Quinta-feira, 30 de setembro de 2010

São Jerônimo, Presbítero e Doutor, Oficio de Memória, 2ª do Saltério (Livro III), cor Branca

 

Hoje: Dia da Secretária (homenagem ao nascimento de Liliam Sholes, a 1ª mulher a datilografar em público, 1872); Dia da Navegação e dia Mundial do Tradutor (homenagem a São Jerônimo, tradutor da Bíblia para o latim)

 

Santos: Jerônimo (419, doutor da Igreja), Simão de Crépu, Gregório (o iluminador, 300, Armênia), Leopoldo (Roma), Victor e Urso (Suíça) Antonino (Piacenza), Honório (653), Simão (1080), Francisco de Bórgia (1572), Francisco de Calderola (confessor franciscano, 1ª ordem)

 

Antífona: Que as palavras da Escritura estejam sempre em teus lábios, para que, meditando-as dia e noite, te esforces para realizar tudo aquilo que ensinam, e terá sentido e valor a tua vida. (Js 1,8)

 

Oração: Ó Deus, que destes ao presbítero São Jerônimo profundo  amor pela Sagrada Escritura, concedei ao vosso povo alimentar-se cada vez mais da vossa palavra e nela encontrar a fonte da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Jó (Jó 19, 21-27)
Jó deposita toda a confiança em Deus

 

21"Piedade, piedade de mim, meus amigos, pois a mão de Deus me feriu! 22Por que me perseguis como Deus, e não vos cansais de me torturar? 23Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição 24com ponteiro de. ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre! 25Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; 26e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. 27Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros. Dentro de mim consomem-se os meus rins". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Eu sei que o meu redentor está vivo

 

Jó é oprimido por seus amigos , mas em seu sofrimento tem a certeza de que Deus é seu "defensor" (v. 25). Não um defensor qualquer; mas ligado a ele por vínculos de amor; e que um dia será seu vingador. O sofrimento faz de Jó profeta. Deus erguer-se-á, julgará para a salvação. Jó está certo de que "verá a Deus": é o ápice de sua fé. Quando o cristão

 

não perdeu o amor, nada está perdido. Sabe por sua fé que o Cristo ressurge em todo homem que sofre e ama. Vivendo o amor de Cristo, dia após dia, deixando a vida impregnar-se, gota a gota, do zelo pelos outros, o cristão transforma a si mesmo e ao mundo.  [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997] 

 

 

Salmo Responsorial: 26(27), 7-8a.8b-9abc.13-14 (R/.13) 
Sei que a bondade do Senhor eu hei 
de ver, na terra dos viventes

 

7Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo, atendei por compaixão! 8aMeu coração fala convosco confiante, e os meus olhos vos procuram.

 

8bSenhor é vossa face que eu procuro; não me escondais a vossa face! 9aNão afasteis em vossa ira o vosso servo, sois vós o meu auxílio! 9bNão me esqueçais nem me deixeis abandonado, 9cmeu Deus e Salvador!

 

13Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. 14Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 10, 1-12)
Eu vos dou a minha paz

 

Naquele tempo, 1o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir.

 

2E dizia-lhes: "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa nem sacola nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: 'A paz esteja nesta casa!' 6Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa.

 

8Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: 'O Reino de Deus está próximo de vós'.

 

10Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11'Até a poeira de vossa cidade que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!' 12Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas do contexto desta passagem: Mt 9, 37-38; 10, 5-16; Mc 6, 7-11

 

 

 

 

Comentando o Evangelho

Como cordeiros entre lobos

 

A metáfora da condição dos discípulos é uma forma de descrever o futuro da missão. Ser cordeiros entre lobos não dá margem para dúvidas: a missão está destinada a ser uma batalha desigual, onde toda prudência é pouca. Nada de ilusões!


Humanamente falando, as orientações dadas por Jesus deixavam os discípulos numa situação de fragilidade. A pobreza material levava-os a depender da caridade alheia. Como se sabe, nem todo mundo está disposto a ajudar. Quem depende de esmolas, está sujeito a toda sorte de ironia, gozações e humilhações, sem contar o risco de sofrer agressões físicas. A recomendação de não escolher casa ou cidade onde entrar – os discípulos deveriam ir a toda cidade e lugar por onde Jesus passaria – obrigava-os a visitar até mesmo povoados hostis, especialmente os situados na região da Samaria. Se a hospitalidade em uma cidade lhes fosse recusada, eles não teriam o direito de fazer uso da força ou da violência. Bastava-lhes sacudir o pó das sandálias, e seguir adiante.


Falando na perspectiva do Reino, a ação missionária oferecida aos setenta e dois discípulos exigia deles serem testemunhas do mundo novo proclamado por Jesus. Aí os bens materiais deveriam ser relativizados, não tendo primazia no coração humano. A solidariedade seria um imperativo, e a violência, banida. Por conseguinte, a reação dos apóstolos diante de situações adversas já seria uma ação evangelizadora. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B, ©Paulinas, 1996]

 

São Jerônimo

São Jerônimo é contado entre os maiores Doutores da Igreja dos primeiros séculos. De cultura enciclopédica, foi escritor, filósofo, teólogo, retórico, gramático, dialético, historiador, exegeta e doutor como ninguém, nas Sagradas Escrituras. Jerônimo nasceu na Dalmácia, hoje Croácia, por volta do ano 340.

 

Tendo herdado dos pais pequena fortuna, aproveitou para realizar sua vocação de amante dos estudos. Para este fim, viajou para Roma, onde procurou os melhores mestres de retórica e onde passou a juventude um tanto livre.

 

Recebeu o batismo do papa Libério, já com 25 anos de idade. Viajando pela Gália, entrou em contato com o monacato ocidental e retirou-se com alguns amigos para Aquiléia, formando uma pequena comunidade religiosa, cuja principal atividade era o estudo da Bíblia e das obras de Teologia.

 

Jerônimo tinha um caráter indômito e gostava de opções radicais; desejou, portanto, conhecer e praticar o rigor da vida monacal que se vivia no Oriente, pátria do monaquismo. Esteve vários anos no deserto da Síria, entregando-se a jejuns e penitências tão rigorosas, que o levaram aos limites da morte.

 

Abandonando o meio monacal, dirigiu-se a Constantinopla, atraído pela fama oratória de São Gregório de Nazianzo, que lhe abriu o espírito ao amor pela exegese da Sagrada Escritura. Estando em Antioquia da Síria, prestou serviços relevantes ao bispo Paulino, que o quis ordenar sacerdote. No entanto, Jerônimo não sentia vocação à atividade pastoral e quase nunca exerceu o ministério sacerdotal. Tendo que optar entre sua vocação inata de escritor e o chamamento à ascese monacal, encontrou uma conciliação entre estes extremos que marcaria o caminho de sua vida: seria um monge mas um monge para quem o retiro era ocasião para uma dedicação total ao estudo, à reflexão, à férrea disciplina necessária à produção de sua obra, que queria dedicar toda à difusão do cristianismo.


Dentro desta vocação e severa disciplina, estudou o hebraico com um esforço sobre humano e aperfeiçoou seus conhecimentos do grego para poder compreender melhor as Escrituras nas línguas originais.

 

Chamado a Roma pelo Papa Damaso, que o escolheu como secretário particular, recebeu do mesmo a incumbência de verter a Bíblia para o latim, graças ao conhecimento que tinha desta língua, do grego e do hebraico. O papa, de fato, desejava uma tradução da Bíblia mais fiel em tudo aos textos originais, traduzida e apresentada em latim mais correto, que pudesse servir de texto único e uniforme na liturgia. Pois até aquele tempo existiam traduções populares muito imperfeitas e diversificadas, que criavam confusão.

 

O trabalho de São Jerônimo começado em Roma durou praticamente toda sua vida. O conjunto de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se "Vulgata" e foi o texto usado largamente nos séculos posteriores, tornando-se oficial com o Concílio de Trento e só cedeu o lugar ultimamente às novas traduções, pelo surto de estudos linguístico-exegéticos dos nossos dias. Na tradução, Jerônimo revela agudo senso crítico, amor incontido à Palavra de Deus e riqueza de informações sobre os tempos e lugares relativos à Bíblia.

 

Em Roma, criou-se em torno de Jerônimo amplo círculo de amizades, sobretudo de maratonas da alta sociedade que o ajudavam com seus recursos para custear seus trabalhos e que lhe orientava nos ásperos caminhos da santidade de cunho monástico.

 

Desgostado por certas intrigas do meio romano, retirou-se para Belém, onde, vivendo como monge rigidamente penitente, continuou até a morte, seus estudos e trabalhos bíblicos. Faleceu em 420, aos 30 de setembro, já quase octogenário.

 

São Jerônimo foi uma personalidade vigorosa, de inteligência extraordinária, de temperamento indomável. Teve uma correspondência literária muito vasta, de grande interesse histórico; ele se sentia presente e engajado como escritor em todos os problemas doutrinários do seu tempo.


Foi declarado padroeiro dos estudos bíblicos e o "Dia da Bíblia" foi colocado exatamente no último domingo de setembro, coincidindo com a data de sua morte. Ele deixou escrito: "Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, e quem ignora as Escrituras ignora o poder e a sabedoria de Deus; portanto ignorar as Escrituras Sagradas é ignorar a Cristo". [PRO-VOCAÇÕES FRANCISCANAS (http://www.pvf.com.br/santomes/saojeronim.htm)]

 

Para sua reflexão: Assim com houve uma missão dos doze na Galiléia, assim se narra agora a missão dos setenta (setenta e dois, em alguns manuscritos) na Judéia. Assim, temos um segundo círculo em expansão, que pode refletir a intenção de Lucas dirigindo-se a comunidades cristãs. São setenta, como os povos de que se compõe a humanidade ou, antes, como os auxiliares de Moisés, participantes do seu espírito. O verbo da missão é o mesmo usado para os apóstolos. Envia-os “à sua frente”, como o Batista. Preparar-lhe a chegada será sempre o sentido de todo o apostolado da Igreja: a geografia se alarga, o esquema permanece. (Bíblia do Peregrino)

 

Deus não inspira desejos irrealizáveis, portanto, apesar de minha

pequenez, posso aspirar à santidade. (Santa Teresinha do Menino de Jesus)