Sábado, 12 de novembro de 2011

São Josafá (Bispo e Mártir), Memória, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Vermelha

 

Hoje: Dia do Psicopedagogo, Dia Nacional de Prevenção de Arritmias Cardíacas e Morte Súbita; dia do Supermercado

 

Santos: Anastácio de Pannonhalma (monge, bispo), Armentário de Velay (bispo), Aurélio de Velay (bispo), Aurélio e Públio (bispos, mártires da Ásia), Benigno de Velay (bispo), Bento, João, Mateus, Isaac e Cristiano (monges, mártires), Bento de Benevento e Companheiros (mártires), Cuniberto de Trèves (bispo), Emílio de La Cogolla (abade), Escutário de Velay (bispo), Evódio de Le Puy (bispo), Libuíno de Deventer (monge), Livino de Alost (bispo, mártir) , Macário de Iona (bispo), Martinho I (papa, mártir), Nilo de Constantinopla (abade), Paterno de Saint-Pierre-le-Vif (monge, mártir), Renato de Angers (bispo), Rufo de Avignon (bispo), Suácrio de Velay (bispo), Ymar de Reculver (monge, mártir), Cristóvão de Portugal (mártir, bem-aventurado), Gabriel Ferretti (franciscano, bem-aventurado), João Cini "della Pace" (franciscano secular, bem-aventurado)

 

Antífona: Este santo lutou até a morte pela lei de seu Deus e não temeu as ameaças dos ímpios, pois se apoiava numa rocha inabalável.

 

Oração: Suscitai, ó Deus, na vossa Igreja o Espírito que impediu o bispo são Josafá a dar a vida por suas ovelhas e concedei que, por sua intercessão, fortificados pelo mesmo Espírito, estejamos prontos ea dar a nossa vida pelos nossos irmãos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Sabedoria (Sb 18, 14-16; 19, 6-9)
A sabedoria guiou a saída do Egito

 

14Quando um tranqüilo silêncio envolvia todas as coisas e a noite chegava ao meio de seu curso, 15a tua palavra onipotente, vinda do alto do céu, do seu trono real, precipitou-se, como guerreiro impiedoso, no meio de uma terra condenada ao extermínio; como espada afiada, levava teu decreto irrevogável; 16efendendo-se, encheu tudo de morte e, mesmo estando sobre a terra, ela atingia o céu. 19,6Então, a criação inteira, obediente às tuas ordens, foi de novo remodelada em cada espécie de seres, para que teus filhos fossem preservados de todo perigo. 7Apareceu a nuvem para dar sombra ao acampamento, e a terra enxuta surgiu onde antes era água: o mar Vermelho tornou-se caminho desimpedido, e as ondas violentas se transformaram em campo verdejante, 8por onde passaram, como um só povo, os que eram protegidos por tua mão, contemplando coisas assombrosas. 9Como cavalos soltos na pastagem e como cordeiros, correndo aos saltos, glorificaram-te, Senhor, seu libertador. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

O mar Vermelho tornou-se caminho desimpedido

 

O equilíbrio cósmico tem por fim o bem do homem; a natureza está a seu serviço. Homem e natureza estão indissoluvelmente unidos para conseguir a salvação que envolve todo o criado. “Eis que eu crio novos céu e uma nova terra” (Is 65, 17). “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21, 5): salvação última que renovará o mundo, segundo o primitivo desígnio de Deus. O povo de Israel, que transpõe o mar Vermelho, é figura de toda a humanidade que entra em uma nova dimensão, a salvação de que participa toda a criatura. Não seremos privados do mundo, da natureza, do corpo, mas finalmente reconciliados com Deus, conosco, com as criaturas, alcançaremos o fim para que todo ser foi criado. O centro dessa reconciliação e comunhão é Jesus, pelo qual passamos da escravidão do pecado à libertação de filhos de Deus. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 104 (105) 2-3.36-37.42-43 (+5a)

Lembrai sempre as maravilhas do Senhor!

 

Cantai, entoai saímos para ele, publicai todas as suas maravilhas! Gloriai-vos em seu nome que é santo, exulte o coração que busca a Deus!

 

Matou na própria terra os primogênitos, a fina flor de sua força varonil. Fez sair com ouro e prata o povo eleito, nenhum doente se encontrava em suas tribos.

 

Ele lembrou-se de seu santo juramento, que fizera a Abraão, seu servidor. Fez sair com grande júbilo o seu povo, e seus eleitos, entre gritos de alegria.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 18, 1-8)

A viúva importuna e o juiz iníquo

 

Naquele tempo, 1Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo: 2"Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. 3Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: 'Faz-me justiça contra o meu adversário!' 4Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: 'Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. 5Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha agredir-me!"' 6E o Senhor acrescentou: "Escutai o que diz este juiz injusto. 7E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? 8Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?" Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 24, 12; 8, 10

 

 

Comentário o Evangelho

O defensor dos pobres

 

A parábola da viúva corajosa, disposta a fazer valer os seus direitos contra tudo e contra todos, visa a instruir os discípulos a rezar sempre, sem desanimar jamais.

 

Qual é a imagem de Deus e a imagem do ser humano orante, nela veiculadas?

 

De acordo com a tradição bíblica, Deus é o defensor dos pobres e injustiçados, seus eleitos. O Deuteronômio proclama que "Deus faz justiça ao órfão e à viúva; e ama o estrangeiro, dando-lhe alimento e veste". Embora sua justiça tarde em manifestar-se, ela se manifestará na certa.

 

O orante é, fundamentalmente, o indigente, privado de qualquer apoio externo, e que conta somente com a proteção divina, de maneira resoluta, mas sem fatalismo nem acomodação. Sabe o que espera de Deus e tem plena certeza de que obterá. Posicionando-se contra todas as forças adversas, o orante vai em frente, sem deixar sua fé esmorecer. Antes, a adversidade torna-o cada vez mais obstinado em alcançar o fim almejado.

 

Para a comunidade perseguida, a parábola era um incentivo para seguir adiante, embora a intervenção divina tardasse a acontecer. O silêncio de Deus não pode ser tomado como omissão ou desprezo por seus eleitos. No momento oportuno, a justiça será feita.

 

Por nenhum motivo o discípulo de Jesus pode bandear-se para o pecado como se sua atitude fosse sem consequências. Afinal, o julgamento divino antecipa-se, e acontece no dia-a-dia, vivido na fidelidade a Deus e ao seu Reino. Aí, já se constrói a salvação. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Oração da Assembléia (Liturgia Diária)

Para que a Igreja nunca esqueça seu compromisso com os pobres, rezemos.  Senhor, escutai a nossa prece.

Para que nossa caminhada no mundo seja uma preparação para o encontro definitivo com Deus, rezemos.

Para que as pessoas saibam discernir o que é essencial e o que é secundário na vida, rezemos.

Para que sejamos fortes diante das propostas contrárias ao evangelho, rezemos.

Para que os profissionais da saúde sempre atuem em favor da dignidade da vida humana, rezemos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus de clemência, derramai vossa bênção sobre as nossas oferendas e fortificai-nos na fé  que são Josafá proclamou, ao derramar o próprio sangue. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Quem quiser ser meu discípulo renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me, diz o Senhor. (Mt 16,24)

 

Oração Depois da Comunhão:

Possamos encontrar, ó Deus, nesta mesa celeste, o Espírito da força e da paz, para que, a exemplo de são Josafá, consagremos alegremente nossa vida à honra e à unidade da Igreja. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para Sua Reflexão:

As viúvas eram um grupo especial particularmente exposto a abusos legais e judiciais, entre outras razões, porque não podiam subornar nem pagar. O Juiz em função era “iníquo”: não temia a Deus nem respeitava as pessoas. É significativa a associação: respeitar a Deus e as pessoas; implicam-se mutuamente. Os julgamentos costumavam celebrar-se à porta da cidade ou em outro lugar público, de modo que a viúva tinha acesso e podia reclamar publicamente. A mulher não desespera nem se resigna, insiste tenazmente. É sua única arma; resignar-se seria fazer o jogo da injustiça. Até que o juiz ceda e se ocupe dela por puro egoísmo: para que não me encha (diríamos em linguagem popular). É audaz sobrepor a Deus a imagem, do juiz injusto e egoísta. Quando Deus tolera o malvado e deixa sofrer suas vítimas, é injusto? (Jr 15, 15). A surpresa nos faz fixar-nos mais no ponto central: Deus fará justiça, e sem demora.  Muitos acontecimentos históricos induzem os homens a duvidar da justiça de Deus. Deus não se omite nem desatende os escolhidos.  [Bíblia do Peregrino]

 

 

São Josafá Kuncewycz

 

 

 

 

São Josafá nasceu na Ucrânia, em Wladimir, por volta do ano 1580. Seus pais eram ortodoxos e viviam na Rutênia, pertencentes à Polônia. A Rússia foi evangelizada pelos cristãos bizantinos pouco antes do cisma do século XI e seguiu a Igreja grega na separação de Roma, aceitando-lhe a dependência até 1589, quando se tornou autônoma com a elevação do metropolita de Moscou à dignidade de patriarca. Neste mesmo período a Rutênia havia passado do domínio russo ao polonês. Os sacerdotes ortodoxos, entrando em comunhão com Roma, puderam manter os autênticos ritos e as tradições da Igreja eslava. Neste clima ecumênico, que fazia pressagiar a composição do cisma do Oriente, nascia João Kuncewycz, o futuro apóstolo da unidade dos cristão do Oriente.

 

O batismo de João amadureceu a sua completa adesão à unidade com Roma, recebendo os outros bens, como a palavra de Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade. A Igreja russa tinha de fato conservado intacto o essencial da fé e da estrutura eclesial, como os sacramentos, a liturgia, a antiga tradição apostólica e patrística, o culto dos santos, a devoção mariana, o profundo ascetismo. Foi precisamente a espiritualidade monástica oriental, cuja influência deu início a grande florescimento de vida monástica na Europa, que trouxe João à completa união com Roma. Foi o primeiro noviço do primeiro mosteiro basiliano unido, o da Santíssima trindade de Vilna. Tinha vinte anos. Mudou o nome, recebendo o de Josafá, o nome bíblico do vale de Cédron, onde, segundo o profeta Joel, se reunirão as almas para o juízo final.

 

Foi eleito Bispo, sucedendo ao arcebispo Pólozk. Empreendeu enorme atividade de apostolado para a reforma da vida monástica e para a unidade dos cristãos, a ponto de merecer o apelido de “ raptor de lamas “.

 

São Josafá foi barbaramente assassinado por um grupo de facínoras no dia 12 de novembro de 1623 em Vitebst, na Rússia Branca, tendo sido amarrado seu corpo a um cão morto e jogaram-nos no fundo das águas de um rio, porque o seu zelo e a sua benemérita ação pela união com a Igreja de Roma havia-lhe atraído o ódio dos ortodoxos separados. Foi canonizado pelo Papa Pio IX em 1867.

 

Espiritualidade de São Josafá

 

De nobre família ortodoxa católica, nascia João Kuncewycz, o futuro apóstolo da unidade dos cristãos do oriente, que veio a receber outro nome no sacerdócio. Josafá foi uma das vítimas mais conhecidas num estado de tensão permanente: os cossacos da região de Dnieper, local entre a Polônia e a Rússia, fervorosos na fé ortodoxa constituíam uma ameaça permanente à Igreja Católica. Em 1596 o Sínodo de Brest realizou a união dos rutenos (russos) com a Igreja de Roma, como um passo importante que poderia despertar a esperança da união de outras igrejas ortodoxas, inclusive da russa. Mas ainda não havia chegado essa hora. E Josafá, monge basiliano dedicou sua vida em busca dessa união. Infelizmente foi trucidado pelos inimigos do Papa, em Vitebsk, quando lá estava em visita pastoral. Em 1643 foi declarado bem-aventurado e em 1867 foi canonizado. [http://www.miragemartigosreligiosos.com.br/]

 

 

Da intolerância à acolhida

Dom Redovino Rizzardo, cs, Bispo de Dourados - MS

 

No dia 10 de outubro, a imprensa informou que Juan Pablo Pino, jogador do Al Nasr, na Arábia Saudita, foi preso por exibir uma tatuagem de cunho religioso. O incidente ocorreu quando o atleta passeava com a esposa num shopping de Riad, capital do país. Com uma camiseta sem mangas e a imagem de Jesus à mostra, acabou revoltando as pessoas que estavam no local. A confusão chamou a atenção da polícia, e o rapaz foi preso.

 

No dia 11, em Roma, o cardeal Leonardo Sandri demonstrou seu pesar pelo massacre de um grupo de 26 cristãos ortodoxos ocorrido no domingo anterior, no Egito: «Estes irmãos ortodoxos, depois de sofrerem o incêndio de sua igreja, quiseram expressar, como quaisquer outros cidadãos, seu desejo de liberdade religiosa e de respeito a seus direitos. Infelizmente, nesta manifestação, encontraram o cálice amargo do sacrifício e da morte. Para todos, é um fato desolador, triste e angustiante. Solidarizamo-nos com a Igreja ortodoxa e com os familiares das vítimas de uma violência sem sentido».

 

No dia 14, os bispos da Igreja Católica do Canadá se posicionaram sobre a condenação à morte do pastor evangélico Youssef Nadarkhani, preso no Irã por ter deixado o Islã e abraçado o Cristianismo. Em carta às autoridades políticas e judiciárias daquele país, Dom Brendan O’Brien convidou-as a respeitar a liberdade religiosa: «Pedimos que o pastor Nadarkhani, assim como todas as demais pessoas que vivem uma situação similar em seu país, sejam tratadas de acordo com o artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos”».

 

Por fim, no dia 28, em Perth, na Austrália, durante uma reunião dos 16 países que integram a Comunidade Britânica, foram revistas algumas das leis que regem a sucessão real no Reino Unido há 300 anos. Quem explicou a razão das mudanças foi o primeiro-ministro David Cameron: «A ideia de que o filho mais novo deva ser rei no lugar da irmã mais velha pelo simples fato de ser homem, ou de que um futuro monarca possa casar com uma pessoa de qualquer religião, menos a católica, é uma forma de pensar que está em desacordo com os países modernos que nos tornamos». Na verdade, os católicos continuam proibidos de assumir o trono inglês, pela interferência entre o governo civil e a Igreja Anglicana existente no país.

 

No Brasil, à primeira vista, parece que tudo seja diferente e tranquilo. De acordo com uma pesquisa realizada em 23 países pela Empresa Ipsos, ele é o terceiro país do mundo em que mais se acredita em Deus. Sobre 18.829 entrevistados, 51% creem numa entidade divina. Os que não acreditam são 18%, e os que não têm certeza, 17%.

 

Crer em Deus, porém, não significa que os brasileiros acolham pacificamente a doutrina pregada pelas denominações religiosas. Assim, por exemplo, somente 32% deles acreditam numa vida após a morte, enquanto 12% optam pela reencarnação.

 

Entre os pesquisados, um total de 18% afirmam que não acreditam em nenhum ser supremo. No topo da lista dos descrentes está a França; a Suécia vem em segundo lugar e a Bélgica em terceiro. No Brasil, de acordo com estudo publicado a 23 de agosto de 2011 pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, de 2003 a 2009, o grupo dos “sem religião” (ateus e agnósticos) passou de 5,1% para 6,7.

 

Em 2012, a Igreja Católica celebrará o 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II. Se as religiões quiserem voltar a ocupar o lugar que lhes cabe na sociedade, não podem esquecer as palavras pronunciadas pelo Papa João XXIII no dia 11 de outubro de 1962, na abertura dos trabalhos conciliares: «A Igreja sempre se opôs aos erros, condenando-os, às vezes, com a máxima severidade. Em nossos dias, porém, ela prefere recorrer mais ao remédio da misericórdia do que ao da severidade. Ela julga satisfazer melhor às necessidades atuais mostrando a validade da fé do que condenando os erros. Ela quer ser benigna, paciente e cheia de misericórdia para com todos». [CNBB]

 

Sou um otimista, mas um otimista que carrega um guarda-chuva. (Harold Wilson)