Sábado, 9 de abril de 2011

Quarta Semana da Quaresma - 4ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Hoje: Dia Nacional do Aço

 

Santos: Maria de Cléofas (matrona), Valdetrudes (viúva), Hugo de Ruão (bispo), Galcério ou Gautério (abade), Ubaldo de Florença (beato), Tomás de Tolentino (mártir e beato), Antônio Pavoni (mártir e beato), Acácio, Demétrio, William Cufitella de Scicli (bem aventurado, confessor franciscano da 3ª ordem)

 

Antífona: As ondas da morte me cercavam, tragavam-me as torrentes infernais; na minha angústia chamei pelo Senhor, de seu templo ouviu a minha voz. (Sl 17, 5-7)

 

Oração do Dia: Ó Deus, na vossa misericórdia, dirigi os nossos corações, pois, sem o vosso auxílio, não vos podemos agradar. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Jeremias (Jr 11, 18-20)

Das confissões de Jeremias

 

18Senhor, avisaste-me e eu entendi; fizeste-me saber as intrigas deles. 19Eu era como manso cordeiro levado ao sacrifício, e não sabia que tramavam contra mim: "Vamos cortar a árvore em toda a sua força, eliminá-lo do mundo dos vivos, para seu nome não ser mais lembrado". 20E tu, Senhor dos exércitos, que julgas com justiça e perscrutas os afetos do coração, concede que eu veja a vingança que tomarás contra eles, pois eu te confiei a minha causa. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Eu era como manso cordeiro levado ao sacrifício

 

Em Jeremias, como em Cristo, há um aspecto trágico: o conhecimento do destino que lhe preparam os inimigos, sem possibilidade de evitá-lo. Não pode fazer outra coisa senão pôr-se nas mãos de Deus e esperar que este venha salvá-lo no cumprimento deste destino. O drama de sua vocação, como o de toda verdadeira vocação, é a necessária repercussão do mistério de Deus na vida do homem. Quem de Deus tem apenas uma idéia ou uma definição provavelmente nunca provará o drama do seu encontro e nunca terá de se despojar de si e "perder-se" (cf Mt 10,39) para identificar-se com a vontade de Deus. Deus, porém, mesmo em seu mistério fulgurante, não esmaga a liberdade do homem; dar-se-á somente àquele que tiver o direito de cativá-lo. Aqui está a razão de ser da obediência de Cristo na cruz, que a Eucaristia nos convida a alcançar. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 7, 2-3.9bc-10.11-12 (R/.2a)

Senhor meu Deus, em vós procuro o meu refúgio

 

2Senhor meu Deus, em vós procuro o meu refúgio: vinde salvar-me do inimigo, libertai-me! 3Não aconteça que agarrem minha vida como um leão que despedaça a sua presa, sem que ninguém venha salvar-me e libertar-me!

 

9bJulgai-me, Senhor Deus, como eu mereço 9ce segundo a inocência que há em mim! 10Ponde um fim à iniquidade dos perversos, e confirmai o vosso justo, ó Deus-justiça, vós que sondais os nossos rins e corações.

 

11O Deus vivo é um escudo protetor, e salva aqueles que têm reto coração. 12Deus é juiz, e ele julga com justiça, mas é um Deus que ameaça cada dia.

 

Evangelho: João (Jo 7, 40-53)

Jesus porque é palavra de vida eterna

 

Naquele tempo, 40ao ouvirem as palavras de Jesus, algumas pessoas da multidão diziam: "Este é, verdadeiramente, o profeta". 41Outros diziam: "Ele é o messias". Mas alguns objetavam: "Porventura o messias virá da Galiléia? 42Não diz a escritura que o messias será da descendência de Davi e virá de Belém, povoado de onde era Davi?" 43Assim, houve divisão no meio do povo por causa de Jesus. 44Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém pós as mãos nele.

 

45Então, os guardas do templo voltaram para os sumos sacerdotes e os fariseus, e estes lhes perguntaram: "Por que não o trouxestes?" 46Os guardas responderam: "Ninguém jamais falou como este homem". 47Então os fariseus disseram-lhes: "Também vós vos deixastes enganar? 48Por acaso algum dos chefes ou dos fariseus acreditou nele? 49Mas esta gente que não conhece a lei é maldita!"

 

50Nicodemos, porém, um dos fariseus, aquele que se tinha encontrado com Jesus anteriormente, disse: 51"Será que a nossa lei julga alguém, antes de o ouvir e saber o que ele fez?" 52Eles responderam: "Também tu és galileu, porventura? Vai estudar e verás que da Galiléia não surge profeta". 53E cada um voltou para sua casa. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho

Um profeta galileu?

O fato de Jesus ter vindo da Galiléia criava dificuldade para ser aceito como Messias. Conforme uma antiga tradição, o Messias viria de Belém, cidade de Davi, pois Deus havia prometido a esse rei que, para sempre, um de seus descendentes haveria de sentar-se no trono de Jerusalém. Esta esperança messiânica de caráter político-militar estava bem viva na mente do povo, principalmente no momento em que o peso da dominação romana se fazia sentir.

 

Pelo que se percebe, as autoridades de Jerusalém ignoravam a verdadeira origem de Jesus. E não pareciam muito interessadas em conhecê-la. O motivo verdadeiro da resistência contra ele girava em torno da sua pregação. Os guardas, enviados para prendê-lo, voltaram admirados com o que ouviram de sua boca. A multidão, também, ficava boquiaberta ao ouvi-lo, a ponto de irritar as autoridades. Até mesmo o fariseu Nicodemos, que exercia um cargo de liderança entre os judeus, ficara tão fascinado com o Mestre, a ponto de se tornar discípulo dele, mas às escondidas. Será ele quem tomará, discretamente, a defesa de Jesus, sugerindo que, antes de condená-lo, seria preciso ouvi-lo para saber o que realmente estava fazendo.

 

A insistência na origem de Jesus ocultava o motivo verdadeiro de sua rejeição. Sem mudar de mentalidade, seus perseguidores haveriam de rejeitá-lo, mesmo sendo declaradamente de Belém. Seu modo de ser rompia todos os esquemas messiânicos da época. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

-Pela fidelidade e perseverança da Igreja na missão evangelizadora, rezemos. Ouvi-nos, Senhor.

-Pelas nossas famílias, para que sejam abençoadas e livres dos perigos, rezemos.

-Pelas pessoas comprometidas com a solidariedade ao próximo, rezemos.

-Pelos incompreendidos e perseguidos por causa da fé em Cristo, rezemos.

-Pela unidade dos cristãos e pelo respeito às diversas manifestações religiosas, rezemos.

-Preces espontâneas

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, pelas oferendas que vos apresentamos, possamos ser reconciliados convosco e nossas vontades, mesmo rebeldes, sejam reconduzidas a vós. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Pelo sangue precioso de Cristo, cordeiro sem mancha e sem defeito, fomos resgatados. (1Pd 1, 19)

 

Oração Depois da Comunhão:

Nós vos pedimos, ó Deus, que o vosso sacramento nos purifique e possamos agradar-vos, graças à aço do seu poder. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Jesus é profeta, mas não um a mais na série; é Messias, mas não como o imaginam os judeus. Ninguém fala como Jesus porque ele é a Palavra de vida eterna. Saber escutar é um dom, alcançado por poucos. O preconceito de muitos afeta outro sentido: a visão! É difícil chamar o outro de irmão com base no preconceito. Mas há um sentido na vida; um referencial absoluto, porquanto somos apenas o relativo: a Palavra do verdadeiro Messias, que aviva todos os nossos sentidos com base na fé.

 

Santa Maria de Cléofas

 

Maria era esposa de Cléofas, que por usa vez era irmão de são José, esposo de Maria, Maria de Cléofas era mãe do apóstolo Tiago Menor, que se tornou bispo em Jerusalém, assim como o era de Judas Tadeu e Simão. Segundo o historiador palestino Hegésipo. Maria de Cléofas, portanto, era cunhada de Nossa Senhora. Por sua santidade uniu-se a Mãe de Deus também na dor do Calvário, merecendo ser uma das testemunhas da Ressurreição de Jesus (MC 16:1) "e passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo." O mensageiro divino anunciou as piedosas mulheres: "Por que procuram o vivo entre os mortos?" Essa é a grande alegria que foi dada aos apóstolos e às santas mulheres que foram ao sepulcro e, entre elas se encontrava Maria de Cléofas.

 

Acordar

Dom José Alberto Moura, CSS, Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG

 

Quem está sempre vigilante percebe os próprios movimentos e o que está em volta de si. Tem possibilidade de fazer escolhas e tomar o rumo da vida de mais proveito. A alienação, ao contrário, faz a pessoa viver como dormindo, sem usar os meios adequados para a própria realização.

 

O profeta Ezequiel alerta o povo para sair da própria sepultura e viver com dignidade: “Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel... Porei em vós o meu espírito, para que vivais...” (37,12.14). Acordar do sono da morte para viver desperto leva a pessoa a construir a vida com a certeza da missão dada por Deus a cada ser humano. Esta vida terrena vale a pena para quem a marca com o cuidado de quem tem um tesouro e sabe zelar por ele. Deus nos deu a vida e a terra para o uso carinhoso de quem assume sua administração para apresentar a Ele o resultado de sua tarefa. Mas é indispensável nossa responsabilidade em viver com a consciência dessa missão. Valemos e nos realizamos com a benemerência do que procuramos realizar da melhor maneira com o sonho da busca do verdadeiro tesouro da vida.

 

Para o bom exercício da caminhada nessa direção o apóstolo Paulo nos explica sobre a necessidade de nos imbuirmos da presença de Deus em nós. Tornamo-nos, então, criaturas novas, superando a contradição do pecado e vivendo segundo o Espírito e não segundo a carne. Enchemo-nos de alegria e temos a certeza de conseguirmos o objetivo de nossa caminhada terrena, alcançando a plena realização em Deus (Cf. Romanos 8,8-11). Mas a tarefa de condução da vida terrena vai se desenvolvendo com os critérios da justiça do Reino de Deus. Tornamo-nos pessoas fraternas, solidárias com os outros, trabalhando pela promoção da dignidade de todos. Esforçamo-nos para superar os mecanismos de morte, inclusive os da degradação da natureza. Somos pessoas de trabalho pela caminhada de sentido para todos.

 

Jesus é o grande modelo de doação de si. Não se eximiu de cumprir a missão dada pelo Pai. Tornou-se um de nós, ensinando-nos de modo profundamente humano como olhar e trabalhar pelo bem do semelhante, mesmo tendo que doar-se inteiramente, até a inteira vida, para os outros a terem de qualidade. Mostra isso nas parábolas do bom samaritano e do filho pródigo, nos milagres para ajudarem as pessoas a superarem seus problemas, mas, principalmente, para crerem nele e realizarem o projeto de Deus. Incansavelmente quer dar vitalidade a todos: “Eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10,10). Quer dar vida física, de qualidade material. Mas vai muito além. Mostra que a vida de sentido faz a pessoa até sofrer os limites do sensível para ter a vida plena. Se fez milagres, e quantos!, foi  para mostrar seu poder de levar a pessoa que nele crê até os parâmetros da vida eterna. Ensina-nos a também darmos vida para que todos a tenham em abundância. Quem entra no âmago de sua missão é levado também a dar se si, desmedidamente,  para promover a realização maiúscula aos outros.

 

No milagre da ressurreição do amigo Lázaro, Jesus mostra que o “sono” da morte física não é nada para Ele. Promete a todos nós a vida imorredoura. Basta estarmos acordados para usarmos bem a caminhada terrena, acumulando tesouro para o eterno. Fazêmo-lo quando damos de nós para respeitarmos e promovermos os seres criados por Deus com verdadeiro zelo, ternura e amor.

 

 

Alcançou muito sucesso aquele que viveu bem, réu com frequência e amou muito! (Bessle Anderson)