Quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Vigésima Primeira Semana do Tempo Comum, 1ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Santos: Agostinho de Hipona (430, doutor da Igreja), Viviano, João III, Hermes (Roma, séc. II), Juliano, Moisés (o Egípcio, séc. IV), Bem-Aventurado Bibiano (séc. V), Edmundo Arrowsmith, Zélia Guérin

 

Antífona: Inclinai, Senhor, o vosso ouvido e escutai-me; salvai, meu Deus, o servo que confia em vós. Tende compaixão de mim, clamo por vós o dia inteiro. (Sl 85, 1-3)

 

Oração: Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: 1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 1, 1-9)
Em Jesus cristo fomos enriquecidos em tudo

 

Início da primeira carta de São Paulo aos Coríntios – 1Paulo, chamado a ser apóstolo de Jesus Cristo, por vontade de Deus, e o irmão Sóstenes, 2à Igreja de Deus que está em Corinto: aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos junto com todos que, em qualquer lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso. 3Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

 

4Dou graças a Deus sempre a vosso respeito, por causa da graça que Deus vos concedeu em Cristo Jesus: 5Nele fostes enriquecidos em tudo, em toda palavra e em todo conhecimento, 6à medida que o testemunho sobre Cristo se confirmou entre vós.

 

7Assim, não tendes falta de nenhum dom, vós que aguardais a revelação do Senhor nosso, Jesus Cristo. 8É ele também que vos dará perseverança em vosso procedimento irrepreensível, até ao fim, até ao dia de nosso Senhor, Jesus Cristo.

 

9Deus é fiel; por ele fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Senhor nosso. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Nele fostes enriquecidos em tudo

 

O olhar de Paulo é lúcido. Alcança a realidade essencial do cristão. Ele sabe que os fiéis da comunidade de Corinto, apesar de suas taras, estão “santificados em Cristo Jesus” e são “chamados a ser santos” (v.2). Por esta vocação à santidade, Deus os enriqueceu de tudo. Esta riqueza, fonte de “doutrina e ciência”, é essencialmente comunhão com Cristo (v.9)  e desce às profundezas de Deus. Estimula o cristão a fazer da própria vida uma contínua busca de comunhão com Cristo ressuscitado. Certamente, não para viver mais comodamente, e sim para radicar em si o dom da própria vida e deixar-se transfigurar aos poucos, a fim de olhar os homens e a história com o próprio olhar de Deus. A “doutrina e a ciência”não são um “sistema” de pensamento, mas uma revolução interior, um movimento subterrâneo que leva os cristãos a tornarem-se homens de comunhão.  [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 144 (145), 2-3.4-5.6-7 (R/.cf. 1b)
Bendirei o vosso nome pelos séculos, Senhor!

 

Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre. Grande é o Senhor e muito digno de louvores, e ninguém pode medir sua grandeza.

 

Uma idade conta à outra vossas obras e pública os vossos feitos poderosos; proclamam todos o esplendor de vossa glória e divulgam vossas obras portentosas! 

 

Narram todos vossas obras poderosas, e de vossa imensidade todos falam. Eles recordam vosso amor tão grandioso e exaltam, ó Senhor, vossa justiça. 

 

Evangelho: Mateus (Mt 24, 42-51)
Ficai preparados!

 

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 42“Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor. 43Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do homem virá.

 

45Qual é o empregado fiel e prudente, que o senhor colocou como responsável pelos demais empregados, para lhes dar alimento na hora certa? 46Feliz o empregado, cujo senhor o encontrar agindo assim, quando voltar. 47Em verdade vos digo, ele lhe confiará a administração de todos os seus bens. 48Mas, se o empregado mau pensar: ‘Meu senhor está demorando’, 49e começar a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados; 50então o senhor desse empregado virá no dia em que ele não espera, e na hora que ele não sabe. 51Ele o partirá ao meio e lhe imporá a sorte dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes”. Palavra da Salvação!

 

 

Leituras paralelas: Lc 12, 35-40; 17, 26-27.35-36; 21, 34-36; Lc 12, 42-46

 

 

Comentando o Evangelho

O servo fiel

 

A vida cristã é toda ela uma preparação para o encontro definitivo com o Senhor. O dia e a hora deste encontro não o sabemos. Por isso, Jesus insistia para que os discípulos se mantivessem sempre vigilantes. A espera deveria mantê-los ativos, pois cada minuto da existência poderia ser ocasião de se prepararem cada vez melhor.


O encontro com o Senhor prepara-se por meio da prática do amor e da justiça, não simplesmente por meio de determinados atos de piedade realizados mecanicamente. Quem o Senhor encontrar amando o próximo e lutando pela justiça, será convidado para participar da alegria de seu Reino.


Certos discípulos, pensando que o Senhor tardaria muito a voltar e que, por isso, teriam tempo suficiente para se preparar, não ficavam atentos, descambando para uma vida de impiedade. Dada a incerteza da hora, é imprudente agir assim. Quando menos esperam, serão chamados para prestar contas de sua existência, recebendo o castigo dos servos maus.


O verdadeiro discípulo não se descuida. Pelo contrário, transforma cada circunstância da vida em ocasião de manifestar seu desejo de ser acolhido pelo Senhor. E na acolhida do outro, de modo especial, dos mais pobres, mostra como ele próprio quer ser acolhido pelo Pai.
[Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Enquanto o homem dorme o ladrão vigia. A incerteza é a única certeza. Portanto, em lugar de curiosidade, opte pela vigilância. Já a parábola do mordomo fiel tem como foco também a vigilância na incerteza; mas de passagem revela aos homens sua condição de serviços e administradores, responsáveis perante o patrão. O servo fiel merece a qualificação de prudente, sensato. Seriam os chefes judeus e não menos a chefes da comunidade cristã. O critério de julgamento será a conduta com os outros servos ou companheiros de serviço. O castigo encarece a gravidade da culpa e suas consequências; hipócritas são os malvados que fingiram bondade. (cf. comentários Bíblia do Peregrino)

 

 

 

São Zeferino

 

 

O papa Zeferino exerceu um dos pontificados mais longos da Igreja de Cristo, de 199 a 217. E os únicos dados de sua vida registrados declaram que: depois do papa Vitor, de origem africana, clero e povo elegeram para a cátedra de Pedro um romano, Zeferino, filho de um certo Abôndio.


Zeferino foi o 14o papa a substituir são Pedro. Enfrentou um período difícil e tumultuado, com perseguições para os cristãos e de heresias entre eles próprios, que abalavam a Igreja mais do que os próprios martírios. As heresias residiam no desejo de alguns em elaborar só com dados filosóficos o nascimento, a vida e a morte de Jesus Cristo. A confusão era generalizada, uns negavam a divindade de Jesus Cristo, outros se apresentavam como a própria revelação do Espírito Santo, profetizando e pregando o fim do mundo.


Mas o papa Zeferino, que não era teólogo, foi muito sensato e, amparado pelo poder do Espírito Santo, livrou-se dos hereges. Para isso uniu-se aos grandes sábios da época, como santo Irineu, Hipólito e Tertuliano, dando um fim ao tumulto e livrando os cristãos da mentira e dos rigorismos.


O papa Zeferino era dotado de inspiração e visão especial. Seu grande mérito foi ter valorizado a capacidade de Calisto, um pagão convertido e membro do clero romano, que depois foi seu sucessor. Ele determinou que Calisto organizasse cemitérios cristãos separados daqueles dos pagãos. Isso porque os cristãos não aceitavam cremar seus corpos e também queriam estar livres para tributarem o culto aos mártires.


O papa Zeferino conseguiu que as nobres famílias cristãs, possuidoras de tumbas amplas e profundas, transferissem-nas para a Igreja. Assim, Calisto começou a fazer galerias subterrâneas ligando umas às outras e, nas laterais, foi abrindo túmulos para os cristãos e para os mártires. Todo esse complexo deu origem às catacumbas, mais tarde chamadas de catacumbas de Calisto.

Esse foi o longo pontificado de Zeferino, encerrado pela intensificação às perseguições e pela proibição das atividades da Igreja, impostas pelo imperador Sétimo Severo.


O papa são Zeferino foi martirizado junto com o bispo santo Irineu, em 217, e foi sepultado numa capela nas catacumbas que ele mandou construir em Roma, Itália.
[www.paulinas.org.br]


 

A criatividade baseia-se na incerteza: o criativo erra muitas

vezes, mas, quando acerta, revoluciona. (Domenico de Masi)