Sábado, 12 de fevereiro de 2011

Quinta Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 1ª Semana do Saltério, Livro III, cor Verde

 

Santos: Antonio Kauleas (bispo, Patriarca de Constantinopla), Bento Revelli (monge, bispo de Albenga), Damião (mártir de Alexandria), Etelvaldo de Lindisfarne (monge, bispo), Eulália de Barcelona (virgem, mártir), Gaudêncio de Verona (bispo), Goscelino de Turim (abade), Marina (virgem), Melécio de Antioquia (bispo), Modesto (diácono, mártir), Modesto e Amônio (mártires de Alexandria), Modesto e Juliano (o primeiro, mártir de Cartago; o segundo, de Alexandria), Umbelina (abadessa, irmã de São Bernardo), Antônio de Saxônia e Companheiros (franciscanos, mártires, bem-aventurados), Nicolau Saggio (da Ordem dos Mínimos, bem-aventurado), Reginaldo de Orleáns (religioso, bem-aventurado), Tiago Fenn e Companheiros (mártires de Tyburn, Inglaterra, bem-aventurados).

 

Antífona: Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94,6-7)

 

Oração: Velai, ó Deus, sobre a vossa família com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Gênesis (Gn 3, 9-24)

As consequências do mal

 

9O Senhor Deus chamou Adão, dizendo: "Onde estás?" 10E ele respondeu: "Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo porque estava nu; e me escondi". 11Disse-lhe o Senhor Deus: "E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?" 12Adão disse: "A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi". 13Disse o Senhor Deus à mulher: "Por que fizeste isso?" E a mulher respondeu: "A serpente enganou-me e eu comi". 14Então o Senhor Deus disse à serpente: "Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida! 15Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar". 16À mulher ele disse: "Multiplicarei os sofrimentos da tua gravidez: entre dores darás à luz os filhos; teus desejos te arrastarão para o teu marido, e ele te dominará". 17E disse em seguida a Adão: "Porque ouviste a voz da tua mulher e comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer, amaldiçoado será o solo por tua causa! Com sofrimento tirarás dele o alimento todos os dias da tua vida. 18Ele produzirá para ti espinhos e cardos e comerás as ervas da terra; 19comerás o pão com o suor do teu rosto até voltares à terra de que foste tirado, porque és pó e ao pó hás de voltar". 20E Adão chamou à sua mulher "Eva", porque ela é a mãe de todos os viventes. 21Então o Senhor Deus fez para Adão e sua mulher túnicas de pele e os vestiu. 22Disse, depois, o Senhor Deus: "Eis que o homem se tornou como um de nós, capaz de conhecer o bem e o mal. Não aconteça, agora, que ele estenda a mão também à árvore da vida para comer dela e viver para sempre!" 23E o Senhor Deus o expulsou do jardim de Éden, para que ele cultivasse a terra donde fora tirado. 24Expulsou o homem, e colocou a oriente do jardim de Éden os querubins, e a espada lampejante de chamas, para guardar o caminho da árvore da vida. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

 

E o Senhor Deus o expulsou do jardim do Éden

 

O autor, apresentando a visão crítica da realidade, afirma que a situação em que o projeto do homem e a humanidade inteira se encontram é uma situação de castigo. “O castigado é responsável pelo castigo: não poderá jamais liberar-se dele fingindo ignorar sua parte de responsabilidade nos males que sofre.  Por outro lado, a situação de castigo nunca é normal e definitiva, mas provisória e passageira. A anormalidade permanecerá, enquanto o castigo não for cumprido e a culpa expiada. O bem do culpado, a ser obtido depois de ultimado o castigo, pode ser atingido unicamente através da aceitação ativa e responsável do próprio castigo. Na raiz do castigo está a culpa do castigado, que provoca uma ruptura de relações entre pessoas, relações que precisam ser restabelecida... Dizendo que os males que  sofremos são um castigo de Deus, a Bíblia estabelece a relação do homem  com Deus como ponto fundamental para a harmonia de todo o resto. Não é possível restabelecer a ordem perturbada da vida sem levar em conta o lugar que Deus deve ocupar na vida dos homens” (C. Mesters). E o primeiro passo foi o próprio Deus quem deu. [Extraído do COMENTÁRIO BÍBLICO, Vol. III, ©Edições Loyola, 1997]

 

Salmo de resposta: 89(90), 2.3-4.5-6.12-13 (R/.1)
Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós

 

Já bem antes que as montanhas fossem feitas ou a terra e o mundo se formassem, desde sempre. e para sempre vós sois Deus.

 

Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: "Voltai ao pó, filhos de Adão!" Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou.

 

Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca.

 

Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos!

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 8, 1-10)

Comeram e ficaram satisfeitos

 

1Naqueles dias, havia de novo uma grande multidão e não tinha o que comer. Jesus chamou os discípulos e disse: 2"Tenho compaixão dessa multidão, porque já faz três dias que está comigo e não têm nada para comer. 3Se eu os mandar para casa sem comer, vão desmaiar pelo caminho, porque muitos deles vieram de longe". 4Os discípulos disseram: "Como poderia alguém saciá-los de pão aqui no deserto?" 5Jesus perguntou-lhes: "Quantos pães tendes?" Eles responderam: "Sete".

 

6Jesus mandou que a multidão se sentasse no chão. Depois, pegou os sete pães, e deu graças, partiu-os e ia dando aos seus discípulos, para que os distribuíssem. E eles os distribuíam ao povo. 7Tinham também alguns peixinhos. Depois de pronunciar a bênção sobre eles, mandou que os distribuíssem também. 8Comeram e ficaram satisfeitos, e recolheram sete cestos com os pedaços que sobraram. 9Eram quatro mil, mais ou menos. E Jesus os despediu. 10Subindo logo na barca com seus discípulos, Jesus foi para a região de Dalmanuta. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 14,13-21; 15,32-38; Lc 9,10-17; Jo 6,1-15

 

Comentário do Evangelho

Saciando as multidões

 

A sensibilidade de Jesus em relação a seus ouvintes e seguidores era notória. Vivia continuamente preocupado com eles e cuidava para que não sucumbissem pelo cansaço ou pela fome. Seu coração de pastor falava mais alto, nas situações delicadas. A multiplicação dos pães foi uma clara manifestação da misericórdia de Jesus. Misericórdia que deve existir, também, no coração de quem se faz seu discípulo.

 

Jesus podia ter considerado encerrada sua missão, depois de ter beneficiado as multidões com inúmeros milagres e expressões de bondade. Que cada qual voltasse para sua casa e retomasse suas atividades! As circunstâncias, porém, não permitiam, porque muitos poderiam morrer pelo caminho.

 

O pastor não podia submeter seu rebanho a tal provação. A misericórdia de Jesus exigia dele encontrar uma saída. Então, sugeriu aos discípulos um gesto de partilha. Alguém colocou à disposição de todos sete pães e alguns peixinhos. Este gesto de desprendimento e espírito comunitário foi o ponto de partida para Jesus poder alimentar a todos, até ficarem saciados.

 

A misericórdia de Jesus deu frutos imediatos. Assim se explica o despojamento e a solidariedade com que o desconhecido partilhou seus parcos alimentos, levando a multidão a não desfalecer pela fome. A superação do egoísmo já foi um verdadeiro milagre. [O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997]

 

Liturgia Diária (Paulinas e Paulus)

-Pelas pessoas desprovidas de alimento, a fim de que sejam atendidas em suas necessidades, rezemos. Senhor, ouvi nossa oração.

-Pelas autoridades de nosso país, a fim de que promovam ações justas e fraternas, rezemos.

-Pelos líderes de comunidade, a fim de que sejam valorizados em sua missão, rezemos.

-Pelos desempregados, a fim de que encontrem trabalho que lhes garanta sustento e dignidade, rezemos.

-Pelos jovens, a fim de que se guiem sempre pelo caminho do bem e da paz, rezemos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Senhor nosso Deus, que criastes o pão e o vinho para alimento da nossa fraqueza, concedei que se tornem para nós sacramento da vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Demos graças ao Senhor por sua bondade, por suas maravilhas em favor dos homens; deu de beber aos que tinham sede, alimentou os que tinham fome. (Sl 106,8-9)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, vós quisestes que participássemos do mesmo pão e do mesmo cálice; fazei-nos viver de tal modo unidos em Cristo, que tenhamos a alegria de produzir muitos frutos para a salvação do mundo. Por Cristo, nosso Senhor!

 

Para sua reflexão: A primeira multiplicação dos pães está em Mc 6, 30-44. Os detalhes são pouco diferentes nas duas passagens, mas surge o sentimento de compaixão de Jesus para com os discípulos. Permanece o substancial: a comida abundante até que o povo fique saciado e até há sobras!. Nos dois relatos facilmente se pode ver uma alusão à refeição eucarística, tal como era celebrada pela comunidade judeo-helenista de Cesareia. A multiplicação dos pães é um ato de Providência, que tinha por finalidade encorajar-nos à confiança. A sua providência estende-se a toda a natureza. Ele tem cuidado, sobretudo com os “pequeninos”. “Vede as aves do céu, não semeiam nem colhem e, no entanto, nunca lhes falta alimento; e as flores dos campos? Não fiam nem tecem e, no entanto, estão mais brilhantemente vestidas do que Salomão no seu esplendor.” Como anda a nossa compaixão na nossa vida cotidiana?

 

 

Santa Eulália de Barcelona

Tempos áureos de perseguição dos cristãos, Eulália procurou o governador (Daciano) sabendo que ele estava ali para exterminar com a comunidade cristã. Era ainda uma adolescente, 14 anos de idade. Disse-lhe: "Eu sou Eulália, serva do meu Senhor Jesus Cristo. O Rei dos Reis e Senhor de todos os dominadores. Nele coloquei toda minha confiança. Dele espero conseguir a vida eterna que prometeu aos seus justos". Bastante exaltado o governador mandou prendê-la e torturá-la com ferros em brasa, e depois lançá-la em uma fogueira. Mas as chamas se apagam milagrosamente. Daciano então manda que a crucifiquem, e assim é elevada em uma cruz. Três dias após seus amigos resgataram seus restos mortais. Sua oração preferida era o Credo, uma das principais orações da Igreja, e composta pelos primeiros apóstolos e é utilizado em exorcismos. No início do Século V foi construída uma magnífica basílica em Mérida, em sua honra.

 

 

Nas chagas de Cristo, as dores do mundo

 

 

Dom Washington Cruz, CP, Arcebispo metropolitano de Goiânia

 

Qual o sentido da dor humana? Para onde é orientada? Por que o sofrimento? Questões como estas trazem um profundo apelo do ser humano em busca do sentido do viver. Milhões de pessoas padecem toda sorte de dores. Neste momento, em que os olhos do prezado irmão repousam sobre esta reflexão, a estatística mundial contabilizou mais de 6 milhões de mortes apenas ao longo do início de ano até o dia de hoje. Nas cidades uma multidão imensa de pessoas povoa os hospitais em busca de tratamento para suas mais diversas doenças.

O Papa, em sua mensagem para este 16º Dia Mundial do Doente, ensina: “Se todos os homens são nossos irmãos, aquele que é débil, sofredor ou necessitado de cuidado deve estar mais no centro da nossa atenção, para que nenhum deles se sinta esquecido ou marginalizado.”

 

Zelar dos que se encontram adoecidos constitui um gesto profundamente humano e, ao mesmo tempo, revelador da vocação humana ao amor. Na pessoa do irmão doente se contemplam as dores das chagas do Crucificado: “Todas as vezes que fizerdes isso ao menor dos meus irmãos, é a mim que estareis fazendo” (Mt 25,35).

 

A reflexão acerca do sofrimento humano, a partir do sentido teológico do sofrimento de Jesus Crucificado, é uma das mais profundas urgências espirituais de que o mundo moderno necessita. Há uma tendência a compreender que a dor constitui algo que deva ser afastado, a todo custo. O grande sonho do ser humano é viver absolutamente imune a qualquer sofrimento. Falta-nos uma compreensão mais aprofundada sobre o sentido do sofrimento humano e a experiência transcendental que ele traz para o ser humano, não obstante o necessário esforço por superá-lo.

 

A doença é uma experiência profundamente humanizadora do ser humano, desde que acolhida na fé. As debilidades físicas educam para o sentido transcendental da vida humana, sinalizam para o desejo por Deus, abrem no ser humano as portas para que somente Deus lhe baste. Na mensagem, Bento XVI afirma: “O Filho de Deus sofreu, morreu, mas ressuscitou e, exatamente por isso, aquelas chagas tornam-se sinal da nossa redenção, do perdão e da reconciliação com o Pai”. Tornam-se, ainda segundo o magistério papal, um “banco de prova” para a nossa fé, já que para o ser humano quão difícil é aceitar e suportar o sofrimento.

 

Cristo, que passou pelo mundo fazendo o bem, cura as chagas e as dores do mundo. Na Bíblia, as curas são precedidas por um profundo ato de fé – por uma adesão sincera do coração da pessoa que a busca – em Cristo. Quando olha para os sinais presentes nas mãos do Crucificado, Tomé vê-se curado da cegueira espiritual e proclama: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28). Na mensagem Urbi et Orbi para a Páscoa do ano de 2007, o papa já disse: “Somente um Deus que nos ama a ponto de carregar sobre si as nossas feridas e a nossa dor, sobretudo a dor inocente, é digno de fé.”

 

A mensagem anima os doentes a serem testemunhas de Cristo por meio do sofrimento que experimentam e da fé que professam. A Paixão e a Cruz de Jesus, que aparentam ser uma negação da vida, pelo contrário, são a expressão mais elevada e mais intensa do amor de Deus e a fonte de onde brota a vida eterna. Cada doente precisa contemplar a Cruz de Cristo, num ato de profunda espiritualidade, do leito ou do lugar onde se encontra, deixando-se iluminar por ela e encontrando no Crucificado o sentido da estreita participação de si próprio no mistério do amor redentor do Pai. Por Cristo e em Cristo, pela Sua dolorosa Paixão, Deus Pai abraça com piedoso amor o mundo inteiro.

 

Vivendo na fé e na espiritualidade a experiência da dor, superando-a segundo o querer de Deus, a pessoa se abre a um profundo encontro com aquele donde procede a vida e toda a misericórdia.

 

Que a Santa Mãe de Deus, Nossa Senhora de Lourdes, padroeira dos doentes, apresente a Cristo todos os doentes que a Ele clamam pela saúde física e mental. [CNBB]

 

 

Aconteceu no dia 12 de fevereiro:

2001: A justiça dos EUA acaba com o Napster, troca gratuita de arquivos musicais pela Internet

 

 

O falso amigo é como a sombra: deixa de seguir-nos quando chega

a noite do sofrimento. (Pe. Héber Salvador de Lima)