Quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

II Semana do T.C. – Santa Inês (Virgem e Mártir (Memária) - 2ª Semana do Saltério - Cor Vermelha

 

Hoje: Dia Mundial da Religião e dia nacional do Combate à Intolerância Religiosa.

 

Santos do Dia: Artêmio de Clermont (bispo), Urbano, Prilidiano e Epolônio (mártires de Antioquia), Bertrando de Saint Quentin (abade), Exuperâncio de Cingoli (bispo), Feliciano de Foligno (bispo) e Messalina (virgem), (mártires), Macedônio Critófago (eremita de Antioquia), Mardônio, Musônio, Eugênio e Metélio (mártires de Neocesaréia de Mauritânia), Surano de Sora (abade), Zâmio de Bolonha (bispo), Felix O'Dullany (bispo, bem-aventurado), João Grove (mártir, bem-aventurado), Marcolino de Forli (dominicano, bem-aventurado), São Vicente Pallotti, William da Irlanda (jesuíta, mártir, bem-aventurado)

 

Antífona: Esta é uma virgem sábia, do numero das prudentes, que foi ao encontro de Cristo com sua lâmpada.

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que escolheis as crianças mais frágeis, dai-nos, ao celebrar o martírio de Santa Inês, a graça de imitar sua constância na fé..  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: I Samuel (1 Sm 18, 6-9; 19, 1-7)
Deus dá força e coragem a Davi na batalha

 

Naqueles dias, 6quando Davi voltou, depois de ter matado o filisteu, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, dançando e cantando alegre­mente ao som de tamborins e címbalos. 7E, enquanto dançavam, diziam em coro: "Saul matou mil, mas Davi matou dez mil". 8Saul ficou muito encolerizado com isto e não gostou nada da canção, dizendo: "A Davi deram dez mil, e a mim somente mil. Que lhe falta ainda, se­não a realeza?" 9E, a partir daquele dia, não olhou mais para Davi com bons olhos.

 

19,1Saul falou a Jônatas, seu filho, e a todos os seus servos sobre sua in­tenção de matar Davi. Mas Jônatas, filho de Saul, amava profundamente Davi, 2e preveniu-o a respeito disso, dizendo: "Saul, meu pai, procura matar-te; portanto, toma cuidado amanhã de manhã, e fica oculto em um esconderijo. 3Eu mesmo sairei em companhia de meu pai, no campo, onde estiveres, e lhe falarei de ti, para ver o que ele diz, e depois te avisarei de tudo o que eu souber".

 

4Então Jônatas falou bem de Davi a Saul, seu pai, e acrescentou: "Não faças mal algum ao teu servo Davi, porque ele nunca te ofendeu. Ao contrário, o que ele tem feito foi muito proveitoso para ti. 5Arriscou a sua vida, matando o filisteu, e o Senhor deu uma grande vitória a todo o Israel. Tu mesmo foste testemunha e te alegraste. Por que, então, pecarias, derramando sangue inocente e mandando matar Davi sem motivo?" 6Saul, ouvindo isto e aplacado com as razões de Jônatas, jurou: "Pela vida do Senhor, ele não será morto!" 7Então Jônatas chamou Davi e contou-lhe tudo isto. Levou-­o em seguida a Saul, para que ele retomasse o seu lugar, como antes. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Saul, meu pai, procura matar-te

 

Deus, que elegeu Davi, tirando-o de sua humilde condição de pastor, não torna fácil a sua vida, não facilita a sua ascensão ao trono. E o comportamento normal de Deus com relação aos seus eleitos. Muitos profetas de ontem e de hoje sofreram e sofrem em virtude de sua específica missão. Aqui o sofrimento vem a Davi a partir de Saul, o qual, embora eleito por Deus, não soube ler os desígnios do Alto. O ciúme por alguém que ele considerava melhor e mais aceito por Deus e pelo povo bloqueou­-o nos seus sentimentos mais profundos de admiração e afeto. História de ontem e de hoje. História que se repete desde que Cristo foi entregue por inveja. Uma paixão que é obra do maligno: discórdia entre aqueles que trabalham pelo reino de Deus. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 55(56), 2-3.9-10ab.10c-11.12-13 (R/.5bc)

É no Senhor que eu confio e nada temo

 

Tende pena e compaixão de mim, ó Deus, pois há tantos que me calcam sob os pés, e agressores me oprimem todo dia! Meus inimigos de contínuo me espezinham, são numerosos os que lutam contra mim!

Do meu exílio registrastes cada passo, em vosso odre recolhestes cada lágrima, e anotastes tudo isso em vosso livro.

 

Meus inimigos ha­verão de recuar em qualquer dia em que eu vos invocar; tenho certeza: o Senhor está comigo!

 

Confio em Deus e louvarei sua promessa. E no Senhor que eu confio e nada temo: que poderia contra mim um ser mortal? Devo cumprir, ó Deus, os votos que vos fiz, e vos oferto um sacrifício de louvor.

 

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 3, 7-12)

As multidões seguem a Jesus

 

Naquele tempo, 7Jesus se retirou para a beira do mar, junto com seus discípulos. Muita gente da Galiléia o seguia. 8E também muita gente da Judéia, de Jerusalém, da lduméia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Ti­ro e Sidônia, foi até Jesus, porque tinham ouvido falar de tudo o que ele fazia. 9Então Jesus pediu aos discípulos que lhe providenciassem  uma barca, por causa da multidão, que não o comprimisse.

 

10Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal jogavam-se sobre ele pa­ra tocá-lo. 11Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés, gritando: "Tu és o Filho de Deus!" 12Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era. Palavra da Salvação!

 

Sinóticos: Mt 12, 15-16; Lc 6, 17-19 e Mt 4, 25. Leituras paralelas: Mt 4, 23-25; Mt 8,29; Lc 4, 41

 

 

 

Comentando o Evangelho

À procura de Jesus

 

A cena de Jesus cercado pelas multidões é impressionante. Fez-se necessário ter um barco à mão para evitar que fosse comprimido pelo povo vindo de muitos lugares. Levada pelo desejo de ser curada, a multidão precipitava-se sobre ele, na esperança de tocá-lo.

 

Jesus atraía a todos, por ser fonte de vida para o povo oprimido por doenças e enfermidades. Sua presença era penhor de cura e libertação.

 

Era impossível exigir que o povo procurasse Jesus movido por uma idéia correta a respeito dele. Os espíritos imundos declaravam-no Filho de Deus. E o povo? Tinha consciência disto? Vinha em busca de Jesus por que era o Filho amado de Deus, o enviado com a missão de construir o Reino na história humana? Imaginavam que os milagres de Jesus eram o sinal do Reino acontecendo em suas vidas? Sem dúvida alguma, o povo queria mesmo era ser curado. Nada mais!

 

A multidão não estava em condições de fazer grandes reflexões teológicas a respeito da pessoa de Jesus e de sua identidade. Nem por isso Jesus a repelia e deixava de atender-lhe as súplicas. Quem sabe chegariam a acreditar nele, embora o início da caminhada fosse um tanto nebuloso!

 

O importante é que ninguém saía frustrado do encontro com Jesus, quando o procurava em busca de libertação. Em cada coração sincero, ele plantava a semente da fé. [O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997]

 

Santa Inês

Muitos foram os santos do século IV da era cristã que, tomados de admiração pela heroicidade do martírio de Santa Inês, celebraram seus louvores. Assim o fizeram o Papa Dâmaso, São Jerônimo, Santo Ambrósio. Este último abriu um de seus panegíricos com as seguintes palavras: "Hoje é natal de uma virgem, sigamos sua integridade; é o natal de um mártir, ofereçamos sacrifícios; é o natal de Santa Inês. Ela teve duplo martírio: o da castidade e o da fé".

 

De fato, hoje ocorre o natal, isto é, o nascimento para o céu, de Santa Inês, virgem, que recebeu a palma do martírio no dia 21 de janeiro de 304, quase contemporaneamente a São Sebastião.

 

O nome Inês deriva de uma palavra grega que significa "casta". Foi, portanto, seu nome uma profecia e um programa de vida, pois Inês ficou sendo, na história da Igreja, o símbolo do pudor e da pureza, por cuja defesa ela se expôs ao martírio.

 

Uma das virtudes novas, introduzidas pelo Cristianismo como expressão de uma concepção integral de viver a religião, foi a  valorização da pureza e da virgindade. A exaltação da virgindade teve, na Igreja dos primeiros séculos, um tom de desafio e, ao mesmo tempo, de triunfo sobre a concepção pagã da vida.

 

Entre as virgens e mártires do tempo das perseguições, uma das mais famosas foi, sem dúvida, Inês. Parece que sua família já era cristã, o que teria possibilitado que ela fosse educada, desde cedo, no amor a Cristo a tal ponto que o escolheu como esposo, consagrando sua virgindade, já na adolescência.

 

Conforme as notícias transmitidas por São Jerônimo e Santo Ambrósio, Inês tinha apenas treze anos quando estourou a perseguição de Diocleciano contra os cristãos. Sendo muito atraente, recebeu vários pedidos de casamento de jovens pagãos, inclusive o filho do prefeito de Roma, o que ela recusou, dizendo-se esposa de Jesus Cristo. Foi, então, acusada de ser cristã e, por isso, presa. De início, o magistrado imperial procurou fazer com que ela apostatasse pela persuasão. Diante da recusa, mostrou-lhe os instrumentos de tortura, ameaçando-a com a morte. Ao que ela respondeu: "Jesus Cristo vela sobre a vida e a pureza de sua esposa e não permitirá que lha roubem. Ele é meu defensor e abrigo. Podes derramar o meu sangue, nunca, porém, conseguirás profanar o meu corpo, que é consagrado a Cristo". O magistrado fê4a arrastar até a imagem dum ídolo para que lhe oferecesse incenso. Enviada depois para uma casa de prostituição, nenhum rapaz ousou aproximar-se dela.

 

Naquele mesmo século o Papa Dâmaso gravou sua história em dezesseis versos sobre sua sepultura, concluindo com esta súplica: "Santa glória da pureza, ínclita mártir, mostra-te benigna às súplicas de Dâmaso". O nome de Santa Inês, um dos mais venerados na devoção popular, entrou no cânon da missa ao lado de outros célebres mártires. O texto litúrgico da missa em sua comemoração põe em evidência a fragilidade inocente de Inês a confundir os poderosos do mundo. No dia de sua festa, na basílica com seu nome, em Roma, são abençoados dois cordeirinhos, símbolos da inocência, de cuja lã são confeccionados os pálios que o papa dá como insígnia aos arcebispos. [Conti, Servilio (Dom): O SANTO DO DIA. Petrópolis. Editora Vozes: 1997. p.42-43]

 

 

Errar é humano. Colocar a culpa em alguém é estratégico (Anônimo)