Quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Segunda Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde

 

Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4)

 

Santos do Dia: Artêmio de Clermont (bispo), Urbano, Prilidiano e Epolônio (mártires de Antioquia), Bertrando de Saint Quentin (abade), Exuperâncio de Cingoli (bispo), Feliciano de Foligno (bispo) e Messalina (virgem), (mártires), Macedônio Critófago (eremita de Antioquia), Mardônio, Musônio, Eugênio e Metélio (mártires de Neocesaréia de Mauritânia), Surano de Sora (abade), Zâmio de Bolonha (bispo), Felix O'Dullany (bispo, bem-aventurado), João Grove (mártir, bem-aventurado), Marcolino de Forli (dominicano, bem-aventurado), São Vicente Pallotti, William da Irlanda (jesuíta, mártir, bem-aventurado)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e daí ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 7, 25—8,6)

Cristo é quem eleva nossa humanidade

 

Irmãos, 25Jesus é capaz de salvar para sempre aqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus. Ele está sempre vivo para interceder por eles. 26Tal é precisamente o sumo sacerdote que nos convinha: santo, inocente, sem mancha, separado dos pecadores e elevado acima dos céus. 27Ele não precisa, como os sumos sacerdotes, oferecer sacrifícios em cada dia, primeiro por seus próprios pecados e depois pelos do povo. Ele já o fez uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo. 28A lei, com efeito, constituiu sumos sacerdotes sujeitos à fraqueza, enquanto a palavra do juramento, que veio depois da lei, constituiu alguém que é Filho, perfeito para sempre.


8,1O tema mais importante da nossa exposição é este: temos um sumo sacerdote tão grande, que se assentou à direita do trono da majestade, nos céus. 2Ele é ministro do santuário e da tenda verdadeira, armada pelo Senhor, e não por mão humana. 3Todo sumo sacerdote, com efeito, é constituído para oferecer dádivas e sacrifícios; portanto, é necessário que tenha algo a oferecer. 4Na verdade, se Cristo estivesse na terra, não seria nem mesmo sacerdote, pois já existem os que oferecem dádivas de acordo com a lei. 5Estes celebram um culto que é cópia e sombra das realidades celestes, como foi dito a Moisés, quando estava para executar a construção da tenda: “Vê, faze tudo segundo o modelo que te foi mostrado sobre a montanha”. 6Agora, porém, Cristo possui um ministério superior. Pois ele é o mediador de uma aliança bem melhor, baseada em promessas melhores. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Cristo ofereceu sacrifícios uma vez por todas

 

Os homens não têm condições de abrir um caminho que os leve até Deus. Organizar um culto é, portanto, um empreendimento sem futuro, no qual não se realiza nenhum encontro autêntico e nenhuma purificação profunda do pecado do homem. Mas Cristo eleva a humanidade a uma comunhão real com Deus, porque sua natureza humana foi realmente introduzida na intimidade divina, através da ascensão de Cristo e de sua entrada no céu como Senhor. Este ingresso de Cristo na vida divina realizou-se mediante sua passagem pela escuridão da morte e pela oferta de toda a sua existência.

 

Por isso, a ação cultural do cristianismo tem valor pleno, já que não foi inventada pelos homens, mas querida pelo próprio Deus; tem valor pleno, porque nela é o próprio Cristo que, na pessoa dos autênticos ministros e em comunhão com todos os crentes. Continua sua oferta ao Pai. A celebração da Eucaristia é a atualização deste mistério. O cristão pode participar dele plenamente na medida que estiver em condições de oferecer ao Pai toda a sua vida e de estar, como Cristo, disponível para o serviço dos irmãos.

 

Salmo: 39 (40), 7-8a.8b-9.10.17 (R./cf.8a.9a)

Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!

 

7Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados, 8ae então eu vos disse: “Eis que venho!”

 
8bSobre mim está escrito no livro: 9“Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!”

 

10Boas novas de vossa justiça anunciei numa grande assembléia; vós sabeis: não fechei os meus lábios!

 

17Mas se alegre e em vós rejubile todo ser que vos busca, Senhor! Digam sempre: “É grande o Senhor!” os que buscam em vós seu auxílio

 

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 3, 7-12)

Jesus pregava a boa nova e curava todos

os doentes entre o povo

 

Naquele tempo, 7Jesus se retirou para a beira do mar, junto com seus discípulos. Muita gente da Galiléia o seguia. 8E também muita gente da Judéia, de Jerusalém, da lduméia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia, foi até Jesus, porque tinham ouvido falar de tudo o que ele fazia. 9Então Jesus pediu aos discípulos que lhe providenciassem  uma barca, por causa da multidão, que não o comprimisse.

 

10Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal jogavam-se sobre ele para tocá-lo. 11Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés, gritando: "Tu és o Filho de Deus!" 12Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era. Palavra da Salvação!

 

Essa passagem bíblica também está presente nos seguintes sinóticos

Mt 12, 15-16; Lc 6, 17-19 (As multidões seguem a Jesus)

 

 

Comentário do Evangelho[2]

Atraídos pela ação de Jesus

 

Para falar da atração exercida por Jesus, o Evangelho faz um elenco dos lugares de origem das multidões que assediavam o Mestre. Os locais mais próximos eram as cidades da Galiléia, especialmente as que ficavam à beira do lago. Este foi o palco privilegiado do ministério de Jesus. A fama de seus milagres e de seus ensinamentos deve ter chegado imediatamente aos ouvidos das populações daquela região. Até gente da capital da Judéia, Jerusalém, vinha ouvir o Mestre. Com que intenção?


Os judeus desprezavam os galileus. É bem possível que muitos tenham ido ver o galileu Jesus, movidos por preconceitos, quiçá com a intenção de “desmascará-lo”. Também vinha gente do estrangeiro: da Iduméia, ao sul da Judéia, do outro lado do rio Jordão – a Transjordânia –, e das cidades fenícias de Tiro e Sídon. Todos estes lugares eram habitados por judeus que, sem dúvida, junto com estes pagãos também ficavam atraídos pelo que Jesus fazia.


O Mestre limitava-se a fazer o bem a todos, indistintamente. Ao se confrontar com a multidão, não fazia distinção de espécie alguma. Judeus ou pagãos, todos eram igualmente curados e libertados da opressão do mau espírito. Assim, o Reino de Deus deixava as marcas de sua eficácia na vida de todos que se aproximavam de Jesus. Excluía-se, apenas, quem a ele se dirigia com intenções escusas. O Mestre tinha o dom de fazer renascer no povo a vida e a esperança!

 

Para sua reflexão pessoal[3]

 

Jesus continua obviamente sendo o centro de atração das multidões que o segue, exatamente na contramão dos fariseus. O povo o procurava pelos seus feitos: curas, libertação do mal, milagres, a força inconteste do bem. Mas nem sempre a multidão é composta só de pessoas bem intencionadas, consoante a presença dos maus espíritos infiltrados, supostamente com boas intenções, mas verdadeiros lobos no meio de cordeiros. Todavia, os poderes do mal reconhecem a presença do poder divino que os vencerá, sempre. Por outro lado Jesus não queria que sua identidade como Filho de Deus fosse proclamada por motivos errados. Pouco mais de dois mil anos após as multidões continuam procurando ao Senhor Jesus, desta vez não através da sua presença física, mas espiritual, baseado puramente na nossa fé. Seguir a Jesus requer muito discernimento do cristão, separando o joio do trigo na sua caminhada de fé. Nada deve obstacular o cristão  na sua busca pela conversão e salvação. Jesus sempre será o caminho.

 

 

São Vicente Pallotti[4]

 

Vicente Pallotti nasceu em Roma, dia 21 de abril de 1795, numa família de classe média. Com sua mãe aprendeu a amar os irmãos mais pobres, crescendo generoso e bondoso. Enquanto nos estudos mostrava grande esforço e dedicação, nas orações mostrava devoção extremada ao Espírito Santo. Passava as férias no campo, na casa do tio, onde distribuía aos empregados os doces que recebia, gesto que o pai lhe ensinara: nenhum pobre saía de sua mercearia de mãos vazias.


Às vezes sua generosidade preocupava, pois geralmente no inverno, voltava para casa sem os sapatos e o casaco. Pallotti admirava Francisco de Assis, pensou em ser capuchinho, mas não foi possível devido sua frágil saúde. Em 1818, se consagrou sacerdote pela diocese de Roma,onde ocupou cargos importantes na hierarquia da Igreja. Muito culto obteve o doutorado em Filosofia e Teologia.


Mas foi a sua atuação em obras sociais e religiosas que lhe trouxe a santidade. Teve uma vida de profunda espiritualidade, jamais se afastando das atividades apostólicas. É fruto do seu trabalho, a importância que o Concílio Vaticano II, cento e trinta anos após sua morte, decretou para o apostolado dos leigos, dando espaço para o trabalho deles junto às comunidades cristãs. Necessidade primeira deste novo milênio, onde a proliferação dos pobres e da miséria, infelizmente se faz cada vez mais presente.


Vicente defendia que todo cristão leigo, através do sacramento do batismo, tem o legítimo direito assim como a obrigação de trabalhar pela pregação da fé católica, da mesma forma que os sacerdotes. Esta ação de apostolado que os novos tempos exigiria de todos os católicos, foi sem dúvida seu carisma de inspiração visionária . Fundou, em 1835, a Obra do Apostolado Católico, que envolvia e preparava os leigos para promoverem as suas associações evangelizadoras e de caridade, orientados pelos religiosos das duas Congregações criadas por ele para esta finalidade, a dos Padres Palotinos e das Irmãs Palotinas.


Vicente Pallotti morreu em Roma, no dia 22 de janeiro 1850, aos cinqüenta e cinco anos de idade. De saúde frágil, doou naquele inverno seu casaco a um pobre, adquirindo a doença que o vitimou. Assim sendo não pôde ver as duas famílias religiosas serem aprovadas pelo Vaticano, que devolvia as Regras indicando sempre algum erro. Com certeza um engano abençoado, pois a continuidade e a persistência destas Obras trouxeram o novo ânimo que a Igreja necessitava. Em 1904, foram reconhecidas pela Santa Sé, motivando o pedido de sua canonização.


O papa Pio XI o beatificou reconhecendo sua atuação de inspirado e "verdadeiro operário das missões". Em 1963, as suas idéias e carisma espiritual foi plenamente reconhecido pelo papa João XXIII que proclamou Vicente Pallotti, Santo. (www.paulinas.org.br)

 

Quem cria oportunidades para si mesmo e para os outros encontra Deus

no meio do caminho. (Maxwell Mattz)

 

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] Everaldo Souto Salvador, ofs, Mundo Católico

[4] Conti, Servilio (Dom): O SANTO DO DIA. Petrópolis. Editora Vozes: 1997. p.40