Quinta-feira, 18 de setembro de 2008

24ª Semana do Tempo Comum, Ano Par, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Ouvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso povo eleito: para que os vossos profetas sejam verdadeiros. (Eclo 36,18)

 

 

Hoje: Dia dos Símbolos Nacionais, dia da TV Brasileira, dia do Perdão e In´cio da Semana Nacional do Trânsito.

 

Santos: Fânfilo, Ferreolo (mártir), Metódio (bispo), Eustórgio (bispo de Milão), Bertília (660, Bélgica), Ricarda (896), José de Cupertino (franciscano conventual italiano da 1ª ordem, 1663)

 

Oração: Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: I Carta de S.Paulo aos Coríntios (1Cor 15, 1-11)
Paulo apresenta a essência da fé cristã

1Irmãos, quero lembrar-vos o evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes. 2Por ele sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim. De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão.

3Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; 4que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras; 5e que apareceu a Cefas e, depois, aos doze. 6Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. 7Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos. 8Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo.

9Na verdade, eu sou o menor dos apóstolos, nem mereço o nome de apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. 10É pela graça de Deus que eu sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril: prova é que tenho trabalhado mais do que os outros apóstolos - não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo. 11É isso, em resumo, o que eu e eles temos pregado e é isso o que crestes. Palavra do Senhor!

Comentando 1Cor 15, 1-11[1]

É isso, em resumo, o que eu e eles 
temos pregado e é isso o que crestes

 

"Cristo ressuscitado" é o fundamento de nossa fé. Neste texto de Paulo estão as linhas principais do "Credo" cristão, e o mais antigo testemunho sobre a tradição da doutrina da Igreja das origens. Funda-se Paulo no "fato" da ressurreição de Cristo, a certeza basilar da fé cristã, certeza oferecida e confirmada por longa série de testemunhas que "viram" o "Ressuscitado". Este é o ensinamento da Igreja, este o "evangelho", a alegre notícia que trouxe a salvação e funda todas as outras realidades da fé, das quais é a suprema garantia. Aqui é afirmada a "tradição" da Igreja, ou seja, o ensinamento vivo que se transmite com base nas Escrituras. É-nos dado um estilo de anúncio na evangelização e na catequese.

 

 

Salmo Responsorial: 117(118), 1-2.16ab-17.28 (R/.1)  
Daí graças ao Senhor, porque ele é bom!

 

1Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! "Eterna é a sua misericórdia!" 2A casa de Israel agora o diga: "Eterna é a sua misericórdia!"

16aA mão direita do Senhor fez maravilhas, 16ba mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas! 17Não morrerei, mas ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor!

 

28Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço! Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 7, 36-50)
Jesus é portador da salvação

 

Naquele tempo, 36um fariseu convidou Jesus para uma refeição em sua casa. Jesus entrou na casa do fariseu e pôs-se à mesa. 37Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que Jesus estava à mesa, na casa do fariseu. Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume, 38e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com o perfume.

 

39Vendo isso, o fariseu que o havia convidado ficou pensando: "Se este homem fosse um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora". 40Jesus disse então ao fariseu: "Simão, tenho uma coisa para te dizer". Simão respondeu: "Fala, mestre!". 41"Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentas moedas de prata, o outro cinqüenta. 42Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou os dois. Qual deles o amará mais?" 43Simão respondeu: "Acho que é aquele ao qual perdoou mais". Jesus lhe disse: "Tu julgaste corretamente".

 

44Então Jesus virou-se para a mulher e disse a Simão: "Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. 45Tu não me deste o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. 46Tu não derramaste óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. 47Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco mostra pouco amor". 48E Jesus disse à mulher: "Teus pecados estão perdoados". 49Então, os convidados começaram a pensar: "Quem é este que até perdoa pecados?" 50Mas Jesus disse à mulher: "Tua fé te salvou. Vai em paz!" Palavra do Senhor

 

 

 

Comentando João (Jo 3, 13-17)[2]

Aquela que muito amou

 

O capacidade de Jesus acolher e perdoar os pecadores era sem limites. Em nenhuma circunstância ele se sentia desobrigado ou sem condições de dar mostras do que se passava em seu coração. Os pecadores eram sempre bem-vindos!


O episódio acontecido na casa do fariseu, que o convidou para uma refeição, é típico do modo de ser de Jesus. A chegada da pecadora, bem conhecida na cidade, e os gestos quase afetados de humildade e reconhecimento não chegaram a embaraçá-lo. Ele, que conhecia muito bem a história daquela mulher, via tudo aquilo com muita naturalidade.


A atitude do fariseu fazia contraponto com a de Jesus. Pondo sob suspeita a condição profética do Mestre, o anfitrião deu vazão aos seus pensamentos preconceituosos e malevolentes. É bem provável que atribuísse à passividade de Jesus intenções perversas em relação à mulher. Ou, então, deduzia: se é profeta e se deixa tocar por uma pecadora, é porque é ingênuo.


A intervenção de Jesus põe em confronto a atitude da mulher e a atitude do fariseu. Como o fariseu tinha convidado o Mestre por mera formalidade, sem sentir por ele nenhum afeto especial, podia dar-se ao direito de tratá-lo sem muita deferência. Foi o que manifestou desde o momento em que Jesus pisou naquela casa. Quanto à mulher, por saber-se perdoada e valorizada pelo Mestre, sentia-se livre para demonstrar-lhe seu amor, embora correndo o risco de ser mal interpretada. Seu gesto revelou a magnitude do amor e do perdão de Jesus.

 

 

São José de Cupertino[3]

 

 

 

 

 

São José de Cupertino, confessor franciscano, viveu uma das vidas mais belas e surpreendentes que se encontram no calendário litúrgico. Filho de camponeses do sul da Itália, era tão pouco dotado intelectualmente que a si mesmo dava, em sua humildade e graça, o nome de "Frei Asno". Diversas vezes tentou ingressar na vida religiosa sem o conseguir, por notória incapacidade. Só à custa de muita insistência foi admitido num convento franciscano. Apenas os frades menores de Grotella o acolheram, encarregando-o de cuidar das mulas. Só à custa de muita insistência foi admitido num convento franciscano Quando se preparava para o sacerdócio, era ajudado sobrenaturalmente em todas as provas e exames. Certa vez, somente conseguira estudar e assimilar uma frase da Escritura: "As entranhas que te trouxeram" Pela sua santidade, Deus. Em um exame, pediram-lhe que explicasse exatamente essa frase, e ele se saiu maravilhosamente bem: por isso passou a ser considerado o patrono dos estudantes em apuros. Ordenado sacerdote, vivia arrebatado em êxtases e era objeto de fenômenos místicos extraordinários. Era comum ser visto em levitação, erguido do solo a alturas elevadas. De seu corpo desprendia-se um suave perfume. Realizava milagres espantosos, curando doentes de todos os gêneros e, iluminado pelo Divino Espírito dava conselhos acertadíssimos, sendo procurado, por isso, por pessoas intelecutualíssimas, que vinham consultá-lo. Até o Papa quis conhecê-lo, e aconteceu que, durante a audiência com o Pontífice, o humilde franciscano entrou num êxtase e deixou o Papa admirado. Em suma, aquele que quase não fora admitido no convento, atingiu um santidade tão consumada e maravilhosa que se transformou numa das glórias da Ordem franciscana. O Frei Asno - porque assim a si mesmo se chamava, era capaz de responder às questões dos mais sofisticados teólogos. Passou o resto da vida fugindo das verdadeiras multidões que vinham atrás dele. Quando alguém tentou instalá-lo no convento de Assis, o papa protestou: "Em Assis, um são Francisco é mais do que suficiente". José faleceu aos 60 anos de idade, e hoje é invocado pelos estudantes que têm de enfrentar exames difíceis nas escolas.

 

Desafio pessoal: doe exemplares de Bíblia a um amigo ou amiga; evangelize através da Palavra!

 

 

 

 

 

Deus às vezes permite o pecado no passado, para no presente

haver o beijo do perdão. (D. Bernardo Schuch)

 

 



[1] BÍBLIA DO PEREGRINO, ©Paulus, 2002

[2] Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997

[3] www.asj.org.br