Sábado, 3 de setembro de 2011

São Gregório Magno (Papa e Doutor) Memória, 2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica branca

 

Hoje: Dia das Organizações Populares, dia Nacional do Biólogo e dia do Guarda Civil

 

Santos: Ambrósio Agostinho Chevreux (Bem-Aventurado, 1792, Paris, mártir), Antonino (Séc IV, mártir, Apaméia, Síria), Zeno (ou Zenão, Nicomédia, mártir), Simeão Estilita (o Velho, 459 d.C.) e Guilherme (1070 d.C., bispo)

 

Antífona: O Senhor o escolheu para plenitude do sacerdócio e, abrindo seus tesouros, o cumuloou de bens.

 

Oração: Ó Deus, que cuidais do vosso povo com indulgência e o governais com amor, daí, pela intercessão de São Gregório Magno, o espírito de sabedoria àqueles a quem confiastes o governo da vossa igreja, a fim de que o progresso das ovelhas contribua para a alegria eterna dos pastores. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Colossenses (Cl 1, 21-23)

Pela entrega de Jesus, os seres humanos foram reconciliados

 

Irmãos, 21vós, que outrora éreis estrangeiros e inimigos pelas manifestas más obras, 22eis que agora Cristo vos reconciliou pela morte que sofreu no seu corpo mortal, para vos apresentar como santos, imaculados, irrepreensíveis diante de si. 23Mas é necessário que permaneçais inabaláveis e firmes na fé, sem vos afastardes da esperança que vós dá o evangelho, que ouvistes, que foi anunciado a toda criatura debaixo do céu e do qual eu, Paulo, me tornei ministro. Palavra do Senhor!

 

Comentando a Leitura

Deus vos reconciliou para vos apresentar como santos

 

“Deus vos reconciliou... para vos apresentar santos e irrepreensíveis” (V.22). Este esforço de reconciliação de Deus previne tudo o que o homem pode ser, fazer e responder. Nada melhor pode fazer o cristão, do que recorrer com a simplicidade de uma criança a esta fonte de reconciliação. Afastar-se dela significaria o “desaparecimento do escândalo da cruz”. Por outro lado, o cristão não pode ficar simplesmente a contemplar esse esforço de Deus. Está envolvido nele, até tomar intimamente parte no mesmo amor eterno. O amor de Deus nos impele à ação: visto que ele  nos “reconciliou dando por nós a vida, também nós devemos dar a vida pelos irmãos” (1Jo 3, 16). Na ação eucarística, a comunidade se aprofunda internamente nessa fonte original de doação amorosa; e daí surge para fora, para o mundo, no testemunho pessoal. [COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999]

 

 

Salmo: 53 (54), 3-4.6 e 8 (R/.6a)

Quem me protege e me ampara é meu Deus

 

Por vosso nome, salvai-me, Senhor; e dai-me a vossa justiça! Ó meu Deus, atendei minha prece e escutai as palavras que eu digo!

 

Quem me protege e me ampara é meu Deus; é o Senhor quem sustenta minha vida! Quero ofertar-vos o meu sacrifício de coração e com muita alegria; quero louvar, ó Senhor, vosso nome, quero cantar vosso nome que é bom!

 

Evangelho: Lucas (Lc 6, 1-5)
O predomínio da vida sobre a lei e do amor sobre a rigidez

 

1Num sábado, Jesus estava passando através de plantações de trigo. Seus discípulos arrancavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos. 2Então alguns fariseus disse­ram: "Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?" 3Jesus respondeu-lhes: "Acaso vós não lestes o que Davi e seus companheiros fizeram, quando estavam sentindo fome? 4Davi entrou na casa de Deus, pegou dos pães oferecidos a Deus e os comeu, e ainda por cima os deu a seus companheiros. No entanto, só os sacerdotes podem comer desses pães". 5E Jesus acrescentou: "O Filho do homem é senhor também do sábado". Palavra da Salvação!

 

Leituras nos evangelhos sinóticos: Mt 12, 1-8; Mc 2, 22-28

 

 

Comentário o Evangelho

Uma lei complicada

 

A Lei do repouso sabático tornava-se cada vez mais complicada na medida em que havia o perigo de não ser respeitada. A partir do cativeiro babilônico, quando os judeus correram o risco de perder a sua identidade de povo eleito, os mestres procuraram acrescentar à Lei do sábado prescrições cada vez mais rígidas e minuciosas. Essas regras foram posteriormente recolhidas e organizadas em forma de tratado, ao qual se deu o nome de Shabbat. Foi o mais longo e o mais importante de todos os tratados da literatura rabínica. Para ser fiel ao mandamento, era preciso assimilar tudo quanto aí era prescrito.

 
No episódio referido pelo Evangelho, os fariseus queriam enredar Jesus num casuísmo legal. O fato de os discípulos, em dia de sábado, terem apanhado espigas de trigo para comer, não lhes podia ser imputado como roubo. Segundo eles, os discípulos tinham infringido a norma que proibia a preparação de alimentos em dia de sábado. Esta preparação supunha a colheita e a debulha do trigo. Daí serem estas ações também proibidas.


A atitude de Jesus pôs abaixo este rigorismo perfeccionista, procurando abrir a mentalidade dos discípulos para o bom senso e a verdadeira fidelidade a Deus. O bom senso aconselhava-os a não passar fome, quando tinham comida à disposição. Sendo assim, a Lei da sobrevivência mostrava-se ser mais fundamental que a Lei do repouso sabático. Esta só seria válida quando não entrasse em conflito com aquela. O mesmo seria necessário dizer de todos os demais mandamentos. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Pelas pessoas que se dedicam à liturgia: Obrigado(a), Senhor.

Pelos trabalhos em defesa da vida:

Pelas pessoas que se consagram a Deus:

Pelos esforços em defesa do meio ambiente:

Pelas pastorais e movimentos sociais:

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, na festa de São Gregório Magno, seja-nos proveitoso este sacrifício que, ao ser oferecido na cruz, libertou do pecado o mundo inteiro.  Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. (Jo 10,11)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Pai, instruí pelo Cristo mestre os que saciastes com o Cristo que é o pão da vida, para que, na festa de são Gregório Magno cheguemos ao conhecimento da verdade e a realizemos pela caridade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Segundo a interpretação rabínica do descanso sabático, os discípulos fazem uma ação proibida, não como roubo, mas como trabalho. Segundo Ex 34,21, o descanso sabático obriga também “na semeadura e na ceifa”.  Jesus argumenta, por igual razão, com um caso da história de Davi (1Sm 21, 1-6), no qual uma lei cultual (Lv 24, 5-9) fica suspensa por necessidade maior; Davi o fez “na casa de Deus” com aprovação do sacerdote. Aquilo que é o templo no espaço é o sábado no tempo. Passando por cima das Escrituras, Jesus apela ao poder recebido, que se sobrepõe também à veneranda instituição do sábado. Na Igreja o sábado será substituído pelo “dia do Senhor”. (cf. Bíblia do Peregrino)

 

São Gregório Magno

 

O Papa Gregório I recebeu dos pósteros o título de Magno e é considerado um dos quatro grandes doutores da Igreja no Ocidente, junto com Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São Jerônimo.

 

Nascido em Roma por volta do ano 540, de família senatorial, ocupou cargos de grande importância na magistratura, até ser prefeito de Roma. Com a morte do pai, herdou uma das maiores fortunas de Roma. Contudo, Gregório colocava sua confiança não nos bens terrenos, mas em Deus a quem procurava com amor. Quis ser radical na vivência do Evangelho que diz: "Se quiseres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me".

 

Gregório usou de sua vasta fortuna para construir sete mosteiros para os monges beneditinos, a fim de que fossem faróis de evangelização em diversas partes da Itália, invadida pelos bárbaros. Transformou sua casa num convento bem no centro de Roma, deu o resto para os pobres e abraçou a vida contemplativa dos monges beneditinos.

 

Mas a Providência o tirou da solidão; o papa encarregou-o de uma missão delicada: a de ser seu representante na corte de Constantinopla. Lá ficou alguns anos, que lhe serviram de larga experiência no relacionamento com a Igreja Oriental. Depois voltou ao refúgio do seu mosteiro.

 

Vindo a falecer o Papa Pelágio II, o clero e o povo romano proclamaram Gregório sucessor. Em vão procurou ocultar-se, pois o povo descobriu seu esconderijo e o forçou a aceitar a pesada carga. O dia 3 de setembro (590) ficou sendo a data de sua festa.

 

Gregório foi o homem certo, posto no momento certo na Cátedra de São Pedro. O Império Romano estava em derrocada e invasões de bárbaros por toda parte provocavam a formação de um novo tipo de sociedade. Gregório é um marco na história da Igreja e da própria Europa e assinala o ponto de partida de uma nova época, a do tempo de transição do mundo romano para o novo mundo medieval que ia fundir as antigas culturas grega e romana, com as novas culturas germânica e eslava.

 

Como papa, Gregório relacionou-se com as várias Igrejas de sua época e com os poderes públicos da Europa, mediante ativa correspondência. Querendo conquistar para o Cristianismo os anglo-saxões, enviou para a Inglaterra Santo Agostinho com vários monges que conseguiram bastante êxito. Providenciou o abastecimento de víveres na cidade de Roma, em momento difícil de carestia e peste. Mitigou os estragos das invasões dos bárbaros.

 

Visando o afervoramento do clero, escreveu para ele a Regra Pastoral que pode ser lida com edificação também hoje em dia. A fim de incentivar a piedade e o amor à santidade, redigiu o Livro dos Diálogos, para edificação dos fiéis. Foi um orador inflamado e escritor fecundo de comentários sobre a Bíblia.

 

"Ficaria incompleta a fisionomia de São Gregório, se considerássemos unicamente sua face externa, o homem de ação prodigiosa. Ele foi também o homem de grande contemplação, de intensa vida espiritual. Ele próprio fez seu retrato espiritual, descrevendo o 'ideal do pastor'. O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento, irrepreensível nas suas obras, sábio no silêncio, útil sempre na palavra. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus. Associa-se com humildade e simplicidade com todos os que trabalham pelo bem das almas mas levanta-se com anseios de justiça contra os vícios dos pecadores'”

 

Gregório passou seus últimos anos doente, acamado mas continuando a dirigir com prudência e lucidez os destinos da Igreja. Faleceu em 604, com 65 anos de idade. [O Santo do Dia, Don Servilio Comti, ©Vozes, 1997]

 

 

Jovens na universidade

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte - MG

 

Os jovens na universidade, bem como em outras instituições e realidades, configuram um tema de alta relevância para governos, instituições outras, famílias e Igreja Católica. Essa importância se consolida ao se considerar os números, em que pese o desafio de milhares e milhares de outros jovens que estão fora deste lugar, direito seu, particularmente aqueles em situação de risco social e humanitário.

 

O censo de educação superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) - Ministério da Educação (MEC), de 2009, contabilizou um número de quase seis milhões de jovens que frequentam a graduação nas instituições de ensino superior no Brasil. Neste número estão os 522.462 graduandos em Minas Gerais. A educação católica cuida de 65.167 dos 246.722 estudantes nas várias instituições de ensino superior católicas de norte a sul, leste a oeste do País. Um serviço educativo e formativo capitaneado pela Associação Nacional de Educação Católica (ANEC), com competência, seriedade e fidelidade a princípios éticos e de sustentabilidade. Um passo novo e ainda recente, mas sólido e consistente como fruto de amadurecidos e bem trabalhados projetos e ações nesta história da Igreja Católica.

 

Na verdade, a história da educação católica configura a da educação nas civilizações, merecendo particular relevo, por nos dizer respeito diretamente, na história da civilização no mundo ocidental. A PUC Minas tem aí uma grande responsabilidade educativa. Esta educação católica está presente, igualmente de maneira significativa, em número e serviços formativos, pelo Brasil afora.

 

No horizonte desta responsabilidade educativa integral põe-se o desafio da evangelização da juventude. Não se cumpre apenas uma tarefa de formação técnica e profissional, ressaltada a sua importância e o comprometimento com sua alta qualidade, para o bem destes mesmos jovens e visando o futuro da sociedade brasileira. A identidade católica é uma marca incontestavelmente importante e indispensável, em se tratando de valores e princípios, da fonte inesgotável do Evangelho de Jesus Cristo, a serem aprendidos e vividos, oportunizando a edificação da cultura da paz e o sonho de avançar nas conquistas próprias da civilização do amor.  A identidade e missão católicas marcam um diferencial que agrega possibilidades de respostas no entendimento e transformações urgentes na complexidade da realidade contemporânea, particularmente no que se refere aos jovens e suas demandas formativas. Esta é também uma missão nas instituições de ensino estatais e privadas, respeitadas as dinâmicas e limites próprios, considerando-se a laicidade das instituições governamentais e privadas. É direito e dever cuidar da fé cristã e católica na vida destes jovens que, ao entrar nestas instituições, já estão marcados com o selo de opção religiosa e confessional - um direito a ser respeitado e um patrimônio a ser cultivado por configurar, determinantemente, a identidade pessoal, familiar e cidadã. Esta tarefa está emoldurada e iluminada pela renovação, de maneira eficaz e realista, da opção preferencial pelos jovens na Igreja, em estreita união com suas famílias. É essencial a tarefa de propor aos jovens o encontro com Jesus Cristo e seu seguimento na Igreja, garantindo-lhes a realização plena da dignidade de ser humano. Também a formação da personalidade e uma formação gradual, à luz da fé e dos valores cidadãos, para ação social e política e mudança de estruturas.

 

O Documento 85, Evangelização da Juventude, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (2007), é norteador na compreensão dessa missão que já está dando frutos e abrindo perspectivas promissoras no trabalho com as juventudes do Brasil.

 

2013, ano da Jornada Mundial da Juventude no Brasil - já em estado missionário de preparação, será enriquecido com a Campanha da Fraternidade, tratando este tema nas dioceses e paróquias do País. Como momento importante, que precede a Jornada Mundial no Brasil, em Belo Horizonte, se realizará o II Congresso Mundial de Universidades e Universitários Cristãos Católicos, como aconteceu, neste ano, em Ávila, Espanha, antes do admirável evento da Jornada Mundial de Madri, consolidando a convicção de que a Universidade Católica é fortíssimo instrumento evangelizador e na formação da cultura da paz. Basta pensar a importância de formar profissionais e formadores de opinião, no presente e para o futuro, marcados com os valores cristãos.

 

A Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio da PUC Minas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e a Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e Educação - setor Universidades assumem, com alegria missionária, a realização deste evento para garantir avanços na tarefa de qualificar a formação e a evangelização dos jovens na universidade.

 

A Bíblia é a carta de amor de nosso Pai. E nós deixamos fechada no envelope. (S. Gregório Magno)