Sábado, 2 de outubro de 2010

Santos Anjos da Guarda. Memória, Ofício de Memória,  2ª do Saltério, cor Branca

 

 

Hoje: Dia do Repórter Fotográfico e Dia Internacional do Notário

 

Santos: Santa Teresa do Menino Jesus (França, proclamada, juntamente com São Francisco Xavier, padroeira das missões apostólicas), Plato (Séc. III), Crestos (Séc. III),   Veríssimo, Máxima e Júlia (Lisboa, Portugal), Bavão (658), Remi, Romano (o Melódio).

 

Antífona: Anjos todos do Senhor, bendizei o Senhor; cantai a sua glória, louvai-o eternamente. (Dn 3, 58)

 

Oração: Ó Deus, que na vossa misteriosa providência mandais os vossos anjos para guardar-nos, concedei que nos defendam de todos os perigos e gozemos eternamente do seu convívio. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Êxodo (Ex 23, 20-23a)

Anjo do Senhor conduz o povo no deserto

 

Assim diz o Senhor: 20"Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. 21Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões, e nele está o meu nome. 22Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teu inimigos, e adversário dos teus adversários. 23aO meu anjo irá à tua frente e te conduzirá à terra dos amorreus, dos hititas, dos fariseus, dos cananeus, dos heveus, e dos jebuseus, e eu os exterminarei". Palavra do Senhor!

 

Comentando a Leitura

O anjo atua em nome do Senhor

 

Anjo é um enviado, mensageiro ou mensagem, homem ou manifestação. Em qualquer caso, é presença sentida do Senhor. Caminho e terra são termos fixos da fé e da teologia, como também o verbo levar; mas não o verbo cuidar. Enquanto Israel crescia no Egito, Deus lhe preparou a terra, dirigindo a ação da natureza e da história. O anjo atua em nome do Senhor: daí a gravidade de não acatá-lo. No v. 22, promessa universal, da qual o homem podia abusar; mas condicionada à absoluta fidelidade e obediência do povo. (Bíblia do Peregrino)

 

Salmo: 90(91), 1-2.3-4.5-6.10-11 (R/.11)

O Senhor deu uma ordem aos seus anjos,

para em todos os caminhos te guardarem

 

Quem habita ao abrigo do Altíssimo e vive à sombra do Senhor onipotente, diz ao Senhor: "Sois meu refúgio e proteção, sois o meu Deus, no qual confio inteiramente".

 

Do caçador e do seu laço ele te livra. Ele te salva da palavra que destrói. Com suas asas haverá de proteger-te, com seu escudo e suas armas, defender-te.

 

Não temerás terror algum durante a noite, nem a flecha disparada em pleno dia; nem a peste que caminha pelo escuro, nem a desgraça que devasta ao meio-dia.

 

Nenhum mal há de chegar perto de ti, nem a desgraça baterá à tua porta; pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos para em todos os caminhos te guardarem.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 18, 1-5.10)

Não desprezeis nenhum desses pequeninos

 

Naquela hora, 1os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: "Quem é o maior no Reino dos céus?" 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse: "Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos céus. 4Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus. 5E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. 10Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus vêem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus". Palavra da Salvação!

 

 

Leituras paralelas: Mc 9, 33-37; Lc 9, 46-47; Jo 13,20

 

 

Comentando o Evangelho

Amar os pequeninos

 

O amor aos pequeninos deve ser um ponto de honra para a comunidade cristã. Trata-se, aqui, de atitudes concretas de apreço, incentivo e estima, mormente em relação a quem está dando os primeiros passos na fé, uma vez que, nem sempre, é capaz de superar os obstáculos com que se defronta. Corre-se o grande perigo de assumir, diante desses pequeninos, uma atitude farisaica de rigorismo, apresentando-lhes exigências descabidas, a ponto de jogá-los fora da comunidade cristã e afastá-los da salvação.


A exortação de Jesus – “Cuidem de não desprezar um só destes pequeninos” – revela que a fé é uma dinâmica, cujos passos vão sendo dados pouco a pouco. É inútil querer impor-se aos demais, e determinar o ritmo que devem seguir.


Quem está dando os primeiros passos deve ser objeto de especial atenção. O abandono de certos hábitos e a acolhida do modo de ser próprio do discípulo do Reino, muitas vezes, é muito penoso. A simples força de vontade ou a firme decisão de ser diferente podem mostrar-se insuficientes quando se trata de mudar de vida. O efetivamente conseguido não corresponde àquilo que se deseja. Nem por isso, a comunidade tem o direito de desfazer-se de quem vai caminhando com dificuldade. Pelo contrário, este deve ser objeto de atenção redobrada, para não vir a esmorecer na sua opção pelo Reino.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B, ©Paulinas, 1996]

 

Para sua reflexão: O protocolo da época era escrupuloso em designar precedências e definir classes. Os discípulos podem contagiar-se com o costume. Como será no reino de Deus, que é a nova comunidade na sua dimensão transcendente? A questão é grave devido ao afã em busca de riqueza, de superar-se e de superar, ao menos no confronto com os outros. A resposta de Jesus vai à raiz. Embora contraste com pretensões da época, está na linha de múltiplas declarações do Antigo Testamento sobre exaltação e humilhação. O menino colocado por Jesus no centro é uma presença simbólica: no reino celeste todos serão pequenos, filhos de Deus, e essa será sua grandeza. No v. 10, seus anjos são os enviados de Deus que cuidam dos pequeninos, servidores que têm acesso à presença dele. (Bíblia do Peregrino)

 

 

Santos Anjos da Guarda

 

A liturgia, hoje, comemora a festa dos Santos Anjos da Guarda ou Custódios. A Igreja, em sua piedade, sempre acreditou na existência não só de anjos em geral, dos quais nos falam repetidamente as páginas da Sagrada Escritura, mas também de anjos destinados a guardar e proteger os homens na caminhada terrena.

 

A palavra anjo significa "enviado", mensageiro, divino. Às vezes são chamados na Bíblia filhos de Deus porque formam a corte celeste.

 

Já no Antigo Testamento os anjos aparecem, repetidas vezes, como manifestações ou intervenções de Deus na história do povo eleito. Eles são os portadores de mensagens divinas, e participam de perto na história do povo de Israel, a fim de que seja fiel à missão que Deus lhe confia.

 

No Novo Testamento o papel dos anjos é mais claro. Os anjos anunciam o nascimento de Cristo e acompanham a vida toda do Divino Mestre. Aparecem por ocasião de sua paixão e morte e são testemunhas de sua Ressurreição. Igualmente nos Atos dos Apóstolos é bem evidente a intervenção dos anjos que vai marcando os primeiros passos da Igreja. Eles tomam parte ativa nos progressos do Evangelho, manifestando assim que a comunidade eclesial se liga intimamente ao ministério de Cristo.

 

O apóstolo São Paulo dá testemunho disso quando escreve: "Não são todos os anjos espíritos a serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?" (Hb 1,14).

 

Afinal, a Bíblia está repleta de notícias sobre os anjos. Mas quais as principais referências relativas ac anjo da guarda? Tem fundamento a crença da Igreja que cada homem tem um anjo protetor?

 

O Salmo 90, que se refere ao futuro Messias, fala explicitamente que Deus mandou seus anjos guardar o Messias: "Em todos os seus passos, eles o sustentarão em suas mãos para que não tropece em alguma pedra".

 

Ora, Cristo é o primogênito de todas as criaturas, nosso irmão e modelo; se, portanto, sua humanidade, apesar de unida com a Divindade, era continuamente protegida por anjos, muito mais devemos ser nós, seus membros, tão frágeis.

 

Jesus, certa vez, falando das crianças que propunha como modelos de inocência, de simplicidade e docilidade, teve palavras fortes contra os possíveis escandalizadores das crianças e acrescentou: "Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos! Porque eu vos digo que seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está no céu" (Mt 18,10).

 

Temos outro detalhe importante nos Atos dos Apóstolos: quando São Pedro, libertado da cadeia, por intervenção de um anjo, se dirigia à noite à casa do amigo Marcos, bateu à porta, mas de dentro não se atreviam a abrir, embora reconhecendo que fosse sua voz, pois diziam: "E seu anjo". Esta frase traduz uma convicção dos primeiros cristãos relativa à existência de um anjo que acompanha cada um de nós. Esta, de fato, é a crença universal e pacífica da Igreja em todos os tempos. [O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, ©Vozes, 1997]

 

O voto não tem preço, mas tem consequências. (D. Raimundo Damasceno)