Quinta-feira, 24 de março de 2011

Segunda Semana da Quaresma - 2ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Hoje: Dia Mundial de Combate à Tuberculose

Santos: Bento (abade), Serapião de Têmuis (bispo, Bem-aventurado), Endeu (abade), Fanquéia (virgem), Santúcia (matrona, beata), Vários Cristãos Egípcios (massacrados pelos arianos e pelos pagãos no dia da comemoração da Páscoa do Senhor), Marcos de Montegallo (Bem-aventurado franciscano, confessor, 1ª ordem), Lupicínio e Berilo.

 

Antífona: Provai-me, ó Deus, e conhecei meus pensamentos: vede se ando pela vereda do mal e conduzi-me nos caminho da eternidade. (Sl 138, 23-24)

 

Oração do Dia: Ó Deus, que amais e restaurais a inocência, orientai para vós os corações dos vossos filhos e filhas, para que, renovados pelo vosso Espírito, sejamos firmes na fé e eficientes nas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Jeremias (Jr 17, 5-10)

Maldito o homem que confia no homem

 

5Isto diz o Senhor: "Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor”; 6como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar-se na secura do ermo, em região salobra e desabitada.

 

7Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; 8é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca da umidade, e por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos. 9Em tudo é enganador o coração, e isto é incurável; quem poderá conhecê-lo?

 

10Eu sou o Senhor, que perscruto o coração e provo os sentimentos, que dou a cada qual conforme o seu proceder e conforme o fruto de suas obras". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Bendito o homem que põe sua confiança no Senhor

 

Em quem se deve esperar? No homem, afirmam muitos de nossos contemporâneos, que sonham libertar o mundo das tutelas religiosas para confiá-lo totalmente às mãos do homem. Sua confiança no homem é comovedora, mas segundo a linguagem do profeta eles seriam malditos, iludidos. Acabam por ser homens sem esperança porque lhes falta a confiança na ressurreição. Além disso, constatando a maldade humana, concluem amargamente que o homem não merece confiança.

 

Só existe uma possibilidade de esperar no homem: esperar no homem Jesus Cristo. Nele Deus nos dá a possibilidade de tornar tudo novo e de crer no futuro. Nele a vida humana torna-se possível e vale a pena ser vivida. É possível, então, esperar também nos outros homens, porque sua graça pode transformá-los e torná-los corresponsáveis, mediante um engajamento fiel no mundo, pela construção de um futuro melhor. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 1, 1-2.3.4 e 6 (R/.Sl 39 [40], 5a)
É feliz quem a Deus se confia!

 

1Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; 2mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.

 

3Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

 

4Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersa pelo vento. 5Pois, Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 16, 19-31)

O homem rico e o pobre Lázaro

 

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19"Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caiam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.

 

22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas'. 25Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós'.

 

27O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de, meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento'. 29Mas Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!' 30 O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter'. 31Mas Abraão lhe disse: 'Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos'". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho

O rico e Lázaro

A parábola evangélica é um alerta premente contra o perigo da riqueza e as consequências desastrosas para quem não sabe se servir dela como meio para obter a salvação eterna. A riqueza pode levar à condenação.


O rico simboliza aquela pessoa cuja vida limita-se à busca de prazeres: da comida, da bebida, do vestir-se bem, do locupletar-se com bens materiais. Por isso, não demonstra a mínima preocupação com Deus, nem muito menos com seus semelhantes, de modo especial, os pobres e marginalizados. Interessa-lhes, apenas, quem lhes pode proporcionar prazer, e seus companheiros de orgias. Nada, porém, que possa significar amor e ruptura dos esquemas egoístas.

 

A riqueza estreitava os horizontes do rico da parábola, impedindo-o de ver para além de seu pequeno mundo. O sofrimento do pobre Lázaro, à sua porta, era-lhe desconhecido. Sua fome contrastava com a opulência dos banquetes que o rico oferecia. Seu corpo coberto de feridas, dando-lhe um aspecto asqueroso, chocava-se com a bela aparência dos convivas do rico, bem vestidos e adornados.


O desfecho da parábola parece lógico: a insensibilidade do rico farreador valeu-lhe a condenação eterna de sofrimentos, pois deixara escapar a única chance de construir sua felicidade eterna, fazendo-se solidário com o sofrimento do próximo. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária):

-Pelos que depositam sua confiança no Senhor, rezemos. Socorrei, Senhor, o vosso povo.

-Pelos que procuram levar dignidade aos Lázaros de hoje, rezemos.

-Pelos ministros ordenados e leigos de nossas comunidades, rezemos.

-Pelos que motivam a vivência da Campanha da Fraternidade, rezemos.

-Pelos que lutam pela paz, a exemplo de dom Oscar Romero, rezemos.

-Intenções próprias da Comunidade!

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, por este sacrifício santificai nossa Quaresma, de modo que sua observância externa possa frutificar em nossos corações. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Felizes aqueles cuja vida é pura, os que andam na lei do Senhor! (Sl 118,1)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que esta eucaristia continue a agir em nós e prolongue seus efeitos em nossa vida. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: O rico da parábola não tem nome, o pobre chama-se Lázaro, ou seja, Eleazar, que significa Deus auxilia. Ezequiel nos lembra: “este foi o pecado de Sodoma: soberba, fartura de pão e bem estar aprazível... mas não deu uma mão ao infeliz e pobre” (Ez 16,49). A parábola nos mostra o confronto entre a riqueza injusta e a pobreza, ou seja, entre um rico pecador, pois deus é o seu dinheiro, e um pobre justo e que, depois da morte, haverá castigo e prêmio. De Lázaro se contam os sofrimentos, não as virtudes. Não consegue afugentar nem os cães que lhe lambem a umidade das chagas. Segundo Daniel, “muitos dos que dormem no pó despertarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha perpétua” (Dn 12,2). A riqueza não é uma coisa abominável, quando justa e tem a sua evolução permeada pela justiça e respeito ao próximo. Segundo Jesus, o que vale é a lei do amor ao irmão, uma prática que tem sido difícil de ser aplicada nos dias de hoje. Mas há tempo para que a justiça seja reconhecida e aplicada ao seu irmão do lado; não espere isso só dos outros, comece a mudar o mundo a partir de você! Sobre o versículo 31 encontre uma oportunidade para ler todo o Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Se desejar dar uma passada em Romanos, capítulos de 12 a 15, vai se surpreender!

 

Santa Catarina da Suécia

 

Catarina foi ao mesmo tempo filha, discípula e companheira inseparável da mãe, Santa Brígida, a maior expressão religiosa feminina da história da Suécia. Nascida num berço nobre e cristão, Catarina nasceu em 1331 e recebeu educação e cultura com sólida base religiosa. Aos sete anos de idade, foi entregue às Irmãs do convento de Risberg, que souberam desenvolver totalmente sua vocação, cristalizando os ensinamentos cristãos que já vinha recebendo desde o berço.

 

Mas, circunstâncias políticas e sociais fizeram com que a jovem tivesse que se casar com um nobre da corte, Edgar, que além de fervoroso cristão era doente. Assim, decidiu aceitar o voto de castidade que Catarina fizera e ele mesmo resolveu adota-lo, vivendo tranquilos como irmãos. Quando Edgard, ficou paralítico, Catarina passou a cuidar dele com todo carinho e generosidade.

 

Por ocasião da morte do pai de Catarina, sua mãe Brígida resolveu se voltar totalmente para a vida religiosa, iniciando-a com uma romaria aos túmulos dos apóstolos, em Roma. Pouco tempo depois Catarina conseguiu a autorização do marido para encontrar-se com a ela. Mas, quando estavam em Roma receberam a notícia da morte de Edgard. Então, ambas fizeram os votos e vestiram o hábito de religiosas e não se separaram mais. Catarina ajudou e acompanhou todo o trabalho de caridade e evangelização desenvolvido pela mãe. Fundaram juntas o duplo mosteiro de Vadstena, na Suécia, do qual Brígida foi abadessa, criando a Ordem de São Salvador, cujas religiosas são chamadas de brigidinas.

 

Catarina, como sua assistente, seguiu-a em todas as viagens perigosas, em seu país e no exterior, sendo muita vezes salvas por um cervo selvagem que sempre aparecia para socorrer Catarina. Foi após uma peregrinação à Terra Santa, que Brígida veio a falecer, em Roma. Catarina acompanhou o corpo de volta para a Suécia e foi recebida com aclamação popular, junto com os restos mortais da mãe, que já era venerada por sua santidade.

 

Os registros relatam mais fatos prodigiosos, ocorridos com a nova abadessa, pois Catarina foi eleita sucessora da mãe no convento. Eles contam que alguns pretendentes queriam que ela abandonasse os votos e o hábito depois a morte de Edgard. Um, mais audacioso, ao tentar atacá-la, teria ficado cego e só recuperado a visão depois de se ajoelhar aos seus pés e pedir perdão, quando abriu os olhos viu ao lado de Catarina um cervo selvagem. Por isso, nas suas representações sempre há um cervo junto dela.

 

Entretanto, a rainha-mãe Brígida, depois de falecida passou a operar prodígios, segundo muitos devotos e peregrinos que afirmavam ter alcançado graças por sua intercessão. Por isso, a pedido do povo e das autoridades da corte, a abadessa Catarina foi a Roma requerer do Sumo Pontífice a canonização da mãe, em nome da população do seu país. Alí viveu por cinco anos, interna de um convento onde ficaram registrados sua extrema disciplina, o senso de caridade e a humildade com que tratava os doentes e necessitados.

 

Catarina, quando voltou para a Suécia, já era portadora de grave enfermidade, talvez pelas horas de duras penitências que praticava. Tinha cinquenta anos de idade quando faleceu, no dia 24 de março de 1381.

 

O papa Inocente VIII, confirmou o culto de Santa Catarina da Suécia, em 1484. Mas o seu culto já era muito vigoroso em toda a Europa, uma vez que segundo a população romana ela teria salvado a cidade da inundação do rio Tevere cuja cheia já havia derrubado os diques que o continham.

 

Apelo para a reconstrução urbanística e humana de Petrópolis

Dom Filippo Santoro, Bispo de Petrópolis

 

Passaram-se dois meses das grandes chuvas que devastaram a Região Serrana do Rio de Janeiro e a nossa Petrópolis, chegando a causar cerca de 900 mortos sem contar os desaparecidos. Estamos diante de um dos maiores desastres naturais do Brasil. No meio de tanta dor, grande foi a solidariedade de muitas pessoas de todo o País e do exterior, que trouxe conforto e esperança.

 

Estamos na fase de reconstrução que procede lentamente enquanto muitas famílias permanecem nos abrigos e diminui a presença dos voluntários. Como era previsível, os holofotes deixaram a Região Serrana e as feridas da chuva foram encobertas sem ser curadas. O pior mal que pode acontecer à nossa Cidade é a perda da memória.

 

Acusou-se como uma das causas das mortes a ocupação irresponsável de muitas áreas de risco; mas sinceramente quem a favoreceu? E por acaso os pobres gostam de viver em zonas de risco? Era esta a única possibilidade de uma moradia acessível, mesmo que precária.

 

É necessário um grande movimento popular que tenha os pobres e desabrigados como sujeitos para impedir que o desastre aconteça de novo nestas proporções e que novas tragédias se repitam.

 

Existem estudos de qualidade, feitos depois das inundações dos anos passados, que, porém não foram aproveitados. É hora de recuperá-los e de atualizá-los para responder aos desafios deste momento. Isso é urgente porque nos encontramos diante de dois perigos que nos ameaçam. De um lado os desabrigados urgem para uma solução apenas imediatista dos problemas. De outro lado o perigo maior é a perda de memória da maioria da população, que poderia chorar amargamente na próxima desgraça. As chuvas do primeiro de março já nos deram um alerta.

 

As autoridades públicas estão fazendo a sua parte, embora fosse desejável uma maior celeridade e mais clareza nos objetivos. Mas o problema real é a urgência de uma urbanística diferente que providencie de forma ágil a desocupação das áreas de risco e a construção igualmente ágil de novas moradias em terrenos seguros e possivelmente não distantes das antigas casas abandonadas. Isso porque não é suficiente construir casas; é necessária uma dimensão humana da casa, como lugar de relacionamentos, serviços e perspectivas educativas que favoreçam o convívio social, a busca da dignidade e do sentido pleno da vida.

 

A Igreja, junto com pessoas de várias religiões, esteve na primeira fila na hora do drama e da emergência. Diante da dor e do sofrimento se ajuda o ser humano qualquer que seja o seu credo. A Campanha da Fraternidade, promovida pela CNBB este ano com o tema “Fraternidade e vida no Planeta”, alerta-nos sobre a necessidade de respeitar a natureza contra uma certa cultura do consumismo desenfreado e da exploração predatória dos recursos naturais. É tempo de conversão para que a ganância não produza um irreparável prejuízo para toda a humanidade.

 

Agora, a todos é pedido um passo novo: manter viva a memória em vista de uma reconstrução urbanista atenta às várias áreas de risco e às características peculiares da nossa Cidade. Por isso em cooperação com o trabalho realizado pelo Governo, Estado e Município, convocamos as várias entidades civis da nossa Cidade a fim de incrementar um movimento do nosso povo para uma reconstrução ágil, firme e de ampla visão para o futuro.

 

A situação é grave; o dever que temos é urgente. Várias pessoas já aderiram ao nosso apelo; entre eles, personalidades do mundo jurídico, da cultura, da imprensa, da indústria e, sobretudo, muita gente simples que está sofrendo com as consequências deste desastre que atingiu a nossa região. A colaboração de todos neste momento é urgente para que se concretize a nossa esperança. [CNBB]

 

Dia Mundial da Tuberculose

A data foi lançada em 1982 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela União Internacional Contra TB e Doenças Pulmonares (International Union Agaist TB and Lung Disease - IUATLD).A data foi uma homenagem aos 100 anos do anúncio do descobrimento do bacilo causador da tuberculose, ocorrida em 24 de março de 1882, por Dr. Robert Koch. Este foi um grande passo na luta pelo controle e eliminação da doença que, na época, vitimou grande parcela da população mundial e hoje persiste com 1/3 da população mundial infectada: 8 milhões de doentes e 3 milhões de mortes anuais.

 

Aquele que imagina tirar proveito do mundo já neste mundo é semelhante àquele

que deseja apagar um incêndio jogando palha no fogo. (Sabedoria oriental)

 

Aconteceu no dia 24 de março de 1882: Robert Koch anuncia a descoberta da bactéria responsável pela tuberculose (Mycobacterium tuberculosis).