Quinta-feira, 25 de março de 2010

Anunciação do Senhor - 1ª Semana do Saltério (Livro III) - cor Litúrgica Branca

 

 

Santos: São Dimas (o Bom Ladrão, Gólgota, Jerusalém, pregado na cruz ao lado de Cristo), Cirino (mártir), Irineu (bispo, mártir), Pelágio (bispo, Síria), Humberto (monge e abade), Hermelando (monge), Barôncio, Alvoldo (bispo), Tomás (beato), Margarete Clitherow (mártir), Jaime Bird (mártir, beato), Lúcia Fillippini (virgem), Jane Maria da Cruz (venerável franciscana, virgem, 2ª ordem), Desidério e Quirino.

 

Antífona: Ao entrar no mundo, Cristo disse: eis-me aqui, ó Pai, ara fazer a tua vontade. (Hb 10, 5.7)

 

Oração do Dia: Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Isaías (Is 7, 10-14; 8,10)

O próprio Senhor vos dará um sinal

 

Naqueles dias, 10o Senhor falou com Acaz, dizendo: 11"Pede ao Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha da profundeza da terra, quer venha das alturas do céu".

 

12Mas Acaz respondeu: "Não pedirei nem tentarei o Senhor". 13Disse o profeta: "Ouvi então, vós, casa de Davi; será que achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? 14Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel, 8,10porque Deus está conosco.” Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Eis que eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade

 

"A vontade do Pai jamais foi a morte do seu Filho. Tal atitude seria própria de um Deus sanguinário, que só se aplacaria com o sangue de um ente querido. Nem se trata da obediência à lei, porque esta já caducou (versículos de 1-4). Na realidade, o desígnio de Deus foi tornar seu próprio Filho participante da condição humana, com todo aquele amor necessário para que tal condição fosse transfigurada. Ora, a existência humana supõe a morte, e o Pai não a excluiu da sorte de seu Filho, a fim de que sua fidelidade à condição de homem só tivesse como limite sua fidelidade ao amor do Pai. Com algumas variantes introduzidas no salmo ("um corpo me preparastes' - diz Jesus - "ao entrar no mundo" com a encarnação), o autor insere nas relações trinitárias e preexistentes à encarnação a intenção sacrifical de Cristo... que a cruz fez apenas selar" (Maertens). Em Jesus não há dissociação entre rito e vida; sua morte é sacrifício espiritual, porque dom total de si na liberdade e no amor. [Extraído do MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 39 (40), 7-8a. 8b-9.10.11 (R/.8a e 9a)

Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!

 

Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados, e então eu vos disse: "Eis que venho!"

 

Sobre mim está escrito no livro: "Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!"

 

Boas-novas de vossa justiça anunciei numa grande assembleia; vós sabeis: não fechei os meus lábios!

 

Proclamei toda a vossa justiça, sem retê-la' no meu coração; vosso auxílio e lealdade narrei. Não calei vossa graça e verdade na presença da grande assembleia.

 

II Leitura: Hebreus (Hb 10, 4-10)

Somos santificados pela oferenda do corpo do Senhor

 

Irmãos, 4é impossível eliminar os pecados com o sangue de touros e bodes. 5Por isso, ao entrar no mundo, Cristo afirma: "Tu não quiseste vitima nem oferenda, mas formaste-me um corpo. 6Não foram do teu agrado holocaustos nem sacrifícios pelo pecado. 7Por isso eu disse: Eis que eu venho. No livro está escrito a meu respeito: Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade".

 

8Depois de dizer: Tu não quiseste nem te agradaram vítimas, oferendas, holocaustos, sacrifícios pelo pecado" - coisas oferecidas segundo a Lei - 9ele acrescenta: "Eu vim para fazer a tua vontade". Com isso, suprime o primeiro sacrifício, para estabelecer o segundo.

 

10E graças a esta vontade que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 1, 26-38)

Anuncia-se o nascimento de Jesus

 

Naquele tempo, 26o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. 28O anjo entrou onde ela estava e disse: "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!".

 

29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30o anjo, então, disse-lhe: "Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim".

 

34Maria perguntou ao anjo: "Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?" 35O anjo respondeu: "O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível".

 

38Maria, então, disse: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!" E o anjo retirou-se. Palavra da Salvação!

 

Comentando o Evangelho

Alegra-te, cheia de graça

 

A saudação do anjo Gabriel surpreendeu Maria. Quem era ela senão uma humilde habitante de Nazaré, cidade sem importância das montanhas da Galiléia? Mulher sem maiores pretensões do que a de ser fiel a Deus; uma virgem já prometida em casamento a José, mas sem viver conjugalmente com ele, conforme as tradições de seu povo? Afinal, que méritos tinha para ser uma “agraciada", "plena da graça" divina?

 

Maria estava longe de compreender o projeto de Deus a seu respeito. Sua humildade de mulher simples do interior não lhe permitia pensar grandes coisas a respeito de si mesma. Quiçá tenha sido este o motivo por que fora escolhida por Deus para ser mãe do Messias. Livre de toda forma de orgulho e autossuficiência, Maria podia abrir seu coração para receber a graça de Deus que haveria de torná-la templo do Espírito Santo. Ela tornou-se objeto da atenção divina, no seu anseio de salvar a humanidade. Deus queria contar com alguma pessoa disposta a se tornar "escrava do Senhor", e permitir que a vontade divina acontecesse em sua vida, sem objeções. Foi para Maria que se voltaram os olhares de Deus!

 

Tudo quanto o anjo comunicara a Maria era grande demais para o seu entendimento, e superava sua capacidade de pô-lo em prática. Abriu-se para ela uma perspectiva nova, ao lhe ser prometida a assistência do Espírito Santo. Este seria a força que lhe permitiria levar a bom termo a missão divina que lhe fora comunicada pelo anjo. [Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: A concepção será obra prodigiosa de Deus e do seu Espírito; a “grandeza” do menino será a sua condição de sucessor de Davi, rei Messias, mais que profeta (ela será mãe do rei herdeiro, com título de rainha, segundo a tradição do antigo testamento). Esse filho não só será grande perante o Senhor; será chamado “Filho do Altíssimo”. O nascimento de João foi possível por meios naturais com a cura da esterilidade; Jesus nascerá de uma virgem. João será repleto do Espírito Santo, ainda no seio da sua mãe; Jesus será um profeta; Jesus será o último e eterno Rei de Israel. Desde o princípio, Maria é modelo do discípulo cristão. Sua maternidade física foi uma graça única, mas sua maternidade no plano espiritual é compartilhada por todos os que dão a mesma resposta fiel que ela.

 

 

 

 

 

Anunciação do Senhor

 

Hoje a liturgia omite a comemoração dos santos para celebrar o mistério da Anunciação do anjo à Virgem Maria, pelo qual se deu o início oficial da nossa Redenção. Esta festa teve tanta aceitação na religiosidade popular que, por muitos séculos, foi dia santo de guarda.

 

A festa que à primeira vista parece Mariana, pois é Maria que recebe o anúncio, tem como tema central o Cristo: "O Verbo de Deus se fez carne no seio puríssimo da Virgem Maria".

 

O Verbo é o protagonista deste mistério, pois é Deus que escolhe a mãe do seu Filho Unigênito, na jovem israelita de Nazaré. Maria, descendente da família de Davi. Maria é o instrumento, é a serva do Senhor que aceita a proposta divina, se torna disponível, como escada pela qual Cristo desce até nós. E sempre tão suave reler a página evangélica deste episódio, insuperável em sua beleza e simplicidade.

 

"O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi; e o nome da Virgem era Maria. Entrando o anjo, disse-lhe: 'Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo'. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. O anjo disse-lhe: 'Não temas, Maria, pois encon­traste graça diante de Deus. Eis que conceberás e dará à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó; e o seu reino não terá fim'. Maria perguntou ao anjo: 'Como se fará isso, pois não conheço homem?' Respondeu­-lhe o anjo: 'O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com sua sombra. Por isso o Ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Eis também Isabel tua parenta concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril: pois a Deus nenhuma coisa é impossível'. Então, disse Maria: 'Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim conforme a tua Palavra'" (Lc 1,26-38).

 

O apóstolo e evangelista São João acrescenta: "E o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós". O fiat de Maria, isto é, o seu "Seja feito conforme a sua Palavra", marcou o momento em que a história da humanidade se dividiu em duas partes, antes e depois; a eternidade entrou no tempo e Deus se fez história.

 

A Anunciação é a festa que celebra este fulgurante enxerto de Deus no homem, dando seu fruto no Natal com o nascimento de Cristo Jesus. Tinha razão o antigo povo de Florença em dar início ao ano civil não no dia 1º de janeiro, mas no dia 25 de março, festa da Anunciação, isto é, da Encarnação do Verbo, data com a qual se dá início à história não de um povo ou duma civilização, mas de toda a humanidade remida em Cristo.

 

Maria em sua atitude de Virgem prudente, aberta, dispo­nível à palavra de Deus, "se sublima como a mais humilde e excelsa de todas as criaturas. Como a Virgem Mãe, filha do próprio Filho", assim a canta o poeta Dante. O mundo com todas as gerações passadas e futuras ficou suspenso de seus lábios, aguardando o fiat. Hoje lhe agradece, adorando o mistério do Verbo presente em seu seio puríssimo. [www.asj.com.br]

 

 

Colocando-nos ao serviço dos outros, vencemos na vida e

 conhecemos a alegria de Deus. (Michel Quoist)

 

 

 

“Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Maria de Nazaré)