Quinta-feira, 17 de junho de 2010

Décima Primeira Semana do Tempo Comum, 3ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca

 

Santos: Bessário (anacoreta, discípulo de Santo Antão e de São Macário de Cétia), Ismael, Manuel, Rainério, Adélia, Hervê (monge cego que era guiado por um lobo, da Bretanha), Maria a Miserável, Odo de Cambrai, Nicandro e Marciano (mártires, na Campânia), Antídio (Bispo de Besançon), Hipácio (abade, Calcedônia), Avito (Auvergne), Ranieri (Pisa)

 

Antífona: Ouvi, Senhor, a voz do meu apelo, tende compaixão de mim e atendei-me; vós sois meu protetor, não me deixeis; não me abandoneis, ó Deus, meu salvador! (Sl 26, 7.9)

 

Oração: Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Eclesiástico (Eclo 48, 1-15)
 Durante a vida realizou prodígios

 

1O profeta Elias surgiu como um fogo, e sua palavra queimava como uma tocha. 2Fez vir a fome sobre eles e, no seu zelo, reduziu-os a pouca gente. 3Pela palavra do Senhor fechou o céu e de lá fez cair fogo por três vezes. 4Ó Elias, como te tornaste glorioso por teus prodígios! Quem poderia gloriar-se de ser semelhante a ti? 5Tu, que levantaste um homem da morte e dos abismos, pela palavra do Senhor; 6tu, que precipitaste reis na ruína e fizeste cair do leito homens ilustres; 7tu, que ouviste censuras no Sinai e decretos de vingança no Horeb.

 

8Tu ungiste reis, para tirar vingança, e profetas, para te sucederem; 9tu foste arrebatado num turbilhão de fogo, um carro de cavalos também de fogo, 10tu, nas ameaças para os tempos futuros, foste designado para acalmar a ira do Senhor antes do furor, para reconduzir o coração do pai ao filho, e restabelecer as tribos de Jacó. 11Felizes os que te viram, e os que adormeceram na tua amizade! 12Nós também, com certeza, viveremos; mas, após a morte, não será tal o nosso nome. 13Apenas Elias foi envolvido no turbilhão, Eliseu ficou repleto do seu espírito. Durante a vida não temeu príncipe algum, e ninguém o superou em poder. 14Nada havia acima de suas forças, e, até já morto, seu corpo profetizou. 15Durante a vida realizou prodígios e, mesmo na morte, suas obras foram maravilhosas. Palavra do Senhor!

 

Comentando a 1ª Leitura

Eliseu ficou repleto do seu espírito

 

As poderosas figurações dos profetas pintadas por Michelangelo na abóbada da Capela Sistina são o símbolo gráfico do ideal de grandeza moral que os animava. Comentário plástico genial de extraordinária profundeza às páginas do Eclesiástico. Mereceriam tranqüila reflexão que nos poderia levar, através da arte, a momentos de sólida contemplação cristã. Ante as grandes figuras dos profetas experimentamos um sentido de admiração e temor, de atração e distância. Neles se manifesta o Deus infinito e também tão próximo. A admiração e o temor são também duas formas de prece. Neste caso as palavras são apenas um "fundo musical". A presença de Deus impõe-se através da transparência do homem. Se soubéssemos abrir os olhos, teríamos todos os dias, motivos para contemplar a Deus em nossos irmãos. [Missal Cotidiano – Missal da Assembléia Cristã, ©Paulus, 1987]

 

 

Salmo: 96(97), 1-2.3-4.5-6.7 (R/.12a)

Ó justos, alegrai-vos no Senhor!

 

Deus é rei! Exulte a terra de alegria, e as ilhas numerosas rejubilem! Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, que se apóia na justiça e no direito.

Vai um fogo caminhando à sua frente e devora ao redor seus inimigos. Seus relâmpagos clareiam toda a terra; toda a terra ao contemplá-los estremece.

 

As montanhas se derretem como cera ante a face do Senhor de toda a terra; e assim proclama o céu sua justiça, todos os povos podem ver a sua glória.

 

"Os que adoram as estátuas se envergonhem e os que põem a sua glória nos seus ídolos; aos pés de Deus vêm se prostrar todos os deuses!"

 
 

Evangelho: Mateus, (Mt 6, 7-15)

Vós deveis rezar assim

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7"Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. 8Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais. 9Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. 11O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. 13E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. 

 

14De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. 15Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes". Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Lc 11, 2-4 (forma breve do Pai-nosso com cinco petições)

 

 

Comentando o Evangelho

A vontade do Pai

 

Ao ensinar aos discípulos o modo conveniente de rezar, Jesus os exortava a se colocarem numa continua busca de sintonia com a vontade do Pai. Os sete pedidos do Pai-nosso constituem a síntese dessa vontade do Pai, para os discípulos.

 

Santificar o nome de Deus significa romper com a idolatria, para radicar em Deus as suas vidas. Fora de Deus, para quem santifica o nome divino, nada tem valor absoluto.

 

A coisa que o Pai mais deseja é ver seu Reino acontecendo na vida de todos os seres humanos, como Reino de verdade e justiça. Fora dele só existe injustiça e maldade.

 

A obtenção do pão cotidiano, na perspectiva da vontade do Pai, nada tem de posse egoísta. O pão "nosso” e para ser partilhado, para que não haja mais fome nem indigência. Assim, o Reino se concretiza, em forma de solidariedade e partilha.

 

O pedido de perdão dos pecados, mais que um desejo dos discípulos, é o grande anseio de Deus. Desejar o perdão consiste em querer recentrar-se no amor de Deus.

 

Cair na tentação é abandonar os caminhos de Deus para trilhar desvios que levam à condenação. Quem, mais do que Deus, deseja que o discípulo não se desvie?

 

A libertação do mal consiste em criar mecanismos de defesa para que o inimigo não tome conta do coração do discípulo. Isto se dá num processo de enraizamento em Deus. E com isto ele se dá por satisfeito. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: A oração do Pai-nosso foi ensinada por Jesus a pedido dos discípulos. Ela contém uma invocação e sete pedidos, três em honra de Deus, quatro a favor do homem. Com esta oração pedimos, agradecemos e nos renovamos. As três primeiras petições, vosso nome, vosso reino, vossa vontade, são na realidade uma só: o desejo ardente de que sua paternidade-maternidade se faça presente eficazmente no mundo. O nome, o reino e a lei são três eixos tirados do Antigo Testamento que expressam como deve ser a nova relação com Deus. “Venha nós o vosso reino” é pura fé, o desejo e a esperança de que o exercício de seu poder vá mudando a realidade presente até sua futura e plena transformação. A petição “Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu” não é fatalismo, nem espera passiva, e sim exprime o compromisso ativo do orante, consequência de fé e da esperança, para colaborar ativamente para que o reino de Deus se vá formando realidade aqui e agora. As quatro petições restantes nos mostram que a relação renovada com Deus só é possível na relação renovada entre nós. O orante pede a seu Pai-Mãe Deus a força para a caminhada, para começar, o alimento de cada dia. Por fim a oração pede o perdão de nossas ofensas com o compromisso acrescentado de perdoar os que nos ofendem, o auxílio na provação e a proteção contra o maligno. [Cf. Novo Testamento, Ave-Maria]

 

São Romualdo Abade

 

 

 

Tinha 20 anos e levava uma vida dissipada e pecadora quando viu seu pai matar um parente em duelo. O choque que recebeu foi a ocasião da graça para convertê-lo. Depois de passar algum tempo na França, em contato com a espiritualidade da Abadia de Cluny, retornou à Itália e iniciou sua obra de fundação de mosteiros. Entre outros, fundou o de Campus Máldoli, berço da Ordem dos Camaldulenses, inaugurando uma nova forma de vida eremítica. Depois de ter sido monge na abadia de Ravena - abade muito celebre - estabeleceu uma colônia de eremitas no alto vale do rio Arno, sob a influência do monarquismo catalão. Uma particularidade na vida de São Romualdo foi o fato de ele, apesar de monge, interessar-se por todos os problemas do seu tempo. Por exemplo, as missões na Boêmia e na Polônia; as peregrinações à Terra Santa; a reforma do clero e outros pontos vitais para a Igreja. Foi um santo contemplativo e ao mesmo tempo, ativo. Seu corpo foi preservado da corrupção e se encontrava intacto quatro séculos depois de sua morte. [paulinas.org.br]

 

 

Quem é ambicioso e reclama demais, atrai nuvens densas sobre si. (Phil Bosmans)