Sábado, 6 de março de 2010

Segunda Semana da Quaresma - 2ª Semana do Saltério (Livro III) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Santos do Dia: Longinho (mártir), Matrona (virgem e mártir), Zacarias (papa), Lucrecia ou Leocricia (virgem e Mártir), Guilherme Hart (mártir e beato), Luisa de Marillac (viúva), Clemente-Maria Hofbauer, Plácido Riccardi (beato), Menigno, Nicandro (Egito) e Pedro de Malines (Servo de Deus, confessor franciscano da primeira ordem).

 

Antífona: O Senhor é misericórdia e clemência, indulgente e cheio de amor. O Senhor é bom para com todos, misericordioso para todas as suas criaturas. (Sl 144, 8-9)

 

Oração do Dia: Ó Deus, que pelos exercícios da Quaresma já nos dais na terra participar dos bens do céu, que possamos chegar à luz em que habitais. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Miquéias (Mq 7, 14-15.18-20)

Deus não quer a morte do pecador, mas a sua conversão

 

14Apascenta o teu povo com o cajado da autoridade, o rebanho de tua propriedade, os habitantes dispersos pela mata e pelos campos cultivados. 15E, como nos dias em que nos fizeste sair do Egito, faze-nos ver novos prodígios.

 

18Qual Deus existe, como tu, que apagas a iniquidade e esqueces o pecado daqueles que são resto de tua propriedade? Ele não guarda rancor para sempre, o que ama é a misericórdia. 19Voltará a compadecer-se de nós, esquecerá nossas iniquidade e lançará ao fundo do mar todos os nossos pecados.

 

20Tu manterás fidelidade a Jacó e terás compaixão de Abraão, como juraste a nossos pais, desde tempos remotos. Palavra do Senhor!

 

 

 

Comentando a I Leitura

Lançará ao fundo do mar todos os nossos pecados

 

Pela misericórdia, o passado do homem pecador não mais existe; ele pode recomeçar tudo. Pode alguém sentir-se chocado com este contínuo falar de misericórdia e de perdão. Parece-lhe pouco sério refugiar-se de continuo junto de um Deus que passa por cima de nossa falta de esforço. Dir-se-ia um jeito demasiado fácil de libertar-se da consciência. Quem, porém, raciocina deste modo esquece que a misericórdia de Deus está ligada à exigência da conversão e que o perdão é verdadeira redenção, libertação, renovação, nova criação. Deus não fecha os olhos com complacente paternalismo, mas abre novo crédito de confiança a nossas responsabilidades e dá a garantia de vencer o mal com o bem. Renova assim no pecador a alegria de viver. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 102(103), 1-2.3-4.9-10.11-12 (R/.8a)

O Senhor é indulgente e favorável

 

1Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! 2Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores!

 

3Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda sua enfermidade; 4da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão;

 

9Não fica sempre repetindo as suas queixas, nem guarda eternamente o seu rancor. 10Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas.

 

11Quanto os céus por sobre a terra se elevam, tanto é grande o seu amor aos que o temem; 12quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos crimes.

Evangelho: Lucas (Lc 15, 1-3.11-32)

Teu irmão estava morto e tornou a viver

 

Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximaram-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: "Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles". 3Então Jesus contou-lhes esta parábola: 11"Um homem tinha dois filhos.

 

12O filho mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte da herança que me cabe'. E o pai dividiu os bens entre eles. 13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. 15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queira matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. 17Então caiu em si e disse: 'Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome'. 18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: 'Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19 não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados'. 20Então ele partiu e voltou para seu pai.

 

Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos. 21O filho, então, lhe disse: 'Pai, pequei conta Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho'. 22Mas o pai disse aos empregados: 'Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado'. E começaram a festa.

 

25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. 27O criado respondeu: 'E teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde'.

 

28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: 'Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado'.

 

31Então o pai lhe disse: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado"'. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho

Acolhendo o pecador

 

A consciência do pecado vem acompanhada do sentimento de vergonha em relação a Deus. A revolta contra o seu amor misericordioso parece não se justificar. Junto com a vergonha vem o sentimento de ingratidão. E o pecador reconhece ser uma loucura o ter-se afastado do Pai.


Sua reação costumeira: duvidar de que possa ser perdoado. Em outros termos, duvidar que Deus esteja disposto a perdoar, devido à magnitude do pecado cometido.


O Evangelho aconselha, firmemente, o pecador a voltar para o Pai, cujo rosto, revelado por Jesus, é um incentivo a essa volta confiante. Deus quer ter junto de si todos os seus filhos. E está sempre disposto a esquecer o passado, pois confia que, no futuro, tudo será melhor. Não coloca limites para o perdão, nem faz distinção entre faltas perdoáveis e faltas imperdoáveis. Tudo pode ser perdoado, quando o pecador se predispõe a voltar. Alegra-se, sobremaneira, com a volta de um filho pecador, pois é como se este estivesse ressuscitando, depois de experimentar a morte. Não considera o pecador como pessoa de segunda categoria, só porque se desviou do bom caminho. Vale a pena confiar no amor misericordioso de Deus Pai. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

Para sua reflexão: Eis a “rainha das parábolas”. Nela temos a partida, a curtição despreocupada, a queda humilhante, as privações, a saudade da casa paterna, o retorno à nova vida, o abraço sem recriminações e a festa. O pai não leva o assunto por via legal, mas se deixa levar pelo afeto paternal. O abraço sela a reconciliação, antes que o filho pronuncie a confissão. É recebido como filho, traje e anel serão os sinais externos. Mas nem todos se alegram com o desfecho, pois alguém não aceita nem compreende a fraqueza do pai. O irmão mais velho, que regressa do trabalho no campo, discorre em termos de retribuição comparativa, protesta contra o irmão e o pai. E o pai, no mesmo terreno, o faz ver que está bem pago convivendo com ele. O irmão mais velho deve aceitar a misericórdia do pai e reconciliar-se com seu irmão arrependido. Paternidade gera fraternidade. O irmão mais velho, neste caso, representa o fariseu como tipo. Para os dias atuais, tem sido difícil o cristão aplicar a misericórdia com o próximo? Como ler, entender e não praticar a Palavra do Senhor?

 

Santa Rosa de Viterbo

 

Rosa viveu numa época de grandes confrontos, entre os poderes do pontificado e do imperador, somados aos conflitos civis provocados por duas famílias que disputavam o governo da cidade de Viterbo. Ela nasceu nesta cidade num dia incerto do ano de 1234. Os pais, João e Catarina, eram cristãos fervorosos. A família possuía uma boa propriedade na vizinha Santa Maria de Poggio, vivendo com conforto da agricultura.

 

Envolta por antigas tradições e sem dados oficiais que comprovem os fatos narrados, a vida de Rosa foi breve e incomum. Como sua mãe, Catarina, trabalhava com as Irmãs Clarissas do mosteiro da cidade, Rosa recebeu a influência da espiritualidade franciscana, ainda muito pequena. Ela era uma criança carismática, possuía dons especiais e um amor incondicional ao Senhor e a Virgem Maria. Dizem que com apenas três anos de idade transformava pães em rosas e aos sete, pregava nas praças, convertendo multidões. Aos doze anos ingressou na Ordem Terceira de São Francisco, por causa de uma visão em que Nossa Senhora assim lhe determinava.

 

No ano de 1247 a cidade de Viterbo, fiel ao Papa, caiu nas mãos do imperador Frederico II, um herege, que negava a autoridade do Papa e o poder do Sacerdote de perdoar os pecados e consagrar. Rosa teve outra visão, desta vez com Cristo que estava com o coração em chamas. Ela não se conteve, saiu pelas ruas pregando com um crucifixo nas mãos. A notícia correu toda cidade, muitos foram estimulados na fé, e vários hereges se converteram. Com suas palavras confundia até os mais preparados. Por isto, representava uma ameaça para as autoridades locais.

 

Em 1250, o prefeito a condenou ao exílio. Rosa e seus pais foram morar em Soriano onde sua fama já havia chegado. Na noite de 5 de dezembro 1251, Rosa recebeu a visita de um anjo, que lhe revelou que o imperador Frederico II, uma semana depois, morreria. O que de fato aconteceu. Com isto, o poder dos hereges enfraqueceu e Rosa pode retornar a Viterbo. Toda a região voltou a viver em paz. No dia 6 de março de 1252, sem agonia, ela morreu.

 

No mesmo ano, o Papa Inocêncio IV, mandou instaurar o processo para a canonização de Rosa. Cinco anos depois o mesmo pontífice mandou exumar o corpo, e para a surpresa de todos, ele foi encontrado intacto. Rosa foi transladada para o convento das Irmãs Clarissas que nesta cerimônia passou a se chamar, convento de Santa Rosa. Depois desta cerimônia a Santa só foi "canonizada" pelo povo, porque curiosamente o processo nunca foi  promulgado. A canonização de Rosa ficou assim, nunca foi oficializada.. Mas também nunca foi negada pelo Papa e pela Igreja. Santa Rosa de Viterbo, desde o momento de sua morte, foi "canonizada" pelo povo.

 

Em setembro de 1929, o Papa Pio XI, declarou Santa Rosa de Viterbo a padroeira da Juventude Feminina da Ação Católica Italiana . No Brasil ela é A Padroeira dos Jovens Franciscanos Seculares. Santa Rosa de Viterbo é festejada no dia de sua morte, mas também pode ser comemorada no dia 4 de setembro, dia do seu translado para o mosteiro de Clarissas de Santa Rosa, em Viterbo, Itália. [www.paulinas.org.br]

 

 

A vida grita sempre mais forte que as palavras que dizemos e as obras que fazemos. (S. Tiago Alberione)

 

A miséria da condição humana é tal que a dor é seu sentimento mais vivo. (Jean Lerond D’Alembert)