Sábado, 13 de agosto de 2011

19ª Semana do Tempo Comum,  Ano Impar, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia do Economista, dia dos Encarcerados e dia do Canhoto

 

Santos: Benildo Romancon (irmão lassalista), Cassiano de Ímola (mártir), Cassiano de Todi (bispo, mártir), Concórdia (mártir), Félix e Fortunato (mártires de Aquiléia), Gertrudes (virgem), Irene da Hungria (imperatriz), Máximo, o confessor (teólogo bizantino), Radegundes (rainha da França).

 

Antífona: Considerai, Senhor, vossa aliança, e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa e não desprezeis o clamor de quem vos busca. (Sl 73, 20.19.22.23)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Josué (Js 24. 14-29)
Fidelidade e conversão verdadeira

 

Naqueles dias, Josué disse a todo o povo: 14"Agora, pois, temei ao Senhor e servi-o com um coração íntegro e sincero, e lançai fora os deuses a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia e no Egito, e servi ao Senhor. 15Contudo, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor". 16E o povo respondeu, dizendo: "Longe de nós abandonarmos o Senhor, para servir a deuses estranhos. 17Porque o Senhor, nosso Deus, ele mesmo, é quem nos tirou, a nós e a nossos pais, da terra do Egito, da casa da escravidão. Foi ele quem realizou esses grandes prodígios diante de nossos olhos, e nos guardou por todos os caminhos por onde peregrinamos, e no meio de todos os povos pelos quais passamos. 18O Senhor expulsou diante de nós todas as nações, especialmente os amorreus, que habitavam a terra em que entramos. Portanto, nós também serviremos ao Senhor, porque ele é o nosso Deus".  

 

19Então Josué disse ao povo: "Não podeis servir ao Senhor, pois ele é um Deus santo, um Deus ciumento, que não suportará vossas transgressões e pecados. 20Se abandonardes o Senhor e servirdes a deuses estranhos, ele se voltará contra vós, e vos tratará mal e vos aniquilará, depois de vos ter tratado bem". 21O povo, porém, respondeu a Josué: "Não! É ao Senhor que serviremos". 22Josué então disse ao povo: "Sois testemunhas contra vós mesmos de que escolhestes o Senhor para servi-lo". E eles responderam: "Sim! Somos testemunhas!" 23"Sendo assim, disse Josué, tirai do meio de vós os deuses estranhos e inclinai os vossos corações para o Senhor, Deus de Israel". 24O povo disse a Josué: "Serviremos ao Senhor, nosso Deus, e seremos obedientes aos seus preceitos".  

 

25Naquele dia, Josué estabeleceu uma aliança com o povo, e lhes propôs preceitos e leis em Siquém. 26Josué escreveu estas palavras no livro da lei de Deus. A seguir, tomou uma grande pedra e levantou-a ali, debaixo do carvalho que havia no santuário do Senhor. 27Então Josué disse a todo o povo: "Esta pedra que estais vendo servirá de testemunha contra vós, pois ela ouviu todas as palavras que o Senhor vos disse, para que depois não possais renegar o Senhor, vosso Deus". 28Em seguida, Josué despediu o povo, para que fosse cada um para suas terras. 29Depois desses acontecimentos, morreu Josué, filho de Nun, servo do Senhor, com a idade de cento e dez anos. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Escolhei hoje a quem quereis servir 

 

Apelo aos crentes para uma decisão que seja verdadeiro esforço humano, opção consciente e madura. Fé e religião são coisa séria. Não se pode ser "cristão" pela metade, dentro sim, fora não; em casa e na igreja sim, na sociedade não. É necessário decidir-se por um cristianismo de vida, não de mera prática cultual; por uma "conversão" radical que faça a cada passo as renúncias necessárias: fora os ídolos (os vícios que cada um acaricia e defende)! Defrontar-se com as exigências, dificuldades, riscos, urgências que a fé traz em si, para dar a Cristo uma adesão ponderada, conscienciosa, que seja projeto de vida. Uma adesão irresponsável não faz "cristãos", não serve nem a si nem aos demais, não agrada a Deus. Sem adesão convicta, calcula­da, não se segue a Cristo (Lc 14,25-33). Está em causa a fidelidade do "povo cristão"; esta não é só um fato individual [Missal Cotidiano, © Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 15 (16), 1-2a. e 5.7-8.11 (R/.cf. 5a) 
O Senhor é a porção da minha herança!  

 

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! Digo ao Senhor: "Somente vós sois meu Senhor. Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, meu destino está seguro em vossas mãos!”

  

Eu bendigo o Senhor, que me aconselha, e até de noite me adverte o coração. Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, pois se o tenho a meu lado não vacilo.  

 

Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado!

 

Evangelho: Mateus (Mt 19, 13-15)
Jesus e as crianças  

 

Naquele tempo, 13levaram crianças a Jesus, para que impusesse as mãos sobre elas e fizesse uma oração. Os discípulos, porém, as repreendiam. 14Então Jesus disse: "Deixai as crianças, e não as proibais de virem a mim, porque delas é o reino dos céus". 15E depois de impor as mãos sobre elas, Jesus partiu dali. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas nos sinóticos: Mc 10, 13-16; Lc 18, 15-17

 

 

 

Comentário o Evangelho

Acolhendo os pequeninos

 

No tempo de Jesus costumava-se apresentar as crianças aos rabinos e a outras pessoas importantes para serem abençoadas. Portanto, o fato de trazerem as crianças para que Jesus lhes impusesse as mãos e as abençoasse foi algo absolutamente normal. Por que, então, a atitude violenta dos discípulos, para impedir que as crianças se aproximassem de Jesus?


É que eles ainda não haviam entendido em profundidade o sentido do ministério do Mestre, o motivo de sua presença na história humana. Faltava-lhes compreender que Jesus viera para servir os marginalizados de forma a devolver-lhes a dignidade. E as crianças pertenciam a uma categoria social à qual se devia especial atenção, por serem vítimas da exclusão da sociedade. Eram consideradas propriedade do pai, juntamente com os outros haveres. Eram "coisificadas"!

 

As palavras de Jesus revestem as crianças de uma dignidade incomparável: o Reino pertence às pessoas que se assemelham a elas! Portanto, quem deseja fazer-se discípulo do Reino deve espelhar-se na simplicidade e na confiança das crianças, deixando de lado a soberba e a arrogância para revestir-se da pureza de coração, característica dos pequeninos. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998/


Jesus tinha, pois, motivos suficientes para dedicar tempo às crianças. Ele não podia privá-las de sua amizade, por terem um lugar especial no Reino.

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Pelos bispos, padres e diáconos, nossos animadores na fé. Obrigado/a, Senhor.

Pelas crianças, sinais do reino e alegria das famílias.

Pelos catequistas, transmissores da mensagem de Deus.

Por Maria, mãe de Jesus e da Igreja e nossa grande esperança.

Pelas famílias, instrumentos de paz na comunidade.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, acolhei com misericórdia os dons que concedestes à vossa Igreja e que ela agora vos oferece. Transformai-os, por vosso poder, em sacramento de salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo, diz o Senhor. (Jo 6, 52)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, o vosso sacramento que acabamos de receber nos traga a salvação e nos confirme na vossa verdade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Mateus já apresentou as crianças como modelo para os discípulos. O relato contrapõe a atitude de Jesus ao incômodo que os discípulos experimentavam. Jesus emprega este gesto simbólico para ressaltar a precedência que têm no reino dos céus aqueles que se fazem com eles, ou seja, os que recebem simplesmente e humildemente como dom gratuito de Deus. (Novo Testamento, Edição de Estudos, Ave-Maria)

 

 

Santos Hipólito e Ponciano

 

 

 

Presbítero e teólogo, Roma, Itália, mátir, 235 d.C. Ele é padroeiro dos defensores da fé. Exercia sua vida religiosa com austeridade. Combatia as heresias e até mesmo declarando-se antipapa contra Calisto e Ponciano que depois foi declarado como santo. Porém o papa conseguiu tirar a dureza de coração de Hipólito, pouco inclinado ao perdão, que já se encontrava em exílio numa região da Sardenha com poucas condições de sobrevivência e também acabou sendo deportado para lá após ter renunciado ao pontificado para beneficiar os cristãos. Tratava-se daquele que viria ser são Ponciano. Tal atitude comoveu a Hipólito que se reconciliou com a Igreja e passou a aceitar a figura do Papa como seu legítimo representante. O Papa Dâmaso declarou, sobre são Hipólito: "Na hora da prova, no tempo em que a espada cortava as vísceras da santa Mãe Igreja, com fidelidade a Cristo ele caminhou para o reino dos santos". Hipólito também foi bispo e escritor, além de mártir juntamente com Ponciono, foram sepultados em Roma. Hipólito na via Tuburtina e Ponciano nas catacumbas de são Calisto.

 

 

Ganha quem Perde

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte - MG

 

Os princípios que regem a vida de cada um e de todos determinam as direções, definem as prioridades e desenham o horizonte para o caminho existencial, configurando as dinâmicas que presidem o jeito de ser sociedade.

 

O preceito que diz “para ganhar tem que perder” dá um verdadeiro nó na racionalidade que preside as relações na sociedade contemporânea. Neste momento está em pauta a discussão sobre a crise econômica que se abate em regiões determinadas da geografia da Terra. A linguagem do economês, com a complexidade de números e princípios, detecta a crise por razões como as quedas nas bolsas de valores, entre outras, revelando fragilidades e anunciando desafios. Em jogo está, sem dúvida, a questão desafiadora, matemática e eticamente, do lucro, que é um princípio determinante para garantir hegemonias de blocos econômicos, o poder de instituições e o poderio de nações sobre outras. Mesmo quando entre essas outras estão as pátrias de famintos e miseráveis.

 

É curioso como este tipo de crise revela o princípio do lucro e da hegemonia. Tenha-se presente a classificação pelo critério de potência econômica - configurando lugares e autocompreensão, enquanto povo, nação e sociedade, escancarando a dificuldade de se viver padrões diferentes e alavancar o próprio sentido de equilíbrio em princípios outros. Mal comparando, é constatar uma crise econômica na vida de quem ganha muito, que não apenas tem o necessário para viver, mas se dá ao luxo inaceitável e pecaminoso de esbanjar quando é preciso pensar a vida com menos.

 

Uma vida diária mais simples gera crises em proporções não tão reais pelos números a menos, mas configuradas pelas considerações que os princípios adotados determinam. Os que vivem o dia a dia sobriamente, com dignidade e dinheiro, sofrem diferente a sua crise econômica em comparação aos que têm muito, para além da conta, em se pensando o princípio de uma sociedade mais igualitária. Na verdade, a crise econômica está nos funcionamentos próprios da complexidade da economia, mas também uma crise em razão dos princípios que determinam compreensões, sentimentos e a própria racionalidade da definição de prioridades e importâncias.

 

Aqui se está no meio do tsunami terrível do desejo onipotente e irrefreável de possuir como forma de poder e segurança, que tem no dinheiro a referência máxima de princípio, enjaulando a vivência e a compreensão existencial, com consequentes comprometimentos de outros princípios intocáveis e insubstituíveis, fundamentais para o equilíbrio e a direção certa na vida.

 

Não é por outro motivo que o apóstolo Paulo, numa de suas cartas, afirma categoricamente que o dinheiro é a fonte de todos os males. No cenário em que se comenta sobre crise econômica, aqui e acolá, se hospedam também as notícias de escândalos de corrupção, com envolvimento de pessoas e instâncias das quais se pressuporia conduta ilibada, traídas pela ganância e pelo inexorável desejo do dinheiro.

 

O dinheiro - que é um sistema desafiado a funcionar para promover igualdades, suscitar o sentido de solidariedade sem paternalismos e dependências, apoiar projetos e programas que ultrapassam fronteiras partidárias e estreitas - garante conquistas no âmbito plural de bens e põe a sociedade aberta a valores que, verdadeiramente, asseguram uma sociedade sustentável.

 

No emaranhado desta complexa questão ecoa, então, o princípio formulado por Jesus, na sua incomparável maestria, por meio de uma lógica paradoxal desconcertante. A pedagogia de Jesus, no princípio ganha quem perde, aponta a contramão da lógica que preside a compreensão e as escolhas que regem o andamento da sociedade, além dos sentimentos no coração de cada pessoa.

 

A aprendizagem deste princípio, ensinado pelo Mestre aos seus discípulos, é a adoção do remédio para sanar a lógica perversa que facilmente se instala nos mecanismos de funcionamento nas relações econômicas e comerciais, no interno da sociedade, perpetuando situações abomináveis de miséria e de corrupção, com manipulações vergonhosas e mesquinhez comprometedora de generosidades que corrigiriam descompassos e permitiriam alcançar metas e projetos importantes para a sociedade.

 

Quem perde ganha é uma importante lição ministrada por Jesus aos discípulos ao introduzi-los na dinâmica do mundo. Este princípio tem força de resgate ao desafiar as arrumações de certas lógicas da razão humana. Não é uma simples oposição à necessária organização econômica e definição de suas normas e metas. Esta lógica paradoxal desmonta apegos, qualifica critérios, devolve a paz, conduz a vida entendida como serviço e oferta - o sentido mais autêntico de ganha quem perde. [Fonte: CNBB]

 

Onde impera a violência, não pode morar a paz. Os caminhos

da paz não passam pelas estradas da violência. (Phil Bosmans)