Sábado, 9 de outubro de 2010

27º do Tempo Comum (Ano “C”), 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia do Atletismo e dia da União Postal Universal

 

Santos: Dionísio (Bispo) e Companheiros, ambos  mártires; João Leonardi (Presbítero), Públia, Patriarca Abraâo (Séx. XIX), Dinis (Séc. III, França), João Leonardi (1609, Itália), Gileno (685, Bélgia), Guntério (ou Günther, 1045, Turíngia), Luis Bertrando (1581, dominicano espanhol), Pio XII e Rústico

 

Antífona: Senhor, tudo está em vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, a terra e tudo o que estes contêm; sois o Deus do universo! (Est 1, 9.10-11)

 

Oração: Ó Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis, no vosso imenso amor de Pai, mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Gálatas (Gl 3, 22-29)
Em Jesus cristo todos foram salvos

 

Irmãos, 22a Escritura pôs todos e tudo sob o jugo do pecado, a fim de que, pela fé em Jesus Cristo, se cumprisse a promessa em favor dos que creem. 23Antes que se inaugurasse o regime da fé, nós éramos guardados, como prisioneiros, sob o jugo da lei. Éramos guardados para o regime da fé, que estava para ser revelado. 24Assim, a lei foi como um pedagogo que nos conduziu até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. 25Mas, uma vez inaugurado o regime da fé, já não estamos na dependência desse pedagogo.  26Com efeito, vós todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo. 27Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. 28O que vale não é mais ser judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um só, em Jesus Cristo. 29Sendo de Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Vós todos sois filhos de Deus pela fé

 

Em todos os seus aspectos, a via é uma contínua tensão entre dois pólos: regulamentação e liberdade. A disciplina legal pode chegar a substituir a consciência do indivíduo, num conformismo rasteiro que dá uma ilusão de “bondade” (= não desvio das normas aceitas pelo grupo). A liberdade é difícil; ser verdadeiramente livre exige sacrifício. De outro modo, se cai em formas libertárias igualmente cômodas e fáceis, como o conformismo ao qual pretendem opor-se. Pode-se caminhar, mas não se sabe aonde ir, não se tem o mapa da região. É impossível eliminar um dos dois pólos. Somos, porém, chamados por Deus para valorizar também essa tensão, numa maturidade de consciência que vai oportunamente equilibrando disciplina e liberdade em cada ocasião concreta. O ponto mais profundo dessa maturidade para o cristão é a caridade, pela qual “somos todos um só ser em Cristo”. Quando o relacionamento com Deus é vivido com sinceridade, o dom da unidade aclara continuamente as relações com os irmãos. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 104 (105), 2-3.4-5.6-7 (R/.8a)

O Senhor se lembra sempre da aliança!

 

2Cantai, entoai salmos para ele, publicai todas as suas maravilhas! 3Gloriai-vos em seu nome que é santo, exulte o coração que busca a Deus!

 

4Procurai o Senhor Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face! 5Lembrai as maravilhas que ele fez, seus prodígios e as palavras de seus lábios!

 

6Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, 7ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra.

Evangelho: Lucas (Lc 11, 27-28)

Feliz o ventre que te trouxe

 

Naquele tempo, 27enquanto Jesus falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram". 28Jesus respondeu: Muito mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

Corrigindo uma constatação

 

O intuito feminino de uma mulher do povo levou-a a fazer uma constatação verdadeira: era digno de ser exaltado o ventre em que Jesus fora gerado, e os seios em que fora amamentado. O poder manifestado nos feitos prodigiosos do Mestre, justificava o grito entusiasta desta mulher. Ter gerado tal filho era algo digno de louvor para uma mãe. Só alguém agraciada por Deus - "bem-aventurada" - podia ser capaz disso.


O elogio a Maria comportava um elogio a Jesus. Na mentalidade da época, exaltar a mãe era uma forma de exaltar o filho. Esta era a intenção da mulher: fazer um elogio a Jesus, reconhecendo que ela possuía um poder extraordinário provindo de Deus.


As palavras da mulher, entretanto, careciam de um acréscimo. Elas podiam dar a entender que bastava alguém ter um certo parentesco sanguíneo com Jesus para ser objeto de reconhecimento. No entanto, era preciso muito mais! A verdadeira bem-aventurança consistia em ser um discípulo exemplar: ouvir com fidelidade e perseverança a Palavra e oferecer ao mundo um testemunho de vida consumado, colocando-a em prática. A mãe de Jesus, mais do que ninguém, deu este testemunho de escuta-prática da Palavra. Mas, este seu título de glória pode ser obtido por qualquer discípulo fiel e perseverante. O fato de ter sido mãe natural de Jesus era menos importante do que sua fidelidade a Deus, manifestada com gestos concretos. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B, ©Paulinas, 1996]

 

Para sua reflexão: A expressão mulher é de louvor, equivalente a outras bem-aventuranças. Em contraste com a maternidade carnal de sua mãe, Jesus faz o louvor da fé. Lucas não apresenta uma crítica de Jesus à sua Mãe; antes, como exemplo do discípulo, faz dela o maior louvor. (Bíblia dos Capuchinhos)

 

São João Leonardo

 

 

 

 

Leonardo nasceu na Toscana, em 1541. Levou uma vida normal de leigo, trabalhando no ramo farmacêutico com o pai até os vinte e seis anos de idade, quando este morreu. Tendo participado do trabalho junto aos pobres com os padres colombinos, decidiu entregar sua vida ao seguimento de Cristo. Mesmo sabendo das dificuldades por ser adulto, Leonardo não se intimidou. Enfrentou os estudos desde o começo, do princípio mais elementar. Juntou-se aos meninos para aprender o latim e, em seguida, aplicou-se no estudo de filosofia e de teologia. Quatro anos depois, foi ordenado sacerdote.


Dedicando-se à catequese das crianças, implantou, junto com alguns religiosos, uma educação totalmente voltada para os princípios cristãos, nascendo, em 1574, a Congregação da Doutrina Cristã, hoje Clérigos Regulares da Mãe de Deus, também conhecidos como padres leonardinos.


Em 1584, resolveu fazer uma peregrinação à França, ao Santuário de Nossa Senhora de Loreto. Leonardo, que tinha conquistado a confiança do papa Clemente VIII, foi enviado por este para realizar diversas missões em seu nome, restaurando a disciplina religiosa em várias ordens, conventos e congregações. Era um tempo de decadência de costumes e seu trabalho entusiasmado e atraente trouxe de volta os velhos princípios do verdadeiro cristianismo que se haviam perdido no dia-a-dia de muitos integrantes da Igreja.


Preocupado em assegurar um futuro de fé às crianças pagãs, fundou, em parceria com João Batista Vives, um colégio para jovens sacerdotes que se espalhariam pelo mundo como missionários, pregando o catolicismo entre os infiéis e cuidando das vítimas das epidemias. Portanto João Leonardo foi o precursor do Colégio Urbano dos Missionários da Propaganda Fidei, ou Obra da Propaganda da Fé, fundado em 1627, em Roma, atuante até nossos dias, principalmente na esfera da Santa Sé. E também dos Missionários Exteriores de Paris, fundado em 1663.


Influenciado pelo Concilio de Trento, ao lado de grandes religiosos da época, como os depois santos Filipe Neri, José Calazanz e Camilo de Lellis, João Leonardo travou uma grande luta pela reforma eclesiástica da Itália, o que o fez tornar-se, também, um dos grandes do seu tempo.

Radicado em Roma, ele morreu no dia 8 de outubro de 1609. Seu corpo se encontra na cripta da igreja Santa Maria, em Campiteli. Beatificado em 1861, o papa Pio XI declarou santo João Leonardo em 1938, cuja festa litúrgica ocorre no dia de sua morte.
(paulinas.org.br)

 

Nunca ninguém conseguirá ir ao fundo de um riso de criança. (Victor Hugo)