Sábado, 4 de abril de 2009
Quinta Semana do Tempo da Quaresma, I Semana do Saltério (Livro III), cor Roxa
Ó Senhor, não fiqueis longe de mim! Ó minha força, correi em meu socorro! Sou um
verme, e não um homem, opróbrio dos homens e rebotalho da plebe. (Sl 21, 20.7)
Santos: Isidoro de Sevilha (bispo e doutor), Agátopo e Teodulo (mártires), Tigernaco (bispo), Platão (abade), Pedro de Poitiers (bispo e beato), Benedito (cognominado o Preto, confessor franciscano da 1ª ordem).
Oração: Ó Deus, vós sempre cuidais da salvação dos homens e nesta Quaresma nos alegrais com graças mais copiosas. Considerai com bondade aqueles que escolhestes, para que a vossa proteção paterna acompanhe os que se preparam para o batismo e guarde os que já foram batizados. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
Leitura: Ezequiel (Ez 37, 21-28)
Farei com eles uma aliança de paz
21Assim diz o Senhor Deus: "Eu mesmo vou tomar os israelitas do meio das nações para onde foram, vou recolhê-los de toda a parte e reconduzi-los para a sua terra. 22Farei deles uma nação única no país, nos montes de Israel, e apenas um rei reinará sobre todos eles. Nunca mais formarão duas nações, nem tornarão a dividir-se em dois remos. 23Não se mancharão mais com os seus ídolos e nunca mais cometerão infames abominações. Eu os libertarei de todo o pecado que cometeram em sua infidelidade, e os purificarei. Eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus. 24Meu servo Davi reinará sobre eles, e haverá para todos eles um único pastor. Viverão segundo meus preceitos e guardarão minhas leis, pondo-as em prática. 25Habitarão no país que dei a meu servo Jacó, onde moraram vossos pais; ali habitarão para sempre, também eles, com seus filhos e netos, e o meu servo Davi será o seu príncipe para sempre.
26Farei com eles uma aliança de paz, será uma aliança eterna. Eu os estabelecerei e multiplicarei, e no meio deles colocarei meu santuário para sempre. 27Minha morada estará junto deles. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 28Assim as nações saberão que eu, o Senhor, santifico Israel, por estar o meu santuário no meio deles para sempre. Palavra do Senhor!
Comentando a Leitura[1]
Farei deles uma nação única
A utopia de Ezequiel permitiu ao povo de Deus não desesperar e depois reconstruir o templo. Paulo VI, na Octogesima adveniens (n. 37), reconhece que o apelo à utopia é "muitas vezes um cômodo pretexto para quem quer encobrir as tarefas concretas e refugiar-se em um mundo imaginário... porém, às vezes, estimula a imaginação em perspectiva, apta a perceber no presente as possibilidades ignoradas aí inscritas e orientá-las a um futuro novo". "O Espírito do Senhor - continua - que anima o homem renovado em Cristo subverte sem descanso os horizontes em que sua inteligência gosta de encontrar segurança, e desloca os limites nos quais de preferência se encerraria sua ação; esse homem é habitado por uma força que solicita a ultrapassar todo sistema e toda ideologia... Animado pelo poder do Espírito de Jesus Cristo, Salvador dos homens, e sustentado pela esperança, o cristão se entrega à construção de uma cidade humana, pacifica, justa e fraterna, que seja uma oferta agradável a Deus". Em que se transformaria o mundo, se não possuísse homens capazes de acolher esta mensagem e de crer seriamente que este nosso mundo é chamado a uma transfiguração? O verdadeiro nome da utopia cristã é "esperança".
Cântico: Jr 31, 10.11-12ab.13 (R/.cf.10d)
O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho
Ouvi, nações, a palavra do Senhor e anunciai-a nas ilhas mais distantes: "Quem dispersou Israel, vai congregá-lo, e o guardará qual pastor a seu rebanho!"
Pois, na verdade, o Senhor remiu Jacó e o libertou do poder do prepotente. Voltarão para o monte de Sião, entre brados e cantos de alegria afluirão para as bênçãos do Senhor:
Então a virgem dançará alegremente, também o jovem e o velho exultarão; mudarei em alegria o seu luto, serei consolo e conforto após a guerra.
Evangelho:
João (Jo 11, 45-56)
Caifás profetizou que Jesus iria morrer pela nação
Naquele tempo, 45muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito.
47Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: "Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. 48Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação". 49Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: "Vós não entendeis nada. 50Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?" 51Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. 52E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos.
53A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus. 54Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. 55A Páscoa dos judeus estava próxima. Multa gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. 56Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: "Que vos parece? Será que ele não vem para a festa?" Palavra da Salvação!
Comentando o Evangelho[2]
Muitos acreditaram em Jesus
O testemunho de Jesus e a adesão que ele suscitava colocavam em risco a estrutura religiosa de sua época. O contexto religioso de rígido tradicionalismo, de hierarquias e privilégios, de conflitos de facções, de jogos de interesses tornava-se vulnerável diante da postura do Mestre. Não que Jesus fosse respaldado pelo prestígio de uma escola rabínica ou de famílias ou grupos importantes. O perigo consistia no fato de muitas pessoas darem crédito às suas palavras e aderirem ao grupo, sempre crescente, que se formava ao redor dele.
As autoridades religiosas demonstravam ter uma preocupação política. O
movimento de Jesus poderia ser entendido pelos romanos como uma provocação. E
as conseqüências disto seriam trágicas para a nação. Se não fosse contido a
tempo, haveria o perigo de "todos" crerem nele, e os romanos virem e
destruírem o templo e a nação. A solução apresentada por Caifás parecia ser
bastante prudente: "É melhor um só homem morrer pelo povo, do que a nação
inteira perecer!". Acolhida esta sugestão, decretou-se a morte de Jesus.
Com esta finalidade, iniciou-se uma verdadeira caçada para prendê-lo.
Todavia, o motivo verdadeiro da condenação à morte foi de caráter religioso.
Isto ficará patente no fato de Pilatos, autoridade romana, não se mostrar interessado
em condenar Jesus. A verdade é que a liderança religiosa já não podia mais
suportar o comportamento do Mestre por ser religiosamente perigoso.
Santo Isidoro[3]
Isidoro foi um dos homens mais influentes da Nação espanhola, Pai dos Concílios, dirigiu um dos mais celebres quarto Concílio em 633, o de Toledo, conselheiro até dos reis. É considerado como o maior símbolo e apogeu da Espanha Católica do século VII, comparado por muitos, a Santo Agostinho. Sua obra fundamental foi Etimologias, uma grande enciclopédia constituída por 20 livros que reunia toda a cultura antiga, salvando-a do perigo do naufrágio. Escreveu inumeráveis livros além de regra de vida monástica que exerceu grande influxo na difusão do monacato na Espanha. Foi uma das sementes mais ricas para o florescimento do catolicismo. Bispo e doutor da Igreja da Idade Média. Zeloso e preocupado com a maturidade cultural e moral do clero espanhol. Sua profunda sabedoria estava sempre aliada à humildade e caridade. Mais dois de seus irmãos foram bispos e santos (Leandro e Fulgêncio) e sua irmã, Florentina, religiosa. Leandro, o mais velho, foi tutor e mestre de Isidoro que ficou órfão ainda menino.
Sofrer por Deus é melhor que fazer milagres. (São João da Cruz)