Sábado, 3 de dezembro de 2011

São Francisco Xavier, 1ª Semana do Saltério (Livro I), cor Litúrgica Roxa

 

Hoje: Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

 

Santos: Pedro Crisólogo (450, arcebispo de Ravena, Doutor da Igreja), Santa Bárbara (virgem e mártir), Clemente de Alexandria (215), Marutas (415, Bispo), Hano (1075, arcebispo de Colônia), Osmundo (1099, bispo de Salisbury), Bernardo (1133, bispo de Parma e cardeal), João Damasceno. 

 

Santos: Estes são homens santos que se tornaram amigos de Deus, gloriosos arautos de sua mensagem.

 

Oração: Ó Deus, que, pela pregação de são Francisco Xavier, conquistastes para vós muitos povos do Oriente, concedei a todos os fiéis o mesmo zelo, para que a santa Igreja possa alegrar-se com o nascimento de novos filhos em toda a terra. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Isaias (Is 30, 19-21.23-26)
O senhor não deixa de responder aos nossos clamores

Assim fala o Senhor, o santo de Israel: 19"Povo de Sião, que habitas em Jerusalém, não terás motivo algum para chorar: ele se comoverá à voz do teu clamor; logo que te ouvir, ele atenderá. 20O Senhor decerto dará a todos o pão da angústia e a água da aflição, não se apartará mais de tio teu mestre; teus olhos poderão vê-lo 21e teus ouvidos poderão ouvir a palavra de aviso atrás de ti: 'O caminho é este para todos, segui por ele, sem desviar-vos à direita ou à esquerda'. 

 

23Ele te dará chuva para a semente que tiveres semeado na terra, e o fruto da terra será abundante e rico; nesse dia, o teu rebanho pastará em vastas pastagens, 24teus bois e os animais que lavram a terra comerão forragem salgada, limpa com pá e peneira. 25Haverá em toda montanha alta e em toda colina elevada arroios de água corrente, num dia em que muitos serão mortos com o desabamento de suas torres. 26A lua brilhará como a luz do sol e o sol brilhará sete vezes mais, como a luz de sete dias, no dia em que o Senhor curar a ferida de seu povo e fizer sarar a lesão de sua chaga". Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

O Senhor se comoverá à voz do teu clamor

 

Deus é fiel a suas promessas. Se nos abrir os olhos, poderemos ver quanto já realizou por nós e saberemos esperar confiantes quanto haverá ainda de realizar. Bem-aventurados os que esperam no Senhor (Salmo). Ele está pronto para atender ao grito suplicante do humilde e do pobre. Em sua condescendência, sabe o que é melhor para nós, e muitas vezes não nos afasta inteiramente da tribulação e da aflição. A dor permanece sempre nosso pão de cada dia. Se, porém, tivermos puro o coração e abertos os olhos de pobres e de humildes, saberemos ver o Mestre que nos aponta o caminho certo, embora no sofrimento, convencidos de que o Senhor permite quanto for para nosso bem (Rm 8,28). Olhando com fé e humildade acima das complicadas tramas terrenas, poderemos ver o traçado divino da história da salvação, que não se limita ao contingente, mas tem presente em sua tessitura um plano universal e eterno. O advento deve dar-nos o sentido da espera do “dia do Senhor”. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 146(147A), 1-2.3-4.5-6

Felizes são aqueles que esperam no Senhor!

 

Louvai o Senhor Deus, porquê ele é bom; cantai ao nosso Deus, porque é suave: ele é digno de louvor, ele o merece!

 

Ele conforta os corações despedaçados, ele enfaixa suas feridas e as cura; fixa o número das estrelas e chama cada uma pelo nome.

 

É grande e onipotente o nosso Deus, seu saber não tem medida nem limites. O Senhor Deus é o amparo dos humildes, mas dobra até o chão os que são ímpios.

Evangelho: Mateus (Mt 9, 35-10, 1.6-8)

Escolha e missão dos doze

 

Naquele tempo, 35Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade. 36Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37"A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!" 

 

10.1E, chamando os seus doze discípulos deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. Enviou-os com as seguintes recomendações: 6"Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7Em vosso caminho, anunciai: 'O reino dos céus está próximo'. 8Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!" Palavra da Salvação!

 

 Leituras paralelas: Mc 3, 13-19; 6, 34; Lc 6, 12-16; 10,2; Jo 1, 40-49,; At 1, 13

 

 

Comentando o Evangelho

 

A compaixão de Jesus

 

A vinda de Jesus ao mundo decorre da compaixão de Deus pela humanidade. Sua missão consiste em manifestar esta misericórdia, por meio de gestos concretos. A expulsão dos espíritos imundos e a cura de toda doença e enfermidade manifestam esta preocupação.

 

As multidões foram objeto da atenção de Jesus. Elas revelavam cansaço e abatimento, por falta de líderes para conduzi-las, e pela opressão que sofriam. Que fazer?

 

Jesus passou da constatação à providência concreta. Sua iniciativa consistiu em escolher doze discípulos e enviá-los com a sua mesma missão: proclamar a chegada do Reino dos Céus e realizar gestos indicadores desta presença. Assim, eles teriam a missão de difundir a misericórdia divina "às ovelhas desgarradas da casa de Israel". Como acontecia com Jesus, também os apóstolos sentiriam esse mesmo amor compassivo. Tanto na ação de Jesus quanto na dos discípulos, antecipava-se a chegada do Reino esperado. O Reino que haveria de manifestar-se em todo o seu esplendor, na segunda vinda do Messias, já estava dando sinais de sua presença e revelando seu caráter particular de mediação da bondade de Deus. Aliás, tudo quanto diz respeito ao Messias Jesus traz o selo da compaixão. Eis por que sua vinda deve ser motivo de alegria. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B,  ©Paulinas, 1996]

 

Oração da Assembleia (Liturgia Diária)

Fazei, Senhor, que aprendamos a acolher uns aos outros: Senhor, vinde em nosso auxílio.

Ajudai-nos a reconhecer a vossa ação no mundo.

Guardai-nos da ganância no trato com a natureza.

Curai-nos de nossa cegueira para vermos vossa luz brilhar.

Cumulai-nos de toda alegria e paz em nossa fé.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, as oferendas que vos trazemos na festa de são Francisco Xavier, a quem o desejo de salvar a todos levou a terras longínquas; concedei que também nós, dando um testemunho eficaz do evangelho, corramos, com nossos irmãos, ao vosso encontro. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousar, diz o Senhor (Ez 34, 15)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que esta eucaristia acenda em nós o amor que abrasava são Francisco pela salvação das almas, a fim de que, seguindo fielmente a nossa vocação, possamos obter com ele o prêmio dos bons operários. Por Cristo, nosso Senhor.

 

São Francisco Xavier

Francisco Jasso D'Azpilcueta y Javier nasceu na localidade de Castillo Xavier, no Reino de Navarra, na Espanha, no dia 7 de Abril de 1506, no Castelo Solar da família Aguarês y Javier. Dom Juan de Jasso y Javier e Maria D´Aspilcueta eram os seus pais. Dom Juan vivia pouco no castelo, porque era um dos homens mais importantes no reino de Navarra e de muita confiança do Rei. Tinha que se dedicar às atividades políticas em Pamplona e as diplomáticas em Castilla e na França. Nobre conceituado,  exerceu inclusive o cargo de embaixador extraordinário junto aos Reis Católicos da Espanha, Fernando e Isabel. Sua família era rica de bens materiais e em títulos honoríficos, gozando de elevada estima e distinção junto ao povo, graças à sua generosidade e demonstrações de sincera amizade, principalmente com aquelas pessoas menos favorecidas. Francisco cresceu junto  aos  Pirineus, num ambiente de riqueza num ambiente de riqueza e tradição. Desde cedo mostrou uma aguçada inteligência e um crescente interesse em querer estudar e conhecer.

 

O Castelo de seus pais tinha uma Capela onde Xavier rezava diante da imagem de um grande crucifixo, que segundo afirmam os seus hagiógrafos, aquele CRISTO suou sangue quando ele agonizava e morreu.  A imagem foi esculpida em madeira e é um pouco maior que o tamanho natural de um homem, mostrando  um suave sorriso na face.

 

Ele foi educado e modelado por sua mãe. Ela lhe infundiu a piedade e um grande amor a JESUS e MARIA. Seu pai estava quase sempre ausente e seus irmãos andavam ocupados em revoltas e guerras contra Castilla. Sua irmã Magdalena, que foi dama de honra da Rainha Isabel de Castilla, entrou no Mosteiro das Clarissas em Gándia, dois anos antes de seu nascimento. Foi Ana que o ajudou a dar os primeiros passos, mas logo se casou. Seus outros irmãos foram: Maria, Miguel de Javier e Juan de Azpilcueta.  

 

Os Javier reconstruíram e aumentaram a Igreja do povoado. Junto da Igreja construíram uma Abadia, onde viviam em Comunidade um Vigário, dois prelados, um servente e um estudante. A Missa era celebrada diariamente e aos sábados era em honra de Nossa Senhora; segunda-feira era celebrada pelos defuntos; aos domingos e feriados a Missa era solene.  Xavier participava dessas Celebrações. Na Igreja tinha uma imagem de Nossa Senhora que era a padroeira da Vila e por isso mesmo era chamada de NOSSA SENHORA DE XAVIER. Era uma escultura do século XIII que representa Nossa Senhora sentada com o Menino Jesus nos braços. Por ordem dos senhores do castelo, as pessoas deviam cantar ou rezar a “Salve Rainha” em todas as solenidades de preceito. Na seqüência dos anos, determinaram que o canto fosse diário, assim que tocasse o sino do castelo. Xavier sempre cantava a “Salve Regina”, em companhia de sua mãe.

 

O terreno dos Xavier era grande e de tal forma situado, que as estradas tinham que atravessá-lo. Naquela época os rebanhos de ovelhas e de gado, assim como o preparo de queijos, constituíam à base da economia local. Os rebanhos de outros senhores e dos vizinhos, forçosamente tinham que passar pelo terreno do castelo para alcançarem a Vila ou seguirem para outras localidades. Eles vinham por trás dos montes, das montanhas e pela ribeira. Por essa razão a família Xavier instituiu uma taxa a título de indenização, pelo pasto que os animais comiam e danificavam, na base de 5 soldos por um cordeiro. Entretanto, se tentassem passar de contrabando, não querendo pagar a mencionada taxa, os rebanhos eram confiscados pelos senhores do castelo e só eram liberados pelo pagamento de uma indenização de uma ovelha por cada cinco (5) que tentassem passar indevidamente.

 

Uma vez quando Xavier tinha 13 anos de idade, presenciou quando passaram diversos rebanhos de contrabando. Mas o guarda e seus dois irmãos, que estavam vigilantes no castelo, correram atrás e os fizeram  voltar. O guarda reteve 300 ovelhas que correspondiam à indenização. Todavia, em face de um entendimento amistoso, só foram retidas cinco (5) ovelhas.  

 

Em 1516, o relacionamento entre Navarra e Castilla que já não era bom, acabou por se deteriorar e aconteceu a guerra. Os dois irmãos de Xavier  lutaram em companhia dos soldados de Navarra, mas no final, venceu Castilla. O Cardeal Cisneros que era o regente, ordenou demolir as fortalezas navarras e entre elas o castelo de Xavier.  Quando os dois irmãos regressaram, só encontraram uma montanha de ruínas e uma fazenda desfeita. Seu pai Dom Juan de Jasso que tinha morrido em Outubro de 1515, não teve o desprazer de ver dizimado os seus bens. Xavier tinha 11 anos de idade quando presenciou triste e com lágrimas nos olhos, a demolição do castelo e a ocupação das terras de seus pais, pelo povo. A reconstrução do castelo foi penosa e demandou muitos anos de trabalho.  

 

A caminho de paris 

 

Em Sanguesa e em Pamplona na Espanha, Xavier tinha recebido do capelão as primeiras lições de gramática e latim. Deste modo estava preparado para entrar na Universidade. Sonhava em ser um homem sábio, ganhar muito dinheiro e reabilitar a sua família. Nesta época, com 19 anos de idade, tinha boa estatura e excelente conformação física, seu rosto sempre alegre e jovial, irradiava simpatia e inocência. Um dia do mês de Outubro de 1525, acompanhado por um servente, atravessou os Pirineus a cavalo a caminho de Paris, para estudar na Sorbona. Era uma célebre Universidade onde estavam cerca de 4 mil alunos de todas as partes do mundo, inclusive árabes e persas. Os estudantes eram repartidos em 50 colégios maiores, edificados nas estreitas e úmidas ruas do bairro latino, as margens do rio Sena. Esses Colégios formavam a Universidade. Eram autônomos e cada um tinha os seus próprios professores. 

 

Colégio de santa bárbara

 

Xavier ficou no Colégio de Santa Bárbara que era protegido pelo Rei de Portugal. Deixou o traje de aristocrata e colocou a roupa de universitário. Professores e alunos levantavam às 4 horas da manhã. Eram acordados por um jovem com uma sineta na mão, que percorria todos os dormitórios. Depois de rezar as orações matinais iam  para as salas de aula,  iluminadas pela luz de candelabros. A primeira aula começava às 5 horas. Todos se assentavam no chão que era forrado com palha no inverno e feno fresco no verão. Em continuação, os estudantes iam para a Santa Missa e depois para o café da manhã no refeitório.  Aos estudantes mais jovens serviam para comer um pãozinho, um copo com água, mais a metade de um peixe defumado (arenque) e um ovo cozido. Os maiores recebiam um arenque inteiro e dois ovos cozidos, além de um pouco de vinho e um guisado (ensopado) com verduras e queijo. Entre as 8 horas e 10 horas da manhã, aconteciam mais três aulas e logo depois, tinha uma hora de "exercícios físicos". Às 11 horas era servido o almoço. Estudantes e professores, sentavam-se um ao lado do outro em longas mesas no refeitório. Durante o almoço era lido trechos da Sagrada Escritura ou da Vida de algum Santo. Em seguida vinha o recreio. Das 15 horas às 17 horas aconteciam as aulas da tarde. O Jantar era servido às 18 horas e logo após um pequeno intervalo de descanso, era feito um resumo dos estudos realizados durante aquele dia. Em seguida aconteciam as orações da noite e às 21 horas, ouvia-se o toque de silêncio. Dormiam em colchões de palhas.

 

As Terças-feiras e Quintas-feiras os estudantes descansavam. Eram conduzidos a uma ilha no rio Sena para praticarem esportes. Xavier era um dos campeões. Todos os professores levavam um bastão para castigar os estudantes que não quisessem participar. Em algumas oportunidades este tipo de procedimento suscitou até rebelião por parte de alguns alunos.

 

Conheceu Pedro Fabro, um jovem admirável! Tinha sido pastor de ovelhas nas montanhas e aos 12 anos de idade fez o voto de castidade. Respeitava e amava o SENHOR e sempre estava disponível para tecer um filial e carinhoso comentário sobre nossa MÃE SANTÍSSIMA. Xavier teve a sorte de se hospedar com ele no mesmo quarto. E este acontecimento foi providencial, porque o gênio tranquilo de Fabro livrou Xavier com seu gênio impulsivo, de graves perigos. Isto porque, com índole independente, Xavier fugia do Colégio à noite em companhia de outros companheiros, em busca de aventuras. Anos mais tarde ele mesmo revelou: “Inocentes aventuras de rapazes, sem qualquer consequência, porque na realidade ele nunca tinha pecado contra a castidade”.

 

Ainda em  Santa Bárbara andava um antipático estudante de nome Calvino, muito falante e cheio de novidades, que estava contagiando muitos alunos com heresias contra a religião. Este foi o Calvino que mais tarde, ajudou a implantar a Reforma Protestante na Europa.

 

Milagres de Deus pela intercessão de Xavier

Chegou a uma aldeia pagã e perguntou: “Por qué no sois cristianos?” Responderam-lhe que o rei lhes proibia. Informado que uma mulher estava quase morta, foi a sua cabana. Um dos jovens que trouxe de Goa conversou com a mulher e ensinou-lhe os princípios da religião em seu idioma. Depois lhe perguntou se ela queria ser cristã. Diante da resposta afirmativa da mulher, Xavier a batizou e ela ficou curada instantaneamente. Toda a família dela se converteu. A notícia espalhou ligeiro. O rei, diante daquela realidade, autorizou que se tornassem cristãos todos que espontaneamente desejassem. Em outra cabana acontecia o velório de um menino que tinha morrido afogado num poço. O Santo chegou, ajoelhou ao lado dele, rezou e depois fez sobre a criança o sinal da cruz, dizendo: “En nombre de JESUCRISTO te mando que te levantes vivo.” O menino levantou-se diante do espanto de todos. Xavier entregou-o a sua mãe.  

 

Morte de São Francisco Xavier

 

Enrijecido pela febre não desanimava, sempre olhava para ver se o chinês vinha. Conversando com Antônio decidiu hospedar-se no navio “Santa Cruz”, porque a cabana estava muito fria e sem qualquer conforto. Contudo, só permaneceu uma noite no navio, não suportou o balanço da embarcação pelas ondas do mar. Assim que amanheceu, voltou a terra trazendo um agasalho e algumas amêndoas. Seu corpo parecia uma brasa acesa por causa da febre. Um português amigo levou-o para a sua cabana e o sangrou. O Santo desmaiou e depois começou a delirar: “MÃE DE DEUS tem misericórdia de mim... JESUS, Filho de Davi, tem misericórdia de mim.” E assim permaneceu durante seis horas aproximadamente. A febre continuava forte. Dias após perdeu a fala. Antônio disse posteriormente: “Parecia que NOSSO SENHOR queria leva-lo rapidamente e preparei-me para permanecer na companhia dele. De quarta-feira quando agravou o seu estado, até sábado quando faleceu, muito pouca alimentação ele acolheu. Observei que na madrugada de sábado dia 3 de Dezembro de 1552 ele ficou olhando fixamente o crucifixo. Ao amanhecer, mantinha-se na mesma posição. Depois fez um movimento como se quisesse abrir os braços, mas mantinha o crucifixo seguro em sua mão direita junto ao peito. Estando somente eu e ele, aproximei uma lâmpada para iluminar melhor a sua face, e então, ele entregou sua alma a DEUS. Sua missão estava encerrada.”

 

Uma paz celestial envolveu o seu rosto. Naquele momento, CRISTO levava para o Céu a alma de seu Santo Apóstolo das Índias e do Japão. Tinha 46 anos de idade e havia percorrido mais de 120.000 quilômetros pelos caminhos mais difíceis e perigosos, conquistando corações para o SENHOR. Em vida, quem olhava o seu rosto simpático e sorridente, ou se aproximasse dele, sentia o calor de sua alegria interior e de sua bondade. Quando pregava o Evangelho, mais que os seus argumentos, convencia por sua santidade, pelo seu exemplo de homem e por um caráter firme, fiel e uma poderosa força de intercessão junto ao CRIADOR. Através de Xavier, DEUS realizou impressionantes milagres para provar que ele era um Apóstolo do SENHOR.

 

Os portugueses do barco “Santa Cruz” vieram prestar-lhe uma homenagem de despedida. Antônio, ajudado por dois mulatos colocou o corpo do Santo num rústico caixão de madeira e levou-o num barco, para o outro lado do porto. Colocaram bastante cal no ataúde para apodrecer rapidamente o corpo e o enterraram.  Eles queriam apodrecer o corpo porque seria mais fácil levar somente os ossos, quando fossem transporta-lo de volta. Passaram-se três meses. O navio “Santa Cruz” iniciou os preparativos para retornar a Málaca. Antônio conversou com o capitão da embarcação e foram desenterrar o corpo de Xavier para leva-lo. Quando desenterraram e abriram o caixão, ficaram surpresos e admirados, não tinha cheiro algum e o corpo estava perfeito, como se estivesse dormindo. Colocaram-no num caixão melhor, fecharam e untaram com breu e o embarcaram no “Santa Cruz”.

 

Em Málaca o povo recebeu o corpo do Santo com grande fervor e entusiasmo. E ele agradeceu aquelas homenagens intercedendo em favor daquela gente. Existia na cidade uma grande mortalidade causada por uma febre maligna. Com a chegada do corpo do Santo, o “andaço” da febre desapareceu e a mortalidade cessou imediatamente. Um enfermo beijou a mão do Santo e ficou instantaneamente curado. O SENHOR realizou muitos milagres, atendendo as suplicas do povo que rezava diante do corpo de Xavier, pedindo a sua eficaz intercessão junto a DEUS.

 

Depois o levaram para Goa. Lá também sua chegada foi comemorada com muitas honrarias e festividades. O seu corpo é conservado incorrupto na Igreja do Bom Jesus, onde recebe diariamente a devoção dos fieis.

 

Xavier foi canonizado no dia 12 de Março de 1622. O Papa Benedito XIV em 1748 outorgou-lhe o título de Patrono do Oriente. Em 1904, o Papa Pio X deu-lhe o título de Patrono da Propagação da Fé e Patrono Universal das Missões. O Papa Pio XI proclamou Francisco Xavier juntamente com Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeiro universal das missões. Foi considerado o maior de todos os missionários, sendo chamado “O Gigante da História das Missões”.

 

Mesmo depois do falecimento de Xavier, os Jesuítas durante dois séculos continuaram partindo de Goa para evangelizar o Oriente.  

 

Ele foi o grande Apóstolo dos tempos modernos, como São Paulo foi o notável  Apóstolo nos tempos antigos. Missionário de valor especial, hoje nos deixa admirados com suas obras portentosas. Foi o grande conquistador do Oriente que abriu caminho para um exército de missionários,  porque verdadeiramente ele despertou o espírito missionário na cristandade. Dizia o Jesuíta Araoz, "Xavier com suas cartas não fazia menos frutos na Espanha e Portugal, do que nas Índias com sua pregação direta". Suas cartas maravilhosas eram copiadas e enviadas por todas as partes. São Ignácio de Loyola as multiplicava! João III Rei de Portugal, queria que as cartas de Francisco fossem lidas em todas as Igrejas, porque elas suscitavam as vocações missionárias e revelava o extraordinário exemplo de sua vida para as pessoas.

 

Afirmam os hagiógrafos de Francisco Xavier, que em todas as sextas-feiras de Janeiro a Dezembro de 1552, o seu último ano de vida, aquele Crucifixo do Castelo de Xavier em Navarra, derramou sangue das preciosas chagas de JESUS. Subitamente parou de derramar sangue após o dia 3 de Dezembro de 1552, quando ele morreu. Aquele sangue sagrado do SENHOR, coagulado nas suas Chagas no Crucifixo, é admirado e venerado até hoje, por uma avalanche de peregrinos vindos de todas as partes do mundo.

 

Fonte (textos completos): http://www.geocities.com/novaes01/index35.htm (02/12/2005)

 

 

Tempo de Presépios

Dom Walmor Oliveirea de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

 

Certos sinais são importantes para fecundar o sentido que sustenta a vida. Vivemos um tempo especial. O Natal é rico em sinais, com uma força que vem da beleza, dos gestos de fraternidade e dos convites para compromissos de solidariedade. De novo, neste tempo, as praças atrairão multidões pela singularidade de sua ornamentação, com iluminações criativas, muita gente, novidades, festa.

 

As casas também são enfeitadas. Lojas e shoppings recebem especial tratamento de beleza. Papai Noel ganha um destaque fora do comum, um realce que merece preocupação. O que acontece quando crianças entendem o Natal apenas como tempo de Papai Noel? O perigo se manifesta quando o sentido de Papai Noel se reduz ao interesse de ganhar um presente.

 

O sonho de ser presenteado pelo velhinho encantado é também um sinal que possui força de evocações. Mas esse sinal terno do Papai Noel não remete, pelo menos de forma mais direta, às raízes do sentido do Natal. Mais importante que entender que é tempo de ganhar presente, até com riscos de alimentar alguma mesquinhez, o que vale é aprender a lição de que o bom velhinho nasceu da tradição narrada a respeito de São Nicolau, bispo de Mira, na Lícia, hoje parte da Turquia.

 

O destinatário mais importante dos presentes era o mais pobre, aquele que também tinha o direito de experimentar alegrias, nascidas de gestos de solidariedade. Pode-se imaginar a revolução de valores que viveríamos caso fosse resgatado esse entendimento de Papai Noel. O Natal não seria tempo de se receber presentes, mas de oferecer e repartir mais. Nesta direção está o horizonte largo e de inesgotável riqueza presente no sinal mais importante deste tempo: o presépio.

 

As lições do presépio, entendidas e praticadas, ajudam a livrar, homens e mulheres, dos caminhos que estão desfigurando a sociedade. São ensinamentos que precisam ser resgatados nas praças, nas igrejas, nas casas e em todo lugar. A tradição dos presépios nasce em 1223, quando, depois da aprovação da Regra dos Frades Menores, São Francisco de Assis foi para o eremitério de Greccio(Itália), com o propósito de ali celebrar o Natal do Senhor. São Francisco disse a alguém que queria ver, com os olhos do corpo, como o menino Jesus, escolhendo a humilhação, foi deitado numa manjedoura. Assim, entre o boi e o jumento, foi celebrada a missa de Natal, ainda sem estátuas e pinturas. Esse acontecimento foi a inspiração para, mais tarde, o Natal ser representado por meio do presépio, que simboliza a encarnação de Jesus Cristo, o Verbo de Deus.

 

A retratação do amor misericordioso de Deus na encarnação do Filho Amado, o Redentor, no presépio, faz desta arte, nas mais diversas modalidades e com a inteligência de criatividades interpelantes, um ensinamento da mais alta importância. O presépio se torna assim um patrimônio da cultura e da fé popular. Esta retratação remete, pois, ao núcleo mais genuíno do sentido autêntico do Natal. O presépio, pela arte e pela beleza, mesmo pela simplicidade e pobreza, tem força para propagar o Evangelho com um entusiasmo singular, capaz de atrair toda atenção para Jesus, a pessoa que é a razão insubstituível das festas natalinas.

 

A arte do presépio, de miniaturas a imagens em tamanho normal, com a riqueza dos personagens, da singeleza nobre das figuras de José e Maria venerando o menino Deus, pode e deve tocar os corações. A celebração do Natal se torna consequentemente uma festa da interioridade sem eliminar, absolutamente, o que luzes, sons e enfeites significam na beleza amorosa deste tempo. Não se pode abrir mão do presépio, sinal que remete a Cristo.

 

Jesus deve ser e estar no centro do Natal, sem prescindir de tantas outras coisas que compõem e dão graça especial a este tempo. Vale recuperar e investir na armação de presépios, nas casas, nas igrejas e nos lugares públicos. Uma oportunidade para os pais exercerem a catequese dos filhos, reavivando no próprio coração as lições insubstituíveis aprendidas com Cristo.

 

Assim, o tempo do Natal, respeitando seu genuíno sentido, torna-se época especial de aproximação. Passa-se a viver um encontro que transforma corações e superam-se descompassos como a corrupção, a mesquinhez de ter só para si. O presépio ajuda a dar estatura a quem só tem tamanho, fazendo brotar a sabedoria emoldurada por serenidade, um presente para quem contempla esse sinal e aprende o sentido de sua lição.

 

Há seis requisitos necessários para um tratamento feliz: o primeiro

chama-se fé, e os outros cinco, confiança. (Elbert Hubbard)