Sábado, 12 de março de 2011

Depois das Cinzas - Início da Quaresma - 4ª Semana do Saltério (II Volume) - cor Litúrgica Roxa

 

Hoje: Dia do Bibliotecário

 

Santos: Ansovino de Camerino (bispo), Cristina da Pérsia (virgem, mártir), Eldrado de Novalese (abade), Eufrásia de Constantinopla (virgem), Geraldo de Mayo (abade), Macedônio, Patrícia e Modesta (mártires da Nicomédia), Nicéforo de Constantinopla (bispo, mártir), Pulquério de Liath-Mochoemoc (abade), Ramiro e Companheiros (monges, mártires de Leão, na Espanha), Rodrigo e Salomão (mártires de Córdova), Sabino do Egito (mártir), Teusita, Hórrio, Teodora, Ninfodora, Marcos e Arábia (mártires de Nicéia, na Bitínia), Agnelo de Pisa (franciscano, bem-aventurado), Pedro II de Cava (abade, bem-aventurado).

 

Antífona: Atendei-nos, Senhor, na vossa grande misericórdia; olhai-nos, ó Deus, com toda a vossa bondade. (Sl 68, 17)

 

Oração: Ó Deus eterno e todo-poderoso, olhai com bondade a nossa fraqueza e estendei, para proteger-nos, a vossa mão poderosa. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Isaías (Is 58, 9b-14)

Se acolheres de coração aberto o indigente...

 

Assim fala o Senhor: 9b"se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; 10se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia. 11O Senhor te conduzirá sempre e saciará tua sede na aridez da vida, e renovará o vigor do teu corpo; serás como um jardim bem regado, como uma fonte de águas que jamais secarão.

 

12Teu povo reconstruirá as ruínas antigas; tu levantarás os fundamentos das gerações passadas: serás chamado reconstrutor de ruínas, restaurador de caminhos, nas terras a povoar. 13Se não puseres o pé fora de casa no sábado, nem tratares de negócios em meu dia santo, se considerares o sábado teu dia favorito, o dia glorioso, consagrado ao Senhor, se o honrares, pondo de lado atividades, negócios e conversações, 14então te deleitarás no Senhor; eu te farei transportar sobre as alturas da terra e desfrutar a herança de Jacó, teu pai". Falou a boca do Senhor. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Se escolheres de coração aberto o

indigente, nascerá das trevas a tua luz

 

A leitura de Isaias mostra-nos a meta a que tende o caminho que compreendemos: "O Senhor dar-te-á eterno repouso..." Quer introduzir-nos no sábado eterno. Celebrando o sábado, o homem reconhece e festeja a presença de Deus no mundo e no tempo. Por seis dias entrega-se às obras da criação; no sétimo dá-se totalmente à obra maior: à adoração e ao louvor. Desta sorte o homem se descobre livre, senhor de todo o criado. Vive uma antecipação da eternidade, uma experiência de paraíso. O Domingo cristão diz tudo isso de modo ainda mais evidente que o sábado hebraico, porque recorda a ressurreição de Cristo, princípio da nova criação, da paz e do repouso de Deus. Cumpre, porém, lembrar que reconhecer e festejar a salvação vinda de Deus só se torna eficaz para aqueles que fazem próprios os sentimentos de Deus, seguem os seus caminhos, dão-se a si mesmos, para que no mundo se realize cada dia mais a passagem para a festa eterna. [Extraído do MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

 

Salmo: 85(86), 1-2. 3-4. 5-6 (R/. 11a)

Ensinai-me os vossos caminhos e na vossa verdade andarei

 

1Inclinai, ó Senhor, vosso ouvido, escutai, pois sou pobre e infeliz! 2Protegei-me, que sou vosso amigo, e salva vosso servo, meu Deus, que espera e confia em vós!

 

3Piedade de mim, ó Senhor, porque clamo por vós todo o dia! 4Animai e alegrai vosso servo, pois a vós eu elevo a minha alma.

 

5Ó Senhor, vós sois bom e clemente, sois perdão para quem vos invoca. 6Escutai, ó Senhor, minha prece, o lamento da minha oração!

 

Evangelho: Lucas (Lc 5, 27-32)

Eu não vim chamar os pecadores para a conversão

 

Naquele tempo, 27Jesus viu um cobrador de impostos, chamado Levi, sentado na coletoria. Jesus lhe disse: "Segue-me". 28Levi deixou tudo, levantou-se e o seguiu. 29Depois, Levi preparou em casa um grande banquete para Jesus. Estava aí grande número de cobradores de impostos e outras pessoas sentadas à mesa com eles. 30Os fariseus e seus mestres da lei murmuravam e diziam aos discípulos de Jesus: "Por que vós comeis e bebeis com os cobradores de impostos e com os pecadores?" 31Jesus respondeu: "Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. 32Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 9, 9-13; 2,13-17

 

 

Comentário o Evangelho

Convidados à conversão

 

A proximidade de Jesus com os cobradores de impostos e os pecadores era mal vista pelos fariseus e mestres da Lei. Por malevolência, faziam juízos apressados a respeito dele, de forma a levá-lo a perder a credibilidade, tanto diante dos discípulos quanto diante das multidões que o procuravam. Não existe melhor meio de “queimar” alguém, do que levantar suspeitas sobre sua vida moral. No fundo, este era o ponto visado pelos adversários de Jesus: quem se mistura com os pecadores, assim pensavam, só pode ser do mesmo calibre deles.


Entretanto, conviver com os pecadores e excluídos fazia parte da pedagogia de Jesus, a fim de levá-los a converter-se ao Reino. A solidariedade com os pecadores não se estendia aos pecados que cometiam. Era preciso também alertá-los para que banissem de suas vidas tudo quanto os afastava de Deus.


Jesus acreditava, com todas as forças de seu coração, na possibilidade de conversão do coração humano. Por isso, empregava todos os meios disponíveis para atrair os pecadores para Deus, mesmo correndo o risco de ser vítima da maledicência de seus adversários. Menosprezando as críticas alheias, importava mostrar aos pecadores a possibilidade de uma vida fundada na misericórdia e na justiça. O caminho escolhido por Jesus foi o da solidariedade, que revela como cada um de nós é tratado por Deus. [O EVANGELHO DO DIA, Ano B. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1996]

 

Preces dos fiéis: (DEUS CONOSCO)

·      Rezemos por toda a Igreja! Para que ela, vivendo este tempo quaresmal, seja fiel servidora do Senhor entre todos os povos e nações, rezemos ao bom Deus: Atendei-nos, Senhor, por vossa bondade!

·      Pedimos por todo o povo de Deus! Para que ele jamais perca a esperança e brilhe como sinal profético do Reino no mundo, rezemos ao bom Deus.

·      Roguemos pelas necessidades dos pobres e oprimidos! Para que a solidariedade, a prática da justiça e o exercício da caridade dos cristãos tragam liberdade e dignidade de vida aos mais sofredores do mundo, rezemos ao bom Deus.

·      Pela Campanha da Fraternidade! Para que ela nos ajude a tomar nossa consciência na prática da justiça e da misericórdia, rezemos ao bom Deus.

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, este sacrifício de louvor e de reconciliação e fazei que, por ele purificados, vos ofereçamos o afeto de um coração que vos agrade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eu quero a misericórdia e não o sacrifício, diz o Senhor; não vim chamar os justos, e sim os pecadores. (Mt 9, 13)

 

Oração Depois da Comunhão:

Fazei, ó Deus, que este pão celeste, sacramento para nós na vida terrena, seja um auxílio para a vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: O coletor de impostos tinha naturalmente o estigma de ser “pecador”. Exercia seu cargo sob delegação da autoridade romana e aproveitava-se dele para se enriquecer às custas do povo. Eram tidos como verdadeiramente desonestos. Levi é um exemplo prático de pecador arrependido e convertido em apóstolo do Senhor. Os pecados de outrora até se repetem com mais intensidade nos dias de hoje, com roupagem “nova”. Mas Jesus continua agindo através dos cristãos de hoje, ora com testemunhos de vida reta, ora convertendo pecadores pela disseminação da Palavra. Você já teve a alegria de contribuir direta ou indiretamente para a conversão de um irmão pecador?  “Não te admires das obras de um pecador; mas confia no Senhor e persevera em tua fadiga”. (Eclo 11,21a)

 

São Luis Orione

 

Por quantos títulos este nobre santo era conhecido: "Apóstolo da caridade", "Pai dos pobres", "Benfeitor insigne da humanidade", "Fundador da Pequena Obra da Divina Providência". A mãe era analfabeta: pobre, porém boníssima e cristã. Sua mãe teve grande influência sobre os três filhos com sua piedade e sabedoria. Luís sentia chamado a vida sacerdote aos 10 anos de idade, mas via-se obrigado a ajudar ao pai como calceteiro de estradas. Aos 13 anos de idade foi recebido na Ordem franciscana mas logo teve que voltar para casa, por estar doente. Completou o ginásio no Oratório Salesiano, onde teve a graça de ter como confessor, são João Bosco. Em 1889, aos 17 anos de idade entrou no seminário de Tortosa. Após três anos seu pai veio a falecer e para que pudesse custear seus estudos foi-lhe dado o cargo de guardião da catedral. Mesmo ainda seminarista, fundou no bairro são Bernardino um colégio para vocações sacerdotais para pessoas pobres. Com 21 anos, ainda subdiácono, recebeu do bispo licença para pregar na Diocese. Ordenou-se sacerdote em 3 de abril de 1895, aos 23 anos de idade e sua atividade dirigiu-se a duas direções: escolas e colônias agrícolas. Muito querido por todos era bastante incentivado pelo Papa Pio X. Trabalhou nas obras de reconstrução pelos terremotos de Messina em 1908 e de Márcicas em 1915. Em 1916 iniciou a obra do Pequeno Cotolengo e fundou suas congregações religiosas, masculinas e femininas que ainda vivo viu se expandir continuamente. Em 1934-37, visitou suas obras no Chile, Uruguai, Argentina e Brasil. Atacado de angina pectoris foi obrigado a se retirar para casa de San Remo onde veio a morrer quase repentinamente. Seu corpo conserva-se até hoje incorrupto e encontra-se em Tortosa.

 

 

Itinerário quaresmal

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte - BH

 

Na Quarta-feira de Cinzas, após o Carnaval - tempo aproveitado para repouso, viagem, folia, e também para retiros espirituais e orações -, a Igreja Católica inicia o seu itinerário quaresmal. São quarenta dias de percurso, marcados especialmente pela escuta atenta e amorosa da Palavra de Deus. Simbolicamente, recorda o caminho de Moisés, no êxodo, conduzindo o povo de Deus na conquista da terra prometida, virando a página da escravidão. É, também, referência significativa aos quarenta dias que Cristo, o Messias, esteve no deserto, tentado pelo diabo, como narra o evangelista Mateus. Esse tempo configura os passos da vitória definitiva do bem sobre o mal, da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio. O itinerário quaresmal, portanto, no seu significado educativo e litúrgico, por quarenta dias conduz ao Tríduo Pascal os que aceitam o convite para a conversão - em particular para a grande vigília na noite santa da ressurreição do Senhor Jesus. Em questão está a vida, vida de todos, de cada dia, a definitiva. Aquela que nunca passa, que só é conquistada por Cristo Ressuscitado e por aqueles que, na sua graça, experimentam essa ventura oferecida a todos.

 

O Papa Bento 16, na sua mensagem quaresmal, sublinha que este é um tempo litúrgico muito precioso e importante para a Igreja. É também significativo para todos aqueles que querem qualificar a própria vida. Reorientá-la para o bem e garantir um percurso saudável e pautado nos valores que são garantia de paz, justiça e amor. Os membros da comunidade eclesial são chamados, pela fé celebrada, a intensificar o seu caminho de purificação no espírito, ressalta o pontífice, para haurir com mais abundância o mistério da redenção, a vida nova em Cristo. O Papa relembra que essa vida nova é transmitida no dia do Batismo - dia de graça - quando inserido na morte e ressurreição de Cristo inicia-se “a aventura jubilosa e exultante do discípulo de Jesus”. Na oportunidade, recorda-se que o Batismo é a misericórdia de Deus, que lava do pecado e permite viver. Assim, o apóstolo Paulo advertia os membros da comunidade cristã dos filipenses a experimentarem na própria existência os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, definindo-se a meta da vida de todos os que n’Ele creem. Essa conquista é fruto da graça, graça de Deus que leva a alcançar a estatura adulta de Cristo.

 

O Papa faz um convite para que se compreenda o itinerário quaresmal na sua mais profunda significação, iluminando a condição batismal de todos. A Vigília Pascal, que conclui o caminho quaresmal e abre um tempo especial de graças, inclui a celebração do Batismo, sacramento que realiza o grande mistério pelo qual o homem morre para o pecado. Torna-se participante da vida nova em Cristo Ressuscitado e recebe o mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos.

 

A Quaresma, como diz o Papa, é um percurso semelhante ao do catecumenato, uma escola insubstituível de fé e de vida cristã. Trata-se de algo decisivo para a existência toda. Leva a uma vivência mais autêntica e consciente da condição de batizado, que assume, pelo sustento da graça e da conversão, as consequências e os compromissos de uma vida inserida em Cristo, em quem se encontra a única razão para fazer do próprio viver partilha e oferta na construção de vida digna e justa para todos. A escuta da Palavra de Deus, assinala o Papa, é a atitude mais adequada desse itinerário, para um encontro fecundo com o Senhor. A qualidade da vida familiar, pessoal e a vida do planeta - responsabilidade cidadã de todos - depende de muitos fatores, condições e circunstâncias. O tempo da Quaresma é próprio para a conscientização do lugar primeiro dado a Deus em Cristo, que caminha e se oferece por todos.

 

O caminho se constrói com a força da Palavra de Deus proclamada, que ilumina cada semana desses quarenta dias. É um convite para tomar consciência da própria fragilidade humana, abrir o coração e acolher a graça que liberta do pecado e infunde, em quem aceita, a força nova em Cristo. Esse convite é para enfrentar os dominadores desse mundo no qual, adverte Bento 16, o diabo é ativo e não cansa de tentar o homem que deseja se aproximar de Deus. É hora de aceitar o convite divino para seguir e viver o itinerário quaresmal. [CNBB]

 

A Eucaristia nunca pode ser só uma ação litúrgica. (Papa Bento XVI)

 

Aconteceu no dia 12 de março:

1930: Gandhi lidera a Marcha do Sal na Índia