Sábado, 13 de setembro de 2008
São João Crisóstomo (bispo e doutor), Memória, 3ª do Saltério (Livro III), cor Branca
Velarei sobre as minhas ovelhas, diz o Senhor; chamarei um pastor que as conduza e serei o seu Deus. (Ez 34, 11.23-24)
Santos: João Crisóstomo (conhecido como Boca de Ouro, ordenado presbítero em 386), Ligório, Juliano (mártir), Maurílio (435), Eulógio (Patriarca de Alexandria), Amado (630), Sancts de Montefabro (confessor franciscano, 1ª ordem)
Oração: Ó Deus, força dos que em vós esperam, que fizestes brilhar na vossa Igreja o bispo São João Crisóstomo por admirável eloqüência e grande coragem nas provações, dai-nos seguir os seus ensinamentos, e robustecer-nos com sua invencível fortaleza. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura:
1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 10, 14-22)
O
despertar de para a fidelidade nos caminhos do Senhor
14Meus caríssimos, fugi da idolatria. 15Eu vos falo como a pessoas esclarecidas. Então, ponderai bem o que eu digo: 16O cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? 17Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão. 18Considerai os filhos de Israel: Os que comem as vítimas sacrificais não estão em comunhão com o altar? 19Então, o que dizer? Que a carne de um sacrifício idolátrico tem algum valor? Ou que o ídolo vale alguma coisa? 20Nada disso. O que eu digo é que os idólatras oferecem seus sacrifícios aos demônios e não a Deus. Ora, eu não quero que entreis em comunhão com os demônios. 21Vós não podeis beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios; vós não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. 22Ou, quem sabe, queremos excitar o zelo santo do Senhor? Somos porventura mais fortes do que ele? Palavra do Senhor!
Comentando 1Cor 10, 14-2[1]
Nós todos somos um só corpo
O problema é atual ainda hoje. Trata-se da identidade do cristão numa sociedade que já o não é. Com quem se identificará o cristão? A celebração da Eucaristia põe o cristão em direta e misteriosa “comunhão” com o corpo e o sangue de Cristo (v. 16). Esta “comunhão” faz que os cristãos, embora sendo “muitos”, formem entre si “um só corpo” (V. 17). Paulo queria dizer que a Eucaristia “faz” a Igreja, enquanto é “comunhão” com Cristo e com os irmãos. Para ele, não há dúvida, a identidade do cristão é dada pela Eucaristia, que o faz participar no corpo e sangue de Cristo.
Salmo
Responsorial: 115 (116B), 12-13.17-18 (R/.17a)
Oferto
ao Senhor um sacrifício de louvor
12Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? 13Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor.
17Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor. 18Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido.
Evangelho:
Mateus (Lc 6, 43-49)
Pode
um cego guiar outro cego?
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons. 44Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem uvas de plantas espinhosas. 45O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração. Mas o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio.
46Por que me chamais: ‘Senhor! Senhor!’, mas não fazeis o que eu digo? 47Vou mostrar-vos com quem se parece todo aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as põe em prática. 48É semelhante a um homem que construiu uma casa: cavou fundo e colocou o alicerce sobre a rocha. Veio a enchente, a torrente deu contra a casa, mas não conseguiu derrubá-la, porque estava bem construída. 49Aquele, porém, que ouve e não põe em prática, é semelhante a um homem que construiu uma casa no chão, sem alicerce. A torrente deu contra a casa, e ela imediatamente desabou; e foi grande a ruína dessa casa”. Palavra da Salvação!
Comentando Mateus (Lc 6, 43-49)[2]
A árvore e seus frutos
Jesus procurava evitar que, entre seus discípulos, houvesse lugar para a inautenticidade. Afinal, eles tinham recebido a tarefa de levar adiante a missão do Mestre, e estariam sempre em evidência. Sua condição de mestres poderia levá-los a se despreocuparem em praticar o que ensinavam. Como os fariseus, corriam o risco de se tornarem hipócritas e ensinarem normas severas para os outros, e suaves para si.
Jesus alertou os seus discípulos para estarem atentos quanto ao modo de vida
dos líderes da comunidade. Belas palavras seriam inúteis, sem o respaldo de uma
vida condizente com os ensinamentos. Quando o modo de proceder do líder é
censurável, é mais prudente não dar ouvido às suas palavras. Sua vida
testemunha a incapacidade de penetrar no sentido das exigências do Reino. Sem
esta compreensão prévia, é ousado pretender arvorar-se em guia da comunidade.
Os frutos mostram tratar-se de uma árvore má.
É no coração que o ser humano esconde seu verdadeiro tesouro, e não na boca.
Quem tem o coração repleto de coisas boas, diz e faz coisas dignas de serem
imitadas. Quem tem o coração repleto de maldade, por mais que ensine coisas
bonitas, será incapaz de realizá-las. Por conseguinte, é melhor não lhe dar
crédito.
O testemunho de vida é a prova inequívoca do que se passa no coração. Em outras
palavras, revela o que a pessoa é.
São João Crisóstomo[3]
João, descendente de família distinta, nasceu em Antioquia da Síria, em 348. O pai, comandante das tropas imperiais no Oriente, morreu cedo, deixando a educação do filho à esposa Antusa, mulher de excelsas virtudes. A fim de dedicar-se completamente à educação do filho, Antusa, viúva aos vinte anos, recusou as segundas núpcias. Providenciou ao filho os melhores professores de filosofia e retórica, entre os quais, Libânio, mestre de grande renome.
Aos vinte e dois anos, João queria retirar-se à solidão do deserto, à imitação de muitos eremitas, mas foi demovido pelas lágrimas da mãe que tanto se sacrificara por ele.
João tinha alma de monge e, por isso, mais tarde, passaria quatro anos na solidão, dedicando-se exclusivamente às austeras práticas da vida religiosa e aos estudos dos Sagrados Livros. Como a saúde não agüentasse a dureza da vida do deserto, voltou para Antioquia, onde, ordenado sacerdote, iniciou sua notável atividade pastoral como escritor e orador sacro. Escreveu nesse tempo um tratado sobre o sacerdócio, que é um dos mais belos de todos os tempos. Pondo em prática as lições de retórica do grande mestre Libânio, João tornou-se orador de excepcionais qualidades, de tal modo, que mereceu o título de "Boca de Ouro" ("Crisóstomo") que a posteridade lhe deu.
Sua fama de santidade e de exímio orador tinha-se espalhado por todo o Oriente. Quando faleceu o patriarca de Constantinopla, o imperador Arcádio chamou Crisóstomo para ocupar-lhe o lugar. Foi preciso toda a autoridade e habilidade do imperador para induzir João a aceitar semelhante oficio. Aquele cargo foi, de fato, sua cruz, seu martírio. Da vida simples e pacata de Antioquia, viu-se João Crisóstomo transportado para a grande metrópole, a cidade do luxo, do mundanismo, das intrigas políticas.
Ao assumir o governo da diocese, Crisóstomo procurou conhecer bem o terreno em que pisava. Notou como o clero, em sua maioria, era pouco preparado para sua divina missão; era ambicioso, avarento, politiqueiro. A corte era corrupta e, o que é pior, se intrometia facilmente nos negócios e na vida da Igreja. A vida social era decadente, levada pelo luxo, pelas futilidades, pelas cobiças e prazeres.
João começou sua obra de reforma pelo clero e os religiosos exigindo a observância dos cânones eclesiásticos, de acordo com a pobreza e simplicidade evangélica. Em seus arrebatados sermões, começou a verberar o mundanismo, o luxo, a imoralidade da vida social, as intrigas da vida política, as ingerências da corte na organização e disciplina eclesiástica. Sua atitude de pastor zeloso, firme, enérgico era acompanhada de seus exemplos, de austeridade e grande caridade.
Mas os atritos provindos com o clero e, sobretudo, com a aristocracia não tardaram e provocaram a crise. A imperatriz Eudóxia, mulher ambiciosa e intolerante, encabeçou um movimento contra o patriarca João Crisóstomo, exigindo o exílio dele, que durou poucos meses, devido à pressão do povo.
Mais um ano e deu-se uma segunda deposição do patriarca. Desta vez ficou exilado numa região quase inacessível, a fim de evitar sua marcante influência que podia provocar um levante do povo. Não resistindo aos sofrimentos da longa viagem e aos maus tratos, João veio a falecer em 407, completando dez anos de pontificado e 59 de idade.
Crisóstomo é contado entre os maiores Doutores da Igreja. Sua obra escrita consiste, sobretudo, em homilias, sermões e comentários exegéticos às cartas de São Paulo. São de uma beleza e profundidade insuperáveis.
Boca de Ouro, Alma de Anjo, Coração de Pai, João foi o tipo acabado de santo e de pastor. Suas últimas palavras ao morrer, após a longa via dolorosa do desterro, foram: "Glória seja dada a Deus em tudo"!
Não duvidemos em socorrer aos que têm partido e em oferece nossas preces por eles. (São João Crisóstomo)