Quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Depois das Cinzas – Início da Quaresma - 4ª Semana do Saltério (Livro III) - Cor Litúrgica Roxa

 

 

Santos do Dia: Angilberto de Cêntula (abade), Bernadete Soubirous (religiosa, vidente de Lourdes), Charalampias e Companheiros (mártires da Magnésia, na Ásia Menor), Colmano de Lindisfarne (bispo), Eládio de Toledo (bispo), Flaviano de Constantinopla (bispo, mártir), Leão e Paregório (mártires de Patara, Lícia), Lúcio, Silvano e Companheiros (mártires da África), Máximo, Cláudio, Praepedigna, Alexandre e Cutia (mártires de Óstia), Simeão de Jerusalém (bispo, mártir), Teotônio de Coimbra (abade).

 

Antífona: Clamei pelo Senhor, e ele me ouviu: salvou-me daqueles que me atacam. Confia ao Senhor os teus cuidados, e ele mesmo te há de sustentar. (Sl 54, 17-20.23)

 

Oração do Dia: Inspirai, ó Deus, as nossas ações e ajudai-nos a realizá-las, para que em vós comece e termine tudo aquilo que fizermos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo

 

 

I Leitura: Deuteronômio (Dt 30, 15-20)

Hoje te proponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça

 

Moisés falou ao povo dizendo: 15"Vê que eu hoje te proponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça. 16Se obedecerdes aos preceitos do Senhor teu Deus, que eu hoje te ordeno, amando ao Senhor teu Deus, seguindo seus caminhos e guardando seus mandamentos, suas leis e seus decretos, viverás e te multiplicarás, e o Senhor teu Deus te abençoará na terra em que te fiz entrar, para possuí-la. 17Se, porém, o teu coração se desviar e não quiseres escutar, e se, deixando-te levar pelo erro, adorares deuses estranhos e os servires, 18eu vos anuncio hoje que certamente perecereis. Não vivereis muito tempo na terra onde ides entrar, depois de atravessar o Jordão, para ocupá-lo.

 

19Tomo hoje o céu e a terra como testemunhas contra vós, de que vos propus a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e teus descendentes, 20amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz e apegando-te a ele - pois ele é a tua vida e prolonga os teus dias, a fim de que habites na terra que o Senhor jurou dar a teus pais, Abraão, Isaac e Jacó" Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Hoje te proponho bênção e maldição

 

Não são muitos os caminhos a escolher, mas apenas dois: o da vida e o da morte. Parece, pois, que não há escolha: nossa sorte necessária, inelutável, é a morte. Ela vem, mesmo que ninguém a queira. Por outro lado, também o nosso espírito, o intimo de nós mesmos, parece não ter possibilidade de escolha: opta pela bênção, a felicidade, a vida. Tratar-se-á, porém, de possibilidade real de escolha, ou de ilusão? A proposta de Deus ao homem para aceitar a aliança é propriamente a escolha entre a vida e a morte. Não nos pertence definir a vida e a felicidade, porque isto cabe a Deus; é-nos dada apenas a possibilidade de aceitar o dom de Deus. Ninguém por si próprio escolhe a morte. Mas quem recusa a obediência, quem não aceita aquele tipo de morte que consiste em renunciar à vontade de definir a própria felicidade e não entrega nas mãos de Deus a própria vida, entra, de fato, no domínio da morte. É importante, portanto, descobrir que Deus quer nossa felicidade, e aceitar-lhe a proposta. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 1, 1-2.3.4 e 6 (Sl 39[40],5a)
É feliz quem a Deus se confia!

 

1Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem juntos aos zombadores vai sentar-se; 2mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.

 

3Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

 

4Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. 6Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.

 

O Salmo 1 é um salmo de instrução. Ele divide as pessoas em dois grupos: os obedientes à vontade do Senhor (vv. 1-3), e os maldosamente desobedientes (vv 4-5). Cada grupo experimentará as consequências de sua atividade: a vida e prosperidade para os obedientes, ostracismo e perda das raízes para os maus.

 

 

 

Evangelho do dia: Lucas (Lc 9, 22-25)

Quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará

 

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 22"O Filho do homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia". 23Depois Jesus disse a todos: "Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. 24Pois quem quiser salvar sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará. 25Com efeito, de que adianta a um homem ganhar o mundo inteiro, se se perde e se destrói a si mesmo?" Palavra da Salvação!

 

Contexto: Ministério de Jesus na Galiléia. Leituras paralelas: Mc 16, 21; Lc 8,31 (Primeiro Anúncio da Paixão); Mt 16, 20-25; Mc 8, 30-9,1 (Prediz a morte e ressurreição); Mt 16, 24-27; Mt 10, 28; Mc 8, 34-38 (condições para seguir a Jesus).

 

 

Comentando o Evangelho

A perda é salvação

 

A conclusão da caminhada terrena de Jesus escondia um sentido dificilmente compreensível para os discípulos. O horizonte messiânico no qual se moviam e com o qual interpretavam a pessoa do Mestre os impedia de compreender, em profundidade, o que o fato requeria. Para ser entendida, em sintonia com o pensar de Jesus, era preciso fazer uma violenta inversão de valores. O esquema tradicional era insuficiente para explicá-la.

 

Na lógica de Jesus, ou seja, na lógica do Reino, a perda é penhor de salvação, ao passo que a salvação, entendida à maneira do mundo, é fator de perda. Daí ser possível esperar que, da humilhação de Jesus resulte exaltação, do abandono por parte dos amigos e conhecidos provenha a solidariedade do Pai, do sofrimento redunde a mais plena alegria, e a morte seja superada pela ressurreição.

 

O contraste entre o projeto de Jesus e a mentalidade de seus discípulos era flagrante. Não lhes passava pela cabeça a possibilidade de existir um Messias cuja glória fosse alcançada em meio a sofrimentos e, muito menos, num contexto de morte violenta.

 

Só a fé na ressurreição pode nos levar a dar crédito às palavras de Jesus. Com ela, o Pai deu seu aval às palavras do Filho, assegurando-lhe sua veracidade. Jesus provou ser impossível experimentar a misericórdia do Pai sem abrir mão das ambições mundanas. Só quem é capaz de renunciar-se a si mesmo como ele, experimentará a salvação. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1996)

 

Para sua reflexão: O destino de Jesus, traçado pelo Pai e estendido exemplarmente aos homens, é paradoxal: parte do mistério do reinado de Deus. Já o demônio ofereceu a Jesus o domínio do mundo inteiro, sendo um projeto exatamente oposto ao do Pai. Mas Jesus era focado na sua missão e os discípulos não perceberam os sinais do seu tempo. Só depois da ressurreição de Cristo é que as coisas começam a se encaixarem. Assim acontece com a nossa vida: os sinais dos tempos estão à nossa frente, mas estamos ligados quase sempre nas coisas mundanas e curtindo menos a vida espiritual. A quaresma suscita em cada um de nós uma revisão de vida para mudança de rumos, se preciso for.

 

Santa Bernadete Soubirous

 

Santa Bernadete nasceu em Lourdes, na França, em 1844. Chamava-se Maria Bernarda. Filha de gente simples, mas a educaram dentro dos preceitos da Igreja Católica. Aos treze anos foi viver na pequena povoação. Analfabeta, acostumada aos trabalhos rudes do campo, Bernadete conhecia apenas as principais orações dos cristãos: o pai-nosso, a ave-maria, o credo etc. As aparições tiveram início no dia 11 de fevereiro de 1858, em que Nossa Senhora se proclamava: "Eu sou a Imaculada Conceição".Após as aparições, Bernadete ingressou no Convento das Irmãs de Nevers, onde viveu 13 anos, muitas vezes incompreendida e tratada com dureza pelas superioras e co-irmãs. Acometida de tuberculose, aos poucos consumida por uma cárie óssea. Viveu sua vida em sua cela de freira orando pelas almas das pessoas que ainda não encontraram o caminho de Deus, sempre com humildade e resignação, rezando menos para que a dor que sentia diminuísse e que o Céu lhe dessa paciência e força para suportar calada as provações de Deus. Bernadete morreu no dia 16 de abril de 1879. Morreu pronunciando oração de súplica a Maria: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim, pobre pecadora" Em 1925, Pio XI proclamou-a bem-aventurada e, em 1937, foi canonizada.

 

 

A pessoa não vale por sua cor, raça, nacionalidade ou religião, mas

por sua dignidade e caráter. (Frei Neylor Tonin)

 

 

Valorize os seus limites, e por certo não se livrará mais deles! (Richard Bach)