Sábado, 11 de dezembro de 2010

Segunda Semana do Advento - 2ª do Saltério, Livro I - Cor Litúrgica Roxa

 

Hoje: Dia Mundial da Asma, dia do engenheiro Civil e dia do Arquiteto

 

Santos: Benjamin de Jerusalém (bispo), Blatmaco da Escócia (abade), Daniel, o Estilita (monge de Samósata), Eutíquio da Espanha (mártir), Savino de Piacenza (bispo), Segundo, Zózimo, Paulo e Ciríaco (mártires), Senchan de Emly (abade-bispo), Trasão, Ponciano, Pretextato (mártires de Roma), Vitorino de Tixtier (mártir), Batista de Áquila (bem-aventurado), Tassilão III (duque da Baviera, bem-aventurado), Teodorico Coelde (bem-aventurado), Ugolino Magalotti (bem-aventurado), Vilburga de São Floriano (eremita, bem-aventurada), Vilfero de Moutier-Saint-Jean (monge, bem-aventurado)

 

Antífona: Vinde, Senhor, que estais acima dos querubins; mostrai-nos a vossa face, e seremos salvos. (Sl 79, 4.2)

 

Oração: Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, que desponte em nossos corações o esplendor da vossa glória, para que, vencidas as trevas do pecado, a vinda do vosso unigênito revele que somos filhos da luz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Eclesiástico (Eclo 48, 1-4.9-11)
Elias lutou pelo culto ao deus verdadeiro 

 

Naqueles dias, 1o profeta Elias surgiu como um fogo, e sua palavra queimava como uma tocha. 2Fez vir a fome sobre eles e, no seu zelo, reduziu-os a pouca gente. 3Pela palavra do Senhor fechou o céu e de lá fez cair fogo por três vezes. 4Ó Elias, como te tornaste glorioso por teus prodígios! Quem poderia gloriar-se de ser semelhante a ti? 9Tu foste arrebatado num turbilhão de fogo, num carro de cavalos também de fogo, 10tu, nas ameaças para os tempos futuros, foste designado para acalmar a ira do Senhor antes do furor, para reconduzir o coração do pai ao filho, e restabelecer as tribos de Jacó. 11Felizes os que te viram, e os que adormeceram na tua amizade! Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Alias retornará

 

Jesus identifica Elias com João Batista (Mt 17,12), porque é semelhante a missão de ambos e a coragem com que proclamam a verdade aos poderosos. Um e outro, porém, são a figura do próprio Jesus, Palavra do Pai. Jesus, profeta incômodo, pagará com a vida a coragem de ter dito a verdade aos grande do seu povo. De si próprio ele disse: “Vim trazer fogo à terra e quero que se inflame”. No decurso dos séculos, os mártires e os santos se inflamaram ao fogo de sua mensagem de salvação, encontrando no evangelho força para ir de encontro a todo gênero de sofrimento e mesmo da morte; encontrando naquelas “palavras de vida eterna” coragem para viver em plenitude a vida própria dos cristãos. O “fogo” continua a arder. A palavra de Jesus continua a ressoar pela terra, levada por muitos profetas: o papa, os bispos, os sacerdotes, os catequistas e os pais. Contudo, além dessas tarefas por assim dizer institucionais, “na Igreja todo fiel é igualmente responsável pela palavra de Deus.” [COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999]

 

 

Salmo: 79(80), 2ac e 3b.15-16.18-19 (cf.4)

Convertei-nos, ó Senhor; resplandecei

a vossa face e nós seremos salvos!

 

Ó pastor de Israel, prestai ouvidos. Vós que sobre os querubins vos assentais. Despertai vosso poder, ó nosso Deus e vinde logo nos trazer a salvação!

 

Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai. Visitai a vossa vinha e protegei-a! Foi a vossa mão direita que a plantou; protegei-a, e ao rebento que firmastes!

 

Pousai a mão por sobre o vosso protegido, o filho do homem que escolhestes para vós! E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus! Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome!

 

Evangelho: Mateus (Mt 17, 10-13)

Jesus lhes falava de João batista

 

Ao descerem do monte, 10os discípulos perguntaram a Jesus: "Por que os mestres da lei dizem que Elias deve vir primeiro?" 11Jesus respondeu: "Elias vem e colocará tudo em ordem. 12Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles". 13Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista. Palavra do Senhor!

 

Leitura paralela: Mc 9, 11-13.

 

 

Comentando o Evangelho

Questionando uma doutrina

 

Os mestres da Lei prenunciavam a vinda de Elias como sinal de realização das esperanças messiânicas. Esta doutrina fundava-se na crença de que haveria uma restauração gloriosa de Israel, por obra do Messias. Este triunfalismo foi questionado por Jesus.

 

A tarefa atribuída ao profeta Elias - "colocar tudo em ordem" - fora desempenhada por João Batista. Sua vida humilde e ascética impediu que os triunfalistas o reconhecessem. Só os simples foram capazes de perceber a importância da pregação do Precursor, e se deixaram batizar por ele, confessando seus pecados, dispostos a se converterem.

 

O destino cruel reservado ao Batista revelou a leviandade dos esquemas religiosos e políticos de seu tempo. Esperando uma manifestação espalhafatosa de Deus, que a eximisse da responsabilidade de estar sempre vigilante e em discernimento, a liderança religiosa fez-se surda aos apelos de quem exigia dela uma decisão responsável e livre. Desta forma, ela desprezou a oportunidade oferecida por Deus.

 

O caminho trilhado por Jesus foi idêntico ao do Batista. Despojado de qualquer pretensão mundana, fez-se solidário com os pobres e marginalizados, os deserdados deste mundo. Por isso, quem cultivava a mesma mentalidade triunfalista dos adversários do Batista jamais poderia confessá-lo como Messias. Só quem entendia que a obra de Deus acontece na contramão da mentalidade humana estava em condições de tornar-se discípulo. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B,  ©Paulinas, 1996]

 

Oração da Assembleia (Liturgia Diária)

Senhor da luz, iluminai os ministros da Igreja. Senhor, atendei nossa prece.

Senhor da luz, clareai os caminhos das pessoas desorientadas.

Senhor da luz, dissipai as trevas do pecado que envolvem a sociedade.

Senhor da luz, orientai as autoridades do nosso país.

Senhor da luz, fortalecei os grupos de reflexão de nossas comunidades.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Possamos, ó Pai, oferecer-vos sem cessar estes dons da nossa devoção, para que, ao celebrarmos o sacramento que nos destes, se realizem em nós as maravilhas da salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eis que venho logo, diz o Senhor, e trago comigo a recompensa: darei a cada um segundo as suas obras. (Ap 22, 12)

 

Oração Depois da Comunhão:

Imploramos, ó Pai, vossa clemência, para que estes sacramentos nos purifiquem dos pecados e nos preparem para as festas que se aproximam. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

São Dâmaso I

 

Dâmaso era espanhol, mas não se descarta que ele possa ter nascido em Roma, no ano 305. Culto e instruído, ocupou o trono da Igreja de 366 a 384. Foi considerado um dos mais firmes e valentes sucessores de Pedro. Sem temer as ameaças e protecionismos imperiais, demitiu de uma só vez todos os bispos que mantinham vínculo com a heresia ariana, trazendo estabilidade à Igreja através da unidade, da obediência e respeito ao papa de Roma.


Sua eleição foi tumultuada por causa da oposição. Houve até luta armada entre as facções, vitimando cento e trinta e sete pessoas. Mas, ao assumir, o então papa Dâmaso I trouxe de volta a tradição da doutrina à Igreja, havendo um florescimento de ritos, orações e pregações durante seu mandato. Devem-se a ele, por exemplo, os estudos para a revisão dos textos da Bíblia e a nova versão em latim feita pelo depois são Jerônimo, seu secretário.


Em seu governo, a Igreja conseguiu uma nova postura e respeito na sua participação na vida pública civil. Os bispos podiam escrever, catequizar, advertir e condenar. Esse papa sabia como ninguém fazer-se entender com os impérios e reinados e conseguia paz para que a Igreja se autogerisse. Foi uma figura digna do seu tempo, pois conviveu com grandes destaques do cristianismo, como os santos: Ambrósio, Agostinho e Jerônimo, só para citar alguns.


Além de administrador, era, também, um poeta inspirado pelas orações e cânticos antigos e um excelente arqueólogo. Graças a ele as catacumbas foram recuperadas, com o próprio papa percorrendo-as para identificar os túmulos dos mártires e dar-lhes as devidas honras. Nesse mesmo local exaltou os mártires em seus famosos "Títulos", ou seja, epigramas talhados nas pedras pelo calígrafo Dionísio Filocalo, com os lindos poemas que escrevia especialmente para cada um.


Dâmaso I escolheu, pessoalmente, o túmulo no qual gostaria que fossem depositados seus restos mortais. Na cripta dos papas, localizada nas Catacumbas de São Calisto, ao término dos seus escritos em honra deles, deixou registrado: "Aqui, eu, Dâmaso, gostaria que fossem depositados meus espólios. Mas temo perturbar as piedosas cinzas dos mártires".


Ao morrer, em 384, com quase oitenta anos, foi sepultado num solitário e humilde túmulo na via Andreatina, que ele, discreto, preparara para si. Santo papa Dâmaso I é venerado no dia 11 de dezembro. [www.paulinas.org.br]

 

 

És tu Aquele que há-de vir ou devemos  esperar outro?

 John Nascimento

 

A Liturgia da Palavra deste 3º Domingo do Advento – A, é um anúncio de Esperança: Alegrai-vos, a libertação está próxima. A alegria cristã não está dependente do capricho dos nossos estados de alma, ou da maneira como corre a nossa vida. O Cristão, mesmo no meio das contrariedades e durezas da existência, mantém-se alegre, porque a sua alegria se enraíza na fidelidade de Deus, manifesta em Jesus Cristo. E, descobrir Jesus Cristo na fé, fazendo com que os outros O conheçam, é a única «boa notícia» que dá a alegria verdadeira.

 

A 1ª leitura do livro do profeta Isaías, diz que, em termos  que lembram a marcha para a Terra Prometida, do regresso dos cativos de Jerusalém, a alegria da restauração de Judá, é a manifestação e realização da História da Salvação. O regresso a Jerusalém, símbolo da salvação, traz em si a renovação da natureza e a transformação do homem.

 

- “Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar” (Is 35, 4).

 

Nos tempos messiânicos, Jesus, libertando os homens da opressão do pecado, da dor, da morte e da inquietação, manifestar-nos-á que chegou a salvação e o resgate total e redentor dos homens.

 

Assim o pede e proclama o Salmo Responsorial:

 

- “Vinde, Senhor, para salvar o vosso povo!”.

 

Na 2ª Leitura, S. Tiago diz-nos que a paciência não é uma resignação passiva. É a expectativa do agricultor entre a sementeira e a colheita; é a coragem dos mártires; é a sabedoria de Job.

 

- “Ficai firmes até a vinda do Senhor. Vede o agricultor: ele espera o precioso fruto da terra e fica firme até cair a chuva do outono ou da primavera”. (Tg 5, 7).

 

Neste tempo que vai até à Sua Vinda Gloriosa, Cristo continua a agir no mundo. Por isso, os cristãos “devem avançar na santidade com entusiasmo e alegria,  esforçando-se por superar as dificuldades com prudência e paciência” (AA 4).

 

O Evangelho é de S. Mateus e diz-nos que João não tem dúvida alguma de que Jesus seja o Enviado de Deus, Aquele que todos os profetas e ele próprio anunciaram. No entanto, sentia-se um pouco inquieto, por ver que o Messianismo de Jesus não se manifestava em poder terreno de juízo ou vingança.

 

- João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos para lhe perguntarem: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?”. (Mt 11, 2-3).

 

Jesus,  dando um belo testemunho de João, precisa a natureza dos tempos messiânicos – tempos de perdão e graça, de misericórdia e redenção, inaugurados pelos milagres do Senhor. E quando, como aconteceu com João Baptista, há um momento de desânimo, de obscuridade e de dúvida, a evocação da Palavra de Deus e dos sinais que acompanham a suja presença eficaz. basta para restituir a confiança. O processo de libertação das ecravidões e condicionamentos interiores e exteriores do homem, ameaça fazer-nos perder de vista a última esperança, de tal modo é urgente o dever de revolucionar as estruturas desumanizantes, de consciencializar os homens e de lhes restituir a dignidade e a autonomia de pessoas. Por outro lado, com muita frequência a indolência e o egoísmo de alguns cristãos obscurecem e debilitam o anúncio da libertação de Jesus, cujos sinais estão, hoje, na sua dedicação aos pobres, aos marginalizados, às minorias; na defesa dos direitos da consciência, no partilhar realmente e até ao fim da sorte dos que não têm esperança.

 

Deus quer a felicidade dos homens, o seu bom êxito. Os cristãos devem saber que a Boa Nova da salvação é uma mensagem de alegria e de libertação. Os cristãos dispõem de muitos modos para comunicar a alegria que os anima, embora esteja m expostos às contradições e a serem julgados absurdos por alguns; trata-se de uma alegria extraordinariamente realista e que exprime a certeza de que, apesar das dificuldades e aparentes contradições, o futuro da humanidade está a ser construído; certeza essa baseada na vitória de Cristo.

 

As alegrias mais espontâneas no homem são as provenientes das seguranças  da vida quotidiana, recebidas como bênçãos de Deus: as alegrias da vindima e da colheita, as do trabalho bem feito ou do merecido repouso, a de uma refeição fraterna, a de uma família unida, a do amor, de um nascimento; tanto as alegrias ruidosas das festas como as alegrias íntimas do coração. Mas existe uma alegria ainda mais profunda: a daqueles que se fazem pobres diante de Deus e tudo esperam dele e da fidelidade à sua lei. Nada pode, então, diminuir essa alegria, nem mesmo a provação.

 

A alegria de Deus é força.

 

A Alegria da Igreja (do cristão) na sua condição terrestre é a alegria própria do tempo da construção. A celebração eucarística, em torno das duas mesas, a da Palavra e a do Pão, constituem um dos terrenos privilegiados em que se deve comunicar e experimentar, de certo modo, a verdadeira alegria que Jesus Cristo nos veio trazer. É que Jesus veio como Messias para dar cumprimento ao plano da História da Salvação.         

 

Diz o Catecismo da Igreja Católica:

 

719. – João é “mais do que um profeta” (Lc 7,26). Nele, o Espírito Santo consuma o “falar dos profetas”. João termina o ciclo dos profetas inaugurado por Elias. Anuncia iminente  a consolação de Israel; ele é a “voz” do Consolador que vai chegar (Jo 1,23). Tal como o fará o Espírito de verdade, “ele vem como testemunha, para dar testemunho da luz” (Jo 1,7). A respeito de João, o Espírito cumpre assim as “indagações dos profetas” e o “desejo” dos anjos (1 Pe 1,10-12): “Aquele sobre Quem vires o Espírito Santo descer e repousar, é que batiza no Espírito Santo. Ora, eu vi e dou testemunho que Ele é o Filho de Deus(...)Eis o Cordeiro de Deus”. (Jo 1,33-36).

 

A família se reúne em torno do homem tradicional: que amou, que riu, que trabalhou. (Murilo Mendes)