Sábado, 5 de novembro de 2011

31ª Semana do Tempo Comum, Ano IMPAR, 3ª Semana do Saltério (Livro III) cor litúrgica verde

 

Dia: Dia Nacional da Cultura, dia do Cinema Brasileiro, dia do Radioamador e dia do Técnico Agrícola.

 

Santos: Afonso de Palma, Antônio de Milão, Foilano (séc. VII, Bélgica), Afonso Rodrigues (1531, Palma de Maiorca, Ilhas Baleares), Volgang (994, monge beneditino), Quintino (séc. III, Roma), Bem-Aventurado Cristóvão (1271, franciscano).

 

Antífona: Não me abandoneis jamais, Senhor, meu Deus, não fiqueis longe de mim! Depressa, vende em meu auxílio, ó Senhor, minha salvação! (Sl 37, 22-23)

 

Oração: Ó Deus de poder e misericórdia, que concedeis a vossos filhos e filhas a graça de vos servir como devem, fazei que corramos livremente ao encontro das vossas promessas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Carta de S. Paulo aos Romanos (Rm 16, 3-9.16.22-27)

Fidelidade ao evangelho e à pregação de Jesus

 

Irmãos, 3saudai Prisca e Áquila, colaboradores meus em Cristo Jesus, 4os quais expuseram a sua própria vida para salvar a minha. Por isso, eu lhes sou agradecido; não somente eu, mas também todas as Igrejas do mundo pagão. 5Saudai igualmente a Igreja que se reúne na casa deles. Saudai meu muito estimado Epêneto, que faz parte dos primeiros frutos da Ásia para Cristo. 6Saudai Maria, que trabalhou muito em proveito vosso. 7Saudai Andrônico e Júnias, meus parentes e companheiros de prisão, apóstolos notáveis e que se tornaram discípulos de Cristo antes de mim. 8Saudai Ampliato, a quem estimo muito no Senhor. 9Saudai Urbano, nosso colaborador em Cristo, e a meu caríssimo Estáquis. 16Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo. Todas as Igrejas de Cristo vos saúdam.

 

22Saúdo-vos eu Tércio, que escrevo esta epístola no Senhor. 23Saúda-vos Caio, meu hóspede e de toda a Igreja. 24Saúda-vos Erasto, tesoureiro da cidade, e o irmão Quarto. 25Glória seja dada àquele que tem o poder de vos confirmar na fidelidade ao meu evangelho e à pregação de Jesus Cristo, de acordo com a revelação do mistério mantido em sigilo desde sempre. 26Agora este mistério foi manifestado e, mediante as escrituras proféticas, conforme determinação do Deus eterno, foi levado ao conhecimento de todas as nações, para trazê-las à obediência da fé. 27A ele, o único Deus, o sábio, por meio de Jesus Cristo, a glória, pelos séculos dos séculos. Amém! Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo.

 

Há um tom familiar nesta longa série de saudações pessoais. Não se trata de nostalgia dos “belos tempos passados”. São outras, evidentemente, as atuais dimensões a Igreja. Mas se a Igreja quer ser uma “comunidade de comunidades”, nestas há, entretanto, muitas possibilidades de troca familiar, não apenas o trato de problemas em torno de uma escrivaninha paroquial. Na lista de Paulo os nomes são “limpos”, sem qualificativos de recheio. A renúncia  espontânea a certas posições que estão dentro de um título favorece por certo o contato na caridade. Na ocorrência, também a dinâmica de grupo o sublinha. Percorrendo os nomes, não podemos deixar de notar que a Igreja de Roma era bem firmada sobre os leigos. O nome de “apóstolo, colaborador de Cristo”, é também aplicado a algumas mulheres. Outro ponto de reflexão para nós. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 144(145), 2-3.4-5.10-11 (R/.1b)

Bendirei o vosso nome pelos séculos, Senhor!

 

Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre. Grande é o Senhor e muito digno de louvores, e ninguém pode medir sua grandeza.

 

Uma idade conta à outra vossas obras e publica os vossos feitos poderosos; proclamam todos o esplendor de vossa glória e divulgam vossas obras portentosas!

 

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

 

 

Evangelho, Lucas (Lc 16, 9-15)

Reflexões sobre o dinheiro

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9"Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas. 10Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes.

 

11Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? 12E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso?

 

13Ninguém pode servir a dois senhores: porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro".

 

14Os fariseus, que eram amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e riam de Jesus. l5Então, Jesus lhes disse: "Vós gostais de parecer justos diante dos homens, mas Deus conhece vossos corações. Com efeito, o que é importante para os homens, é detestável para Deus". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 6,24; Zc 14,16-21.

 

 

Comentário o Evangelho

Ser fiel em tudo

O discípulo prima pela fidelidade total ao Reino. Não abre mão de ser fiel nem nas pequenas coisas. Sua vida, portanto, não está dividida entre a fidelidade a Deus e a fidelidade ao dinheiro. L impossível conciliar as exigências de ambos. Por isso, quem ama a Deus recusa-se a nortear sua vida pelas exigências do dinheiro. Quem ama o dinheiro é porque não aceita ser guiado pela vontade de Deus.

 

Enquanto o amor a Deus exige a partilha dos bens, o amor ao dinheiro leva a concentrá-los. Quem ama a Deus, vê no próximo um irmão a quem deve amar e socorrer. Quem ama o dinheiro transforma-o em objeto de exploração e não tem escrúpulos de usá-lo para satisfazer os próprios caprichos. O amor a Deus leva, também, a amar a natureza, à qual se busca proteger e preservar. O amor ao dinheiro, quando se visa somente o lucro, considera-a como fonte inesgotável e barata de riqueza e dela usufrui, sem remorso de destruí-la. O amor a Deus leva o discípulo a pautar sua vida pela Lei de Deus. O amor ao dinheiro incentiva o indivíduo a orientar-se pelo próprio egoísmo, transformado em lei suprema de seus atos.

 

Não existe meio termo, quando o discípulo é colocado diante destas duas opções. Por outro lado, é inútil querer acobertar, com ares de piedade, suas más ações, movidas pelo amor ao dinheiro. Deus conhece o coração das pessoas e sabe em quem ele está centrado.

 [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

A palavra se faz oração (Liturgia Diária)

Para que nossa comunidade seja grata a todos os que a ela se dedicam, rezemos: Senhor, ouvi-nos e atendei-nos.

Para que a obra da evangelização sempre conte com o apoio de cristãos comprometidos com o reino, rezemos.

Para que, no dia a dia, saibamos ser fiéis a Deus mesmo nas pequenas coisas, rezemos.

Para que os “amigos do dinheiro” se convertam e encontrem em Deus sua verdadeira riqueza, rezemos.

Para que a riqueza tenha seu justo destino e não fique acumulada, rezemos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que este sacrifício se torne uma oferenda perfeita aos vossos olhos e fonte de misericórdia para nós. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto de vós, felicidade sem limites! (Sl 15, 11)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, frutifique em nós a vossa graça, a fim de que, preparados por vossos sacramentos, possamos receber o que prometem. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para Sua Reflexão:

Estão reunidas aqui diversas sentenças sobre o uso do dinheiro. Ligando esses elementos há termos com raiz semita: dinheiro, fiel e verdadeiro. O dinheiro é personificado como potência enganadora que escraviza, mas que o discípulo deve utilizar, arranjando um tesouro no céu, mediante o investimento nos pobres. O confronto com os bens materiais, nomeadamente na esmola aos pobres é um tema explorado por Lucas. Moradas eternas (v.9) nos lembram, do Antigo Testamento, “Tendas eternas”. Esta expressão inspira-se no imaginário da festa das Tendas onde se prefigurava a era da salvação. Os versículos de 10-12 tratam do bem do Reino, perante o qual o dinheiro constitui um teste da fidelidade do discípulo. Servir a Deus e ao dinheiro, na Bíblia, tem também um sentido cultual. O dinheiro é apresentado como um ídolo, que traz o risco de afastar de Deus. Por fim Jesus dirige-se aos fariseus, representantes do pensamento judaico (censura semelhante aos doutores da Lei em 20,47). Jesus critica a justiça dos fariseus. [Bíblia dos Capuchinhos]

 

 

 

 

 

Santa Isabel e São Zacarias

 

Embora os nomes destes santos não estejam presentes no Calendário Litúrgico da Igreja, há muitos séculos a tradição cristã consagrou este dia à veneração da memória de São Zacarias e Santa Isabel, pais de São João Batista.

 

Encontramos a sua história narrada no magnífico Evangelho de São Lucas, onde ele descreveu que havia no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias; a sua mulher pertencia à descendência de Aarão e se chamava Isabel.

 

Eles viviam na aldeia de Ain-Karim e tinham parentesco com a Sagrada família de Nazaré. Foram escolhidos por Deus por sua fé inabalável, pureza de coração e o grande amor que dedicavam ao próximo. Isabel, apesar de sua santidade, era estéril: uma vergonha para uma mulher hebreia que era prestigiada somente através da maternidade. Mas foi por sua esterilidade que ela se tornou uma grande  personagem  feminina  na  historia religiosa do  povo de Deus. Juntos foram os protagonistas dos momentos que antecederam o mais incrível advento da Historia da Humanidade: a Encarnação de Deus entre os homens.

 

Estavam velhos, com idade avançada e como não tinham filhos, julgavam essa graça impossível de ser alcançada. Foi quando o anjo do Senhor apareceu ao velho sacerdote Zacarias no templo e lhe disse que sua mulher, Isabel teria um filho que levaria o nome de João, que significa: "o Senhor faz graça". O menino seria cheio do Espírito Santo desde a gestação de sua mãe, reconduziria muitos dos filhos de Israel, ao Senhor seu Deus e seria precursor do Messias. Zacarias inicialmente se manteve incrédulo ao anuncio celeste do nascimento de um filho pelo qual havia rezado com tanto ardor; para que pudesse crer precisou de um sinal: ele ficou mudo até que João veio à luz do mundo. Na ocasião, sua voz voltou e ele entoou o Salmo profético, onde repleto do Espírito Santo profetizou a missão do filho. Enquanto que, devido a proximidade da maternidade, Isabel, se recolheu por cinco meses, para estar em união com Deus. Os dias ela dividia em três períodos: de silencio, oração e meditação. E foi assim que Isabel, grávida de João e, inspirada pelo Espírito Santo, anunciou à Virgem Maria, sua prima, quando esta a visitou: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre".

 

Após o nascimento de João, Zacarias e Isabel se recolheram à sombra da fama do filho, como convém aos que sabem ser o instrumento do Criador. Com humildade, se alegraram e se satisfizeram com a santidade da missão dada ao filho, sendo fieis a Deus até a morte. [http://www.verbonet.com.br]

 

Marcados

Dom José Alberto Moura, CSS, Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG

 

Gostamos de ver pessoas que marcam presença de boa qualidade na vida. São admiradas por uns e combatidas por outros. É o caso de Jesus e tantos outros que procuraram e procuram segui-lo. Não arredam pé de seus princípios, valores, idéias e ideais. Afinal, a vida vale para construir o bem conforme o humano ético e o divino humanizado. Só ou acima de tudo acumular bens, saberes, bem estar sensível e projeção pessoal é pouco para quem entende o sentido e a finalidade da existência outorgada por Deus.

 

No texto do Evangelho Jesus dá a grande lição das bem-aventuranças. Feliz de verdade é quem constrói comunidade, ajudando o semelhante a encontrar o caminho de sua dignidade. Felizes os que não se apegam às coisas materiais, colocando Deus como o valor absoluto na vida! Felizes os que se preocupam com a situação difícil do semelhante! Felizes os que tudo fazem para a promoção da paz, lutando pela justiça! Felizes os que se compadecem com os limites dos outros e sabem entender e perdoar seus erros! Felizes os que convivem com retidão de intenção e acreditam no bem, com a mente despoluída e sincera! Felizes os que realizam o bem, sem desanimar, mesmo recebendo críticas e não sendo entendidas em sua boa ação e intenção! Felizes os que demonstram sua grandeza de caráter, mesmo quando recebem ingratidões e armadilhas por parte dos que têm pequenez de intenção e de vida fingida! Vemos nas bem-aventuranças de Cristo a cartilha magna de quem quer marcar a história com atitude diferente do egoísmo (Cf. Mt 5, 1-12).

 

Santidade não é já viver sem defeito ou erro. É perseguir o ideal do Filho de Deus, tentando ser coerente com sua fé nele. É luta para vencer a tendência ao comodismo ou às desculpas descabidas de falta de compromisso com valores inerentes à vida e propostos pelo Criador. Há santos e santas que escreveram e escrevem a história com a caneta do amor, através da doação da própria vida em bem da promoção da vida, da dignidade humana e do cuidado com o planeta. São incansáveis em defender o bem de quem é mais fragilizado. Lutam por causas de bem da comunidade. Não medem esforços para que prevaleçam a justiça e o respeito a todo tipo de vida, a partir e sobretudo à humana. Não se conformam com a mentira, a desonestidade, a trapaça, à má política, ao desrespeito a quem é mais fragilizado. Cooperam, com a doação da própria vida e renúncia do próprio bem estar, para beneficiar o semelhante.

 

O texto do Apocalipse bíblico lembra o resultado da vida de quem levou a sério o “Não façais mal à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus” (Apocalipse 7,3): “Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro”, ou seja, foram para a felicidade eterna com Deus! O que diríamos de quem vive para dar vida, dignidade e promoção do bem da humanidade com seus carismas aplicados nessa direção? Marcar a história com a vida para dá-la com seu sentido maior vale a pena para quem é esclarecido e assume um ideal que supera a busca de satisfação pessoal. Esta  firma-se apenas nas gratificações passageiras buscadas como finalidade absoluta!

 

A marca maior na vida da pessoa de retidão moral é a de Deus, que recompensa quem tudo faz em consonância com seu projeto de amor ao ser humano! [CNBB]

 

Algumas pessoas são santas porque souberam escolher e ser escolhidas. (Pe. Zezinho)