Quinta-feira, 25 de agosto de 2011

21ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar, 1ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia do Soldado e Dia do Feirante

 

Santos: Luís de França (1270), José de Calazans (1648), Patrícia, Ponciano, Vicente, Peregrino, Bem-Aventurado Genésio, Gregório. 

 

 

Antífona: Inclinai, Senhor, o vosso ouvido e escutai-me; salvai, meu Deus, o servo que confia em vós. Tende compaixão de mim, clamo por vós o dia inteiro. (Sl 85, 1-3)

 

Oração: Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, daí ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrais. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Tessalonicenses (1Ts 3, 7-13)

Missão de timóteo: Deus confirme os vossos corações

 

Irmãos, 7ficamos confortados, em meio a toda angústia e tribulação, pela notícia acerca de vossa fé. 8Agora sentimo-nos reviver, porque vós estais firmes no Senhor. 9Como podemos agradecer a Deus por toda a alegria que nos invade diante do nosso Deus, por causa de vós? 10Noite e dia rezamos efusivamente para vos rever e completar o que ainda falta na vossa fé.

 

11Que o próprio Deus e nosso Pai, e nosso Senhor Jesus dirijam os nossos passos até a vós. 12O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós.

 

13Que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para

com todos aumente e transborde sempre mais

 

Paulo exorta a comunidade de Tessalônica a "crescer abundantemente no amor recíproco e para com todos". Com efeito, o chamado de Deus leva à comunhão com ele, a comunhão leva à consagração e a consagração torna­-se missão. A comunidade convertida a Deus cria no mundo um espaço de amor. Este espaço é uma luz e uma força que vem do Espírito. A comunidade que possui esta luz torna-se invulnerável. Em vão se encarniçam contra tais comunidades os humanismos ateus. Por certo a missão de ser luz é difícil: nasce unicamente da transparência de Deus, da sinceridade do coração e da contemplação de Deus. Só a comunidade que prega evangeliza. [ Missal Cotidiano, © Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 89 (90), 3-4.12-13.14 e 17  (R/.14)

Saciai-nos de manhã com vosso amor!

 

Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: "Voltai ao pó, filhos de Adão!" Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou.

 

Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos!

 

Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tomai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho, fazei dar frutos o labor de nossas mãos!

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 24, 42-51)
Exortação à vigilância

 

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 42"Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor. 43Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do homem virá.

 

45Qual é o empregado fiel e prudente, que o senhor colocou como responsável pelos demais empregados, para lhes dar alimento na hora certa? 46Feliz o empregado, cujo senhor o encontrar agindo assim, quando voltar. 47Em verdade vos digo, ele lhe confiará a administração de todos os seus bens. 48Mas, se o empregado mau pensar: 'Meu senhor está demorando', 49e começar a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados; 50então o senhor desse empregado virá no dia em que ele não espera, e na hora que ele não sabe. 51Ele o partirá ao meio e lhe imporá a sorte dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes". Palavra da Salvação!

 

 

Leituras Paralelas: Lc 12, 39-40; 1Ts 5, 2-6; Lc 12, 42-46.

 

 

 

Comentando o Evangelho

Estejam preparados!

 

Os discípulos foram alertados a estarem preparados para a vinda definitiva do Filho do Homem, na sua glória, a fim de julgar toda a humanidade.


Mas Jesus se recusava a determinar o dia em que isto se daria. Simplesmente insistia com os discípulos para se manterem vigilantes. Deste modo, qualquer que fosse o dia ou a hora, mereceriam ser acolhidos na glória do Filho do Homem, ou seja, o próprio Jesus, na sua condição de Ressuscitado. Sendo que a segunda vinda do Messias demoraria a se concretizar, as comunidades cristãs podiam ser contaminadas pelo efeito negativo desta demora, correndo o risco de se deixar abater pela tibieza e pelo torpor espiritual. Assim, poderiam pôr sob suspeita sua opção pelo Reino e o projeto de vida que tinham abraçado.


O alerta para estarem continuamente preparadas para acolher o Senhor tinha o escopo de manter as comunidades cristãs engajadas no testemunho fiel de sua fé, expressa na vivência do amor e da justiça. Se, por acaso, os discípulos passassem a desacreditar no amor e a trilhar os caminhos da injustiça, seriam dignos de condenação. Pelo contrário, mantendo-se fiéis às exigências do Reino, qualquer que fosse a hora, a vinda do Filho do Homem seria para eles tempo de salvação. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B, ©Paulinas, 1996]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Iluminai, Senhor, vossa Igreja, para que seja fiel à missão: Ouvi-vos, Senhor.

Tomai os patrões generosos e justos com seus empregados:

Protegei os trabalhadores contra a injustiça e a exploração:

Favorecei os agricultores com boas e fartas colheitas:

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que, pelo sacrifício da cruz, oferecido uma só vez, conquistastes para vós um povo, concedei à vossa Igreja a paz e a unidade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Com vossos frutos saciais a terra inteira: fazeis a terra produzir o nosso pão e o vinho que alegra o coração. (Sl 103,13ss)

 

Oração Depois da Comunhão:

Unidos a Cristo por este sacramento, nós vos imploramos, ó Deus, que, assemelhando-nos a ele aqui na terra, participemos no céu da sua glória. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

São José de Calazans

 

 

Ordenou-se sacerdote aos 28 anos, em sua terra natal, e depois foi para onde começou sua grande dedicação à educação de crianças pobres. Fundou a primeira escola em 1597, a qual, em 1621, deu origem à congregação dos Clérigos Pobres da Mãe de Deus. Tal fundação logo se difundiu por todo o mundo, chegando a Itália, a Alemanha, a Boêmia e a Polônia.

 

A grande provação de sua vida foi quando, por inveja, seus próprios coirmãos o acusaram de incapacidade de governar a sua congregação. Foi obrigado a ver sua obra esfacelar-se, e seu lugar foi substituído por um visitador, uma espécie de interventor da Santa Sé. Mesmo assim, manteve-se confiante em Deus, conseguindo fazer com que sua obra ressurgisse das cinzas.

 

São José Calasanz morreu aos 90 anos, em 1648, e somente oito anos depois seu Instituto foi aprovado pelo papa Alexandre VI. Ele é o padroeiro dos cabeleireiros.

 

 

Os amigos de Jó

Dom Murilo S.R. Krieger, scj, Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil - BA

 

Seu melhor amigo perdeu um filho tragicamente: o que dizer a ele? O vizinho do prédio está numa depressão terrível: como animá-lo? A colega de trabalho está sofrendo com a prolongada doença do pai: com que palavras consolá-la?

 

A vida coloca você diante de situações para as quais escola alguma o preparou. E o grave é que uma palavra precisa ser dita, um gesto deve ser feito e uma decisão, tomada. Mas quais? Você sabe muito bem que, em horas assim, a boa vontade não é suficiente. Não lhe faltam recordações de palavras que, longe de terem se revelado rico consolo para o outro, deixaram você em situação constrangedora.

 

Nesse campo, temos muito que aprender de Jó, cuja vida e agruras foram retratadas no livro bíblico que leva o seu nome. Sua figura comove: “Homem íntegro e reto, temia a Deus e se afastava do mal” (Jó 1,1); rico e famoso, despertou suspeitas em alguns contemporâneos e, também, em Satanás: para eles, não havia mistério algum em suas virtudes. Afinal, como tudo corria bem na vida de Jó, era fácil compreender que fosse correto. Mas, e se sua situação mudasse? E se os bens que tinha fossem atingidos? Será que, mesmo assim, ele ainda permaneceria fiel a Deus?

 

Deus permitiu, então, que Jó fosse provado. Foi o suficiente para enfrentar, em pouco tempo, as mais diversas provações. Empobrecido, ferido e humilhado, Jó chegou a ser ridicularizado até pela própria esposa. Foi então que três amigos seus, de lugares diferentes, ouvindo falar de suas doenças, vieram visitá-lo, a fim de “compartilhar de sua dor e consolá-lo” (2,11). Encontraram-no, contudo, tão desfigurado que, a princípio, nem o reconheceram. Aproximando-se dele, sentaram-se ao seu lado durante sete dias e sete noites, sem lhes dizer uma palavra sequer, “vendo como era atroz seu sofrimento” (2,13).

 

O drama de Jó é digno de ser meditado por nós. Fixo-me, contudo, no sábio gesto de seus amigos, que anteciparam o que o apóstolo Paulo escreveria cinco séculos mais tarde, como expressão máxima de comunhão: “Alegrai-vos com os que se alegram. Chorai com os que choram” (Rm 12,15). Recordando a atitude dos amigos de Jó, poderíamos completar: sofrei em silêncio com os que sofrem.

 

Em determinadas situações, mais do que consolar com palavras o irmão que sofre, importa ser uma presença amiga a seu lado, mesmo que tal irmão pareça fechado em sua dor. Quando alguém está envolvido por um grande sofrimento, temos a impressão de que não conseguimos atingi-lo. Engano nosso. Uma presença discreta e silenciosa, marcada pelo desejo de comunhão, é, ao mesmo tempo, consolo e força, bálsamo e luz. Pode ser que num primeiro momento nossa presença nem seja percebida; aos poucos, contudo, faz nascer na pessoa que sofre a certeza de que não está só. É possível que, mesmo assim, ela não entenda o sofrimento que está enfrentando, mas certamente conseguirá superá-lo com mais rapidez e aproveitará melhor as lições daqueles momentos.

 

Portanto, quando você perceber que não tem palavras para consolar o amigo que sofre; quando a vida reservar provas duríssimas para aqueles que lhe são caros; quando se encontrar diante de alguém que parece perdido em meio à densa escuridão, não se preocupe em lhe falar. Evite, mesmo, repetir aquelas frases que estão tão marcadas pela formalidade que podem até ser um insulto à dor do irmão. Em momentos assim, a grande mensagem será a sua presença.

 

Se seu amigo não tiver fé, esse gesto de comunhão será para ele uma rica experiência de solidariedade e amor. Se tiver fé, mais facilmente poderá se lembrar daquele que, um dia, tendo assumido sobre si o pecado do mundo, bebeu o cálice da dor até o fim: abandonado pelos amigos, sentiu-se abandonado até pelo próprio Pai. Não percebeu sua presença, mas nela acreditou, a ponto de, confiante, ter-se jogado em seus braços: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46). Sua ressurreição, três dias após sua morte, foi a prova concreta de que o Pai não o havia abandonado, como não abandona aqueles que, hoje, continuam acreditando em sua presença e confiando em seu amor. [Fonte: CNBB]

 

É importante que você assuma a sua verdade para crescer como pessoa. (Fernando Iório)