Quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ceia do Senhor - 2ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia de Tiradentes, dia do Metalúrgico, dia da Latinidade, dia do Policial Civil e Militar.

 

Santos: Anselmo (arcebispo e doutor), Simeão Bársabas (bispo e seus companheiros mártires), Anastácio I de Antioquia (bispo), Beuno (abade), Malrúbio ou Maelrubha (abade), Conrado de Parzão (confessor franciscano da 1ª ordem), Sílvio.

 

Antífona: A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou. (Gl 6, 14)

 

Oração: Ó Pai, estamos reunidos para a santa ceia, na qual o vosso Filho único, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor. Concedei-nos, por mistério tão excelso, chegar à plenitude da caridade e da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Êxodo (Ex 12, 1-8.11-14)

Páscoa, a passagem da escravidão do Egito à liberdade

 

Naqueles dias, 1o Senhor disse a Moisés e a Aarão no Egito: 2"Este mês será para vós o começo dos meses; será o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a comunidade dos filhos de Israel, dizendo: 'No décimo dia deste mês, cada um tome um cordeiro por família, um cordeiro para cada casa. 4Se a família não for bastante numerosa para comer um cordeiro, convidará também o vizinho mais próximo, de acordo com o número de pessoas. Deveis calcular o número de comensais, conforme o tamanho do cordeiro. 5O cordeiro será sem defeito, macho, de um ano. Podereis escolher tanto um cordeiro, como um cabrito: 6e devereis guardá-lo preso até ao dia catorze deste mês. Então toda a comunidade de 7Israel reunida o imolará ao cair da tarde. Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerem. 8Comereis a carne nessa mesma noite, assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. 11Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a páscoa, isto é, a 'passagem' do Senhor!

 

12E naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e infligirei castigos contra todos os deuses do Egito, eu, o Senhor. 13O sangue servirá de sinal nas casas onde estiverdes. Ao ver o sangue, passarei adiante, e não vos atingirá a praga exterminadora, quando eu ferir a terra do Egito. 14Este dia será para vós uma festa memorável em honra do Senhor, que haveis de celebrar por todas as gerações, como instituição perpétua". Palavra do Senhor.

 

 

Comentando a I Leitura

Celebrar a Páscoa no espírito de caminhada

O relato da celebração da Páscoa israelita está inserido no contexto do movimento de libertação da escravidão no Egito. É a atualização de um ritual antigo, realizado entre os pastores, para reconciliar-se com a divindade, afastar os maus espíritos e, assim, assegurar o bem-estar das famílias com seus rebanhos. A experiência da libertação dos escravos no Egito torna-se a marca registrada de sua própria identidade. O povo de Israel nasceu com o êxodo. Diversos grupos de diferentes origens unem-se ao redor de um projeto de liberdade e autonomia. Pouco a pouco, vai se firmando a consciência de pertença ao “povo de Deus”. De fato, somente sob a intervenção divina foi possível a caminhada de libertação. Essa certeza atravessa as gerações, conforme constatamos nos diversos escritos do Primeiro Testamento.

 

A celebração da Páscoa foi sendo adotada por Israel como memória exemplar do acontecimento fundante do êxodo. Ela atualiza a presença de Deus na história do povo. É uma presença atenta e atuante na defesa da vida das pessoas oprimidas. Celebrar a memória do êxodo, portanto, significa reavivar a consciência de ser um povo abençoado. Significa reanimar o povo para a fidelidade à aliança com Deus, que é companheiro na caminhada. É comprometer-se, no presente, com o processo de libertação. A Páscoa, portanto, é memória subversiva.

Unindo elementos antigos e novos, a narrativa da Páscoa enfatiza a necessidade da celebração por ordem divina, num dia preciso, no “primeiro mês do ano”. Corresponde ao início da primavera, tempo em que desabrocha a vida nova. O cordeiro é essencial nessa celebração: é a oferta de cada família e de toda a comunidade, em reconhecimento à bondade divina. Para isso, é escolhido e preparado um cordeiro, sem defeito, para imolá-lo. A integridade física do animal é o que de melhor o povo pode ofertar a Deus como sinal de gratidão por tudo o que ele oferece.

 

O sangue para marcar a porta da casa tem o sentido de garantia de vida para as pessoas que nela habitam. É um povo eleito sob a proteção de Deus. Não será atingido pela última praga, ou seja, a morte dos primogênitos (a narrativa da Páscoa está situada entre a penúltima e a última praga). Assim, o povo terá um futuro garantido sob as bênçãos divinas.

 

A refeição é feita num clima de urgência – rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão –, atualizando assim a movimentação do povo escravizado em vista de sua libertação. Com ervas amargas, para lembrar a vida difícil do povo enquanto escravo no Egito; com pães ázimos, pois a pressa não permite que o fermento possa levedar a massa. O pão puro é símbolo de fidelidade ao projeto de libertação, que inclui a caminhada pelo deserto, animados pelo sonho da terra prometida. Como se vê, o ritual da Páscoa é memória ligada ao compromisso de caminhar na conquista de um mundo de liberdade, paz e dignidade. [Celso Lorashi, Mestre em Teologia Dogmática, Vida Pastoral, n.277, Paulus]

 

 

Salmo: 115(116B), 12-13.15-16bc.17-18 (+cf.1Cor 10,16)

O cálice por nós abençoado é a nossa

comunhão com o sangue do Senhor

 

12Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? 13Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor.

 

15É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos. 16bcEis que sou o vosso servo, ó Senhor, mas me quebrastes os grilhões da escravidão!

 

17Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor. 18Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido.

 

 

II Leitura: Coríntios (Cor 11, 23-26)

Jesus Cristo, nossa Páscoa definitiva

 

Irmãos, 23o que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão 24e, depois de dar graças, partiu-o e disse: "Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória". 25Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: "Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória". 26Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando Cor 11, 23-26

A instituição da eucaristia

O texto da liturgia de hoje corresponde ao relato mais antigo da última ceia de Jesus. São Paulo revela ser a transmissão do que ele mesmo recebeu do Senhor: trata-se da tradição dos apóstolos, que, por serem eles testemunhas oculares de Jesus histórico, é respeitada com veneração.

 

A ceia, celebrada pelas  comunidades cristãs primitivas, não seguia fórmulas fixas e uniformes. De modo comum, era realizada em forma de refeição, ocasião em que se fazia – comemorando a sua entrega – a memória de Jesus, cujo corpo é representado pelo pão e pelo vinho. É celebração da nova aliança, inaugurada por Jesus e da qual os cristãos se tornam participantes.

 

No texto da liturgia de hoje, percebemos os elementos essenciais da eucaristia. Jesus a instituiu como memória de sua morte. É sacrifício (= ação sagrada), dom total de Jesus, em consciência e liberdade, pela vida do mundo. É sustento para os que dela participam, comprometidos na vivência do amor, até que Jesus venha.

 

É bom não esquecer o contexto imediato em que o texto está inserido (11,17-24). Paulo pronuncia-se em forma de reprimenda. A Igreja de Corinto reunia-se no propósito de participar da ceia sem o principal requisito para a celebração: a solidariedade com os pobres. A divisão existente na comunidade revelava uma conduta egoísta e discriminatória. A participação do mesmo pão e do mesmo cálice é comunhão com o Corpo do Senhor, a qual não pode estar dissociada da comunhão com os irmãos, ainda mais com o agravante de serem pessoas necessitadas. [Celso Lorashi, Mestre em Teologia Dogmática, Vida Pastoral, n.277, Paulus]

 

 

Evangelho: João (Jo 13, 1-15)

O verdadeiro sentido no serviço aos irmãos

 

1Era antes da festa da páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.

 

2Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. 6chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: "Senhor, tu me lavas os pés?" 7Respondeu Jesus: "Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás". 8Disse-lhe Pedro: "Tu nunca me lavarás os pés!" Mas Jesus respondeu: "Se eu não te lavar, não terás parte comigo". 9Simão Pedro disse: "Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça". 10Jesus respondeu: "Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos". 11Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: "Nem todos estais limpos".

 

12Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: "Compreendeis o que acabo de fazer? 13Vós me chamais mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. 14Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz". Palavra da Salvação!

Leituras paralelas: Mt 20,20-28; Mc 10,35-45; Lc 22, 24-27

 

 

Comentário do Evangelho

Jesus, modelo de servidor

O Evangelho de João não relata a última ceia de Jesus, como fazem Paulo e os evangelhos sinóticos. Supõe que as comunidades já a conheçam. O que ele faz é introduzir um gesto original de Jesus após a ceia: o lava-pés. Atenta para o fato de Jesus estar ciente da chegada da “hora”, o momento decisivo de sua missão. É o seu êxodo definitivo. Pela cruz, deverá deixar este mundo e ir para o Pai. Os discípulos, porém, continuarão nele. Jesus os ama até o fim e contará com eles para que sua obra tenha prosseguimento.

 

O gesto do lava-pés é, por excelência, o modelo de comportamento que os seguidores de Jesus deverão seguir. O Mestre e Senhor se faz servo dos seus discípulos, também daquele que já consentira em traí-lo. O seu amor é incondicional, como revelara em toda a sua missão. Por isso, rompera com todas as instituições que discriminam e matam. Chegou sua “hora”, e ele a acolhe com plena consciência e responsabilidade. Entrega sua vida não arrastado pelas circunstâncias, mas na liberdade, demonstrando o seu amor até o extremo, coerente com sua opção de fidelidade ao plano de salvação de Deus.

 

O lava-pés simboliza o amor como doação plena. Dá-se em forma de serviço. Cai por terra todo espírito de poder. Caem por terra a vingança e toda espécie de violência. Jesus inverte os valores dominantes na sociedade. Constitui uma nova comunidade humana, cuja nota característica é o serviço mútuo. Pedro, o líder do grupo, num primeiro momento não consegue entender. É representante dos que ainda procuram um Messias triunfalista, distante das realidades conflituosas deste mundo. O seguimento de Jesus, porém, dá-se pelo caminho da “cozinha” e do “avental”. Tudo o que simboliza o lava-pés, cuja síntese é o amor-serviço, leva à participação da mesma vida de Jesus. Pedro entenderá o verdadeiro significado após a morte do Mestre. Por causa de sua opção pelo seguimento de Jesus, será também perseguido e partilhará do mesmo destino dele.

 

A comunidade cristã não pode caminhar na desigualdade. Não é uma  comunidade de chefes e súditos e sim de servidores. A pergunta de Jesus após o lava-pés transforma-se em permanente desafio para todos nós: “Vocês compreenderam o que acabei de fazer? (...) Vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz”. [Celso Lorashi, Mestre em Teologia Dogmática, Vida Pastoral, n.277, Paulus]

 

 

Cristo institui o sacramento do amor

 

A instituição da eucaristia como rito memorial da nova aliança é certamente o aspecto mais evidente da celebração atual, que, aliás, justifica a sua solenidade como uma evocação "histórica" e figurativa do acontecimento realizado na última ceia. Mas é o próprio missal romano que convida a meditar sobre outros dois aspectos do mistério deste dia: a instituição do sacerdócio ministerial e o serviço fraterno da caridade. De fato, sacerdócio e caridade estão estreitamente ligados com o sacramento da eucaristia, compreendido em sua globalidade e de modo mais preciso.

 

Jesus lava os pés dos seus: é um gesto de amor

 

É significativo o fato de João não referir os gestos rituais sobre o pão e o vinho, como os outros evangelistas, ao referir as últimas horas de Jesus com seus discípulos e ao reunir nos "discursos da última ceia" os temas fundamentais do seu evangelho; no entanto, era esse um dado fixo e antiquíssimo da tradição na comunidade, que vemos relatado em forma bem definida no primeiro documento que dele fala, a carta de Paulo aos coríntios (1ª leitura).

 

João salienta o gesto de Jesus lavando os pés dos seus e deixando, como seu testamento em palavra e exemplo, fazer-se o mesmo entre os irmãos. Não ordena repetir um rito, mas fazer como ele, isto é, refazer em todo tempo e em toda comunidade, gestos de serviço mutuo - não padronizados, mas nascidos da criatividade daquele que ama -' através dos quais torne-se presente o amor supremo do Cristo pelos seus ("amou-os até o fim"). Todo gesto de amor se torna, portanto, "sacramento", isto é, visibilização, encarnação, linguagem simbólica, da única realidade: o amor do Pai em Cristo, o amor, em Cristo, de todos os que creem.

 

Jesus se dá em alimento; é o sacramento do amor

 

É a mesma realidade que o rito da ceia, em sua repetição até o fim dos tempos e em sua necessária simplicidade de forma (estilizada) exprime com outra linguagem; mas só quem é "iniciado" pode compreendê-la, e quem vive ou se esforça por viver todos os dias aquilo que exprime no momento da assembleia. Só participamos autenticamente da eucaristia, memorial do sacrifício de Jesus, quando ela é também memorial do nosso sacrifício.

 

Em outras palavras, trata-se de ter para com o corpo eclesial do Cristo aquele respeito que se tem por seu corpo eucarístico. A presença real do Senhor morto e ressuscitado no pão e no vinho, sobre os quais se diz a ação de graças (cf 2ª leitura), se estende, embora de outro modo, à pessoa dos irmãos, especialmente dos mais pobres (cf todo o contexto de 1 Cor cap. 11); quem faz discriminação, quem despreza os outros, quem mantém divisões na comunidade "não reconhece o corpo do Senhor". Sua ceia não é mais a Ceia do Senhor, mas um rito vazio que expressa sua condenação.

 

O sacerdócio nasce da eucaristia; é o dom para a unidade

 

Dentro da comunidade, as relações recíprocas são avaliadas em nível de serviço e não de poder, e encontram sua mais perfeita expressão no momento da ação eucarística. Quem "preside" à comunidade e é por ela responsável, preside também à eucaristia; reúne-a na oração comum, como a une nas diversas atividades da palavra e do auxilio mútuo. Para ser coerentes com seu ministério sacramental, o bispo com os sacerdotes (e os diáconos) são os mais próximos do Cristo servo na consagração total de suas forças e sua vida à atividade eclesial. O Concilio Vaticano II exprime a relação dos vários aspectos do ministério sacerdotal com a celebração da eucaristia: "Os presbíteros... segundo a imagem de Cristo, sumo e eterno Sacerdote, são consagrados para pregar o evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, de maneira que são verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento. Participando, no grau próprio de seu ministério, da função de Cristo Mediador único (cf 1Tm 2,5), a todos anunciam a palavra de Deus. Eles exercem seu sagrado múnus principalmente no culto eucarístico ou sintaxe, na qual, agindo na pessoa de Cristo e proclamando seu mistério, eles unem Os votos dos fiéis ao sacrifício de sua Cabeça e, até a volta do Senhor, apresentam e aplicam no sacrifício da missa o único sacrifício do Novo Testamento, isto é, o sacrifício de Cristo que, como hóstia imaculada, uma vez por todas se ofereceu ao Pai... Exercendo, dentro do âmbito que lhes compete, o múnus de Cristo Pastor e Cabeça, eles congregam a família de Deus numa fraternidade a tender para a unidade e a conduzem a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo... De coração, feitos modelos para o rebanho, presidam e sirvam de tal modo sua comunidade local, que esta dignamente possa ser chamada com aquele nome pelo qual só e todo o Povo de Deus é distinguido, a saber: Igreja de Deus". [Missal Dominical, ©Paulus, 1995]

 

Oração da assembleia (Missal Dominical, Paulus, 1995)

Pelas comunidades cristãs, para que realizem sempre melhor sua vocação de serviço dos homens na busca da verdade e em gestos concretos de amor, rezemos ao Senhor: Ajudai-nos Senhor!

Pelos ministros da Igreja, para que desempenhem seu serviço da palavra dos sacramentos e da comunhão eclesial com os sentimentos de Jesus, rezemos ao Senhor:

Por todos nós que celebramos esta páscoa, para que possamos encontrar a dimensão familiar da eucaristia, a alegria de pertencer a uma comunidade e sermos, juntos, abertos a todos os outros, rezemos ao Senhor:

Preces espontâneas

 

Oração sobre as Oferendas:

Concedei-nos, ó Deus, a graça de participar dignamente da eucaristia, pois, todas as vezes que celebramos este sacrifício em memória do vosso Filho, torna-se presente a nossa redenção. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Este é o corpo que será entregue por vós, este é o cálice da nova aliança no meu sangue, diz o Senhor. Todas às vezes que os receberdes, fazei-o em minha memória. (1Cor 11, 24-25)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus todo-poderoso, que hoje nos renovastes pela ceia do vosso Filho, dai-nos ser eternamente saciados na ceia do seu reino. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Oferecer ao hóspede água para lavrar os pés da poeira do caminho era gesto de cortesia; em algum caso um servo poderia fazê-lo, ou um discípulo dedicado a seu mestre. Jesus inverte espetacularmente os papeis: sua ação simbólica é fenomenal. A reação apaixonada de Pedro diante do ato de rebaixar-se do Mestre e o não menos apaixonado desejo de não afastar-se dele. Mais importante que a humildade e o respeito é obedecer ao Mestre. Pedro só entenderá o gesto depois. A humilhação presente de Jesus, voluntária, incrível, representa a morte que ele vai realizar para obter-nos a vida eterna. É o valor exemplar do gesto, o sentido de serviço humilde que deve animar a vida do cristão e que carrega consegue uma bem-aventurança. O que Jesus fez, afinal, foi dar a vida pelos outros, por nós cristãos. A lavação dos pés tem uma dimensão simbólica e sacramental. O Senhor e Mestre deu aos discíupulos uma lição de como agir na comunidade cristã. Será feliz quem buscar servir como Jesus.

 

 

Recomendações da CNBB para o Tríduo Pascal

 

Comunhão no Tríduo Santo

1.  Aos fiéis em geral pode-se dar a santa Comunhão: a) na quinta-feira Santa somente dentro da Missa; não fora da Missa, nem de manhã nem de tarde. B)Na sexta-feira somente dentro da solene Ação Litúrgica vespertina. C) N Sábado Santo somente dentro da Missa da Vigília Pascal.

2.  Aos doentes que não podem participar da celebração litúrgica: a) na quinta-feira Santa e na sexta-feira Santa, pode-se administrar de manhã ou de tarde. B) No Sábado Santo não pode ser administrada.

3.  Aos gravemente doentes pode-se dar o Santo Viático a qualquer hora do dia ou da noite

 

Missa no Tríduo Sacro

1.  Na quinta-feira Santa, é celebrada só uma Missa principal (ou Conventual) vespertina nas igrejas ou oratórios em que se fazem as solenidades ou cerimônias litúrgicas da Semana Santa. Nas catedrais também uma Missa do Crisma é celebrada pela manhã. O Ordinário pode permitir, para o bem dos fiéis, uma Missa vespertina nas igrejas ou oratórios em que não se fazem as celebrações da Semana Santa.

2.  Quando a exigência pastoral o pedir, o Ordinário do lugar pode permitir que além da Missa principal da Ceia do Senhor, seja celebrada outra, à tarde, nas igrejas e nos oratórios. Em caso de verdadeira necessidade, também pode permitir que a celebração desta Missa seja feita de manhã, mas só para os fiéis que estejam impossibilitados de participar na Missa vespertina, evitando, porém, que tais celebrações sejam autorizadas em favor de particulares, ou prejudiquem a Missa vespertina, que é a principal.

3.  Os sacerdotes que concelebrarem a Missa do Crisma podem (com)celebrar novamente a Missa Vespertina.

4.  Exéquias – Os enterros devem-se fazer sem Missa e sem solenidades, por exemplo, o toque de sinos.

 

 

Sugestões para a celebração

 

1.  Preparar o ambiente da celebração como uma verdadeira e festiva refeição: flores, velas, cor branca nas toalhas e vestes, pão (ázimo) e vinho para todos.

2.  Para expressar mais claramente o sentido de refeição e ceia, além do sinal do vinho e do pão, a comunidade poderá trazer algum alimento para partilhar, especialmente com as crianças e com os pobres. Onde for possível, toda a comunidade se reúne ao redor da mesa, arrumada no centro da igreja.

3.  Preparar cuidadosamente o lava-pés, que por algum tempo já foi considerado um sacramento pelas comunidades cristãs. Mesmo o ligando com o tema da Campanha da Fraternidade, como acontece em algumas comunidades, é importante salientá-lo como sinal da doação de Jesus e como gesto profético que anuncia sua morte.

4.  Neste dia do “novo mandamento”, é importante acolher bem as pessoas que chegam para a celebração.

5.  Iniciar a celebração com um refrão orante, que expresse o sentido desta festa, como:“Onde reina o amor, fraterno amor, onde reina o amor, Deus aí está!” Repeti-lo várias vezes.

6.  Para a abertura, o Hinário Litúrgico 2, p. 161, sugere o canto: “Nós devemos gloriar-nos”... Quem preside e toda a equipe de celebração entram e beijam calma e solenemente a mesa da ceia (altar). Quem anima dá o sentido da celebração e acolhe fraternalmente a todos. Sendo o início do Tríduo pascal, todos se saúdam, desejando-se mutuamente: “Feliz Páscoa!”

7.  Onde for possível, após essa acolhida, a comunidade faz a memória dos vários grupos e igrejas com os quais quer estar em comunhão. Algumas comunidades, seguindo a tradição judaica, acende neste momento a “menorá” (candelabro de sete braços). A seguir canta-se o glória e faz-se a oração da coleta.

8.  Abrir a liturgia da Palavra com a recordação dos fatos ou ações concretas em que, durante a Quaresma, a comunidade vivenciou sua Páscoa ou das ações concretas que realizou nesse período.

9.  A 1ª leitura pode ser feita como na ceia judaica. Uma criança pergunta: “Por que esta noite é diferente das outras?” Um adulto responde recitando o texto — se possível, de cor. Depois da leitura, onde for oportuno, podem ser passadas vasilhas com ervas amargas (chicória, almeirão, mostarda), como na ceia pascal, lembrando o sofrimento do povo de Israel no Egito. “Desta forma, estamos reverenciando o povo do qual veio Jesus e, ao mesmo tempo, entrando em comunhão com ele, que também celebra neste dia a festa da Páscoa”.

10.   O Hinário Litúrgico 2, p. 47, oferece uma versão cantada para o salmo responsorial — Sl 116(115) e, na p. 52, traz a partitura da aclamação ao evangelho indicada para esta celebração: “Eu vos dou um novo mandamento”.

11.   O evangelho poderá ser encenado e o lava-pés integrado ao longo da narração. Uma pessoa faz o papel de Pedro no diálogo com Jesus. Quem preside lava, enxuga e beija o pé de cada pessoa, enquanto a comunidade entoa um hino apropriado, retomando o texto, como: “Jesus, erguendo-se da Ceia, jarro e bacia tomou ...” Onde for possível, o gesto de Jesus seja vivido pelas pessoas que, na comunidade, exercem algum ministério ou serviço.

12.   No momento da apresentação das oferendas, um grupo de pessoas prepara a mesa da ceia diante da comunidade. Além de pães ázimos e de jarra de vinho, é bom haver algum alimento (pão, bolo, suco de uva...) que possa ser partilhado com todos (também as crianças) no fim da celebração.

13.   Se possível, cantar a oração eucarística ou pelo menos as aclamações e o amém final. (Pode-se cantar a louvação pascal, cuja melodia se encontra no Hinário Lit. 2, p. 97.)

14.   Dar destaque ao gesto da fração do Pão, enquanto a assembleia canta o “Cordeiro de Deus”.

15.   É costume fazer a vigília junto ao Santíssimo Sacramento após a celebração. Recomenda-se que ela termine antes da meia-noite, para respeitar o significado da celebração destes dias. A partir da meia-noite já fazemos a recordação da traição, da prisão, da paixão e da morte de Jesus, que hoje se prolonga na vida de tantos irmãos e irmãs. É bom lembrar que a noite mais importante é a do sábado, a maior e mais solene vigília é a Vigília Pascal, para a qual devem convergir todas as nossas energias.

 

 

Transladação do Santíssimo Sacramento:

Pode-se transporta o Santíssimo para um local determinado (um altar preparado num canto da própria igreja). Durante a procissão, pode-se entoar um canto apropriado. Durante a noite ou amanhã cedo, poderá haver momentos de adoração, acompanhando Jesus nas suas últimas horas.

 

Tríduo Pascal

O Tríduo pascal não é preparação do Domingo da Ressurreição, mas é, segundo as palavras de Santo Agostinho, o sacratíssimo Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado. O Tríduo pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, possui o seu centro a Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição. É o ápice do ano litúrgico porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor, “quando Cristo realizou a obrada redenção humana e da perfeita glorificação de Deus pelo seu mistério pascal, quando morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando renovou a vida.”

 

Deveis lavar os pés uns dos outros.