Sábado, 7 de agosto de 2010

Décima Oitava Semana do Tempo Comum, 2ª do Saltério (Livro III),  cor Verde

 

Santos: Máximo Auspício, Betário, Celsino, Eufrônio Pedro de Osma (bispos) Catarina, Teódota Evádio, Rutílio (Mártires) Pedro Fabro, Estêvão I (papa, Roma, 257), Pedro Julião (1868) e Rutílio

 

Antífona: Meu Deus, vinde libertar-me, apressai-vos, Senhor, em socorrer-me. Vós sois o meu socorro e o meu libertador; Senhor, na tardeis mais. (Sl 69, 2.6)

 

Oração: Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação e conservando-a renovada. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Habacuc (Hab 1, 12-2,4)

Aquele que é fiel a Deus terá acesso à vida

 

12Acaso não existes desde o princípio, Senhor, meu Deus, meu Santo, que não haverás de morrer? Senhor, puseste essa gente como instrumento de tua justiça; criaste-a, ó meu rochedo, para exercer punição. 13Teus olhos são puros para não veres o mal; não podes aceitar a visão da iniquidade. Por que, então, olhando para os malvados, e vendo­-os devorar o justo, ficas calado? 14Tratas os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não têm dono. 15O pescador pega tudo com o anzol, puxa os peixes com a rede varredoura e recolhe-os na outra rede; com isso, alegra-se e faz a festa. 16Faz imolação por causa da sua malha, oferece incenso por causa da sua rede, porque com elas cresceu a captura de peixes e sua comida aumentou. 17Será por isso que ele sempre desembainhará a espada, para matar os povos, sem dó nem piedade?

 

2,1Vou ocupar meu posto de guarda e estarei de atalaia, atento ao que me será dito e ao que será respondido à minha denúncia. 2Respondeu-me o Senhor, dizendo: “Escreve esta visão, estende seus dizeres sobre tábuas, para que possa ser lida com facilidade. 3A visão refere-se a um prazo definido, mas tende para um desfecho, e não falhará; se demorar, espera, pois ela virá com certeza, e não tardará. 4Quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

O justo viverá por sua fé

 

 Habacuc tem uma ressonância muito moderna. Em face da opressão, da violência, o profeta discute com Deus sobre o problema do mal. Por que o ímpio oprime e Deus não intervém? A violência cresce: por que Deus tarda? A resposta de Deus, solicitada com insistência, vem por fim: Deus está do lado do justo oprimido, a maldade não ficará impune. Mas quando? Deus já está em ação na história, embora os homens ainda o não percebam; devem, pois, manter vivas a fé e a esperança. Deus, todavia, opera por meio dos homens: disto devemos estar bem conscientes. Quando erguemos lamentações sobre os males do nosso tempo, por que não nos incriminamos de cruzarmos os braços diante do mal? "Nós somos os tempos" dizia santo Agostinho. "Façamos o bem, e os tempos serão melhores". Somos as mãos de Deus para repelir a violência, para soerguer e socorrer o oprimido. Deus espera nossa colaboração nos casos que conhecemos!  [Comentário Bíblico, Vol 3, Edições Loyola]]

 

 

Salmo: 9 (9A) 8-9.10-11.12-13 (R/.11b)

Vós nunca abandonais quem vos procura, ó Senhor

 

Deus sentou-se para sempre no seu trono, preparou o tribunal do julgamento; julgará o mundo inteiro com justiça, e as nações há de julgar com equidade.

 

O Senhor é o refúgio do oprimido, seu abrigo nos momentos de aflição. Quem conhece o vosso nome, em vós espera, porque nunca abandonais quem vos procura.

Cantai hinos ao Senhor Deus de Sião, celebrai seus grandes feitos entre os povos! Pois não esquece o clamor dos infelizes, deles se lembra e pede conta do seu sangue.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 17, 14-20)
Se tiverdes fé nada vos será impossível

 

14Naquele tempo, chegando Jesus e seus discípulos junto da multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: 15”Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epilético, e sofre ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. 16Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!" 17Jesus respondeu: gente sem fé e perversa! Até quando deverei ficar convosco? Até quando vos suportarei? Trazei aqui o menino". 18Então Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele. Na mesma hora o menino ficou curado. 19Então, os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?" 20Jesus respondeu: "Porque a vossa fé é demasiado pequena. Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: 'Vai daqui para lá' e ela irá. E nada vos será impossível". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 9, 14-29; Lc 9, 37-43

 

 

 

Comentando o Evangelho

Nada é impossível

 

Os discípulos viram-se em situações idênticas às de Jesus e foram solicitados a fazer milagres como ele. A missão dos discípulos correspondia àquela do Mestre e devia ser realizada, tomando-o como modelo. Contudo, nem sempre eles foram capazes de realizar, a contento, a tarefa recebida. E Jesus explicou-lhes o porquê não eram eficientes.


A ocasião surgiu quando alguém trouxe o filho para ser livre de uma terrível possessão demoníaca. Os discípulos não foram capazes de expulsar o demônio. Assim, o pai teve de recorrer diretamente a Jesus, que realizou o milagre desejado.


Quando se viram a sós com o Mestre, os discípulos perguntaram-lhe por que foram impotentes para expulsar o demônio. Ao que Jesus respondeu sem rodeios: porque vocês têm uma fé demasiado pequena. O que teria acontecido com os discípulos? Talvez não estivessem muito convencidos do que eram capazes, ou desconfiassem do próprio poder, ao se encontrarem diante de situações concretas. Ou, ainda, porque sua adesão ao Senhor não era consistente. Também poderia ser que o confronto com os poderes malignos do anti-Reino os intimidasse. Em todo caso, a mesquinhez de sua fé os bloqueava. Não poderiam dar continuidade à missão, sem possuir uma fé sólida. Com ela, tudo lhes seria possível, até mesmo o que, numa visão puramente humana, lhes pudesse parecer impossível, uma vez que tinham sido enviados a realizar grandes coisas.
 [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Tornou-se proverbial a expressão “uma fé que move montanhas” (cf. 1Cor 13,2), pela qual o homem repete a ação de Deus. Mas não seria fé se agisse por capricho ou por espetáculo. Jesus cura por compaixão e cumprindo usa missão libertadora. Ele queixa-se expressando cansaço acumulado; como o de Moisés, farto de suportar o povo na caminhada do êxodo (Nm 11, 11-15). O delito dessa geração é a falta de fé: ela se detém na beneficência e no maravilhoso. Mas os discípulos têm de robustecer a fé para enfrentar o que se aproxima. A confissão de Pedro e a transfiguração hão de guiá-los. (Bíblia do Peregrino)

 

Santo Eusébio de Vercelli

 

 

 

A exemplo de tantos provincianos dotados de muita inteligência, foi a Roma para complementar seus estudos e seguir uma carreira que prometia boa remuneração. Eusébio não era seu nome de nascimento: recebeu-o, após sua conversão, pelo papa Eusébio que o batizou em Roma, como faziam os escravos gratos pela sua libertação e seu patrão, assumindo o seu nome. O jovem fez questão de ter esse nome como gratidão ao seu libertador. No ano 345 foi ordenado sacerdote e logo tornou-se bispo com sede em Vercelli. Era um pastor zeloso, de múltiplas iniciativas, generosamente interessado pela vida da Igreja e também além dos limites da sua diocese. Introduziu um novo ritual em um templo pagão em Vercelli, transformando-o e consagrando assim a primeira catedral do local. Foi considerado um dos principais artífices da organização interna e externa da Igreja, que recentemente saía das perseguições. Tinha contato com santo Atanásio da Alexandria e santo Hilário de Poitiers, com os quais, mais tarde, uniu-se para curar as feridas produzidas pela heresia na Igreja do Norte. Foi exilado e despachado com algemas até a distante cidade da Palestina, onde permaneceu por seis anos fechado em uma prisão. Libertado, foi visitar Atanásio. Com quem esteve um breve período. Santo Eusébio foi quem traduziu para o latim os Comentários sobre os Salmos do seu homônimo Eusébio de Cesaréia.

 

Para o pai e para a mãe que amam, nada mais gratificante do

que ver o filho feliz. (Fr. Anselmo Fracasso)