Sábado, 12 de junho de 2010

Imaculado Coração de Maria (Memória), Ano “C”,  2ª do Saltério (Livro III), cor Branca

 

Hoje: Dia dos Namorados e dia do Correio Aéreo Nacional

 

Santos: Gaspar Bertoni (fund); João de Sahagum (conf); Leão III (Papa); Olimpio Anfião, Nicolau, Ésquilo, Geroboldo (bispos); Onofre (anacs); Antonina, Basílides, Cirino, Nabor e Nazário (mártires); Plácido (abade).

 

Antífona: Meu coração exulta porque me salvais. Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez (Sl 12,6)

 

Oração: Ó Deus, que preparastes morada digna do Espírito Santo no Imaculado Coração de Maria, concedei que, por sua intercessão, nos tornemos um templo da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Isaías (Is 61, 9-11)
Exulto de alegria no Senhor  

 

9A descendência do meu povo será conhecida entre as nações, e seus filhos se fixarão no meio dos povos; quem os vir há de reconhecê-los como descendentes abençoados por Deus. 10Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa, ou uma noiva com suas jóias. 11Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações. Palavra do Senhor!

 

 

Comentário da I Leitura
Boa nova para os pobres

 

Num contexto mais amplo essa passagem nos leva, de fato, a Is 61, 1-11. Ela exemplifica mais uma vez a preocupação do profeta com os pobres, preocupação proeminente em Is 58 e 59. Entretanto, a importância da passagem transcende seu contexto historio. Ela apresenta um resumo conciso da missão de um servo de Deus em qualquer época. É missão para elevar a camada inferior da sociedade. O Evangelho de Lucas traz Jesus lendo este texto, com variações mínimas, no início de sua missão (Lc 4, 17-19)

 

No versículo 61,11 o mais importante é a bênção da justiça para distinguir a descendência escolhida. A maldição do pecado será anulada (Is 59, 9-15);  a nova videira dará fruto esperado (Is 5,7); em virtude dela, serão Carvalhos do Justo (Is 61,23). A cidade feita um jardim de justiça, começa a ressoar cânticos de louvor que outros povos escutam; porque o louvor sem a justiça não era aceito. A cidade poderá chamar-se Cidade Fiel (Is 1,26) e as portas, Louvor (Is 60,18)

 

 

Cântico: 1Sm 2, 1.4-5.6-7.8abcd (R/.cf.1a)
Meu coração se regozija no Senhor  

 

Exulta no Senhor meu coração, e se eleva a minha fronte no meu Deus; minha boca desafia os meus rivais porque me alegro com a vossa salvação.  

 

O arco dos fortes foi dobrado, foi quebrado, mas os fracos se vestiram de vigor. Os saciados se empregaram por um pão, mas os pobres e os famintos se fartaram. Muitas vezes deu à luz a que era estéril, mas a mãe de muitos filhos definhou.  

 

E o Senhor quem dá a morte e dá a vida, faz descer à sepultura e faz voltar; é o Senhor quem faz o pobre e faz o rico, é o Senhor quem nos humilha e nos exalta.  

 

O Senhor ergue do pó o homem fraco, do lixo ele retira o indigente, para fazê-los assentar-se com os nobres num lugar de muita honra e distinção.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 2, 41-51)
Teu Pai e eu estávamos angustiados, à tua procura  

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da páscoa. 42Quando ele completou doze anos, subiram para festa, como de costume. 43Passados os dias da páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. 44Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. 46Três dias depois, o encontraram no templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. 47Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. 48Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: "Meu filho, por que agiste assim conosco?”  

 

Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura". 49Jesus respondeu: "Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?" 50Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera. 51Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

O menino no templo

 

Jesus completa a idade em que assume suas obrigações legais: a marca inicial da circuncisão desemboca na entrega da lei. Esta submete agora com mais autoridade que o pátrio poder. Cheio de sabedoria e graça, dá uma lição dolorosa a seus pais, contrastando duas paternidades. Dá também uma lição aos doutores da lei no templo de Jerusalém.

 

Jesus é filho carnal de Maria, pela qual está ligado fisicamente à humanidade. Está ligado a ela por afeto e submissão filial. Mas essa relação fica relativizada e submetida a outra superior. Jesus é filho legal de José, pelo qual fica registrado oficialmente como descendente de Davi. Mas também a sua relação com José fica relativizada e submetida à relação de Jesus com o Pai.

 

O adolescente está cortando muitos vínculos com um só gesto, que por isso se torna espetacular e dramático, como ação simbólica. Não pede permissão, porque recebe ordens diretamente do Pai. Maria e José ficam implicados, têm que contribuir, com a sua angústia e dor, para a trama: no final, esses atores não compreenderam completamente. O relato de Lucas põe em primeiro plano a relação suprema e misteriosa de Jesus com o Pai. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: A centralidade deste relato está no duplo diálogo entre Jesus e os anciãos do templo e no de Jesus com seus pais. A ocasião ser vê para que Lucas defina duas coisas: a paternidade divina de Jesus, primeiras palavras de Jesus no evangelho de Lucas, “meu Pai”; e a declaração feita por Jesus do destino que dará à sua vida: “os assuntos de meu Pai”. Embora esta não seja precisamente a ocasião para que Jesus se lance em seu ministério público. Lucas já antecipa a partir daqui o que moverá seu personagem à ação: os assuntos do Pai, o plano ou projeto do Pai. Ninguém entende nada, ninguém discute nada, nem mesmo seus próprios pais. Maria guardava tudo isto em seu coração: um dia entenderá... por enquanto, fica uma primeira pincelada do modelo de discípulo dócil à Palavra que Lucas quer delinear a partir da figura de Maria. (Novo Testamento, Ave-Maria)

 

A devoção ao coração de Maria

A devoção ao Coração de Maria é análoga ao Sagrado Coração de Jesus, e consiste na veneração ao seu coração carnal, unido à pessoa dela, como símbolo do amor, especialmente o seu amor para com o Divino Filho, suas virtudes e sua vida interior. Esta devoção foi incentivada por S. João Eudes, no século XVII e o Papa Pio VII a permissão para festa no ano de 1805. Motivado pelas aparições de Fátima, o Papa Pio XII, em 31 de outubro de 1942 consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria e em 4 de maio de 1944 determinou que a sua festa fosse celebrada em todas as Igrejas do Ocidente no oitavo dia da Assunção.  O Papel de Maria é universal e Ela é a Mãe da Igreja como nos fala a Constituição Dogmática  “Lumen  Gentium”. E ainda: “Enquanto na Beatíssima Virgem a Igreja já atingiu a perfeição, pela qual existe sem mácula e sem ruga (Ef 5,27), os cristãos ainda se esforçam para crescer em santidade vencendo o pecado. Por isso elevam seus olhos a Maria que refulge para toda a comunidade dos eleitos como exemplo de virtudes. Piedosamente nela meditando e contemplando-a à luz do Verbo feito homem, a Igreja penetra com reverência mais profunda no sublime mistério da Encarnação, assemelhando-se mais e mais ao Esposo.” (LG 155/65 )