Quinta-feira, 23 de junho de 2011

Corpo e Sangue de Cristo, Ano A, 3ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia Internacional das Aldeias SOS

 

Santos: Agripina de Roma (virgem, mártir), Edeltrudes (viúva, monja), Félix de Sutri (mártir), Hidulfo de Lobbes (monge), João de Roma (mártir), José Cafasso (presbítero), Liberato de Cambrai (bispo), Pedro de Juilly (monge), Tiago de Toul (bispo), Tomás Garnet (jesuíta, mártir), Zeno e Zenas (mártires).

 

Antífona: O Senhor alimentou seu povo com a flor do trigo e com o mel do rochedo o saciou (Sl 80,17)

 

Oração: Senhor Jesus Cristo, neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão. Dai-nos venerar com tão grande amor o mistério do vosso Corpo e do vosso Sangue, que possamos colher continuamente os frutos da vossa redenção. Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Deuteronômio (Dt 8, 2-3.14b-16a)

Ele te alimentou no deserto com o maná

 

Moisés falou ao povo, dizendo: 2"Lembra-te de todo o caminho por onde o Senhor teu Deus te conduziu, esses quarenta anos, no deserto, para te humilhar e te pôr à prova, para saber o que tinhas no teu co­ração e para ver se observarias ou não seus mandamentos. 3Ele te humilhou, fazendo-te passar fome e alimentando-te com o maná que nem tu nem teus pais conhecíeis, para te mostrar que nem só de pão vive o homem, mas de toda a pa­lavra que sai da boca do Senhor.

 

14bNão te esqueças do Senhor teu Deus que te fez sair do Egito da casa da escravidão, 15e que foi teu guia no vasto e terrível deserto, onde ha­via serpentes abrasadoras, escorpiões, e uma terra árida e sem água nenhuma. Foi ele que fez jorrar água para ti da pedra duríssima 16ae te alimentou no deserto com maná, que teus pais não conheciam". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

 

O maná, memória da benevolência de Javé


O trecho pertence ao segundo discurso de Moisés (5,1-11,32). Uma característica desse discurso é fazer memória do passado, sobretudo das ações de Javé em favor do seu povo. Os versículos escolhidos falam de uma pedagogia de Deus no deserto (vv. 2-3), como preparação para a entrada na terra prometida (vv. 14b-16).


O capítulo 8 “é escrito com a perspectiva da prosperidade econômica na terra, que se transforma em tentação ao favorecer uma concepção imanente da vida. O ciclo produção–consumo se explica por si; ele se justifica e se fecha à intervenção de Deus: sua explicação adequada é a força e o talento humanos aplicados a uma terra boa. Deus desaparece do horizonte prático: é esquecido; não é necessário nem para realizar o processo nem para explicá-lo. O resultado é que o povo peca contra o primeiro mandamento da lealdade total, de modo racionalista, iluminado, sem substituir o Senhor por outros ídolos. Contra a tentação do esquecimento o autor propõe o remédio da memória, não só do Senhor, mas também de sua ação histórica” (Bíblia do Peregrino – Paulus, 2002, p. 309).


O autor evoca, do passado no deserto, dois episódios memoráveis: o maná (vv. 3.16a; cf. Ex 16) e a água (v. 15; cf. Ex 17,1-7; Nm 20,1-13). Quarenta anos de deserto, fome, serpentes venenosas, escorpiões e falta de água descrevem a vida precária dos hebreus dependentes de Javé. A maravilha do maná até então desconhecido (duas vezes afirma-se que os antepassados o desconheciam – vv. 3.16a) aponta para a solicitude de Deus e a incapacidade do povo em prover à sobrevivência. É um duro golpe à auto-suficiência demonstrada posteriormente, na época dos reis, quando esse texto deve ter sido registrado por escrito. A memória da precariedade do deserto e da benevolência de Deus para com seu povo tinha finalidade pedagógica: mostrar ao povo que o ser humano não vive somente de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus (v. 3), ou seja, os mandamentos (v. 2), compromisso de aliado de Javé. A pedagogia é apresentada como humilhar e pôr à prova (v. 2), dobrando a auto-suficiência, para que o povo não se esqueça do Senhor Deus, que o tirou do Egito, da casa da escravidão (v. 14b). [Vida Pastoral nº 260, Paulus, 2008]



Salmo: 147 (147B), 12-13.14-15.19-20 (R/.12a)
Glorifica o Senhor, Jerusalém; celebra teu Deus, ó Sião!

 

Glorifica o Senhor; Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou.

 

A paz em teus limites garantiu e te dá como alimento a flor do trigo. Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz.

 

Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos e suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos.

 

 

 

II Leitura: I Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 10, 16-17)

O pão eucarístico é o sinal e a unidade dos cristãos

 

Irmãos, 16o cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? 17Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a II Leitura

Há um só pão... somos um só corpo


Em 1Cor 8,1-11,1 Paulo aborda longamente o tema das carnes sacrificadas aos ídolos. Em Corinto havia muitas divindades com seus santuários, sacerdotes, ritos e sacrifícios de animais. Parte dessas carnes era consumida nos templos em banquetes rituais, nos quais se acreditava que o fiel entrasse em comunhão com a divindade. E parte dessas carnes era vendida nos açougues e feiras.


Muitos cristãos de Corinto certamente haviam participado desses banquetes e comprado para consumo carnes oferecidas aos ídolos no tempo em que eram pagãos. (Para os pobres, era praticamente a única chance de comer carne.) Além disso, entre os cristãos dessa cidade, havia pessoas de fé esclarecida (os fortes) e pessoas de fé não muito esclarecida (fracos). Os primeiros diziam que há somente um Deus e que participar de um banquete ritual ou consumir carnes oferecidas aos ídolos não tinha o menor problema. Os fracos, por sua vez, pensavam exatamente o contrário: participar de um banquete sagrado ou consumir carnes imoladas aos ídolos é idolatria e comunhão com os ídolos. E Paulo, o que pensa? Ele concorda com as teses dos fortes, mas desaprova seu comportamento exibicionista, pois, agindo dessa forma, põem a perder o irmão fraco na fé, pelo qual Cristo deu a vida. E, para não perder ou escandalizar o fraco, urge repensar as teses dos fortes. Paulo crê que a liberdade da pessoa não é cerceada nem diminui se ela se abstém de comer essas carnes em favor dos fracos, embora mantendo a convicção interior de que pode ser consumida sem problema.


Os dois versículos de hoje são um convite ao discernimento. Paulo se põe do lado dos fracos e alerta os fortes para que não caiam na idolatria. Os cristãos de Corinto também celebram um banquete – a Ceia do Senhor. E o que aprenderam? Que o cálice da bênção, do qual eles participam, é comunhão com o sangue de Cristo (Paulo afirma isso com uma pergunta retórica, cuja resposta os leitores já conhecem). E o pão partido é comunhão com o corpo de Cristo (v. 16).


As comunidades cristãs de Corinto se reuniam em pequenos grupos nas casas e celebravam a Ceia do Senhor partindo provavelmente um único pão. Paulo aproveita a ocasião para estabelecer um paralelo: um só pão alimentando um único corpo – a comunidade – composto de muitos membros. Assim, cria-se um laço firme: o corpo de Cristo eucarístico não pode ser dissociado do corpo eclesial de Cristo – a comunidade: “E como há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, pois participamos todos desse único pão” (v. 17). [Vida Pastoral nº 260, Paulus, 2008]

 

 

Evangelho: João (Jo 6, 51-58)

Quem comer deste pão viverá eternamente

 

Naquele tempo, disse Jesus às multidões dos judeus: 51"Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo". 52Os judeus discutiam entre si, dizendo: "Como é que ele pode dar a sua carne a comer?"

 

53Então Jesus disse: "Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não te­reis a vida em vós. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me recebe como alimento viverá por causa de mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre". Pa­lavra da Salvação.

 

Comentando o Evangelho

“Quem come deste pão viverá para sempre”


O Evangelho de João não tem, como os sinóticos, a instituição da eucaristia. Na última ceia de Jesus – que, de acordo com esse evangelho, não celebra a Páscoa judaica – narra-se apenas o episódio do lava-pés. Esse detalhe é significativo e nos leva à constatação de que as comunidades joaninas, nas primeiras décadas de sua existência, não celebravam como as outras a Ceia do Senhor. O motivo parece ser este: quem permanece unido à videira e produz frutos (Jo 15) não precisa de um sinal externo e visível de comunhão com Jesus. Com o passar do tempo, contudo, as comunidades joaninas viram-se às voltas com conflitos internos (explicitados na 1Jo), sem ter como resolvê-los adequadamente. Foi então que pediram socorro às comunidades hierarquizadas (ligadas a Pedro), que as socorreram, mas fizeram exigências, entre as quais a questão da eucaristia. Note-se que, nesse tempo (final do 1º século), o Evangelho de João ainda está em fase de redação (que durou décadas). Além disso, notava-se já certo desleixo quanto à Ceia do Senhor, a eucaristia. É nessas condições que surge o trecho proposto para a liturgia de hoje. Sem falar da instituição da eucaristia, mas supondo-a, o 4º Evangelho aprofunda, na metáfora do comer a carne e beber o sangue, o sentido inalienável da eucaristia.


a. Jesus é o pão vivo descido do céu (v. 51)


O v. 51 funciona como eixo entre o discurso do pão da vida (6,31-50) e o discurso eucarístico (6,52-58). Mistura temas já abordados anteriormente (“Eu sou o pão vivo que desceu do céu” e “Quem come deste pão viverá para sempre” com o tema que será desenvolvido a seguir (a identificação do pão com a carne). A expressão “Quem come deste pão viverá para sempre” se encontra no começo e no fim do discurso eucarístico (vv. 51 e 58), formando aquilo que os especialistas chamam de inclusão. Nunca é demais recordar que pão é sinônimo de “dom/presente”, a prova maiúscula do amor do Pai pela humanidade (cf. 3,16).


b. Alimento de vida eterna (vv. 52-55)


A identificação do pão com a carne de Jesus arrepia as autoridades dos judeus. De fato, entendem materialmente o que foi dito, pensando tratar-se de canibalismo. Há várias passagens do Antigo Testamento referindo-se a esse tema (Jr 19,9; Is 9,9; Sl 27,2; Ez 39,17), bem como à proibição de consumir sangue (Gn 9,4; Lv 17,14). Jesus não atenua, mas reforça a exigência para se ter vida: “Se vocês não comem a carne do Filho do Homem e não bebem o seu sangue, não terão a vida em vocês” (v. 53). Carne e sangue são, na cultura semita, polaridades que denotam totalidade, integralidade, como em nossa cultura usamos “carne e ossos” para expressar a totalidade da pessoa. Comer a carne e beber o sangue, portanto, significa alimentar-se do Filho do Homem inteiro, sem divisões.


Sabemos que tudo o que comemos e bebemos se torna nossa carne, sangue, energias. É isso que as comunidades joaninas queriam recuperar numa época de descaso para com a eucaristia. Comer a carne e beber o sangue de Jesus não é mero ato de piedade, mas uma espécie de encarnação do Filho do Homem em nossa vida, de modo que nossas ações, palavras, sentimentos... se tornem suas ações, palavras, sentimentos... Ou, em outra perspectiva, ele aja, fale e sinta em nós e por meio de nós.


Nosso organismo assimila tudo o que comemos ou bebemos. Assimilar significa “converter em substância própria” e também “tornar-se semelhante”. As duas acepções cabem aqui e confirmam o que acaba de ser exposto. É nesse sentido que Jesus afirma: “A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida” (v. 55).


c. Comunhão com Jesus e o Pai (vv. 56-58)


É conhecida no Evangelho de João a estreita comunhão entre Jesus e o Pai. Isso é salientado desde o começo (1,1), quando se diz que a Palavra estava junto de Deus e voltada para Deus e também, depois que se fez homem, ela continua voltada para o Pai (1,18). Esse evangelho tem afirmações que não existem nos outros: “Eu e o Pai somos um” (10,30); “quem me viu, viu o Pai” (14,9) etc. Pois bem, essa comunhão estreita e forte entre Jesus e o Pai se estende aos que comem a carne e bebem o sangue do Filho do Homem. A vida que o Pai partilha com o Filho é partilhada também com quem adere ao Filho, formando uma trindade de comunhão: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue vive em mim e eu vivo nele. E como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim aquele que me recebe como alimento viverá por mim” (vv. 56-57).

 

 

Oração da assembleia (Missal Dominical, Paulus)

Deus nos falou. Compreendemos que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. Rezemos para que ele nos dê sempre o pão vivo que desceu do céu, o Cristo salvador. Digamos: Senhor, escutai-nos.

Pela santa Igreja de Deus, para que o sacrifício de Cristo, tornado presente nesta eucaristia, a cumule de graça, rezemos.

Pelos que sofrem no mundo inteiro, para que encontrem conforto em nossa solidariedade e sobretudo no Pão do céu, rezemos.

Pela conversão dos pecadores, para que encontrem na eucaristia luz e força para mudar de vida, rezemos.

Por esta nossa assembleia, para que a comunhão no Pão do céu tire do nosso coração todo fermento de morte, rezemos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Concedei, ó Deus, à vossa Igreja os dons da unidade e da paz, simbolizados pelo pão e vinho que oferecemos na sagrada eucaristia. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Quem como a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele, diz o Senhor (Jo 6, 57)

 

Oração Depois da Comunhão:

Dai-nos, Senhor Jesus, possuir o gozo eterno da vossa divindade, que já começamos a saborear na terra, pela comunhão do vosso Corpo e do vosso Sangue. Vós, que viveis e reinais para sempre.

 

"Corpus Christi": uma vida entregue à causa da vida

 

Em maio trabalhamos o evento de Pentecostes (At 2,1-12) na perspectiva do testemunho do dom pascal. Expressamos, também, um forte anseio de compreendê-lo em profundidade e de traduzi-lo em “línguas” nas diferentes formas de comunicação. Neste mês focalizaremos o tema da Eucaristia, a partir da celebração da festa de “Corpus Christi”, solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo. Essa festa, tradicional na Igreja do Brasil-Colônia, exige de todos nós o compromisso de trabalhar para que Jesus reine nas famílias, na sociedade, nas estruturas e no meio do povo.

 

Iniciemos nos introduzindo no contexto dessa festa. Celebrada depois de Pentecostes, na 5ª feira após a festa da Santíssima Trindade, “Corpus Christi”, é uma comemoração jubilosa da Eucaristia. É conhecida a tradicional procissão de Jesus eucarístico pelas ruas, com o ostensório, cujos raios lembram o Sol, no meio de velas, flores, cantos e incenso. Trata-se, pois, de uma homenagem pública de fé e de reconhecimento a Jesus que, no sacramento da Eucaristia nos legou, como sinal do seu amor, o seu corpo e sangue como alimento e bebida para sustento da nossa vida e missão cristãs no mundo.

 

Desse modo, vale lembrar que o essencial dessa festa é a renovação do nosso compromisso de seguir Jesus. Daí decorre a acolhida ao seu projeto e o nosso engajamento na construção do Reino, a partir de gestos concretos de partilha, justiça e solidariedade. Hoje, para que o projeto de Jesus se concretize em nosso contexto histórico, cada um(a) de nós, cristãos e cristãs precisamos fazer a nossa parte. Partamos, pois, para a ação. Mas, o quê e como fazer?

 

Para tanto, precisamos nos abrir ao aprendizado das atitudes do Mestre Jesus, a fim de colocar Deus como base da nossa convivência humana, como ele o fez, na total fidelidade ao projeto do Pai. Jesus doou sua vida, dia após dia, em pequenos gestos e atenções às pessoas, até a sua consumação na morte. Aí, deixou a prova máxima do seu amor.

 

O que nos diz a entrega de Jesus pela causa do Reino? Diz-nos que o amor cristão não encobre as injustiças nem a violência dos poderosos, mas as revela, a fim de serem desmascaradas. Afirma, também, que não se resolvem as lutas entre as classes sociais com um simples aperto de mão, mas arrancando pela raiz as causas que geram tais lutas. Fala ainda da exigência da conversão do agressor diante do perdão das ofensas e mais, que não se está aí somente para apresentar a face direita a quem bate na esquerda, mas é preciso também saber pedir contas ao violento: “Por que me bates?”.

 

Olhando para o contexto violento que matou Jesus, vemos muita semelhança com o nosso contexto atual. Diante disso, perguntamos: Que luz o agir engajado e profético de Jesus lança para nós hoje, frente às injustiças, às desigualdades, à exclusão, à violência? Como doar e comprometer a vida com o projeto de Deus?

 

Percorrendo os Evangelhos descobriremos como a vida de Jesus foi uma vida totalmente atenta, acolhedora, dedicada às pessoas e ao Reino de Deus. Segundo o teólogo Carlos Palácio, sj, “Jesus era extraordinariamente sensível à presença do outro. Detectava logo a dor ou a exclusão da pessoa”. Essa é a constatação que nos salta aos olhos diante de várias narrativas. Vejamos, por exemplo, como isso aparece no texto da hemorroíssa, em Lucas 8,43-48.

 

Em que contexto encontramos Jesus, nesse relato? Ele está em missão, caminhando junto ao povo... Aí, Jesus, mesmo sendo empurrado pela multidão, é sensível ao toque de uma pessoa. E quem é a pessoa que o toca? É uma mulher com hemorragia. É, portanto, considerada impura e, por isso, duplamente excluída: pela lei e pela religião. Por essa razão, ela toca sorrateiramente em Jesus. Toca-o por detrás e, apenas a extremidade de suas vestes. No entanto, Jesus nota esse toque e pergunta: “Quem me tocou?” Como todos negassem, Jesus insiste: “Alguém me tocou; senti que uma força saía de mim”. Diante disso, vendo-se descoberta, a mulher que o tocara e ficara curada de seu mal, se declara diante de todos. Fala por que o tocara e como ficara instantaneamente curada. Jesus lhe diz: “Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz”.

 

Como vemos, nessa atitude de sensibilidade e de acolhida de Jesus, encontramos também sua grande capacidade de sair de si e de doar-se ao outro. Tais atitudes são constantes na vida dele. Sua postura frente ao poder constituído social, político-econômico e religioso colocou Jesus diante de diversos confrontos com as lideranças de seu tempo e acabou culminando com a condenação e morte. Esta não foi um acidente de percurso, foi consequência da entrega total a um projeto.

 

Então, numa ceia-memorial, a última com os apóstolos, seus amigos, Jesus como que antecipou esse momento extremo de sua entrega. Nessa ceia, ele instituiu o sacramento da Eucaristia ou o sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo. Como isso se deu? Estando à mesa, ele tomou como símbolos pão e vinho. Esses alimentos cotidianos revestiram-se de significado tornando-se símbolos do Corpo e do Sangue do próprio Jesus.

 

Vários textos bíblicos dos Evangelhos e do Segundo Testamento relatam esse fato da instituição da Eucaristia (serão citados no quadro abaixo, no final desse artigo). Aqui veremos apenas os dois relatos mais antigos. Podemos compará-los e anotar os elementos comuns e as diferenças presentes nessas duas narrativas.

 

No próximo artigo, em julho, continuaremos trabalhando outros enfoques desse tema, Eucaristia. Aguarde!

 

Agora, podemos ainda conferir no quadro abaixo algumas referências bíblicas, ligadas à celebração de “Corpus Christi”, em paralelo com outros textos da Escritura. [Dicas da Bíblia, www.paulinas.org.br]

 

A eucaristia sela a aliança eterna e definitiva de Deus com a humanidade em Jesus.

1Cor 11,25; Mc 14,24: Jr 31,10-14

Celebrar e receber a eucaristia significa comungar e acolher o projeto de Deus. A postura de Jesus diante desse projeto nos convida a concretizá-lo lutando pela promoção da pessoa, da vida e da justiça em todos os sentidos. Isaías fala sobre isso?

Is 58

Vejamos outras narrativas alusivas à eucaristia, além das indicadas acima.

Mt 26,26; Lc 22,19

 

 

Vinde à comunhão, meus irmãos, vinde a Jesus. Vinde viver dele para poderdes viver com Ele. (S. João Maria Vianney)