Sábado, 1º de maio de 2010

Quarta Semana da Páscoa e do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

 

Hoje: Dia do Trabalhador

 

Santos: José Operário, Grata, Peregrino, Solenidade de Nossa Senhora (Mãe da Divina Graça, padroeira da diocese de Ponta Grossa, PR), Profeta Jeremias, Andeolo (bem aventurado), Amador (bispo de Auxerre), Brioco (de origem do Pais de Gales, foi bispo de Armórica), Sigismundo (fundador do mosteiro de Agaune, hoje Saint-Maurice-en-Valais), Asaf (bispo no País de Gales), Marculfo (ou Marcul, abade), Teodardo (Arcebispo de Narbona), Peregrino Laziosi

 

Antífona: Povo resgatado por Deus, proclamai suas maravilhas: ele vos chamou das trevas à sua luz admirável, aleluia!

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, fazei-nos viver sempre mais o mistério pascal para que, renovados pelo santo batismo, possamos, por vossa graça, produzir muitos frutos e chegar às alegrias da vida eterna. Que convosco vive e reina, na unidade dói Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Atos (At 13, 44-52)

Vamos dirigir-nos aos pagãos 

 

44No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra de Deus. 45Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia. 46Então, com muita coragem, Paulo e Barnabé declararam: "Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que nos vamos dirigir aos pagãos. 47Porque esta é a ordem que o Senhor nos deu: 'Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra"'.  

 

48Os pagãos ficaram muito contentes, quando ouviram isso, e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que eram destinados à vida eterna, abraçaram a fé. 49Desse modo, a palavra do Senhor espalhava-se por toda a região. 50Mas os judeus instigaram as mulheres ricas e religiosas, assim como os homens influentes da cidade, provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. 51Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés, e foram para a cidade de Icônio. 52Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Vamos dirigir-nos aos pagãos 

 

A cena de Paulo abandonando a sinagoga para se voltar aos pagãos, após haver tentado em vão “evangelizar” seus antigos irmãos de raça e religião, é tantas vezes repetida nos Atos que faz supor que Lucas tenha introduzido nela uma precisa intenção teológica, sublinhando o caráter universal característico do seu evangelho. Esta idéia domina toda a segunda parte dos Atos e coincide com o aparecimento de Paulo, o apóstolo dos pagãos. E proclamada e posta como sinete na conclusão dos Atos: "Sabei, pois, que esta salvação de Deus foi enviada às nações. E elas a escutarão!". Deus não repele Israel, não se desmente, permanece fiel às suas promessas. Israel falhou na sua missão e vocação. Suscitado por Deus para ser guarda das promessas e instrumento da difusão da salvação, transforma-se em obstáculo que impede o crescimento e a multiplicação da palavra de Deus. [Extraído do MISSAL COTIDIANO  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 97(98), 1.2-3ab.3cd-4 (R/.3cd)
 Os confins do universo contemplaram  

a salvação do nosso Deus 

 

Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória.  

 

O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel.  

 

Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!  

 

Evangelho: João (Jo 14, 7-14)

Quem me viu, viu o Pai

 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 7"Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes". 8Disse Filipe: "Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!" 9Jesus respondeu: "Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: 'Mostra-nos o Pai'? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai ao menos, por causa destas mesmas obras.  

 

12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai, 13e o que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei". Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentário o Evangelho

Mostra-nos o Pai!


O diálogo com os discípulos torna-se mormente delicado quando Filipe, falando em nome dos demais, pede a Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isto nos basta!” Pedido ousado, se considerarmos que a piedade bíblica excluía qualquer possibilidade de alguém ver Deus e permanecer vivo. Por isso, todos os relatos de manifestação de Deus – teofania – revelam que a pessoa que contempla a glória divina fica tomado de pavor, diante da possibilidade de morrer. Como, então, os discípulos de Jesus ousavam querer ver o Pai?


O Mestre procura levá-los a pensar a questão de maneira correta, numa perspectiva nova. Os discípulos esperavam uma teofania, no melhor estilo das teofanias do Antigo Testamento. Jesus, porém, intervém com algo muito mais simples. Coloca-se a si próprio como mediação da visão do Pai: “Quem me viu, viu o Pai! Você não acredita que estou no Pai e que o Pai está em mim?”.
A visão do Pai era a coisa mais desejada pelos discípulos. Bastaria dar um salto de qualidade para descobrir, na pessoa de Jesus, o rosto do Pai. E, para isso, era mister nutrir por Jesus fé idêntica à dedicada ao Pai. Sem uma fé verdadeira eles estariam privados da visão do Pai, ou continuariam a querer vê-lo, mas de maneira totalmente incorreta. A única forma de ver Deus Pai consiste em contemplá-lo na pessoa de Jesus.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997]

 

 

Para sua reflexão: Conhecer quem é ele é conhecer o Pai. Vê-lo com olhos de fé é ver o Pai. Filipe formula a seu modo o pedido audaz de Moisés (Ex 33, 18). É a esperança do orante, a experiência de Jó. Ele o faz como todo homem religioso: contemplar Deus como sentido último da existência. Conhecer é uma das palavras-chaves do evangelho de João, muito importante também nas cartas paulinas. A união intima de Jesus com o Pai implica: a pessoa, as palavras, as obras; as três apontam para o Pai e convergem para ele. Pai é o espaço vital de Jesus, Jesus é o espaço de manifestação do Pai. Somente a fé o pode descobrir e contemplar.  [Bíblia do Peregrino, Paulus].

 

São José Operário

 

 

 

 

Basta traçar um paralelo entre a vida cheia de sacrifícios de são José, que trabalhou a vida toda para ver Nosso Senhor Jesus Cristo dar a vida pela humanidade, e a luta dos trabalhadores do mundo todo, pleiteando respeito a seus direitos mínimos, para entender os motivos que levaram o papa Pio XII a instituir a festa de "São José Trabalhador", em 1955, na mesma data em que se comemora o dia do trabalho em quase todo o planeta.


Foi no dia 1o de maio de 1886, em Chicago, maior parque industrial dos Estados Unidos na época, que os operários de uma fábrica se revoltaram com a situação desumana a que eram submetidos e pelo total desrespeito à pessoa que os patrões demonstravam. Eram trezentos e quarenta em greve e a polícia, a serviço dos poderosos, massacrou-os sem piedade. Mais de cinqüenta ficaram gravemente feridos e seis deles foram assassinados num confronto desigual. Em homenagem a eles é que se consagrou este dia.


São José é o modelo ideal do operário. Sustentou sua família durante toda a vida com o trabalho de suas próprias mãos, cumpriu sempre seus deveres para com a comunidade, ensinou ao Filho de Deus a profissão de carpinteiro e, dessa maneira suada e laboriosa, permitiu que as profecias se cumprissem e seu povo fosse salvo, assim como toda a humanidade.


Proclamando são José protetor dos trabalhadores, a Igreja quis demonstrar que está ao lado deles, os mais oprimidos, dando-lhes como patrono o mais exemplar dos seres humanos, aquele que aceitou ser o pai adotivo de Deus feito homem, mesmo sabendo o que poderia acontecer à sua família. José lutou pelos direitos da vida do ser humano e, agora, coloca-se ombro a ombro na luta pelos direitos humanos dos trabalhadores do mundo, por meio dos membros da Igreja que aumentam as fileiras dos que defendem os operários e seu direito a uma vida digna.


Muito acertada mais esta celebração ao homem "justo" do Evangelho, que tradicional e particularmente também é festejado no dia 19 de março, onde sua história pessoal é relatada. [www.paulinas.org.br]

 

A maior recompensa do nosso trabalho não é o que nos pagam por

ele, mas aquilo em que ele nos transforma. (John Ruskin)