Quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sétima Semana da Páscoa,  3ª do Saltério (Livro II),  cor Litúrgica Branca

 

Santos: Bernardino de Sena (presbítero), Columba de Rieti (Beata, virgem),  Austregésilo (ou Austrilo, bispon de Bourges) , Baudélio (mártir), Astério e seus companheiros (mártir), Taleleu (mártir), Basila (ou Basilissa, virgem e mártir), Etelberto (mártir)

 

Antífona: Aproximemo-nos confiantes do trono da graça, a fim de conseguirmos misericórdia e encontrarmos auxílio em tempo oportuno, aleluia! (Hb 4, 16)

 

Oração: Nós vos pedimos, ó Deus, que o vosso Espírito nos transforme com a força dos seus dons, dando-nos um coração capaz de agradar-vos e de aceitar a vossa vontade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Atos (At 22, 30; 23, 6-11)

Paulo sabe que o Senhor está com ele

 

Naqueles dias, 30querendo saber com certeza por que Paulo estava sendo acusado pelos judeus, o tribuno soltou-o e mandou reunir os chefes dos sacerdotes e todo o conselho dos anciãos. Depois fez trazer Paulo e colocou-o diante deles.

 

23,6Sabendo que uma parte dos presentes eram saduceus e a outra parte eram fariseus, Paulo exclamou no conselho dos anciãos: "Irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. Estou sendo julgado por causa da nossa esperança na ressurreição dos mortos". 7Apenas falou isso, armou-se um conflito entre fariseus e saduceus, e a assembléia se dividiu.

 

8Com efeito, os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito, enquanto os fariseus sustentam uma coisa e outra. 9Houve, então, uma enorme gritaria. Alguns doutores da Lei, do partido dos fariseus, levantaram-se e começaram a protestar, dizendo: "Não encontramos nenhum mal neste homem. E se um espírito ou anjo tivesse falado com ele?"

 

10E o conflito crescia cada vez mais. Receando que Paulo fosse despedaçado por eles, o comandante ordenou que os soldados descessem e o tirassem do meio deles, levando-o de novo para o quartel. 11Na noite seguinte, o Senhor aproximou-se de Paulo e lhe disse: "Tem confiança. Assim como tu deste testemunho de mim em Jerusalém, é preciso que tu sejas também minha testemunha em Roma". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

É preciso que tu sejas também minha testemunha em Roma

 

Podemos pensar que Paulo haja interpretado a palavra do Senhor. “Assim como deste testemunho de mim em Jerusalém, serás também minha testemunha em Roma”, como o anúncio de uma nova missão de pregação e de grandes conversões, na capital do mundo então conhecido. Após haver evangelizado meio mundo, estava na lógica das coisas aportar a Roma, para concluir com chave de outro. Outros, porém, são os planos do Senhor. Paulo irá, sim, a Roma mas acorrentado. Dará testemunho do evangelho, não tanto com a palavra e com a ação, mas sobretudo com a prisão e o derramamento  do próprio sangue. O Espírito é sempre imprevisível e soberanamente livre. Subverte os planos humanos, inclusive os de Paulo, que deu tudo de si a serviço do evangelho. É como um fogo devorador que entra na vida de cada um de nós e não deixa para nós um ângulo sequer ou uma dobra do nosso espírito. Só assim, porém, quando formos traspassados pelo fogo do Espírito, nos tornamos transparentes à sua palavra e toda a nossa vida se torna testemunho. [Missal Cotidiano, © Paulus]

 

 

Salmo: 15 (16), 1-2a e 5. 7-8. 9-10. 11 (R/. 1)
Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

 

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! Digo ao Senhor: "Senhor vós sois meu Senhor". Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, meu destino está seguro em vossas mãos!

 

Eu bendigo o Senhor, que me aconselha, e até de noite me adverte o coração. Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, pois se o tenho a meu lado não vacilo.

 

Eis por que meu coração está em festa, minha alma rejubila de alegria, e até meu corpo no repouso está tranqüilo; pois não haveis de me deixar entregue à morte, nem vosso amigo conhecer a corrupção.

 

Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado!

 

 

Evangelho: João (Jo 17, 20-26)

Para que eles cheguem à unidade perfeita

 

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao céu e rezou, dizendo: 20"Pai santo, eu não te rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela sua palavra; 21para que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim. e eu em ti, e para que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste.

 

22Eu dei-lhes a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um: 23eu neles e tu em mim, para que assim eles cheguem à unidade perfeita e o mundo reconheça que tu me enviaste e os amaste, como me amaste a mim. 24Pai, aqueles que me deste, quero que estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória. glória que tu me deste porque me amaste antes da fundação do universo. 25Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes também conheceram que tu me enviaste. 26Eu lhes fiz conhecer o teu nome, e tornarei conhecido ainda mais, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

Perfeitos na unidade

 

A unidade foi o tema polarizador da pregação de Jesus, na etapa final do seu ministério. Esta preocupação é facilmente compreensível. Ele conhecia bem o coração humano, e sua tendência para a divisão, os conflitos, e a visão distorcida da realidade. Sintoma do pecado, a ausência de comunhão coloca-se no extremo oposto do ideal de Jesus. Foi este o alvo de sua ação redentora: arrancar o ser humano do egoísmo, que perverte o coração e o afasta de Deus e do próximo, levando a converter-se à unidade.


O modelo de unidade vislumbrado por Jesus é a comunhão trinitária. Portanto, ao apelar para a unidade, sua intenção foi levar os seres humanos a viver de modo semelhante, como vivem o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É o mesmo projeto, fundado na comunhão, que Jesus propõe para a humanidade, a começar pelo grupo restrito dos discípulos.


Para Jesus, a comunhão dos discípulos reforçaria a credibilidade de sua condição de enviado. Se implantou uma forma de amor-comunhão, diferente das até então conhecidas, é porque ele, de alguma forma, a tinha previamente experimentado na comunhão com o Pai e o Espírito Santo. Esta experiência prévia, no seio da Trindade, possibilitou a Jesus mostrar aos seres humanos o que seria melhor para eles. Sem amor-comunhão, só existe frustração. Não existe salvação possível. É próprio do discípulo cultivar o ideal de ser perfeito na unidade. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Jesus roga também pelos futuros fiéis, e o núcleo do seu pedido é a unidade: entre eles, com Jesus e com Deus, como o Filho com o Pai. No Antigo Testamento sentiu-se a ânsia de unidade de um povo dividido pelo cisma. A unidade em João procede de Deus, é Jesus que a cria comunicando a glória do Pai; é comunicação de vida partilhada com Deus e numa comunidade. A unidade deve “manter” dentro do mundo, frente aos perigos internos e externos. A unidade tem que ser visível como reflexo ou irradiação da unidade transcendente. De um lado estará o mundo que não o reconheceu, do outro os que creram nele. A “vontade” ultima de Jesus é que deles, como indivíduos e como comunidade, estejam ou vivam  com ele, contemple sua glória.  (Bíblia do Peregrino)

 

São Bernardino de Sena

 

 

 

Órfão de mãe aos três anos e de pai aos sete, foi criado por duas tias. Frequentou a universidade de Sena e, aos 22 anos ingressou na Ordem Franciscana. Ordenado sacerdote, São Bernardino percorreu toda a Itália, pregando o evangelho e propagando a devoção ao nome de Jesus, simbolizada pelas três letras iniciais do nome de Jesus: JHS (Jesus Salvador do Homens), hoje conhecidas pelos católicos do mundo inteiro. São Bernardino foi sem dúvida o pregador mais famoso na Itália do século XV, ao lado de São Vicente Ferrer e São João de Capistrano. O seu tempo foi marcado por calamidades que assolaram toda a Europa, causando morte e destruição. Em 1400, o próprio São Bernardino, que nessa ocasião tinha 20 anos, percorria com seus companheiros as ruas de Sena, cuidando das vítimas. Ao lado da peste, a guerra e a fome imprimiam um tom apocalíptico à situação, o que favorecia o misticismo e a meditação da paixão de Cristo. Dentro desse quadro, a contribuição de São Bernardino para uma espiritualidade cristã, centrada no amor pessoal a Cristo, foi enorme: Cristo é o centro de toda a vida cristã. Pregador popular, conseguia conversões prodigiosas de seus ouvintes. Obteve mais de 2000 vocações para a Ordem franciscana. Foi grande propagandista da devoção ao Santo Nome de Jesus e recusou três vezes a dignidade de bispo.

 

O ecumenismo é um ato de obediência; mas é ao mesmo tempo

uma aventura iniciada pelo Espírito. (Jan Bosh Navarro)