Quinta-feira, 26 de março de 2009

Quarta  Semana do Tempo da Quaresma, IV Semana do Saltério (Livro III), cor Roxa

 

Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face. (Sl 104,3-4)

 

 

Hoje: Dia do Mercosul e dia do Cacau

 

Santos: Cástulo (mártir), Félix de Trier (bispo), Macartino (bispo), Bráulio (bispo), Ludgero (bispo), Basílio (o Moço), Teodoro e Companheiros (Líbia), Dídaco José de Cadiz (Bem-aventurado, confessor franciscano, 1ª ordem), Emanuel e Marciano.

 

Oração do Dia: Nós vos pedimos, ó Deus de bondade, que, corrigidos pela penitência e renovados pelas boas obras, possamos perseverar nos vossos mandamentos e chegar purificados às festas pascais. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Êxodo (Ex 32, 7-14)

Moisés e o povo

 

Naqueles dias, 7o Senhor falou a Moisés: "Vai, desce, pois corrompeu-se o teu povo, que tiraste da terra do Egito. 8Bem depressa desviaram-se do caminho que lhes prescrevi. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, inclinaram-se em adoração diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: 'Estes são os teus deuses, Israel, que te fizeram sair do Egito!"'

 

9E o Senhor disse ainda a Moisés: "Vejo que este é um povo de cabeça dura. 10Deixa que minha cólera se inflame contra eles e que eu os extermine. Mas de ti farei uma grande nação".

 

11Moisés, porém, suplicava ao Senhor seu Deus, dizendo: "Por que, ó Senhor, se inflama a tua cólera contra o teu povo, que fizeste sair do Egito com grande poder e mão forte? 12Não permitas, te peço, que os egípcios digam: 'Foi com má intenção que ele os tirou, para fazê-los perecer nas montanhas e exterminá-los da face da terra'. Aplaque-se a tua ira e perdoa a iniqüidade do teu povo. 13Lembra-te de teus servos Abraão, lsaac e Israel, com os quais te comprometeste por juramento, dizendo: 'Tornarei os vossos descendentes tão numerosos como as estrelas do céu; e toda esta terra de que vos falei, eu a darei aos vossos descendentes como herança para sempre"'. 14E o Senhor desistiu do mal que havia ameaçado fazer ao seu povo.  Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Aplaque-se a tua ira e perdoa a iniqüidade do teu povo

 

O verdadeiro pecado do povo não é tanto a idolatria quanto a ruptura da aliança, que se fundava na promessa recíproca de fidelidade. Por isso Deus diz a Moisés: "o teu povo e não "o meu povo". A peroração de Moisés tem o seu ponto forte exatamente na fidelidade de Javé à palavra dada a Abraão, Isaac, Israel, pela qual o povo continua a ser o seu povo Moisés, que preferiu ser solidário com seu povo e sofrer a mesma sorte, é figura de Cristo, solidário conosco (S. Paulo, em forte expressão, diz que "se fez pecado") a ponto de sofrer nossa mesma sorte para nos resgatar das culpas. A Igreja continua a obra de mediação de Cristo pelos pecadores, sentindo-se solidário com eles: "Não olhes os nossos pecados, mas a fé de tua Igreja". Não é a santidade, mas a fé na promessa de Deus que garante a eficácia de sua mediação. Este senso de solidariedade deve animar toda a nossa oração de intercessão por nossos irmãos.

 

 

Salmo: 105(106), 19-20, 21-22.23 (R/4a)

Lembrai-vos de nós, ó Senhor, segundo

o amor para com vosso povo

 

19Construíram um bezerro no Horeb e adoraram uma estátua de metal; 20eles trocaram o seu Deus, que é sua glória, pela imagem de um boi que come feno.

 

21Esqueceram-se do Deus que os salvara, que fizera maravilhas no Egito; 22no país de Cam fez tantas obras admiráveis, no mar Vermelho, tantas coisas assombrosas.

 

23Até pensava em acabar com sua raça, não se tivesse Moisés, o seu eleito, interposto, intercedendo junto a ele, para impedir que sua ira os destruísse.

 

 

Evangelho: João (Jo 5, 31-47)

O Testemunho de Jesus

 

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: 31"Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não vale. 32Mas há um outro que dá testemunho de mim, e eu sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro. 33Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. 34Eu, porém, não dependo do testemunho de um ser humano. Mas falo assim para a vossa Salvação. 35João era uma lâmpada que estava acesa e a brilhar, e vós com prazer vos alegrastes por um tempo com a sua luz. 36Mas eu tenho um testemunho maior que o de João; as obras que o Pai me concedeu realizar. As obras que eu faço dão testemunho de mim, mostrando que o Pai me enviou. 37E também o Pai que me enviou dá testemunho a meu favor. Vós nunca ouvistes sua voz, nem vistes sua face, 38e sua palavra não encontrou morada em vós, pois não acreditais naquele que ele enviou. 39Vós examinais as escrituras, pensando que nelas possuís a vida eterna. No entanto, as escrituras dão testemunho de mim, 40mas não quereis vir a mim para ter a vida eterna! 41Eu não recebo a glória que vem dos homens. 42Mas eu sei que não tendes em vós o amor de Deus.

 

43Eu vim em nome do meu Pai, e vós não me recebeis. Mas, se um outro viesse em seu próprio nome, a este vós o receberíeis. 44Como podereis acreditar, vós que recebeis glória uns dos outros e não buscais a glória que vem do único Deus? 45Não penseis que eu vos acusarei diante do Pai. Há alguém que vos acusa: Moisés, no qual colocais a vossa esperança. 46Se acreditásseis em Moisés, também acreditaríeis em mim, pois foi a respeito de mim que ele escreveu. 47Mas se não acreditais nos seus escritos, como acreditareis então nas minhas palavras?" Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho[2]

Vim em nome do meu Pai

 

No confronto com os seus adversários, Jesus explicitou sua relação com o Pai. O tempo mostraria que suas palavras foram insuficientes para convencê-los. A revelação de Jesus exigia mentes e corações abertos, capazes de acolher a novidade que lhes era comunicada. Entretanto, a dureza de coração de seus inimigos levava-os a um ódio sempre crescente contra ele. Por conseguinte, o esforço de Jesus tinha um efeito contrário ao que ele desejava. Ao invés de gerar acolhida, provocava rejeição.

 

O testemunho em favor de Jesus provinha do Pai. Logo, suas palavras e sua ação estavam bem respaldadas. Não dependiam desta ou daquela instituição, nem de pessoa alguma. As obras realizadas por Jesus também depunham em seu favor. Por seu próprio conteúdo, revelavam a identidade dele, pois visavam proporcionar vida abundante para toda a humanidade. Também as Escrituras, quando lidas de maneira conveniente, davam testemunho dele. Elas apontavam para Jesus, cujo ministério situava-se no contexto da revelação de Deus.


Jesus detectou a raiz da rejeição a seu respeito, num certo espírito mundano que corroia o coração dos adversários, os quais buscavam a glória de si mesmos, não a do Pai. Se estivessem mais em comunhão com Deus, e menos preocupados em defender seus esquemas, sem dúvida chegariam a perceber quem era Jesus.

 

 

São Bráulio de Saragoça[3]

 

Aos 20 anos entrou na abadia de santa Engrácia, assim como seu irmão Fruminiano e sua irmã que se tornou abadessa. Somente uma de suas irmãs se casou. Seu pai, Gregório e seu irmão mais velho, João, foram bispos. Nessa abadia são Bráulio fez os estudos elementares, ajudado pelo seu irmão João, na vida ascética. Dez anos após foi para Sevilha (Espanha) aperfeiçoar-se com santo Isidoro. As grandes obras de são Isidoro foram compostas por solicitação de são Bráulio e que no final recebeu o encargo de completá-la em 637. Retornou a Saragoça em 625 e quando em 631 faleceu o bispo João, foi nomeado arcediácono e lhe confiaram a administração dos negócios eclesiásticos. E num tempo terrível de pestes, flagelos, carestias, Bráulio, pedindo conselhos e ajuda foi superando tanta crise. Tomou parte de três concílios de Toledo (633,636,638). Correspondia com o Papa Honório I. Por volta dos anos 650 estava praticamente cego e esgotado e morreu no ano seguinte. São Bráulio foi o melhor escritor espanhol de seu tempo, depois de são Isidoro de Sevilha. Um grande bispo, nascido numa família de santos que ajudou e muito na consolidação da Igreja no reino espanhol.

 

A verdadeira lei do progresso moral é a caridade.  (Camila Castelo Branco)



[1] MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] www.asj.org.br