Sábado, 10 de dezembro de 2011

Segunda Semana do Advento - 2ª do Saltério, Livro I - Cor Litúrgica Roxa

 

Hoje: Dia Internacional dos Direitos Humanos e Dia do Palhaço

 

Santos: Carpóforo e Abôndio (mártires de Spoleto), Deusdedit da Brescia (bispo), Edíbio de Soissons (bispo), Eulália (uma adolescente de 12 anos) e Júlia (virgens, mártires de Mérida), Gausberto de Cahors (bispo), Gemelo de Ancira (mártir, morreu crucificado), Gregório III (papa), Guimero de St.-Riquier (abade), Ildemaro de Beauvais (bispo), Mauro de Roma (mártir), Júlia de Mérida (mártir), Lucério de Farfa (abade), Melquíades (papa, mártir), Menas, Hermógenes e Êugrafo (mártires de Alexandria, no Egito), Mercúrio e Companheiros (mártires de Lentini), Saturnino, Donato, Anibônia e Companheiros (mártires), Sindulfo de Viena (bispo), Tomás de Farfa (abade), Bartolomeu Albizzi (bem-aveturado), Edmundo Genings (mártir, bem-aventurado), Eustácio White (mártir, bem-aventurado), Jerônimo Ranuzzi (bem-aventurado), João Mason (mártir, bem-aventurado), João Roberts (mártir, bem-aventurado), Pedro Pettinaio (bem-aventurado), Polidoro Plasden (mártir, bem-aventurado), Sydnei Hodgson (mártir, bem-aventurado), Swithin Wells (mártir, bem-aventurado), Tomás Somers (mártir, bem-aventurado)

 

Antífona: Vinde, Senhor, que estais acima dos querubins; mostrai-nos a vossa face, e seremos salvos. (Sl 79, 4.2)

 

Oração: Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, que desponte em nossos corações o esplendor da vossa glória, para que, vencidas as trevas do pecado, a vinda do vosso unigênito revele que somos filhos da luz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Eclesiástico (Eclo 48, 1-4.9-11)
Elias lutou pelo culto ao deus verdadeiro 

 

Naqueles dias, 1o profeta Elias surgiu como um fogo, e sua palavra queimava como uma tocha. 2Fez vir a fome sobre eles e, no seu zelo, reduziu-os a pouca gente. 3Pela palavra do Senhor fechou o céu e de lá fez cair fogo por três vezes. 4Ó Elias, como te tornaste glorioso por teus prodígios! Quem poderia gloriar-se de ser semelhante a ti? 9Tu foste arrebatado num turbilhão de fogo, num carro de cavalos também de fogo, 10tu, nas ameaças para os tempos futuros, foste designado para acalmar a ira do Senhor antes do furor, para reconduzir o coração do pai ao filho, e restabelecer as tribos de Jacó. 11Felizes os que te viram, e os que adormeceram na tua amizade! Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Alias retornará

 

Jesus identifica Elias com João Batista (Mt 17,12), porque é semelhante a missão de ambos e a coragem com que proclamam a verdade aos poderosos. Um e outro, porém, são a figura do próprio Jesus, Palavra do Pai. Jesus, profeta incômodo, pagará com a vida a coragem de ter dito a verdade aos grande do seu povo. De si próprio ele disse: “Vim trazer fogo à terra e quero que se inflame”. No decurso dos séculos, os mártires e os santos se inflamaram ao fogo de sua mensagem de salvação, encontrando no evangelho força para ir de encontro a todo gênero de sofrimento e mesmo da morte; encontrando naquelas “palavras de vida eterna” coragem para viver em plenitude a vida própria dos cristãos. O “fogo” continua a arder. A palavra de Jesus continua a ressoar pela terra, levada por muitos profetas: o papa, os bispos, os sacerdotes, os catequistas e os pais. Contudo, além dessas tarefas por assim dizer institucionais, “na Igreja todo fiel é igualmente responsável pela palavra de Deus.” [COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999]

 

Salmo: 79(80), 2ac e 3b.15-16.18-19 (cf.4)

Convertei-nos, ó Senhor; resplandecei

a vossa face e nós seremos salvos!

 

Ó pastor de Israel, prestai ouvidos. Vós que sobre os querubins vos assentais. Despertai vosso poder, ó nosso Deus e vinde logo nos trazer a salvação!

 

Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai. Visitai a vossa vinha e protegei-a! Foi a vossa mão direita que a plantou; protegei-a, e ao rebento que firmastes!

 

Pousai a mão por sobre o vosso protegido, o filho do homem que escolhestes para vós! E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus! Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome!

 

Evangelho: Mateus (Mt 17, 10-13)

Jesus lhes falava de João batista

 

Ao descerem do monte, 10os discípulos perguntaram a Jesus: "Por que os mestres da lei dizem que Elias deve vir primeiro?" 11Jesus respondeu: "Elias vem e colocará tudo em ordem. 12Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles". 13Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista. Palavra do Senhor!

 

Leitura paralela: Mc 9, 11-13.

 

 

Comentando o Evangelho

Questionando uma doutrina

 

Os mestres da Lei prenunciavam a vinda de Elias como sinal de realização das esperanças messiânicas. Esta doutrina fundava-se na crença de que haveria uma restauração gloriosa de Israel, por obra do Messias. Este triunfalismo foi questionado por Jesus.

 

A tarefa atribuída ao profeta Elias - "colocar tudo em ordem" - fora desempenhada por João Batista. Sua vida humilde e ascética impediu que os triunfalistas o reconhecessem. Só os simples foram capazes de perceber a importância da pregação do Precursor, e se deixaram batizar por ele, confessando seus pecados, dispostos a se converterem.

 

O destino cruel reservado ao Batista revelou a leviandade dos esquemas religiosos e políticos de seu tempo. Esperando uma manifestação espalhafatosa de Deus, que a eximisse da responsabilidade de estar sempre vigilante e em discernimento, a liderança religiosa fez-se surda aos apelos de quem exigia dela uma decisão responsável e livre. Desta forma, ela desprezou a oportunidade oferecida por Deus.

 

O caminho trilhado por Jesus foi idêntico ao do Batista. Despojado de qualquer pretensão mundana, fez-se solidário com os pobres e marginalizados, os deserdados deste mundo. Por isso, quem cultivava a mesma mentalidade triunfalista dos adversários do Batista jamais poderia confessá-lo como Messias. Só quem entendia que a obra de Deus acontece na contramão da mentalidade humana estava em condições de tornar-se discípulo. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B,  ©Paulinas, 1996]

 

Oração da Assembleia (Liturgia Diária)

Senhor da luz, iluminai os ministros da Igreja. Senhor, atendei nossa prece.

Senhor da luz, clareai os caminhos das pessoas desorientadas.

Senhor da luz, dissipai as trevas do pecado que envolvem a sociedade.

Senhor da luz, orientai as autoridades do nosso país.

Senhor da luz, fortalecei os grupos de reflexão de nossas comunidades.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Possamos, ó Pai, oferecer-vos sem cessar estes dons da nossa devoção, para que, ao celebrarmos o sacramento que nos destes, se realizem em nós as maravilhas da salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eis que venho logo, diz o Senhor, e trago comigo a recompensa: darei a cada um segundo as suas obras. (Ap 22, 12)

 

Oração Depois da Comunhão:

Imploramos, ó Pai, vossa clemência, para que estes sacramentos nos purifiquem dos pecados e nos preparem para as festas que se aproximam. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

São João Roberts

 

A biografia de são John Roberts, para nós João Roberts, nos mostra um inglês profundamente católico que, fora de sua pátria, conseguia pregar e professar sua fé e sua religião. Mas bastava pôr os pés em sua terra natal, era preso. Várias vezes retornou à liberdade só por intervenção de estrangeiros importantes. Acabou se tornando o primeiro monge a ser executado na Inglaterra, logo após a coroação do rei Henrique VIII.


João Roberts nasceu no condado de Merioneth, em 1576. Seus pais eram os nobres João e Ana Roberts, protestantes cujos antepassados foram príncipes de Gales. Estudou na famosa Faculdade de São João, em Oxford, mas saiu sem graduação. Depois, formou-se em direito, aos vinte e um anos, em Londres.


Em 1598, estava estudando na faculdade inglesa de Valladoid, na Espanha. Já muito interessado no cristianismo, foi estudar na abadia dos beneditinos daquela cidade no ano seguinte. A conversão total aconteceu durante uma viagem a Paris, quando entrou para a Igreja de Roma pelas mãos de um cônego de Notre-Dame. Em 1600, finalmente, ingressou como noviço no Mosteiro beneditino de São Martinho de Compostela, Espanha.


Na época, Roma determinou que uma missão beneditina fosse enviada à Inglaterra. João Roberts, que acabara seus estudos em Salamanca, passou a integrar as fileiras da missão. Bastou desembarcar na Inglaterra, foi imediatamente preso, sendo libertado quando o rei Jaime assumiu o poder, em 1603.


Londres, no verão daquele ano, foi abalada pela epidemia da peste. João, então, trabalhou, incansavelmente, atendendo aos doentes. Tanto destaque teve durante esse período que foi preso novamente durante um ano, até 1606, em Gatehouse. Conseguiu a liberdade por intervenção de uma senhora espanhola, Luísa de Carvajal, muito influente na Corte inglesa, apesar de católica, por causa dos negócios existentes entre os dois países na época.


Assim, João se exilou na Espanha. Depois, organizou o Mosteiro de São Gregório em Douai, na França, do qual foi o primeiro prior. Em outubro de 1607, João Roberts voltou à Inglaterra e foi preso novamente. Mais uma vez, escapou, mas foi recapturado e, dessa vez, só conseguiu a liberdade por intervenção do embaixador da França. Saiu do país, mas, quando voltou, foi preso outras duas vezes, sendo, finalmente, em 1610, conduzido à presença do bispo protestante Abbot e condenado à morte na fogueira.


Foi queimado no dia 10 de dezembro do mesmo ano, na praça pública de Londres. Na sua fala, pouco antes de morrer, lamentou o monstro da heresia, o rei dos ingleses, e rezou por todos. Alguns séculos depois, foi beatificado, em 1929. O papa Paulo VI canonizou são João Roberts em 1970. A sua homenagem litúrgica ocorre no dia de sua morte. [www.paulinas.org.br]

 

 

Pai, começa o começo!

 

Papai Noel e João Batista, Dom Caetano Ferrari, Bispo de Bauru - SP

 

É mais fácil explicar e a criança acreditar que o Menino Jesus existe do que existe o Papai Noel. Que o nascimento de uma criança está mais perto da realidade, do compreensível, do que o de um velhinho. Como será mais fácil para ela acreditar na cegonha que traz no bico um nenezinho do que um velhinho. A cegonha é a mesma como o Natal é o mesmo, mas do nascimento do Menino Jesus, o aniversariante cuja alegria enche os corações e faz as pessoas no mundo inteiro se abraçarem, se amarem e se trocarem presentes. O presente verdadeiro e melhor é o próprio Deus que fez-se criança para aproximar-se de nós. Isso não é lenda, é uma verdade histórica.

 

Há um humanismo ateu que emociona as pessoas anunciando e desejando um Natal maravilhoso, cheio de esperanças e alegrias, com grandes realizações pessoais e transformações sociais, porém não como dom e graça do Deus que se fez presente nascendo na história, mas como o mito do progresso construído sobre a onipotência da razão e da ciência tão inverossímil como a lenda do Papai Noel que as crianças acreditam viajar pelos ares em trenós puxados por renas, trazendo presentes para todos. Em ambas as perspectivas exigem-se o esforço pessoal e o comprometimento de todos. Com uma simples diferença. O cristão sabe que pode tudo com Deus e os outros. O ateu acredita que se basta a si mesmo com os outros, mas sem Deus.

 

Que o Papai Noel existe é claro, mas porque o Jesus do Natal existiu primeiro. Que ele é uma figura importante é claro, mas que está a serviço do personagem mais importante do Natal, que é Jesus.

 

Neste segundo domingo do Advento, no Evangelho de Marcos, João Batista aparece no deserto, vestido de pele de camelo, comendo mel e gafanhotos, declarando exatamente isso: “Depois de mim virá alguém mais forte do que Eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, Ele vos batizará com o Espírito Santo – Mc 1,1-8).

 

Todo bom Papai Noel não cria confusão na cabecinha das crianças, mas se comporta como João Batista capaz de dizer-lhes que, menos ainda do que João, ele é um simples servo de Jesus. Jesus é o Emanuel, Deus conosco, que traz a graça e a salvação para todas as pessoas, e João é o seu mensageiro e precursor.

 

No deserto, João Batista é a voz que clama: “Preparai os caminhos do Senhor”. O advento nos propõe esta caminhada de conversão em preparação para o Natal. Uma conversão individual, comunitária, eclesial, social, que é sempre pessoal, porque exige tomada de consciência do próprio pecado, seja meu seja seu, com arrependimento e desejo de mudar, de melhorar, de transformar começando primeiro comigo mesmo e consigo mesmo, para depois sermos mensageiros das mudanças nos outros e no mundo.

 

Quando você vir um Papai Noel, lembre-se de João Batista, aquele que nos convida a prepararmos os caminhos do Senhor, com “vigilância e oração”, como nos foi proposto no domingo passado, 1º do Advento, e com “arrependimento dos pecados e conversão pessoal”, como nos propõe hoje este 2º domingo do Advento.

 

No Natal, Deus volta seu coração para nós na ternura de uma criança e convida-nos, a mim, a você e a todos, a convertermos nosso coração para Ele. Numa noite de Natal, na Catedral de Notre Dame de Paris, Paul Claudel sentiu chegar a fé. Ele se converteu na contemplação do mistério da Encarnação de Deus num Menino. Tornou-se em grande místico e escritor católico. Ele que disse ter mil razões para crer e mil razões para não crer, mas ele preferiu crer. [Fonte: CNBB]

 

Peço a Deus coragem para denunciar o mal e mãos para aplaudir

calorosamente os profetas do bem. (Frei Neylor Tonin)