Quinta-feira, 30 de junho de 2011

13ª Semana do Tempo Comum,  Ano Impar, 1ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Santos: Os primeiros mártires da Igreja de Roma, Luciana, Basílides (soldado), Teobaldo, Bertrando (bispo de Le Mans), Marcial, Tibau, Bem-Aventurado Filipe Powell (Tyburn, Londres, pertencia à Ordem beneditina)

 

Antífona: Povos todos, aplaudi e aclamai a Deus com brados de alegria (Sl 46,2).

 

Oração: Ó Deus, pela vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da vossa verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Oração: Ó Deus, pela vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas a luz da vossa verdade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

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I Leitura: Gênesis (Gn 22, 1-19)

O sacrifício de nosso pai Abraão

 

Naqueles dias, 1Deus pôs Abraão à prova. Chamando-o, disse: "Abraão!" E ele respondeu: "Aqui estou". 2E Deus disse: 'Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um monte que eu te indicar".

 

3Abraão levantou-se bem cedo, selou o jumento, tomou consigo dois dos seus servos e seu filho Isaac. Depois de ter rachado lenha para o holocausto, pôs-se a caminho, para o lugar que Deus lhe havia ordenado. 4No terceiro dia, Abraão, levantando os olhos, viu de longe o lugar. 5Disse, então, aos seus servos: "Esperai aqui com o jumento, enquanto eu e o menino vamos até lá. Depois de adorarmos a Deus, voltaremos a vós". 6Abraão tomou a lenha para o holocausto e a pôs às costas do seu filho Isaac, enquanto ele levava o fogo e a faca. E os dois continuaram caminhando juntos. 7Isaac disse a Abraão: "Meu pai". "Que queres, meu filho?", respondeu ele. E o menino disse: 'Temos o fogo e a lenha, mas onde está a vítima para o holocausto?" 8Abraão respondeu: "Deus providenciará a vítima para o holocausto, meu filho". E os dois continuaram caminhando juntos.

 

9Chegados ao lugar indicado por Deus, Abraão ergueu um altar, colocou a lenha em cima, amarrou o filho e o pôs sobre a lenha em cima do altar. 10Depois, estendeu a mão, empunhando a faca para sacrificar o filho. 11E eis que o anjo do Senhor gritou do céu, dizendo: "Abraão! Abraão!" Ele respondeu: "Aqui estou!" 12E o anjo lhe disse: "Não estendas a mão contra teu filho e não lhe faças nenhum mal! Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu filho único". 13Abraão, erguendo os olhos, viu um carneiro preso num espinheiro pelos chifres; foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto no lugar do seu filho. 14Abraão passou a chamar aquele lugar: "O Senhor providenciará". Donde até hoje se diz: "O monte onde o Senhor providenciará".

 

15O anjo do Senhor chamou Abraão, pela segunda vez, do céu, 16e lhe disse: "Juro por mim mesmo - oráculo do Senhor -, uma vez que agiste deste modo e não me recusaste teu filho único, 17eu te abençoarei e tornarei tão numerosa tua descendência como as estrelas do céu e como as areias da praia do mar. Teus descendentes conquistarão as cidades dos inimigos. 18Por tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra, porque me obedeceste". 19Abraão tornou para junto dos seus servos, e, juntos, puseram-se a caminho de Bersabéia, onde Abraão passou a morar. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

O sacrifício de nosso pai Abrão

 

Nosso Deus é Deus da vida, não da morte. Abraão, que provém de um povo que imolava à divindade vitimas humanas, aprende a lição. Sua fé é completa, total, sem condições. Sabe que pode contar de modo absoluto com aquele Deus em quem crera desde o princípio. Nossa fé, iniciada como um germe no dia do batismo, devia, segundo os planos de Deus, crescer continuamente. Se os pais e os primeiros educadores não tivessem dado a sua parte, essa fé teria ficado morta, sem influência. Contudo, quando começou nossa consciência pessoal, o crescimento principiou a depender em grande parte de nós, sem falar da insubstituível e certíssima graça de Deus. Impõe-se hoje um exame: cresceu? Foi detida pelas primeiras dificuldades? Robusteceu-se? Ou então definhou por falta do indispensável alimento: oração, sacramentos, prática de caridade? [Missal Cotidiano, © Paulus]

 

 

Salmo 114 (115), 1-2. 3-4. 5-6. 8-9 (R/. 9)

Andarei na presença de Deus, junto a ele, na terra dos vivos

 

Eu amo o Senhor, porque ouve o grito da minha oração. Inclinou para mim seu ouvido, no dia em que eu o invoquei.

 

Prendiam-me as cordas da morte, apertavam-me os laços do abismo; invadiam-me angústia e tristeza: eu então invoquei o Senhor "Salvai, ó Senhor, minha vida!"

 

O Senhor é justiça e bondade, nosso Deus é amor-compaixão. É o Senhor quem defende os humildes: eu estava oprimido, e salvou-me.

 

Libertou minha vida da morte, enxugou de meus olhos o pranto e livrou os meus pés do tropeço. Andarei na presença de Deus, junto a ele na terra dos vivos.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 9, 1-8)

Jesus cura um paralítico

 

Naquele tempo, 1entrando em um barco, Jesus atravessou para a outra margem do lago e foi para a sua cidade. 2Apresentaram-lhe, então, um paralítico deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: "Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!" 3Então alguns mestres da lei pensaram: "Esse homem está blasfemando!" 4Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse: "Por que tendes esses maus pensamentos em vossos corações? 5O que é mais fácil, dizer: 'Os teus pecados estão perdoados' ou dizer: 'Levanta-te e anda'? 6Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados", disse, então, ao paralítico: "Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa". 7O paralítico então se levantou e foi para a sua casa. 8Vendo isso, a multidão ficou com medo e glorificou a Deus, por ter dado tal poder aos homens. Palavra da Salvação!

 

Contexto: a pregação do Reino dos Céus; curas; dez milagres. Leituras paralelas: Mc 2, 1-12; Lc 5, 17-26.

 

 

Comentário o Evangelho

Confiança ilimitada


A grandeza da fé do paralítico, estendido num leito, chamou a atenção de Jesus. O texto diz que o Mestre viu a fé daquele homem. Só é possível ver a fé de alguém, quando manifestada nas suas ações. As providências tomadas pelo paralítico para estar na presença de Jesus devem ter sido formidáveis, pois chamou-lhe a atenção.


Esta confiança ilimitada explica a iniciativa do Mestre: declarar-lhe, imediatamente, perdoados os pecados e, assim, reconciliá-lo com Deus. Segundo se acreditava na época, as doenças eram conseqüência dos pecados. O perdão era, por conseguinte, o primeiro passo para a cura, por cortar o mal pela raiz. Só, então, teria sentido propiciar ao paralítico a cura física.


A ação taumatúrgica de Jesus recriava o ser humano a partir de seu interior, atingindo os níveis mais profundos, ali onde se processa a comunhão entre a criatura e o Criador. A restauração dos laços rompidos entre ambos permitia ao ser humano refazer-se, até chegar aos níveis exteriores. A cura acontece de dentro para fora. Quando o exterior é curado, é porque o interior já deve ter sido totalmente refeito.


A cura do paralítico foi possível por causa de sua confiança inabalável em Jesus. Esta é a fé que se exige de quem pretende ser curado por ele. Mas, a partir de dentro! [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Oração da assembleia

Para que a Igreja caminhe sempre atenta à realidade dos mais necessitados, rezemos Senhor, atendei a nossa prece.

Para que pais e mães acolham com alegria os filhos por eles gerados, rezemos.

Para que as pessoas com deficiência sejam respeitadas e acolhidas em nosso meio, rezemos.

Para que surja gente disposta a difundir o anúncio do evangelho, rezemos.

Para que, diante das dificuldades, confiemos na providência divina e no seu amor, rezemos.

(preces espontâneas da assembleia)

 

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que nos assegurais os frutos dos vossos sacramentos, concedei que o povo reunido para vos servir corresponda à santidade dos vossos dons. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Bendize, ó minha alma, ao Senhor e todo meu ser, seu santo nome! (Sl 102,1)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, que oferecemos em sacrifício e recebemos em comunhão, nos transmitam uma vida nova, para que, unidos a vós pela caridade que não passa, possamos produzir frutos que permaneçam. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Os judeus relacionavam a doença com o pecado. O paralítico era doente incurável, estava morto em vida. Os discípulos acreditavam que a doença, ou os revezes da vida, são causadas por alguma culpa, própria ou de outra pessoa. A cura em si é apresentada como prova visível do poder do Filho do Homem de realizar maravilhas até mesmo na esfera do invisível e do espiritual (o perdão dos pecados). Perdoando, Jesus não blasfema, pois veio libertar do pecado. Como “homem”, recebeu poder de perdoar e curar: o povo se admira de que tal poder tenha sido concedido “aos homens”. O poder de perdoar pecados, na Igreja, está de fato ligado à autoridade de Jesus.   

 

 

Os primeiros mártires da Santa igreja Romana

 

 

Certo dia, um pavoroso incêndio reduziu Roma a cinzas. Em 19 de julho de 64, a poderosa capital virou escombros e o imperador Nero, considerado um déspota imoral e louco por alguns historiadores, viu-se acusado de ter sido o causador do sinistro. Para defender-se, acusou os cristãos, fazendo brotar um ódio contra os seguidores da fé que se espalharia pelos anos seguintes.


Nero aproveitou-se das calúnias que já cercavam a pequena e pouco conhecida comunidade hebraica que habitava Roma, formada por pacíficos cristãos. Na cabeça do povo já havia, também, contra eles, o fato de recusarem-se a participar do culto aos deuses pagãos. Aproveitando-se do desconhecimento geral sobre a religião, Nero culpou os cristãos e ordenou o massacre de todos eles.


Há registros de um sadismo feroz e inaceitável, que fez com que o povo romano, até então liberal com relação às outras religiões, passasse a repudiar violentamente os cristãos. Houve execuções de todo tipo e forma e algumas cenas sanguinárias estimulavam os mais terríveis sentimentos humanos, provocando implacável perseguição.


Alguns adultos foram embebidos em piche e transformados em tochas humanas usadas para iluminar os jardins da colina Oppio. Em outro episódio revoltante, crianças e mulheres foram vestidas com peles de animais e jogadas no circo às feras, para serem destroçadas e devoradas por elas.


Desse modo, a crueldade se estendeu de 64 até 67, chegando a um exagero tão grande que acabou incutindo no povo um sentimento de piedade. Não havia justificativa, nem mesmo alegando razões de Estado, para tal procedimento. O ódio acabou se transformando em solidariedade.


Os apóstolos são Pedro e são Paulo foram duas das mais famosas vítimas do imperador tocador de lira, por isso a celebração dos mártires de Nero foi marcada para um dia após a data que lembra o martírio de ambos.


Porém, como bem nos lembrou o papa Clemente, o dia de hoje é a festa de todos os mártires, que com o seu sangue sedimentaram a gloriosa Igreja Católica Apostólica Romana. [paulinas.org.br]

 

Problemas da terra

Dom Genival Saraiva, Bispo de Palmares, PE

 

Contemporaneamente à divulgação de índices governamentais que revelam um avanço nas conquistas sociais, a midia está trazendo à tona o fenômeno dos conflitos no campo, com o recente assassinato de seis lideranças, que estavam comprometidas com a preservação das florestas e com o uso regulamentado da terra, no Norte e no Centro-Oeste do Brasil. “A onda de assassinatos a trabalhadores rurais no Norte do País contabiliza mais uma vítima. Obede Loyla Souza, de 31 anos e pai de três filhos, foi executado na última quinta-feira (9), no Acampamento Esperança, município de Pacajá, no Pará. Este é o quinto homicídio no campo registrado no Estado em menos de um mês. Com a morte de Souza, sobe para seis o número trabalhadores rurais assassinados nas últimas três semanas no Norte do Brasil. Além dos 5 casos ocorridos no Pará, foi registrada a morte de Adelino Ramos, o Dinho, líder do Movimento Camponês Corumbiara, executado a tiros no distrito de Vista Alegre do Abunã, Porto Velho (RO), em 27 de maio. Três dias antes, o casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria Bispo do Espírito Santo foi assassinado próximo a Nova Ipixuna, sudeste do Pará. As vítimas haviam denunciado a extração ilegal de madeira, assim como Obede Loyla Souza. Naquela semana, no Assentamento Praialta-Piranheira, o mesmo onde morava o casal de extrativistas, foi encontrado sem vida Herenilton Pereira dos Santos. O trabalhador rural era apontado como uma das testemunhas no caso do duplo homicídio. No dia 2 de junho, o corpo do agricultor Marcos Gomes da Silva foi localizado em uma estrada vicinal, em Eldorado do Carajás, mesmo município onde aconteceu o massacre de 19 sem-terra no ano de 1996. Morta a tiros, a vítima teve a orelha decepada, a exemplo do que ocorreu com o extrativista Zé Cláudio.”

 

A Comissão Pastoral da Terra já havia apontado para a gravidade deste problema, ao apresentar a estatística dos assassinatos no campo. Recentemente, o Conselho Permanente da CNBB se pronunciou sobre “os inúmeros casos de violência e mortes no norte do País. (…) As muitas vidas ceifadas devido aos conflitos agrários alertam a sociedade e o Estado para a necessidade de ações urgentes e eficazes que contribuam para consolidar a segurança no campo.” Há muito tempo, as lideranças se tornaram vítimas da violência no campo; muitas são verdadeiros ícones da luta pela conquista da terra e dos direitos sociais no campo; outras são pessoas desconhecidas, mas não menos importantes, que se comprometeram com o mesmo ideal e, dessa maneira, fizeram de sua vida uma bandeira em defesa da justiça e dos direitos socioambientais.

 

Na verdade, os problemas no campo revelam grandes conflitos de interesse que sempre dizem respeito à posse e ao cultivo da terra. O fator econômico está na gênese da maioria dos conflitos de terra. O assassinato de lideranças do campo, via de regra, está relacionado com o latifúndio e, consequentemente, com atividades do agronegócio e agropecuária. Com efeito, onde a posse da terra está assegurada e onde se desenvolve a agricultura familiar, em minifúndios e em terras com extensões compatíveis com a produção de alimentos e criação de rebanhos, não acontecem assassinatos com a etiologia identificada, nos casos recentes. Essa situação vem de longe, não obstante a sua constatação e seu ônus social, por parte dos poderes públicos e da sociedade. Decididamente, os governantes não assumem a causa do campo que passa, necessariamente, pela Reforma Agrária, muito embora esteja na pauta de candidatos e de governantes, desde os tempos dos governos militares aos dos governos petistas.

 

A sociedade está diante da falta de políticas públicas pertinentes para o campo. Esse quadro não pode se prolongar sem definições, sob pena de muitos tombarem, enquanto buscam o direito da posse, do uso produtivo da terra e enquanto defendem as florestas da derrubada e do uso predatório, que estão em curso, como demonstram as estatísticas nacionais e internacionais.

 

Conheça o verdadeiro valor do tempo; agarre-o, leve-o e usufrua cada momento. (Alfred Tennyson)