação!

 

Comentando o Evangelho

O clamor do pobre

 

Jesus ilustrou seu ensinamento, a respeito do dever de orar sem jamais desanimar, com a parábola da pobre viúva às voltas com um juiz iníquo. Sua doutrina tem como pano de fundo um tema frequente na literatura sapiencial do Antigo Testamento: a predisposição divina a ouvir e atender o clamor dos pobres. Pode-se falar em parcialidade de Deus em favor de seus preferidos. Ele ouve a prece de quem é tratado injustamente e jamais rejeita a súplica do órfão e da viúva, quando extravasam suas queixas. O grito dos pobres atravessa as nuvens e o Altíssimo não descansa enquanto não intervém em favor deles. Deus está sempre pronto para defender a causa do humilde e indefeso. Em suma, coloca-se a favor dos fracos e assume a causa deles.

 

Pelo contrário, ele rejeita a oração dos injustos e prepotentes, cujas mãos estão manchadas de sangue e só são usadas para oprimir e massacrar. E, se voltam para Deus, é só para falar com soberba e arrogância. Resultado: sua oração jamais obterá o beneplácito divino!

 

A oração do discípulo do Reino deve ser a do pobre que só conta com a proteção divina, pois, fora de Deus, não tem a quem recorrer. Sua oração será perseverante, uma vez que está sempre seguro de ser atendido, mesmo que isso possa demorar.

 

Se um Juiz iníquo acabou sendo movido pela insistência de uma pobre viúva, quando mais o Pai misericordioso se deixará mover pelo clamor de seus filhos queridos. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C,  ©Paulinas, 1996]

 

Para Sua Reflexão:

As viúvas eram um grupo especial particularmente exposto a abusos legais e judiciais, entre outras razões, porque não podiam subornar nem pagar. O Juiz em função era “iníquo”: não temia a Deus nem respeitava as pessoas. É significativa a associação: respeitar a Deus e as pessoas; implicam-se mutuamente. Os julgamentos costumavam celebrar-se à porta da cidade ou em outro lugar público, de modo que a viúva tinha acesso e podia reclamar publicamente. A mulher não desespera nem se resigna, insiste tenazmente. É sua única arma; resignar-se seria fazer o jogo da injustiça. Até que o juiz ceda e se ocupe dela por puro egoísmo: para que não me encha (diríamos em linguagem popular). É audaz sobrepor a Deus a imagem, do juiz injusto e egoísta. Quando Deus tolera o malvado e deixa sofrer suas vítimas, é injusto? (Jr 15, 15). A surpresa nos faz fixar-nos mais no ponto central: Deus fará justiça, e sem demora.  Muitos acontecimentos históricos induzem os homens a duvidar da justiça de Deus. Deus não se omite nem desatende os escolhidos.  [Bíblia do Peregrino]

 

Se você não tolerar as faltas do seu amigo, estará sendo desonesto consigo mesmo. (Públio Siro)