Sábado, 6 de novembro de 2010

31º do Tempo Comum (Ano “C”), 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Santos: Ático da Frígia (mártir), Barlaam de Khutyn (abade), Calínico de Jerusalém e Companheiros (mártires), Demétrio de Chipre (bispo), Edvina de Anglesey (virgem), Erlafrido de Hirschau (abade), Estêvão de Apt (bispo), Félix da Tunísia (mártir), Félix de Fondi (monge), Itudo de Llantwit (abade), Leonardo de Noblac (abade), Melânio de Rennes (bispo), Severo de Barcelona (bispo, mártir), Vinoco de Wormhoult (abade).

 

Antífona: Não me abandoneis jamais, Senhor, meu Deus, não fiqueis longe de mim! Depressa, vende em meu auxílio, ó Senhor, minha salvação! (Sl 37, 22-23)

 

Oração: Ó Deus de poder e misericórdia, que concedeis a vossos filhos e filhas a graça de vos servir como devem, fazei que corramos livremente ao encontro das vossas promessas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Filipenses (Fl 4, 10-19)

Eu aprendi o segredo de viver em qualquer situação

 

Irmãos, 10grande foi minha alegria no Senhor, porque afinal vi florescer vosso afeto por mim. Na verdade estava sempre vivo, mas faltava-lhe oportunidade de manifestar-se. 11Não é por necessidade minha que vos digo, pois aprendi muito bem a contentar-me em qualquer situação. 12Sei viver na miséria e sei viver na abundância. Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou sofrendo necessidade. 13Tudo posso naquele que me dá força. 14No entanto, fizestes bem em compartilhar as minhas dificuldades. 15Filipenses, bem sabeis que, no início da pregação do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma Igreja, a não ser a vossa, se juntou a mim numa relação de crédito. 16Já em Tessalônica, mais de uma vez, me enviastes o que eu precisava. 17Não que eu procure presentes, porém, o que eu busco é o fruto que cresça no vosso crédito. 18Agora, tenho tudo em abundância. Tenho até de sobra, desde que recebi de Epafrodito o vosso donativo, qual perfume suave, sacrifício aceito e agradável a Deus. 19O meu Deus proverá esplendidamente com sua riqueza a todas as vossas necessidades, em Cristo Jesus. Palavra do Senhor!

 

 

Comentário da I Leitura

Tudo posso naquele que me dá força

 

Não é fácil saber agradecer. Pelo menos, se nosso gesto não quer ser mero reconhecimento da generosidade alheia, e sim uma contribuição de cristãos. Se quisermos chegar à caridade, devemos ir além da simples boa educação. É necessário imaginação criativa para exprimir a gratidão ante o dom que nos concede o Senhor através do próximo. Por outro lado, a própria capacidade humana de agradecimento é a base “profana” da Eucaristia. Quem não é capaz de exprimir um verdadeiro “obrigado” nada pode entender da missa. Quem não sabe agradecer, não sabe rezar. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 111 (112), 1-2.5-6.8a e 9 (R/.12a) 
Feliz aquele que respeita o Senhor!

 

1Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! 2Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos!

 


5Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. 6Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente!

 

8aSeu coração está tranquilo e nada teme, e confusos há de ver seus inimigos. 9Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez, e crescerão a sua glória e seu poder.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 16, 9-15)
Reflexões sobre o dinheiro

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9“Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas. 10Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. 11Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? 12E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso?

 

13Ninguém pode servir a dois senhores: porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. 14Os fariseus, que eram amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e riam de Jesus. 15Então, Jesus lhes disse: “Vós gostais de parecer justos diante dos homens, mas Deus conhece vossos corações. Com efeito, o que é importante para os homens, é detestável para Deus”. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

Deus e o dinheiro

 

A pedagogia de Jesus não consistia em afastar os discípulos das coisas materiais, e sim, em ensinar-lhes a usar corretamente os bens deste mundo, de forma a tirar proveito deles, para a salvação.


Este é o caso do dinheiro. Seria ingênuo pretender segregar os discípulos num ambiente onde o “dinheiro da iniquidade” fosse abolido. Pelo contrário, deveriam inserir-se na sociedade que faz uso dele, mas pautando seu agir por parâmetros compatíveis com o Reino. Muitas vezes, quando se fala em dinheiro, pensa-se logo em acumulação indevida, fraude, dolo, injustiça.


O discípulo, no entanto, deve servir-se dele para “fazer amigos”, na perspectiva do Reino. Como? Despertando, no mundo, a solidariedade, conforme as exigências do Reino, onde os bens são partilhados com os pobres, porque, conforme o provérbio bíblico “Quem dá aos pobres, empresta a Deus”. Deve, ainda, servir-se do dinheiro, mas sem lançar mão de meios desonestos para acumulá-lo, muito menos às custas da espoliação do próximo, e jamais permitindo que a riqueza o torne insensível à indigência dos seus semelhantes.


Agindo assim, o discípulo coloca o dinheiro a serviço do Reino, impedindo-o de ocupar o lugar de Deus em seu coração. Em outras palavras, a riqueza é colocada a serviço da misericordiosa bondade do Pai, em favor de seus filhos mais necessitados.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C,  ©Paulinas, 1996]

 

Para Sua Reflexão:

Estão reunidas aqui diversas sentenças sobre o uso do dinheiro. Ligando esses elementos há termos com raiz semita: dinheiro, fiel e verdadeiro. O dinheiro é personificado como potência enganadora que escraviza, mas que o discípulo deve utilizar, arranjando um tesouro no céu, mediante o investimento nos pobres. O confronto com os bens materiais, nomeadamente na esmola aos pobres é um tema explorado por Lucas. Moradas eternas (v.9) nos lembram, do Antigo Testamento, “Tendas eternas”. Esta expressão inspira-se no imaginário da festa das Tendas onde se prefigurava a era da salvação. Os versículos de 10-12 tratam do bem do Reino, perante o qual o dinheiro constitui um teste da fidelidade do discípulo. Servir a Deus e ao dinheiro, na Bíblia, tem também um sentido cultual. O dinheiro é apresentado como um ídolo, que traz o risco de afastar de Deus. Por fim Jesus dirige-se aos fariseus, representantes do pensamento judaico (censura semelhante aos doutores da Lei em 20,47). Jesus critica a justiça dos fariseus. [Bíblia dos Capuchinhos]

 

 

 

São Leonardo de Noblac

 

 

 

Filho de nobres, Leonardo não quis seguir a carreira militar, preferindo ajudar ao Bispo S.Remígio, que era muito amigo do Rei e aproveitava-se dessa amizade para colocar em liberdade a prisioneiros, em sua maioria inocentes. Quando lhe ofereceram para ser Bispo, disse preferir a vida solitária no meio de uma floresta - em vida contemplativa e assim o fez. Certa vez o Rei Clóvis estava acompanhado pela rainha, prestes a dar a luz. Começando a sentir dores de parto Deus ouviu as orações do santo e teve um parto muito feliz. O rei então lhe presenteou com um imenso terreno para que construísse um mosteiro. Na Europa Central há inúmeras igrejas, capelas e localidades a ele dedicadas.

 

Todos os santos se caracterizam por uma virtude especial. Mas todos têm isso

em comum: decidiram seriamente procurar santidade. (S. Leonardo Murialdo)