Sábado, 7 de janeiro de 2012

Tempo do Natal depois da Epifania, 1ª Semana do Saltério, Livro I, cor Branca

 

Hoje: Raimundo Penyafort (Memória Facultativa, cor litúrgica branca)

 

Santos do Dia: Alderico de Le Mans (bispo), Anastácio de Sens (bispo), Canuto Layard (rei, mártir), Clero (diácono, mártir da África), Crispim de Pavia (bispo), Emílio de Saujon (monge), Félix e Januário (mártires de Heracléia), Juliano de Cagliari (mártir), Luciano de Antioquia (presbítero, mártir), Nicetas de Rémésiana (bispo), Reinaldo de Colônia (monge, mártir), Teodoro do Egito (eremita), Tilo de Solignac (abade), Valentim de Rhaetua (bispo), Eduardo Waterson (mártir, bem-aventurado)

 

Antífona: Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, para que nos tornássemos filhos adotivos. (Gl 4, 4-5)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, pela vinda do vosso Filho, vos manifestastes em nova luz. Assim como ele quis participar da nossa humanidade, nascendo da Virgem, dai-nos participar de sua vida no reino. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: I Carta de São João (1Jo 5, 14-21)
O filho de Deus veio e nos deu entendimento

 

Caríssimos, 14esta é a confiança que temos no Filho de Deus: se lhe pedimos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve. 15E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que lhe pedimos, sabemos que possuímos o que havíamos pedido.

 

16Se alguém vê seu irmão cometer um pecado que não conduz à morte, que ele reze, e Deus lhe dará a vida; isto, se, de fato, o pecado cometido não conduz à morte. Existe um pecado que conduz à morte, mas não é a respeito deste que eu digo que se deve rezar. 17Toda iniquidade é pecado, mas existe pecado que não conduz à morte. 18Sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca. Aquele que é gerado por Deus o guarda, e o maligno não o pode atingir. 19Nós sabemos que somos de Deus, ao passo que o mundo inteiro está sob o poder do maligno. 20Nós sabemos que veio o Filho de Deus e nos deu inteligência para conhecermos aquele que é o verdadeiro. E nós estamos com o verdadeiro, no seu Filho Jesus Cristo. Este é o Deus verdadeiro e a vida eterna. 21Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Palavra do Senhor!

 

 

Comentário da I Leitura

Ele nos ouve em tudo que lhe pedimos

 

Com seu convite à prece confiante (versículo 14), João acentua uma qualidade fundamental da oração: submeter nossa súplica ao beneplácito de Deus. A prece do cristão deve pedir sobretudo o perdão e a salvação dos pecadores (versículo 16). O Senhor quer; com efeito, "que o ímpio se converta de seu caminho e viva" (Ez 33,11). Totalmente inútil pedir "para o pecado que leva à morte" (versículo 16), próprio daquele que, conhecida a luz, prefere as trevas, rejeita a verdade, obstina-se no mal. É o pecado contra o Espírito Santo, de que fala Jesus, "que não terá perdão eternamente" (Mc 3,29). A referência ao pecado evoca no apóstolo a feliz realidade, o autêntico privilégio do cristão de "não pecar", porque "nascido de Deus" (versículo 18), com a condição de ser fiel à sua vocação, fugindo do mundo que "está sob o poder do maligno" (versículo 19). [MISSAL COTIDIANO, Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 149, 1-2.3-4.5 e 6a e 9b (R/.4a)

O Senhor ama seu povo, de verdade

 

1Cantai ao Senhor Deus um canto novo, e o seu louvor na assembleia dos fiéis! 2Alegre-se Israel em quem o fez, e Sião se rejubile no seu rei!

 

3Com danças glorifiquem o seu nome, toquem harpa e tambor em sua honra! 4Porque, de fato, o Senhor ama seu povo e coroa com vitória os seus humildes.

 

5Exultem os fiéis por sua glória, e cantando se levantem de seus leitos, 6acom louvores do Senhor em sua boca. 9bEis a glória para todos os seus santos.

 

 

Este salmo é um hino, uma espécie de liturgia da realiza de Deus, daí o ar guerreiro que apresenta

 

 

Evangelho: João (Jo 2, 1-11)
O primeiro milagre de Jesus em Caná da Galiléia

 

Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava presente. 2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento.

 

3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não  têm mais vinho”. 4Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. 5Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. 6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem livros. 7Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. 8Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram.

 

9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que esteavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. 10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!”

 

11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele. Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentário o evangelho

Mãe e discípula

 

Embora as atenções do texto evangélico se concentrem em Jesus, não se pode subestimar o papel de Maria, coprotagonista no primeiro sinal que ele realizou, como manifestação do amor misericordioso de Deus derramado sobre a humanidade.


Sua condição de "mãe de Jesus", sua maternidade e os vínculos de dependência com o seu filho passam para um segundo plano. Destaca-se, sim, sua adesão pessoal e sua confiança radical em Jesus. Por sua intervenção, o Messias antecipou a "hora" de se manifestar ao mundo. A transformação da água em vinho de excelente qualidade simboliza os tempos messiânicos, tempo de festa e de alegria pela salvação operada por Deus.


Por outro lado, Maria conduz os discípulos à fé em Jesus: "Façam tudo o que ele mandar!". Ela os estimula a assumir uma postura de acolhida obediente em relação aos ensinamentos de Jesus, desempenhando uma função pedagógica e orientadora. Ensina-os a serem servidores e amigos de Jesus, perfeitamente sintonizados com ele.


A postura de Maria é uma luz para a comunidade empenhada viver com perfeição o discipulado cristão. Sua dupla atenção, a Jesus e ao que acontecia a seu redor, permitiu-lhe intervir a favor de um casal de noivos em apuros. Assim se comporta o discípulo no seu esforço de coadunar fé (adesão a Jesus) e vida (profunda atenção às necessidades do próximo). Como Maria, o discípulo deve ajudar as pessoas a abrirem o coração para a fé. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)

 

Prece dos Fiéis (Deus Conosco Dia a Dia)

Senhor nosso Deus, que no revelastes vosso amor em Jesus, vosso Filho, escutai as preces de vosso povo peregrino.

A Igreja é sacramento do Reino de Deus! Para que ela multiplique o vinho novo do Reino para os pobres, oprimidos e marginalizados, roguemos com fé: Senhor, fazei-nos acolher vosso Reino!

A Comunidade cristã é lugar de fraternidade. Para que ela seja solidária e fraterna, provocadora de esperança e de união, roguemos com fé.

A caridade gera a vida e diz não à morte! Por todos os que escutam a voz dos sofredores, dos abandonados neste mundo e são portadores de esperança para os oprimidos, roguemos com fé.

(Intenções próprias da Comunidade).

Ó Pai, vós sois nosso Deus e Senhor, tende paciência conosco, e por vossa graça fortalecei nossa fé em vosso Filho, que convosco vive e reina para sempre.

 

Oração sobre as Oferendas:

Concedei, ó Deus todo-poderoso, fonte da verdadeira piedade e da paz, que vos honremos dignamente com estes dons e, pela participação nestes mistérios, reforcemos os laços que nos unem. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça (Jo 1, 16)

 

Depois da Comunhão:

Ó Deus, que o vosso povo, sustentado com tantas graças, possa receber hoje e sempre os dons do vosso amor para que, confortado pelos bens transitórios, busque mais confiantemente os bens eternos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

São Raimundo de Peñafort

 

Raimundo era um fidalgo espanhol descendente dos reis de Aragão. Nasceu em 1175, no castelo dos Peñafort, na Catalunha. Desde muito pequeno apresentava interesse pela vida religiosa e pelos estudos. Aos vinte anos foi professor de artes livres numa universidade em Barcelona, atraindo muitos estudantes com suas aulas. Depois foi para Bolonha onde continuou lecionando e estudando direito civil e eclesiástico. Ao final foi diplomado com louvor e nomeado titular da cadeira de Direito Canônico da mesma escola. Jamais esqueceu os pobres, deles, Raimundo cuidava pessoalmente, muito embora a fama de seus conhecimentos já percorresse toda a Itália e Europa.


Em 1220 voltou para a Espanha e foi ordenado sacerdote e vigário geral da diocese de Barcelona. Depois foi convocado para servir em Roma a pedido do Papa Gregório IX, do qual foi confessor cerca de oito anos. Nesta época observou que os pobres, quando iam ao palácio papal, não eram tratados e atendidos com o devido direito, por isto alertou ao pontífice para que se interessasse pessoalmente por esta parte do rebanho. Por ordem do Papa, Raimundo editou a obra conhecida como "Os Decretais de Gregório IX", muito importante para o direito canônico até hoje.


Como retribuição pela dedicação e bons trabalhos, este papa o nomeou arcebispo de Taragona. Dentro de sua extrema humildade e se julgando indigno pediu exoneração do cargo, chegando a ficar doente por causa desta situação e com a licença dos superiores, voltou para a Espanha. Do amigo, Pedro Nolasco, recebeu e aceitou o convite de redigir as Constituições da nascente Ordem das Mercês para a Redenção dos Cativos.


Com a chegada dos dominicanos em Barcelona, abandonou tudo para ingressar na Ordem. Quando o superior geral morreu, em 1278, os religiosos elegeram Raimundo para ser o sucessor. Durante dois anos percorreu todos os conventos da Ordem a pé. Depois se afastou da direção, para se dedicar a vida solitária de orações e penitência, mas aos pobres continuou a atender. Esta santificação lhe aprimorou ainda mais os dons e grandes prodígios Deus executou por meio do seu servo, cuja fama de santidade corria entre os fiéis.


Por inspiração, aos setenta anos, Raimundo voltou ao ensino. Fundou dois seminários onde o ensino era dado em hebraico e árabe, para atrair judeus e mouros ao Cristianismo. Em pouco tempo dez mil árabes tinham recebido o batismo. Foi confessor do rei Jaime de Aragão, ao qual repreendeu pela vida mundana desregrada. Também o alertou sobre o perigo que o reino corria com os albigenses, facção da seita dos cátaros, que estavam pregando uma doutrina contrária e desta maneira conseguiu que fossem expulsos. Era um escritor valoroso, a sua obra, "Suma de Casos", continua sendo usada pelos confessores.


Avisados de sua última enfermidade os reis de Aragão e Castela foram ao seu encontro para receberem a derradeira benção. Raimundo de Peñafort morreu centenário no dia 6 de janeiro de 1275. Foi canonizado e sua festa autorizada para o dia seguinte da Epifania, em 7 de janeiro. [www.paulinas.org.br]

 

Epifania do Senhor - onde a estrela parou

Dom Eurico dos Santos Veloso, Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

 

Com a festa de Epifania, a Igreja celebra a manifestação de Jesus ao mundo. Epifania, palavra de origem grega, significa manifestação externa, aparecimento.

 

No mundo helenista, a palavra era usada para exprimir a chegada de um imperador em visita aos territórios de seu domínio. O uso tradicional desta palavra, para indicar esta narrativa do nascimento de Jesus, em Mateus, induz a uma interpretação gloriosa deste nascimento.

 

Mateus apresenta Jesus como a luz e a glória de Deus para o povo de Israel, sendo a Ele que os povos vêm em adoração, em uma perspectiva universalista, a qual está presente também no pensamento de São Paulo, na segunda leitura do domingo da Epifania do Senhor.

 

A menção da estrela que guia os magos é uma alusão à estrela de Jacó, que, depois, se transformou na estrela de Davi, com seis pontas e doze lados, associando Jesus ao messianismo dravídico. Assim também se dá com o nascimento em Belém, que era tida como a terra de origem de Davi. Todos estes acentos messiânicos o evangelista os fazia para convencer sua comunidade de cristãos originários do judaísmo que, em Jesus, se realizavam as suas expectativas messiânicas, conforme a tradição do Antigo Testamento.

 

A estrela que guiou os magos parou num humilde presépio, onde nascera o Menino Jesus e onde Maria e José permaneceram por algum tempo, cuidando, contemplando e adorando o Menino-Deus. A estrela leva a Jesus. O ambiente é rústico, simples e pobre, mas a estrela indica a grandeza do Filho de Deus, que se tornou humano para que nós pudéssemos nos tornar divinos.

Na nossa vida, o Espírito Santo também se faz estrela, conduzindo-nos a Jesus. Que cada um de nós, como os magos, aprenda a seguir, com admiração, interesse e amor essa estrela que sempre quer brilhar para nós.

 

Neste nosso primeiro artigo do ano da graça de 2012, quero expressar meu agradecimento a todos os que me acompanham, semanalmente, partilhando a Palavra de Deus, conforme nos exortou o Papa Bento XVI para que usássemos de todos os areópagos para pregar o Evangelho de Jesus Cristo. Que tenhamos, nesta solenidade, as atitudes benditas de humildade, solidariedade, alegria, serviço fraterno. Eis a lição que o Cristo do presépio, o Cristo da Epifania vem trazer para nós. Somente colocando em prática a sua mensagem é que saberemos construir e merecer a felicidade eterna, que pode ser vivida ainda aqui neste mundo. A estrela para em Jesus. Vamos, como os simples pastores ou como os reis magos, seguir essa estrela que nos faz construir a paz e o amor. Que no ano de 2012, sejamos mais fraternos, solidários vivendo sempre à luz de Cristo, o Redentor, que se manifesta ao mundo para que, no Seu seguimento, sejamos homens e mulheres mais gente.  [CNBB]

 

As ações acabam sempre parecidas com nossos pensamentos, e são estes que convém governar em primeiro lugar. (P. Bourget)