Sábado, 10 de setembro de 2011

XXIII Semana do Tempo Comum , Ano Ímpar, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia Mundial da Prevenção do Suicídio

 

Santos: Pulquéria (453, imperatriz), Jáder, Sóstenes, Cândida Menor, Sálvio (Bispo de Albi, 584), Ambrósio Eduardo Barlow, Nicolau de Tolentino, Ricardo de Santana, Apolinário Franco e Companheiros (mártires, 1ª Ordem e OFS)

 

Antífona: Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia. (Sl. 118, 137.124)

 

Oração: Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Timóteo (1Tm 1, 15-17)

Cristo veio ao mundo para salvador os pecadores

 

Caríssimo, 15segura e digna de ser acolhida por todos é esta palavra: Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. E eu sou o primeiro deles! 16Por isso encontrei misericórdia, para que em mim, como primeiro, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza de seu coração; ele fez de mim um modelo de todos os que crerem nele para alcançar a vida eterna. 17Ao rei dos séculos, ao único Deus, imortal e invisível, honra 'e glória pelos séculos dos séculos; Amém! Palavra da Salvação!

 

Comentando a Leitura

Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores

 

Para Paulo "evangelizar" é contar a história da misericórdia de Deus a seu respeito. Portanto sabe, com efeito, que só é eficaz a mensagem que reproduz, não as palavras de Jesus, mas o próprio Jesus. Só a sua presença faz que o cristão seja luz e sal. Paulo não elabora um sistema intelectual sobre a salvação operada por Deus. Prefere anunciar que, embora pecador; foi salvo pela bondade do Pai (v. 16). Vem assim a dizer que o ministro do evangelho deve ter experiência pessoal da graça. Faltando esta, sua mensagem seria puro e simples raciocínio abstrato. [COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999]

 

Salmo: 112 (113), 1-2.3-4.5a e 6-7 (R/. 2)

Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre!

 

Louvai, louvai, ó servos do Senhor, louvai, louvai o nome do Senhor! Bendito seja o nome do Senhor, agora e por toda a eternidade!

 

Do nascer do sol até o seu ocaso, louvado seja o nome do Senhor! O Senhor está acima das nações, sua glória vai além dos altos céus.

 

Quem pode comparar-se ao nosso Deus, que se inclina para olhar o céu e a terra? Levanta da poeira o indigente e do lixo ele retira o pobrezinho.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 6, 43-49)
A atitude exterior que não coincide com o desejo interior

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43"Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons. 44Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem uvas de plantas espinhosas. 45O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração. Mas o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio. 46Por que me chamais: 'Senhor! Senhor!', mas não fazeis o que eu digo? 47Vou mostrar-vos com quem se parece todo aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as põe em prática. 48É semelhante a um homem que construiu uma casa: cavou fundo e colocou o alicerce sobre a rocha. Veio a enchente, a torrente deu contra a casa, mas não conseguiu derrubá-la, porque estava bem construída: 49Aquele, porém, que ouve e não põe em prática, é semelhante a um homem que construiu uma casa no chão, sem alicerce. A torrente deu contra a casa, e ela imediatamente desabou; e foi grande a ruína dessa casa". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

A falta de autocrítica

É inútil o discípulo fazer sua confissão de fé e proclamar "Senhor, Senhor", quando sua vida destoa deste testemunho de adesão a Jesus. De nada vale o palavreado vazio sem o respaldo das boas obras. A sua condição de discípulo revela-se com gestos concretos de amor e misericórdia no trato mútuo, de modo especial com os mais pobres.


Jesus ofereceu um critério de discernimento, útil para distinguir os verdadeiros dos falsos profetas e líderes da comunidade. Servindo-se de linguagem metafórica, formulou-o assim: a qualidade da árvore é conhecida pela qualidade de seu fruto. Os frutos bons provêm de árvores boas. Pelo contrário, as árvores ruins produzem frutos ruins. Aplicado ao discipulado cristão e à liderança eclesial, significa que a bondade ou a maldade dos discípulos e dos líderes manifesta-se não pelo que dizem, mas pelo que fazem. Se a vida deles for um testemunho inequívoco de amor solidário aos demais, pode-se dar crédito aos seus ensinamentos e segui-los. Mas urge acautelar-se dos indivíduos que se mostram pródigos no falar e parcos no fazer, ou então, pregam o amor e são opressores do próximo; ensinam a justiça e se destacam por serem injustos; exigem solidariedade e partilha e se fecham egoistamente em torno do que acumularam; proclamam o valor do perdão, mas cultivam no coração o ódio e o rancor. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

São Tomás de Vilanova

 

 

 

Desde criança manifestava a caridade cristã, partilhando seus pertences com os pobres. Ordenado sacerdote, foi superior dos agostinianos e bispo de Valência. Dedicou-se particularmente a acolher as crianças abandonadas, os inocentes e os recém-nascidos. Era conhecido também como "pai dos pobres". Manifestou dons de cura e procurava ensinar mais pelo exemplo direto do que pela pregação. Soube falar a linguagem dos humildes, apelar aos poderosos, tanto em sua catedral quanto na corte de Carlos V.

 

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Pela Igreja e por nossa comunidade, digamos. Obrigado(a), Senhor.

Pela união existente nas comunidades, digamos.

Pelos bons frutos produzidos pelos cristãos, digamos.

Pelos que se doam em favor do bem comum, digamos.

Pelos santos e mártires de todos os tempos, digamos

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, fonte da paz e da verdadeira piedade, concedei-nos por esta oferenda render-vos a devida homenagem, e fazei que nossa participação na Eucaristia reforce entre nós aos laços da amizade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor; aquele que me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida! (Jo 8, 12)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que nutris e fortificais vossos fiéis com o alimento da vossa palavra e do vosso pão, concedei-nos, por estes dons do vosso Filho, viver com ele para sempre. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Cada árvore dá fruto segundo sua espécie e qualidade. Pelo fruto identificamos a árvore (Tg 3,12). O tesouro pode ser o depósito, a adega ou a despensa. No homem é a intimidade, o coração como sede da vida consciente e livre. Referido à boca, à palavra, o provérbio se aplica a quem ensina; mas seu alcance é mais amplo. Segue-se a necessidade de ir assimilando e acumulando coisas boas para partilhá-las com outros no momento oportuno. Já no plano da imagem, “senhor” é o patrão; pouco vale que o criado diga “sim, senhor”, se depois não cumpre as ordens. Por fim, todo o ensinamento de Jesus é para a vida; se fica na simples informação, sem se traduzir em obras, carecerá de fundamento para ele. Também insinua que a construção da vida cristã estará ameaçada de fora. Se o edifício é valioso, sua ruína será terrível.  (Cf. Bíblia do Peregrino)

 

 

 

Vaticano II e a Bíblia

 

Dom Paulo Mendes Peixoto, Bispo de São José do Rio Preto - SP

 

Tivemos um passado nublado em relação ao uso e à leitura da Palavra de Deus. A Bíblia foi tirada das mãos dos católicos. Isto chegou até os nossos tempos, como aconteceu nas minhas primeiras férias de seminário, em 1967, quando disse à minha mãe: “Por que não temos uma Bíblia?”. A resposta foi reveladora: “A gente pode ter Bíblia em casa!?”.

 

Numa história de mais de 500 anos, quem não tinha boa formação não podia manusear o Livro Sagrado. Tudo por medo de uma má interpretação dos textos “fora do contexto”. Até parece que faltava confiança na inspiração que vem do Espírito Santo. Ficamos no prejuízo e caminhamos pouco no conhecimento e na intimidade com a Palavra de Deus.

 

Com o Concílio Vaticano II o clima mudou. Hoje já sentimos os avanços que estão acontecendo e os resultados evidentes da força da Palavra. A Bíblia está voltando para as mãos dos católicos, sendo a força transformadora das comunidades cristãs. Isto revela a beleza e a ação do Espírito de Deus no seio da Igreja.

 

A Bíblia passou a ser o “livro de cabeceira”, aliada de muita gente como devoção e referência para suas urgentes necessidades. É um instrumento de uso pessoal, fazendo parte do dia a dia das pessoas. Não só isto, mas também com uma maneira de leitura que ajuda na interpretação, evitando privilegiar texto fora do contexto.

 

É interessante ter em conta que muitas pessoas conseguem ligar a Palavra de Deus com os fatos da vida. O texto, refletido e rezado, passa a iluminar as realidades, abrindo caminho para superação das dificuldades. Isto acontece no nível pessoal, mas também no comunitário, especialmente nos círculos bíblicos.

 

A habilidade para lidar com a Bíblia vem dos momentos formativos, de leituras de autores voltados para a Palavra de Deus, do mês da Bíblia e de escolas teológicas com acento na Sagrada Escritura. Tudo isto revela que estamos dando passos e provocando interesse das pessoas pela leitura frequente da Bíblia.

 

São 50 anos do Vaticano II. Já temos um patrimônio de reflexão sobre a Bíblia, mas não temos ainda projetos pastorais com o tema “animação bíblica de toda a pastoral”. Até então, esta não tem sido a tônica das igrejas particulares. Temos, sim, grandes iniciativas aqui e ali, mas que ainda não revelam fato de relevância.

 

Aos poucos descobrimos que a Palavra de Deus não está só na Bíblia. Deus ainda se revela na vida, nos acontecimentos e no relacionamento das pessoas. A Bíblia ajuda na descoberta da Palavra nas realidades do cotidiano. Isto cria ânimo, renova as forças desgastadas com as dificuldades, e desperta esperança.

 

Antes da existência da Bíblia, a Palavra já era vivida nas comunidades. A escrita dos textos bíblicos veio dizer que Deus sempre esteve presente no meio do povo. Às vezes isto não é percebido, mas aparece na experiência pessoal e nas atitudes das comunidades. Basta interpretar o que está por trás da luta do povo.

 

Quando falamos de interatividade entre a fé e a vida, estamos falando da força da Palavra que produz a fé em Deus, os compromissos com o seu projeto em Jesus Cristo, em harmonia com a história de vida da comunidade. A leitura atenta da Bíblia joga luz sobre a fé e a vida, criando consciência crítica no contexto social.

 

O Congresso de Animação Bíblica da Pastoral quer despertar em toda a Igreja, e em todas as pastorais, o compromisso com os anseios do Vaticano II, 50 anos depois; também com os atuais documentos oficiais, principalmente o de Aparecida e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2011 – 2015.

 

A experiência de vida do idoso é um livro escrito pela sabedoria. (Beth Guedes)