Quinta-feira, 24 de junho de 2010

Natividade de São João Batista, 4ª do Saltério (Livro III), cor Branca, Vigília

 

 

Hoje: Dia do Mel e Dia Internacional da Ufologia

 

Santos: Alena de Bruxelas (virgem, mártir), Anfíbalo de Verulam (mártir), Bartolomeu de Farne (eremita), Henrique de Auxérre (monge), Ivan da Boêmia (eremita), João de Tuy (eremita), Simplício de Autun (bispo), Teodulfo de Lobbes (monge, bispo)

 

VIGILIA (Dia 23)

 

Antífona: Ele será grande diante do Senhor; estará cheio do Espírito Sato desde o seio materno e muitos se alegrarão com seu nascimento (Lc 1, 15.14)

 

 

Oração: Concedei, Deus todo-poderoso, que a vossa família siga pelo caminho da salvação e, atenta às exortações de São João Batista, chegue ao redentor que ele anunciou. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Jeremias (Jr 1, 4-10)

A vocação de Jeremias

 

Nos dias de Josias 4foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: 5"Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações".

 

6Disse eu: "Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo". 7Disse-me o Senhor: "Não digas que és muito novo; a todos a quem eu te enviar, irás, e tudo que eu te mandar dizer, dirás. 8Não tenhas medo deles, pois estou contigo para defender-te", diz o Senhor.

 

9O Senhor estendeu a mão, tocou-me a boca e disse-me: "Eis que ponho minhas palavras em tua boca. 10Eu te constitui hoje sobre povos e remos com poder para extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Eu te fiz profeta das nações

 

A fraqueza humana não é obstáculo para Deus. To instrumento frágil torna-se eficaz na sua mão. O Senhor pede a Jeremias obediência, disponibilidade e plena confiança, mas promete assistência contra as adversidades e violências de seu ministério. O profeta, segundo Moisés, não se apresenta ao povo com suas palavras, mas com as de Deus. Jeremias é o arauto da mensagem de Deus, mas quem anuncia tem o dever de percorrer o caminho antes dos outros, ainda que seja perigoso.

 

A vocação de Jeremias propõe o problema de “nossa” vocação. A todos Deus oferece a possibilidade de ser, de diversas maneiras, “suas testemunhas”, porque ele diz a cada um de nós: “Antes de te formar no ventre materno, eu te conhecia” (v. 5).

 

 

Salmo: 70(71), 1-2.3-4a.5-6ab.15ab e 17  (R/.cf.15)
Minha boca anunciará vossa justiça

 

Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: que eu não seja envergonhado para sempre! Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! Escutai a minha voz, vinde salvar-me!

 

Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Porque sois a minha força e meu amparo, o meu refúgio, proteção e segurança! Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.

 

Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude! Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, desde o seio maternal, o meu amparo.

Minha boca anunciará todos os dias vossa justiça e vossas graças incontáveis. Vós me ensinastes desde a minha juventude, e até hoje canto as vossas maravilhas.

 

 

II Leitura: I Pedro (1Pd 1, 8-12)

Obtereis aquilo em que acreditais

 

Caríssimos, 8sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, 9pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação. 10Esta salvação tem sido objeto das investigações e meditações dos profetas. Eles profetizaram a respeito da graça que vos estava destinada. 11Procuraram saber a que época e que circunstâncias se referia o Espírito de Cristo, que estava neles, ao anunciar com antecedência os sofrimentos de Cristo e a glória consequente. 12Foi-lhes revelado que, não para si mesmos, mas para vós, esteavam ministrado essas coisas, que agora são anunciadas a vós por aqueles que vos pregam o evangelho em virtude do Espírito Santo, enviado do céu; revelações essas que até os anjos desejam contemplar! Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a II Leitura

Esta salvação tem sido objeto de meditações


A João, o Batista, cabe bem a página de Pedro. De fato ele é o profeta que de perto profetizou sobre a graça que nos foi destinada. O trecho bíblico, porém, ultrapassa esses limites e nos oferece uma panorâmica da história da salvação. O Cristo foi anunciado pelos profetas no seu mistério de sofrimento e de glória, e os apóstolos, testemunhas oculares do mistério pascal, o anunciaram a nós. Isto realizou-se sob a ação do próprio Espírito de Cristo que também age em nós e nos leva a amar Jesus sem tê-lo visto e a crer nele sem vê-lo. [Missa Cotidiano, Paulus1997]

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 1, 5-17)

Tua esposa vai tem um filho e se chamará de João

 

5Nos dias de Herodes, rei da Judeia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, do grupo de Abia. Sua esposa era descendente de Aarão e chamava-se Isabel. 6Ambos eram justos diante de Deus e obedeciam fielmente a todos os mandamentos e ordens do Senhor. 7Não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e os dois já eram de idade avançada. 8Em certa ocasião, Zacarias estava exercendo as funções sacerdotais no templo, pois era a vez do seu grupo. 9Conforme o costume dos sacerdotes, ele foi sorteado para entrar no santuário e fazer a oferta do incenso. 10Toda a assembleia do povo estava do lado de fora rezando, enquanto o incenso estava sendo oferecido. 11Então, apareceu-lhe o anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. 12Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e o temor apoderou-se dele. 13Mas o anjo disse: “Não tenhas medo, Zacarias, porque Deus ouviu tua súplica. Tua esposa, Isabel, vai ter um filho, e tu lhe darás o nome de João. 14Tu ficarás alegre e feliz, e muita gente se alegrará com o nascimento do menino, 15porque ele vai ser grande diante do Senhor. Não beberá vinho nem bebida fermentada e, desde o ventre materno, ficará repleto do Espírito Santo. 16Ele reconduzirá muitos do povo de Israel ao Senhor seu Deus. 17E há de caminhar à frente deles, com o espírito e o poder de Elias, a fim de converter os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, preparando para o Senhor um povo bem-disposto”. Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentando o Evangelho

Anúncio do nascimento de João Batista


É necessário levar em consideração certos detalhes deste relato que nos ajudarão a entender melhor o sentido que Lucas lhes quis dar. As pessoas: Zacarias e Isabel são descrito como pessoas piedosas, apegadas em tudo à lei do Senhor e, portanto, a juízo de Deus, “justos”. Não tinham filhos por causa da esterilidade de Isabel. Com isso Lucas quer por em destaque a origem extraordinária de João à maneira do que aconteceu a outros personagens, também eles chaves na história da salvação na antiguidade; Isaac, Samuel, e além disso quer ressaltar que Deus sempre se manifesta onde menos se pensa, nas pessoas que não representam nenhuma importância para nada nem para ninguém; Isabel é uma mulher humilhada por sua não fecundidade e Zacarias não o era menos; já avançado em idade, não tinha em quem prolongar seu nome. As pessoas e a instituição, templo e culto, desempenham um papel muito importante. Talvez Isabel e Zacarias simbolizem essa antiga ordem que é o templo e o culto de onde não brotaram os benefícios salvíficos para o povo. Daí, não obstante, sairá um último chamado, um novo aviso vindo de Deus para que Israel se disponha a recebe seu próximo enviado. Se existe fé e simplicidade de coração, as ações de Deus podem ser compreendidas. [Novo Testamento, Bíblia Ave-Maria]

 


Quinta-feira, 24 de junho de 2010

Natividade de São João Batista, 4ª do Saltério (Livro III), cor Branca, Missa do Dia

 

 

Hoje: Dia do Mel e Dia Internacional da Ufologia

 

Santos: Alena de Bruxelas (virgem, mártir), Anfíbalo de Verulam (mártir), Bartolomeu de Farne (eremita), Henrique de Auxérre (monge), Ivan da Boêmia (eremita), João de Tuy (eremita), Simplício de Autun (bispo), Teodulfo de Lobbes (monge, bispo)

 

MISSA DO DIA

 

Antífona: Houve um homem enviado por Deus: o seu nome era João. Veio dar testemunho da luz e preparar para o Senhor um povo bem disposto a recebê-lo.

 

 

Oração: Ó Deus, que suscitastes são João Batista a fim de preparar para o Senhor um povo perfeito, concedei á vossa Igreja as alegrias espirituais e dirigi nossos passos no caminho da salvação e da paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Isaías (Is 49, 1-6)

Eu te farei luz das Nações

 

1Nações marinhas, ouvi-me, povos distantes, prestai atenção: o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; 2fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava, 3e disse-me: 'Tu és o meu servo, Israel, em quem serei glorificado". 4E eu disse: 'Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa". 5E agora diz-me o Senhor - ele que me preparou desde o nascimento para ser seu servo - que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. 6Disse ele: "Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

A missão dos pobres


Estamos diante do segundo canto do servo de Javé, poema que fala de uma personagem dificilmente identificável à primeira vista. O trecho, sobretudo nos vv. 1-2, tem muitas semelhanças com a vocação de Jeremias (Jr 1,4-10).


É um texto de missão. Inicia com um apelo às ilhas e aos povos distantes para que prestem atenção ao que vai ser dito (v. 1a). Com essa indicação Isaías mostra o horizonte da missão do servo: seu anúncio abrange o mundo inteiro.


Em seguida, adotando o esquema da vocação profética, o servo dá a conhecer o plano que Deus tem para ele: “O Senhor me chamou desde o ventre materno, desde as entranhas de minha mãe pronunciou meu nome” (v. 1b). A ligação desse versículo com a vocação de Jeremias é evidente. Em ambos os casos, salienta-se a idéia de que o carinho de Deus precede a capacidade de amar das pessoas. Deus nos ama antes mesmo que tenhamos consciência disso. Salienta-se também que o projeto de Deus é anterior à capacidade de nos comprometermos com resposta madura.


Deus preparou seu servo como o guerreiro põe em ordem suas armas de ataque, reservando sua flecha pontiaguda para os momentos difíceis (v. 2). Este versículo mostra. por um lado, em que consiste a missão do servo: sua boca é como espada afiada. Trata-se, portanto, de mensagem cortante. O texto não especifica, mas podemos supor que o anúncio irá pôr fim a uma situação de injustiça. O servo é uma flecha de ponta fina e afiada, reservada para os momentos decisivos da luta. Por outro lado, o v. 2 continua mostrando o carinho que Deus tem para com o servo, escondendo-o na sombra de sua mão e guardando-o no estojo das flechas. O servo, portanto, é alguém que Deus ama desde sempre, escolhido como defensor da justiça para tempos difíceis.


O v. 3 confere cores mais vivas à missão do servo: “Em ti manifestarei minha glória”. O servo é chamado de “Israel”. Trata-se, provavelmente, da comunidade que voltou do exílio encarregada de reconstruir o país. Eram, em sua maioria, pessoas pobres e despreparadas. Mediante essas pessoas Deus irá manifestar sua glória. Fraqueza, dúvidas e dificuldades sem conta ameaçam o servo-comunidade dos pobres: “Foi em vão que trabalhei, de nada valeu ter consumido minhas forças” (v. 4a). Mesmo assim, encontra forças para lutar: “Meu direito, porém, está nas mãos do Senhor e no meu Deus a minha recompensa” (v. 4b).


O v. 6 amplia em dimensões universais a missão do servo-comunidade dos pobres: “Não basta que sejas meu servo… Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação possa chegar até os confins da terra”. Reconstruindo o país sobre os alicerces da justiça os pobres se tornam luz para o mundo inteiro.


O servo de Javé é personagem misteriosa. O fato de não ser facilmente identificável mostra que sua missão é proposta aberta. Os que são sensíveis à causa dos empobrecidos dos nossos tempos saberão identificar-se com ele e sua missão, pois o Deus no qual acreditamos escolheu desde sempre os pobres e para sempre os protegerá, fazendo deles a base para uma sociedade justa e fraterna. [Vida Pastoral, Paulus]

 

 

Salmo: 138 (139), 1-3.13-14ab.14c-15 [R/.14a]
Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor,

porque de modo admirável me formastes!

 

Senhor, vós me sondais e conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos; percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são conhecidos.

 

Fostes vós que me formastes as entranhas, e no seio de minha mãe vós me tecestes. Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes!

 

Até o mais íntimo, Senhor, me conheceis; nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis, quando eu era modelado ocultamente, era formado nas entranhas subterrâneas.

 

 

II Leitura: Atos (At 13, 22-26)

Antes que Jesus chegasse, João

pregou um batismo de conversão

 

Naqueles dias, Paulo disse: 22"Deus fez surgir Davi como rei e assim testemunhou a seu respeito: 'Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que vai fazer em tudo a minha vontade'. 23Conforme prometera, da descendência de Davi Deus fez surgir para Israel um salvador, que é Jesus. 24Antes que ele chegasse, 'João pregou um batismo de conversão para todo o povo de Israel. 25Estando para terminar sua missão, João declarou: 'Eu não sou aquele que pensais que eu seja! Mas vede: depois de mim vem aquele, do qual nem mereço desamarrar as sandálias'. 26Irmãos, descendentes de Abraão, e todos vós que temeis a Deus, a nós foi enviada esta mensagem de salvação". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a II Leitura

Jesus é a expressão final da fidelidade de Deus


Os versículos da segunda leitura de hoje pertencem ao discurso de Paulo na sinagoga de Antioquia da Pisídia, durante a primeira viagem missionária. Lucas, autor de Atos dos Apóstolos, condensou nesse discurso a catequese básica de Paulo, centrada em Jesus morto, ressuscitado e glorificado.


Paulo está falando a judeus reunidos na sinagoga. E o modo mais adequado para o momento é recordar os fatos passados e as promessas do Deus fiel. O fio condutor da homilia de Paulo é a fidelidade de Deus às suas promessas, culminando na pessoa de Jesus. Paulo abrevia a história do povo, saltando de Davi para seu descendente mais importante, que é Jesus: “Da descendência dele, conforme prometera, Deus fez surgir um Salvador a Israel, Jesus” (v. 23).


Os judeus daquele tempo gostavam de examinar as Escrituras para ver se descobriam nelas alguns sinais de esperança para seus dias.


Paulo tem grande apreço por essas expectativas e arremata sua catequese mostrando que as promessas se realizaram na pessoa de Jesus: “Irmãos, filhos da mesma raça de Abraão! E vós aqui presentes que temeis a Deus! É a vós que se dirige esta mensagem de salvação” (v. 26). O próprio precursor – que se situa no final das promessas – preparou a chegada daquele que é a resposta definitiva de Deus às expectativas humanas: “Estando para terminar sua carreira, João declarou: ‘Eu sou aquele por quem me tomais; mas eis que depois de mim vem aquele de quem não sou digno de desatar as sandálias’” (v. 25).
[Vida Pastoral, Paulus]

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 1, 57-66.80)

João é o seu nome

 

57Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. 58Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela. 59No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. 60A mãe, porém, disse: “Não! Ele vai chamar-se João". 61Os outros disseram: "Não existe nenhum parente teu com esse nome!" 62Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. 63Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: "João é o seu nome". E todos ficaram admirados. 64No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. 65Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judéia. 66E todos os que ouviam a notícia, ficavam pensando: "O que virá a ser este menino?" De fato, a mão do Senhor estava com ele. 80E o menino crescia e se fortalecia em espírito. Ele vivia nos lugares desertos, até o dia em que se apresentou publicamente a Israel. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

Deus é misericórdia para os pobres


O relato do nascimento do precursor tem muitos traços em comum com o do nascimento do Messias. Com isso Lucas quer destacar a importância do último profeta do Antigo Testamento, aquele que preparou os caminhos para a inauguração da nova história, o nascimento do Salvador.


a. Deus é misericórdia para os pobres (vv. 57-64)


Há muita alegria na serra de Judá. Isabel, incapaz de gerar filhos, porque estéril, não consegue esconder sua gravidez, completando-se para ela o tempo de dar à luz. Ela e Zacarias, seu marido, eram pessoas de idade e sem esperanças de ver sua vida prolongada na descendência. A situação desse casal recorda a de outros no passado do povo de Deus, particularmente Abraão e Sara.


A pobreza de Isabel e Zacarias transparece também de outros ângulos: ela não tem quem lhe esteja próximo no período da gravidez a não ser Maria; ele tem emprego garantido no templo de Jerusalém somente uma semana por ano. Assim, esse casal é símbolo dos empobrecidos de todos os tempos esperando a história tomar novo rumo.


A história vai tomar rumo novo porque Deus é misericórdia para os pobres. O nascimento de João Batista, filho de uma estéril e de anciãos, não é pura casualidade biológica. É, isso sim, dom de Deus que favorece os empobrecidos. A alegria dos vizinhos e parentes do casal se fundamenta no fato de Deus cumular Isabel com sua misericórdia (v. 58).


Zacarias ficou mudo (e surdo) a partir do momento que realizava as cerimônias no templo. Com isso Lucas quer sublinhar a novidade contida no nome do filho. Os parentes sugeriam que o menino se chamasse Zacarias, como o pai (v. 59). Mas a mãe insiste em caracterizar o fato como uma intervenção extraordinária do Deus que é misericórdia para os pobres. De fato, o nome João – ausente em toda a parentela do casal – significa “Deus é misericórdia”. E com isso concorda o pai que, sem poder ouvir nem falar, escreve numa tabuinha: “Seu nome é João” (v. 63). Lendo os fatos com os olhos da fé, podemos garantir que Deus constrói com os pobres nova história. A geração dos pobres não carrega mais os estigmas do passado (discriminação das pessoas e suspeitas de serem castigados por Deus). São portadores do amor misericordioso do Deus fiel. E as primeiras palavras de Zacarias são louvores a esse Deus (v. 64).

 

b. Os pobres preparam a vinda do Reino (vv. 65-66.80)


Há muita expectativa na serra de Judá. Os pobres comentam os fatos. Vão reconstruindo o tecido da história sob a ótica dos despossuídos e percebendo, através do nome dado ao menino, que o Deus no qual acreditam é o mesmo parceiro aliado do Abraão, dos empobrecidos e marginalizados de todos os tempos: “O temor apoderou-se então de todos os seus vizinhos, e por toda a região montanhosa da Judéia comentavam-se esses fatos. E todos os que os ouviam gravavam-nos no coração” (vv. 65-66a). Aí, longe dos centros de poder político e religioso (nos morros de nossas favelas) nasce e cresce a história da fidelidade de Deus aos seus pobres.

 

O pessoal da serra se anima: “Que virá a ser deste menino?” (v. 66b). Para os semitas, o nome sela o programa de vida das pessoas. João será o anunciador da misericórdia de Deus. De fato, em seu programa Jesus vai dizer: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres” (v. 4,18a). Os pobres preparam a vinda do Reino.

 

João Batista crescia e se fortalecia em espírito. E habitava nos desertos, até o dia em que se manifestou a Israel (v. 80; cf. 3,2). A história dos pobres recomeça no deserto, como no passado, longe dos centros de decisão. É para lá que mais tarde se dirige o povo ansioso por mudanças radicais na sociedade (cf. 3,3-17). [Vida Pastoral, Paulus]

 

 

São João Batista

 

 

"Poucos santos foram e são tão populares em todo o mundo cristão como o santo que hoje festejamos. Cantos, danças folclóricas, fogueiras e quadrilhas, foguetes além das procissões e mastros, são os aspectos típicos da festa de João Batista".

 

Ele é o único santo, além de Nossa Senhora, em que se festeja o nascimento, porque a Igreja vê nele a preanunciação do Natal de Cristo.

 

Os evangelistas apresentam com todo rigor a figura de João como precursor do Messias. Seu nascimento e missão foram anunciados pelo Anjo Gabriel ao pai Zacarias (Lc 1,5-25). Na circuncisão ele recebeu, por inspiração divina, o nome de João. Ele era seis meses mais velho do que Jesus, mas iniciou sua pregação pública à beira do rio Jordão, alguns anos antes de Cristo dar início à própria missão.

 

O evangelista São Lucas assim resume a infância de João: "O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel" (Lc 1,80).

 

Há autores que dizem que João se teria unido à seita dos essênios, tipo de monges rigoristas que viviam no deserto à beira do Jordão ou do Mar Morto, em forma comunitária, entregues à oração e à penitência

 

O Evangelho apresenta João Batista por ocasião do batismo de Jesus. Com palavras incisivas e vibrantes, pregava a necessidade da conversão e do batismo de penitência. Suas palavras eram duras e veementes. Insistia com rigor na necessidade do fiel cumprimento dos deveres de estado. Argumentava com a proximidade da vinda do Messias prometido e tão esperado.

 

A originalidade deste profeta era o convite a receber a ablução com água no rio Jordão, prática chamada batismo, e daí o apelido de Batista.

 

Sua pregação atraía muitas pessoas impressionadas pelas suas palavras e pelo seu exemplo de vida austera. O próprio Evangelho diz que ele vestia rude pele de camelo e alimentava-se com gafanhotos e mel silvestre.

 

João, em sua pregação, descreve, com figuras apocalípticas, o juízo iminente de Deus e exorta a todos à penitência dos pecados como única forma de escapar da ira de Deus. Ao ver muitos fariseus e saduceus, que vinham para serem batizados, disse-lhes: "Raça de víboras, quem vos ensinou a escapar da ira iminente? Fazei, portanto, frutos dignos de conversão e não julgueis que vos basta dizer: 'Temos por pai Abraão', pois eu vos asseguro que Deus tem o poder de suscitar destas pedras verdadeiros filhos de Abraão. O machado está posto à raiz das árvores e toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo" (Mt 3,7).

 

João Batista teve a sorte de batizar o próprio Cristo, embora protestasse ser indigno de desatar-lhe as sandálias. Ele apresentou oficialmente Cristo ao povo como Messias, com estas palavras: "Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo... Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo" (Mt 3,11).

 

João morreu mártir pela fidelidade à sua missão de profeta, em denunciar publicamente o adultério de Herodes, que vivia em forma escandalosa com sua cunhada Herodíades. João foi preso, encarcerado na fortaleza de Maqueronte e, mais tarde, degolado a pedido da esposa adulterina de Herodes. Seus discípulos recolheram o corpo e lhe deram honrada sepultura.

 

O maior elogio dado a São João foi o de Jesus que o definiu: "Ele é mais do que um profeta. Jamais surgiu entre os nascidos de mulher alguém maior que João Batista. Contudo, o menor no Reino de Deus é maior do que ele" (Mt 11,11). João, de fato, pertence ao Antigo Testamento e nós ao Novo. Quem viver plenamente a redenção que nos vem de Cristo, já é maior, pela graça, que o profeta João!

 

Deste grande profeta posto entre o Antigo e o Novo Testamento é conhecida a festa no dia 24 de junho: aquele é o dia do nascimento, celebrado com grande solenidade, pois é a aurora da vinda de Cristo; 29 de agosto é o dia de sua morte por degolação.

 

João Batista é o protótipo do profeta, o homem possuído totalmente pela missão de pregar a Palavra, de anunciar aos homens a vontade divina. Nada pode demovê-lo desta missão, nada intimidá-lo. O próprio Cristo apresentou sua figura como o símbolo vivo da face ascética da religião.

 

Certo dia, haviam chegado mensageiros de João Batista propondo a Jesus uma dúvida sobre o Messias. Tendo eles partido, começou Jesus a falar de João: "Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Mas os que vestem roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Mas que foste ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, é mais do que um profeta... Na verdade vos digo, dentre os nascidos de mulher nenhum foi maior que João Batista" (Mt 11,7-11).

 

A missão de João Batista foi a de precursor do Messias; ele deu testemunho de Cristo pelas altas virtudes, pelas rigorosas penitências, pela palavra vigorosa em denunciar os vícios, as injustiças, animando a sociedade judaica a converter-se a Deus na sinceridade do coração.

 

À testa do governo da Galiléia estava Herodes, filho daquele Herodes, chamado o Grande, criminoso e déspota, que viveu ao tempo do nascimento de Cristo. Herodes vivia escandalosamente, tendo raptado Herodíades, esposa de seu irmão Filipe. Essa união ilícita era motivo de grave escândalo no meio judaico. Não havia quem se sentisse com coragem de censurar o monarca. João Batista não podia, como profeta, ficar omisso e declarou publicamente e com toda franqueza: "Não te é lícito viver com a mulher de teu irmão". Herodíades, a mulher escandalosa, não aturou esta censura e prometeu vingança. Conseguiu que Herodes mandasse encarcerar João Batista, apesar de o monarca dedicar, talvez por superstição, grande veneração ao profeta João Batista.

 

A morte de João esteve à altura de sua alta missão. O evangelista São Marcos nos descreve este martírio: "Chegou o dia propicio. Herodes, por ocasião de seu aniversário, ofereceu um banquete a seus magnatas e às grandes personalidades da Galiléia. A filha de Herodiades entrou e dançou, agradando a Herodes e aos convivas. Então, o rei disse à moça: 'Pede-me o que bem quiseres e te darei, mesmo que seja a metade do meu reino'. Ela saiu e perguntou à mãe: 'O que é que eu peço?' E ela respondeu: 'A cabeça de João Batista'. Voltando logo à presença do rei fez o pedido: 'Quero que agora mesmo me dê num prato a cabeça de João Batista'. O rei ficou profundamente triste. Mas, por causa do juramento que fizera e dos convivas, não quis deixar de atender-lhe. E, imediatamente, o rei mandou um executor, com ordens de trazer a cabeça de João. Ele foi e decapitou João na prisão e trouxe a sua cabeça num prato e deu-a a menina e esta a entregou à sua mãe. Os discípulos de João souberam disso, foram lá, pegaram o corpo e o colocaram num túmulo" (Mc 6,21-26).

 

Jesus chamou João Batista lâmpada ardente e luminosa: assim foi ele na vida e muito mais no testemunho glorioso de seu sangue. [O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, ©Vozes, 1997]