Quinta-feira, 19 de abril de 2011

Santa Catarina de Sena (Virgem e Doutora), Memória, 4ª do Saltério (Livro II),  cor Branca

 

Hoje: Dia do Defensor Público

 

Santos: Ivo de Kermartin (sacerdote), Prudenciana (mártir), Madre Maria Stollenwek (bem aventurada), Pedro Celestino (monge, eremita, Papa), Dunstano (abade beneditino e bispo de Worceste e de Londres), Teófilo de Corte (Confessor franciscano, 1ª Ordem), Prudente (mártir), Calógero (mártir), Partênio (mártir), Alcuíno (Abade), Agostinho Novello (Beato), Pedro Wright (Beato, mártir). 

 

Antífona: Esta é uma virgem sábia, uma das jovens prudentes, que foi ao encontro de Cristo com sua lâmpada acesa, aleluia!

 

Oração: Ó Deus, que restaurais a natureza humana dando-lhe uma dignidade ainda maior, considerai o mistério do vosso amor, conservando para sempre os dons da vossa graça naqueles que renovastes pelo sacramento de uma nova vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Atos (At 13, 13-25)

Deus fez surgir para Israel um Salvador que é Jesus

 

13PauIo e seus companheiros embarcaram em Pafos e chegaram a Per­ge da Panfilia. João deixou-os e voltou para Jerusalém. 14Eles, porém, partindo de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia. E, entrando na sinagoga em dia de sábado, sentaram-se. 15Depois da leitura da lei e dos profetas, os chefes da sinagoga mandaram dizer-lhes: "Irmãos, se vós tendes alguma palavra para encorajar o povo, podeis falar". 16Paulo levantou-se, fez um sinal com a mão e disse: "Israelitas e vós que temeis a Deus, escutai! 17O Deus deste povo de Israel escolheu os nossos antepassados e fez deles um grande povo quando moravam como estrangeiros no Egito; e de lá os tirou com braço poderoso. 

 

18E, durante mais ou menos quarenta anos, cercou-os de cuidados no deserto. 19Destruiu sete nações na terra de Canaã é passou para eles a posse do seu território, 20por quatrocentos e cinqüenta anos aproximadamente. Depois disso, concedeu-lhes juízes, até o profeta Samuel. 21Em seguida, eles pediram um rei e Deus concedeu-lhes Saul, filho de Cis, da tribo de Benjamim, que reinou durante quarenta anos. 22Em seguida, Deus fez surgir Davi como rei e assim testemunhou a seu respeito: 'Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que vai fazer em tudo a minha vontade'. 23Conforme prometera, da descendência de Davi Deus fez surgir para Israel um salvador, que é Jesus. 24Antes que ele chegasse, João pregou um batismo de conversão para todo o povo de Israel. 25Estando para terminar sua missão, João declarou: 'Eu não sou aquele que pensais que eu seja! Mas vede, depois de mim vem aquele, do qual nem mereço desamarrar as sandálias"'. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Da descendência de Davi deus fez surgir

para Israel um salvador, que é Jesus 

 

É este o primeiro exemplo que possuímos da "catequese" de Paulo. O cristianismo não é uma ideologia, nem uma doutrina; é uma história de salvação, que tem em Jesus seu cumprimento. Por isso os acontecimentos do passado serão lidos como algo que compromete o presente, por­que também nós nos tornamos protagonistas. Quando se fala de Abraão, Moisés, Samuel..., na realidade se fala de cada um de nós. Sua fé é nossa fé, sua história se entrelaça com a nossa vida. Estudar a Bíblia não significa, pois, comentar este livro como se pertencesse ao passado; o verdadeiro modo de ler a Bíblia, especialmente o evangelho, é torná-lo continuamente "novo", redescobrindo a atualidade de Cristo ressuscitado. Descobre-se a atualidade do mistério de Cristo a partir da situação concreta do mundo de hoje, dos problemas que agitam o homem moderno. [Extraído do MISSAL COTIDIANO  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 88 (89), 2-3.21-22.23-24.25 e 27 (+ cf. 2a)
Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor 

 

Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor, de geração em geração eu cantarei vossa verdade! Porque dissestes: "O amor é garantido para sempre!" E a vossa lealdade é tão firme como os céus.  

 

"Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado. Estará sempre com ele minha mão onipotente, e meu braço poderoso há de ser a sua força. 

 

Não será surpreendido pela força do inimigo, nem o filho da maldade poderá prejudicá-lo. Diante dele esmagarei seus inimigos e agressores, ferirei e abaterei todos aqueles que o odeiam. 

 

Minha verdade e meu amor estarão sempre com ele, sua força e seu poder por meu nome crescerão. Ele, então, me invocará: ´Ó Senhor, vós sois meu Pai, sois meu Deus, sois meu rochedo onde encontro a salvação!`”

 

 

Evangelho: João (Jo 13, 16-20)

Quem recebe aquele que eu enviar, me recebe a, mim

 

Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus lhes disse: 16"Em verdade, em verdade vos digo: o servo não está acima do seu senhor e o mensageiro não é maior que aquele que o enviou. 17Se sabeis isto, e o puserdes em prática, sereis felizes. 18Eu não falo de vós todos. Eu conheço aqueles que escolhi, mas é preciso que se realize o que está na escritura: 'Aquele que come o meu pão levantou contra mim o calcanhar'. 19Desde agora vos digo isto, antes de acontecer, a fim de que, quando acontecer, creiais que eu sou. 20Em verdade, em verdade vos digo, quem recebe aquele que eu enviar, me recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

O Servo e enviado

 

Os discípulos relutavam em aceitar que o Mestre Jesus lhes lavasse os pés. Este gesto foi interpretado como uma quebra de hierarquia e esvaziamento da autoridade. É que eles pensavam a sociedade organizada em camadas sociais, sobrepostas segundo a importância de cada uma, num sistema de precedências e privilégios.


Jesus recusou-se a pactuar com esta mentalidade, oferecendo-lhes pistas para compreenderem a realidade de maneira diferente. Ele parte do princípio que "o servo não é maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou". Isto vale tanto para o Mestre quanto para os discípulos.


Entretanto, trata-se de saber que senhor é aquele que enviou Jesus, segundo a afirmação do Mestre. Sem dúvida, ele está falando do Pai, que fez de Jesus servo e enviado, e que acolhe também os discípulos do Filho como servos e os envia em missão. Se é possível falar em hierarquia, convém saber que só existe uma: a que sobrepõe Deus ao ser humano, o Criador à sua criatura. Além desta, qualquer tentativa de classificar as pessoas em mais ou em menos importantes será sem cabimento. Quem se imagina superior aos demais está usurpando o lugar de Deus. Só ele é o Senhor; todos nós somos irmãos e irmãs.


Nesta perspectiva, o gesto de humildade de Jesus é perfeitamente compreensível. Ele agiu como servo, por ser servo. E, como ele, todos devem agir, pois também são servos. Portanto, o gesto de Jesus só é incompreensível para quem não pensa como Deus.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, ©Paulinas]

 

Oração da assembleia (Deus Conosco)

Pelo Papa, Bispos, Sacerdotes e Diáconos para que, exercendo com ardor seu ministério, deem preferência aos mais necessitados e excluídos da sociedade humana, supliquemos ao Senhor.  Senhor, fazei-nos vos servir nos irmãos!

Para que cresçam em nossa sociedade os gestos de misericórdia e sejam implantadas em nosso meio a justiça e a paz, supliquemos ao Senhor.

Pelos catequistas de nossas Comunidades para que, repetindo o gesto de Jesus, lavem os pés de seus catequizandos, ajudando-os a compreender a grandeza do evangelho, supliquemos ao Senhor.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Subam até vos, ó Deus, as nossas preces com estas oferendas para o sacrifício, a fim de que, purificados por vossa bondade, correspondamos cada vez melhor aos sacramentos do vosso amor. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos, aleluia! (Mt 28,20)

 

Oração Depois da Comunhão:

Deus eterno e todo-poderoso, que, pela ressurreição de Cristo, nos renovais para a vida eterna, fazei frutificar em nós o sacramento pascal, e infundi em nossos corações a fortaleza desse alimento salutar. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Jesus aplica a si a oração de um inocente perseguido. O extraordinário é que, ao cumprir-se a traição anunciada, seja motivo de fé na pessoa, Eu sou. Essa fé está na fase da missão. Lavar os pés tem uma dimensão simbólica e sacramental. O Senhor e Mestre lhes deu uma lição de como agir na comunidade cristã. Será feliz quem buscar servir como Jesus.

 

São Ivo Kermantin

 

 

 

Aos 14 anos foi a Paris onde cursou filosofia e teologia, direito civil e direito canônico. Ordenado sacerdote, por quatro anos foi juiz eclesiástico na diocese de Rennes. Era chamado o Advogado dos Pobres. Um dia livrou uma pobre mulher da prisão, quando lhe faltava apenas o veredicto final. Dois farsantes haviam entregue à ela uma mala com ouro e dinheiro, para que a guardasse e somente a entregasse na presença dos dois. Passados alguns dias, os ladrões levaram adiante o seu plano: o primeiro conseguiu que a mulher lhe entregasse a mala e o segundo a levou ao tribunal, acusando-a de roubo. Compadecido dela, Santo Ivo foi ao tribunal e disse: "Esta mulher sabe onde se encontra a mala e está disposta a exibi-la". Pediram então que ela a mostrasse. Santo Ivo acrescentou, então: "Uma vez que a acusada somente pode devolver a mala na presença dos dois interessados, fica o demandante obrigado a apresentar o seu companheiro neste tribunal... "Santo Ivo granjeou a estima de todos pela integridade de vida e pela imparcialidade de seus juízos. Ele próprio ia buscar nos castelos o cavalo, o carneiro roubado dos pobres sob o pretexto de impostos não pagos. É um dos mais populares santos da Bretanha. Pode-se dizer que toda a sua vida foi dedicada à prática da virtude da Justiça, como advogado e depois como sacerdote e juiz eclesiástico. Atendia gratuitamente aos pobres e desvalidos, dando-lhes orientação jurídica segura para que seus direitos fossem respeitados. Faleceu aos 50 anos, e já em vida gozava de fama de grande santidade.

 

Devoção Mariana

 

Dom Benedicto de Ulhoa Vieira, Arcebispo Emérito de Uberaba (MG)

 

A piedade popular dedica este mês de maio a Nossa Senhora. Antigamente, quando as Missas não se celebravam senão antes do meio dia, as paróquias promoviam à noite celebrações em louvor à Virgem Santíssima. Eram terços, ladainhas, ofertas de flores, cantos e, nos últimos dias, coroação da imagem de Nossa Senhora, geralmente feita por crianças. Coisas bonitas, simples que recendiam fé e confiança. Mudaram-se os tempos. É de se esperar que não se tenha mudado o amor à Mãe de Deus.

 

O Bem Aventurado João Paulo II em 1987 presenteou a Igreja com bela e profunda reflexão sobre Maria Santíssima. É a Encíclica “Redemptoris Mater” em que o Papa mostra Maria no Mistério de Cristo, como a mulher cheia de fé, que Jesus nos deu como mãe no alto da cruz. A partir daí Ele nos apresenta a Mãe de Deus no coração da Igreja peregrina, acompanhando a vida apostólica com seu exemplo, sua fé, “sua participação íntima na história da salvação”. É por isto que todos os cristãos, tanto católicos como ortodoxos – lembra o Papa – têm por ela tão grande afeto e carinho, como se vê, por exemplo, na anáfora de São João Crisóstomo. Logo após a epíclese, a comunidade canta: “é justo proclamar-vos bem aventura, ó Deípara, que sois felicíssima, toda pura e Mãe de nosso Deus (...), mais digna de honra do que os querubins e incomparavelmente mais gloriosa que os serafins”. E para concluir sua reflexão, o documento pontifício fala da mediação materna de Maria, parte esta que se poderia intitular como “Maria no coração do povo”. Sente-se-lhe a alma no canto do “Magnificat”, cujas palavras “no limiar da casa de Isabel, constituem uma inspirada profissão desta fé (...) com a elevação religiosa e poética de todo o seu ser no sentido de Deus. É o êxtase de seu coração”, remata o Papa.

 

Não sem razão, Dante na Divina Comédia dirige-se a Maria nos conhecidos versos: “Virgem Mãe, filha de Teu Filho, humilde e superior à criatura, em ti misericórdia, em ti piedade, em ti magnificência, em ti se aduna na criatura o que haja de bondade” (Paraíso, 33).

 

Confiança tem o povo cristão em Nossa Senhora pela bondade e misericórdia com que foi privilegiadamente dotada. Prova disto é que tantos carregam consigo o rosário de Maria para rezar-lhe. Até o morto parece querer entrar no céu com o terço entrelaçado nas mãos... Por isto um dos nossos poetas, por aqui nascido, cantou em verso seu amor ao rosário de Maria: “Rosário santo, meu vergel de rosas, \ não conheces o mal das invernias \ e vives dando floração viçosas, ó meu doce rosal de Ave Marias!” (Primo Vieira).

 

Mês de maio, Mês de Maria. Rosas de preces, preces de Ave Marias.

 

Palavra e pedra solta não têm volta. (Benito Pérez Galdós)