Sábado, 11 de setembro de 2010

23ª Semana do Tempo Comum, Ano Par, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Santos: BV João Gabriel Perboyle (sacerdote lazarista, 1840), Dídimo, Diomedes, , Proto e Jacinto (mártires, Roma), Pafnúncio (monge no Egito), Arneu e Almiro (eremitas), Paciente, Proto, Jacinto, Boaventura de Barcelona (confessor franciscano, 1ª ordem)

 

Antífona: Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia. (Sl. 118, 137.124)

 

Oração: Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: 1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 10, 14-22)
O despertar de para a fidelidade nos caminhos do Senhor

 

14Meus caríssimos, fugi da idolatria. 15Eu vos falo como a pessoas esclarecidas. Então, ponderai bem o que eu digo: 16O cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? 17Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão. 18Considerai os filhos de Israel: Os que comem as vítimas sacrificais não estão em comunhão com o altar? 19Então, o que dizer? Que a carne de um sacrifício idolátrico tem algum valor? Ou que o ídolo vale alguma coisa? 20Nada disso. O que eu digo é que os idólatras oferecem seus sacrifícios aos demônios e não a Deus. Ora, eu não quero que entreis em comunhão com os demônios. 21Vós não podeis beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios; vós não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. 22Ou, quem sabe, queremos excitar o zelo santo do Senhor? Somos porventura mais fortes do que ele? Palavra do Senhor!

 

Comentando 1Cor 8, 1b-7.11-13

Nós todos somos um só corpo

 

O problema é atual ainda hoje. Trata-se da identidade do cristão numa sociedade que já o não é. Com quem se identificará o cristão? A celebração da Eucaristia põe o cristão em direta e misteriosa “comunhão” com o corpo e o sangue de Cristo (v. 16). Esta “comunhão” faz que os cristãos, embora sendo “muitos”, formem entre si “um só corpo” (V. 17). Paulo queria dizer que a Eucaristia “faz” a Igreja, enquanto é “comunhão” com Cristo e com os irmãos. Para ele, não há dúvida, a identidade do cristão é dada pela Eucaristia, que o faz participar no corpo e sangue de Cristo.  [MISSAL DOMINICAL, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 115 (116B), 12-13.17-18 (R/.17a)
Oferto ao Senhor um sacrifício de louvor

 

12Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? 13Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor.

 

17Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor. 18Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido.

 

Evangelho: Mateus (Lc 6, 43-49)
Pode um cego guiar outro cego?

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons. 44Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem uvas de plantas espinhosas. 45O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração. Mas o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio.

 

46Por que me chamais: ‘Senhor! Senhor!’, mas não fazeis o que eu digo? 47Vou mostrar-vos com quem se parece todo aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as põe em prática. 48É semelhante a um homem que construiu uma casa: cavou fundo e colocou o alicerce sobre a rocha. Veio a enchente, a torrente deu contra a casa, mas não conseguiu derrubá-la, porque estava bem construída. 49Aquele, porém, que ouve e não põe em prática, é semelhante a um homem que construiu uma casa no chão, sem alicerce. A torrente deu contra a casa, e ela imediatamente desabou; e foi grande a ruína dessa casa”. Palavra da Salvação!

 

 

Leituras paralelas: Mt 7, 16-20; 21.24-27

 

 

Comentando o Evangelho

A árvore e seus frutos

 

Jesus procurava evitar que, entre seus discípulos, houvesse lugar para a inautenticidade. Afinal, eles tinham recebido a tarefa de levar adiante a missão do Mestre, e estariam sempre em evidência. Sua condição de mestres poderia levá-los a se despreocuparem em praticar o que ensinavam. Como os fariseus, corriam o risco de se tornarem hipócritas e ensinarem normas severas para os outros, e suaves para si.


Jesus alertou os seus discípulos para estarem atentos quanto ao modo de vida dos líderes da comunidade. Belas palavras seriam inúteis, sem o respaldo de uma vida condizente com os ensinamentos. Quando o modo de proceder do líder é censurável, é mais prudente não dar ouvido às suas palavras. Sua vida testemunha a incapacidade de penetrar no sentido das exigências do Reino. Sem esta compreensão prévia, é ousado pretender arvorar-se em guia da comunidade. Os frutos mostram tratar-se de uma árvore má.


É no coração que o ser humano esconde seu verdadeiro tesouro, e não na boca. Quem tem o coração repleto de coisas boas, diz e faz coisas dignas de serem imitadas. Quem tem o coração repleto de maldade, por mais que ensine coisas bonitas, será incapaz de realizá-las. Por conseguinte, é melhor não lhe dar crédito.


O testemunho de vida é a prova inequívoca do que se passa no coração. Em outras palavras, revela o que a pessoa é. [O Evangelho Nosso de Cada Dial, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

Para sua reflexão: Cada árvore dá fruto segundo sua espécie e qualidade. Pelo fruto identificamos a árvore (Tg 3,12). O tesouro pode ser o depósito, a adega ou a despensa. No homem é a intimidade, o coração como sede da vida consciente e livre. Referido à boca, à palavra, o provérbio se aplica a quem ensina; mas seu alcance é mais amplo. Segue-se a necessidade de ir assimilando e acumulando coisas boas para partilhá-las com outros no momento oportuno. Já no plano da imagem, “senhor” é o patrão; pouco vale que o criado diga “sim, senhor”, se depois não cumpre as ordens. Por fim, todo o ensinamento de Jesus é para a vida; se fica na simples informação, sem se traduzir em obras, carecerá de fundamento para ele. Também insinua que a construção da vida cristã estará ameaçada de fora. Se o edifício é valioso, sua ruína será terrível.  (Cf. Bíblia do Peregrino)

 

 

São João Gabriel Perboyre

 

 

 

João Gabriel Perboyre nasceu em 5 de janeiro de 1802, em Mongesty, na diocese de Cahors, França, numa família de agricultores, numerosa e profundamente cristã. Foi o primeiro dos oito filhos do casal, sendo educado para seguir a profissão do pai.


Mas o menino era muito piedoso, demonstrando desde a infância sua vocação religiosa. Assim, aos quatorze anos, junto com dois de seus irmãos, Luís e Tiago, decidiu seguir o exemplo do seu tio Jacques Perboyre, que era sacerdote. Ingressou na Congregação da missão fundada por são Vicente de Paulo para tornar-se um padre vicentino ou lazarista, como também são chamados os sacerdotes desta Ordem. Depois, também, duas de suas irmãs ingressaram na Congregação das Filhas da Caridade. Uma outra irmã, logo após entrar para as carmelitas, adoeceu e morreu.


João Gabriel recebeu a ordenação sacerdotal em 1826. Ficou alguns anos em Paris, como professor e diretor nos seminários vicentinos. Porém seu desejo era ser um missionário na China, onde os vicentinos atuavam e onde, recentemente, padre Clet fora martirizado.


Em 1832, seu irmão, padre Luís, foi designado para lá. Mas ele morreu em pleno mar, antes de chegar às Missões na China. Foi assim que João Gabriel pediu para substituí-lo. Foi atendido e, três anos depois, em 1835, estava em Macau, deixando assim registrado: "Eis-me aqui. Bendito o Senhor que me guiou e trouxe". Na Missão, aprendeu a disfarçar-se de chinês, porque a presença de estrangeiros era proibida por lei. Estudou o idioma e os costumes e seguiu para ser missionário nas dioceses Ho-Nan e Hou-Pé.


Entretanto foi denunciado e preso na perseguição de 1839. Permaneceu um ano no cativeiro, sofrendo torturas cruéis, até ser amarrado a uma cruz e estrangulado, no dia 11 de setembro de 1840. Beatificado em 1889, João Gabriel Perboyre foi proclamado santo pelo papa João Paulo II em 1996. Festejado no dia de sua morte, tornou-se o primeiro missionário da China a ser declarado santo pela Igreja. [Paulinas.org.br]

 

A fé é a chave dos tesouros, a chave do abismo, a chave da

ciência de Deus. (Jean Pierre Caussade)