Quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Segunda Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério, Livro III, cor Verde

 

Hoje: Dia do Farmacêutico (ABIFARMA), Dia do Museu de Arte Moderna do RJ, Dia Municipal do Empregado da Saúde (CE), Dia Municipal do Doador de Sangue (ES), Dia Nacional do Fusca.

 

Santos do Dia: Eustóquio de Messina (franciscano), Eutímio, o Grego (abade), Mauro de Cesena (monge, bispo), Neófito de Nicéia (mártir).

 

Antífona: Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4)

 

Oração do Dia: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai  com bondade as preces do vosso povo e daí ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 7, 25—8,6)

Cristo é quem eleva nossa humanidade

 

Irmãos, 25Jesus é capaz de salvar para sempre aqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus. Ele está sempre vivo para interceder por eles. 26Tal é precisamente o sumo sacerdote que nos convinha: santo, inocente, sem mancha, separado dos pecadores e elevado acima dos céus. 27Ele não precisa, como os sumos sacerdotes, oferecer sacrifícios em cada dia, primeiro por seus próprios pecados e depois pelos do povo. Ele já o fez uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo. 28A lei, com efeito, constituiu sumos sacerdotes sujeitos à fraqueza, enquanto a palavra do juramento, que veio depois da lei, constituiu alguém que é Filho, perfeito para sempre.


8,1O tema mais importante da nossa exposição é este: temos um sumo sacerdote tão grande, que se assentou à direita do trono da majestade, nos céus. 2Ele é ministro do santuário e da tenda verdadeira, armada pelo Senhor, e não por mão humana. 3Todo sumo sacerdote, com efeito, é constituído para oferecer dádivas e sacrifícios; portanto, é necessário que tenha algo a oferecer. 4Na verdade, se Cristo estivesse na terra, não seria nem mesmo sacerdote, pois já existem os que oferecem dádivas de acordo com a lei. 5Estes celebram um culto que é cópia e sombra das realidades celestes, como foi dito a Moisés, quando estava para executar a construção da tenda: “Vê, faze tudo segundo o modelo que te foi mostrado sobre a montanha”. 6Agora, porém, Cristo possui um ministério superior. Pois ele é o mediador de uma aliança bem melhor, baseada em promessas melhores. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Cristo ofereceu sacrifícios uma vez por todas

 

Os homens não têm condições de abrir um caminho que os leve até Deus. Organizar um culto é, portanto, um empreendimento sem futuro, no qual não se realiza nenhum encontro autêntico e nenhuma purificação profunda do pecado do homem. Mas Cristo eleva a humanidade a uma comunhão real com Deus, porque sua natureza humana foi realmente introduzida na intimidade divina, através da ascensão de Cristo e de sua entrada no céu como Senhor. Este ingresso de Cristo na vida divina realizou-se mediante sua passagem pela escuridão da morte e pela oferta de toda a sua existência.

 

Por isso, a ação cultural do cristianismo tem valor pleno, já que não foi inventada pelos homens, mas querida pelo próprio Deus; tem valor pleno, porque nela é o próprio Cristo que, na pessoa dos autênticos ministros e em comunhão com todos os crentes. Continua sua oferta ao Pai. A celebração da Eucaristia é a atualização deste mistério. O cristão pode participar dele plenamente na medida que estiver em condições de oferecer ao Pai toda a sua vida e de estar, como Cristo, disponível para o serviço dos irmãos. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 39 (40), 7-8a.8b-9.10.17 (R./cf.8a.9a)

Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!

 

7Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados, 8ae então eu vos disse: “Eis que venho!”

 
8bSobre mim está escrito no livro: 9“Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!”

 

10Boas novas de vossa justiça anunciei numa grande assembleia; vós sabeis: não fechei os meus lábios!

 

17Mas se alegre e em vós rejubile todo ser que vos busca, Senhor! Digam sempre: “É grande o Senhor!” os que buscam em vós seu auxílio.

 

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 3, 7-12)

Jesus e a multidão junto ao lago

 

Naquele tempo, 7Jesus se retirou para a beira do mar, junto com seus discípulos. Muita gente da Galiléia o seguia. 8E também muita gente da Judéia, de Jerusalém, da lduméia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia, foi até Jesus, porque tinham ouvido falar de tudo o que ele fazia. 9Então Jesus pediu aos discípulos que lhe providenciassem  uma barca, por causa da multidão, que não o comprimisse.

 

10Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal jogavam-se sobre ele para tocá-lo. 11Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés, gritando: "Tu és o Filho de Deus!" 12Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas recomendadas: Mt 4,24-25; Lc 6,17-19

 

Comentário do Evangelho

Atraídos pela ação de Jesus

 

Para falar da atração exercida por Jesus, o Evangelho faz um elenco dos lugares de origem das multidões que assediavam o Mestre. Os locais mais próximos eram as cidades da Galiléia, especialmente as que ficavam à beira do lago. Este foi o palco privilegiado do ministério de Jesus. A fama de seus milagres e de seus ensinamentos deve ter chegado imediatamente aos ouvidos das populações daquela região. Até gente da capital da Judéia, Jerusalém, vinha ouvir o Mestre. Com que intenção?


Os judeus desprezavam os galileus. É bem possível que muitos tenham ido ver o galileu Jesus, movidos por preconceitos, quiçá com a intenção de “desmascará-lo”. Também vinha gente do estrangeiro: da Iduméia, ao sul da Judéia, do outro lado do rio Jordão – a Transjordânia –, e das cidades fenícias de Tiro e Sídon. Todos estes lugares eram habitados por judeus que, sem dúvida, junto com estes pagãos também ficavam atraídos pelo que Jesus fazia.


O Mestre limitava-se a fazer o bem a todos, indistintamente. Ao se confrontar com a multidão, não fazia distinção de espécie alguma. Judeus ou pagãos, todos eram igualmente curados e libertados da opressão do mau espírito. Assim, o Reino de Deus deixava as marcas de sua eficácia na vida de todos que se aproximavam de Jesus. Excluía-se, apenas, quem a ele se dirigia com intenções escusas. O Mestre tinha o dom de fazer renascer no povo a vida e a esperança! (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)

 

Liturgia Diária (Paulinas e Paulus)

A fim de que a Igreja nunca esqueça sua opção preferencial pelos pobres, rezemos. Ajudai-nos, Senhor, a fazer a vossa vontade.

A fim de que nossos sacerdotes se assemelhem a Jesus, sacerdote por excelência, rezemos.

A fim de que nossa comunidade elimine do seu meio toda inveja e competição, rezemos.

A fim de que os governantes promovam projetos de inclusão social, rezemos.

A fim de que as famílias superem os conflitos com diálogo e compreensão, rezemos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Concedei-nos, ó Deus, a graça de participar constantemente da eucaristia, pois, todas as vezes que celebramos este sacrifício, torna-se presente a nossa redenção. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Sabemos que Deus nos ama e cremos no seu amor. (1Jo 4,16)

 

Oração Depois da Comunhão:

Penetrai-nos, ó Deus, com o vosso Espírito de caridade, para que vivam unidos no vosso amor os que alimentais com o mesmo pão. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

São Sebastião

 

São Sebastião morreu 50 anos mais tarde, na perseguição de Diocleciano. Sua figura de mártir cravado de flechas  foi imortalizada pelos artistas da Renascença.

 

Sebastião prestou seu serviço militar em Milão e, por sua fidelidade e valor, foi nomeado capitão da primeira coorte da guarda pretoriana, isto é, do próprio imperador. Aproveitava desta sua posição para melhor proteger e confortar os cristãos, quando denunciados ou condenados à morte.

 

Identificado ele mesmo como cristão e denunciado ao imperador Diocleciano, foi detido e forçado a abjurar sua fé. O imperador, que muito estimava Sebastião, recorreu tanto a promessas como a ameaças para conseguir do seu alto oficial que abandonasse a fé. Todas as argumentações e tentativas de Diocleciano esbarraram numa vontade inflexível do militar.

 

Destituído então de sua função de oficial, foi entregue a um pelotão de soldados que o despiram, amarraram a uma árvore, alvejaram-no com flechas e o abandonaram, julgando-o morto. Alta noite, chegou Irene, mulher do mártir Cástulo, ao lugar da execução para retirar o corpo do mártir e dar-lhe a sepultura. Com grande admiração, encontrou-o ainda com vida. Sem demora, tomou providências para que o mártir fosse levado para sua casa onde tratou dele com muito desvelo.

 

Apenas restabelecido, Sebastião, cheio de coragem, procurou o imperador para reprovar sua iniquidade praticada contra pessoas inocentes como eram os cristãos. Outra vez condenado à morte, veio a falecer entre os tormentos de pauladas e boladas de chumbo. Era o ano de 303.

 

Seu culto é muito antigo e bastante popular (é padroeiro de inúmeras igrejas e capelas esparramadas pelo Brasil, inclusive da cidade do Rio de Janeiro). Os pormenores de seu martírio, porém, só chegaram até nós por uma fonte bastante tardia.

 

Sobre o lugar de sua sepultura foi levantada uma maravilhosa basílica que perpetua sua memória e propõe seu exemplo de herói.

 

O grande bispo de Milão, Santo Ambrósio, em memorável discurso, teceu os melhores elogios a este santo.

 

 

São Sebastião, a Igreja e a Fraternidade

 

Dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

 

Celebramos a festa de São Sebastião! A nossa cidade nasceu em 1565 e já foi criada sob a proteção do patrono contra a peste, a fome e a guerra. Pelo Breve “In superemminenti militantis Ecclesiae”, do Papa Gregório XIII, de 19 de julho de 1575, foi criada a Prelazia de São Sebastião. Em 16 de novembro de 1676, com a Bula do Papa Inocêncio XI “Romani Pontificis pastoralis sollicitudo”, elevou a antiga Prelazia de São Sebastião à categoria de Diocese, como sufragânea da Sé Metropolitana de São Salvador da Bahia, criada na mesma data. A esta ficou também subordinada a Diocese de Olinda. Pela Bula “Ad universas orbis ecclesias” do Papa Leão XIII, de 27 de abril de 1892, foi reorganizada a hierarquia eclesiástica no Brasil, que até então constava de apenas um arcebispado, em São Salvador da Bahia, e de onze bispados sufragâneos.

 

Foram criadas duas Províncias Eclesiásticas, a saber: uma no Norte, com sede em São Salvador da Bahia, e a outra no Sul, sendo o Bispado do Rio de Janeiro elevado à categoria de Sé Metropolitana. Portanto, a devoção a São Sebastião em nossa cidade consta de 446 anos de ininterrupta devoção. Foi graças a essa confiança e intercessão que se atribui a ele que a nossa cidade foi libertada de invasores. Somos abençoados com a proteção constante do jovem oficial do Império Romano, que deu testemunho do seguimento e do discipulado de Jesus Cristo, oferecendo duas vezes a sua vida humana para ganhar a vida eterna, que nunca se acaba. São Sebastião é testemunha de Jesus Cristo e nos convida a segui-Lo e testemunhá-Lo.

 

Nesses últimos treze dias fizemos a nossa missão popular em honra de nosso padroeiro. A réplica da histórica imagem de nosso patrono percorreu as foranias, as paróquias, as igrejas e capelas a Ele dedicadas, os bairros, os hospitais, as guarnições militares, os locais de lazer e cultura, algumas unidades de saúde, alguns presídios e locais de privação de liberdade de adolescentes, enfim, procuramos estar em quase todos os seguimentos da cidade do Rio de Janeiro.

 

Pensamos em um lema para este ano em que São Sebastião foi apresentado ao povo de Deus como “São Sebastião, mensageiro da paz”. Sabemos que a paz é Cristo e vem de Cristo. Pedimos a intercessão de nosso padroeiro junto da Trindade Santa em favor da paz em nossas casas, em nossas famílias, nos nossos trabalhos, em nossos bairros, nos morros, nas vilas, nos assentamentos, em toda a cidade maravilhosa! Que tenhamos um mundo cheio de ternura, do diálogo, da pluralidade, da segurança, da solidariedade e da concórdia, que nos proporciona a paz.

 

Dentro das intempéries da vida e do tempo, na última semana, desde a quarta-feira, fomos assolados com as chuvas e as enchentes, que causaram um terrível cenário de destruição e deixaram muitos irmãos nossos na região serrana do Rio, nas Dioceses de Petrópolis e de Nova Friburgo, cujos bispos diocesanos foram auxiliares nesta cidade maravilhosa, assolados pelo flagelo da desolação, sendo que muitas vidas foram ceifadas e o cenário de destruição se nos é apresentado instantaneamente pela mídia em geral. Nesse sentido, dentro da solidariedade própria dos discípulos-missionários de Jesus Cristo, a nossa trezena transformou-se no tema: “São Sebastião, mensageiro da paz, que nos convoca à solidariedade”, no gesto concreto da doação de água, roupas, material de higiene pessoal, gêneros alimentícios que são entregues depois da visita da imagem de nosso Padroeiro para que sejam levados diretamente para as paróquias das dioceses serranas, a fim de minorar o sofrimento e a desolação das famílias atingidas pela catástrofe.

 

Mais do que uma efetiva atenção material, no dia de São Sebastião somos convidados a rezar. Rezar com fé, e até com penitência, pelos que partiram para junto de Deus, e para aqueles nossos irmãos que, diante da tragédia, perderam tudo, e não podem perder a esperança de que Deus não os abandonou. Ao contrário, como São Sebastião depois de ter recebido flechadas por causa de sua fé, manteve acesa a sua esperança e, recuperado, apresentou-se diante do Imperador para reafirmar a sua fé. Os que hoje choram seus falecidos e que estão diante da catástrofe são chamados a reafirmar a sua fé no Deus da Vida e confirmar que somente Jesus poderá sarar nossas feridas e dar as forças necessárias para, com fé e esperança, reiniciarmos a nossa caminhada.

 

Será necessária a continuidade de nossa ajuda depois que cessar a cobertura da mídia. Todos temos que responder pela solidariedade, porém, as autoridades, em todas suas esferas ajudadas pela sociedade civil, devem encontrar caminhos para a reconstrução da região serrana com efetiva abertura de uma solução definitiva dos problemas hoje enfrentados. Só poderemos fazer isso se, com espírito de esperança cristã, pedirmos a intercessão de São Sebastião para que Deus ilumine os dias e os caminhos do povo do Rio de Janeiro.

 

A Campanha da Fraternidade deste ano, “Fraternidade e Vida no Planeta”, será um belo momento para aprofundar o nosso relacionamento com a natureza para que sustentavelmente vivamos com segurança neste nosso habitat.

 

Para a nossa cidade, esperamos que o testemunho da solidariedade de milhares que atenderam a voz de Deus e da Igreja na caridade se transforme em um mutirão de fé para que, na mesma medida do coração que dá com alegria, seja o coração que, convertido, procure na santidade, honestidade e concórdia trazer dias melhores de paz para a nossa amada Arquidiocese e cidade.

 

São Sebastião, rogai por nós!

 

Aconteceu no dia 19 de janeiro:

1890: Hino Nacional de Francisco Manuel da Silva é oficializado

 

 

O diálogo só acontece quando quebramos nossos preconceitos e pisamos na terra do outro. (Frei Prudente Neri)