Quinta-feira, 17 de março de 2011

Primeira Semana da Quaresma - 1ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Santos: Patrício (arcebispo), José de Arimatéia, Martires do Templo de Serápis, Agrícola (bispo), Gertrudes de Nivelles (virgem), Paulo de Chipre, João Sarcandro (beato, mártir), Paulo de Constantinopla, Paula Malatesta (Serva de Deus, franciscana da 2ª ordem)

 

Antífona: Ouvi, Senhor, minha oração, compreendei o meu lamento. Atendei à voz de meu apelo, ó meu rei e meu Deus! (Sl 5, 2-3)

 

Oração: Dai-nos, ó Deus, pensar sempre o que é reto e realizá-lo com solicitude. E, como só podemos existir em vós, fazei-nos viver segundo a vossa vontade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Ester (Est 4, 17n.r.aa-bb.gg.hh)

Ester enfrenta seu esposo

 

Naqueles dias, 17na rainha Ester, temendo o perigo de morte que se aproximava, buscou refúgio no Senhor. 17p"Prostrou-se por terra desde a manhã até ao anoitecer, juntamente com suas servas, e disse: 17q"Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacó, tu és bendito. Vem em meu socorro, pois estou só e não tenho outro defensor fora de ti, Senhor, 17rpois eu mesma me expus ao perigo.

 

17aaSenhor, eu ouvi, dos livros de meus antepassados, que tu libertas, Senhor, até o fim, todos os que te são caros. 17bbAgora, pois, ajuda-me, a mim que estou sozinha e não tenho mais ninguém senão a ti, Senhor meu Deus.

 

17ggVem, pois, em auxílio de minha orfandade. Põe em meus lábios um discurso atraente, quando eu estiver diante do leão, e muda o seu coração para que odeie aquele que nos ataca, para quê este pereça com todos os seus cúmplices. 17hhE livra-nos da mão de nossos inimigos. Transforma nosso luto em alegria e nossas dores em bem-estar.” Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Não tenho outro defensor fora de ti, Senhor

 

Em um mundo secularizado, o cristão deve aprender a confiar nas próprias forças, a dominar o mundo com sua inteligência e trabalho. Não ao ponto, porém, de se comportar como se Deus não existisse. Até os animais sabem procurar o próprio alimento e criar os filhotes; mas só o homem é capaz de se voltar conscientemente para o próprio Criado'; sabe reconhecer-lhe a presença na própria vida e lembrar-se de que ele toma conta de nós. Pela oração, à quem a liturgia da Quaresma se refere tão reiteradamente, expressemos a íntima convicção de que o poder de Deus está conosco, aconteça o que acontece'; e manifestemos confiança em sua palavra, a despeito de quaisquer ameaças. A Quaresma é o tempo privilegiado para tomar consciência das situações problemáticas e dramáticas de nossa vida e para rezar. Por nós e pelos outros. E juntamente com os outros. [Extraído do MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 137(138), 1-2a.2bc-3.7c-8 (R/.3a)
Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!

 

1Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos 2ae ante o vosso templo vou prostrar-me.

 

2bEu agradeço vosso amor, vossa verdade, 2cporque fizestes muito mais que prometestes; 3naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma.

 

8Estendereis o vosso braço em meu auxílio e havereis de me salvar com vossa destra. Completai em mim a obra começada; ó Senhor, vossa bondade é para sempre! Eu vos peço: não deixeis inacabada esta obra que fizeram vossas mãos!

 

Evangelho: Mateus (Mt 7, 7-12)

Princípio básico da oração

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7"Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! 8Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e a quem bate, a porta será aberta. 9Quem de vós dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? 10Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe? 11Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem! 12Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a lei e os profetas". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

O preceito fundamental

 

No relacionamento com o próximo, os discípulos de Jesus devem pautar-se por um preceito fundamental: “Tudo o que vocês desejam que os outros lhes façam, façam vocês também a eles”. Norma formidável para quem deseja relacionar-se, de modo conveniente, com seus semelhantes.


A tradição dos rabinos conhecia uma sentença análoga, com a diferença de ser formulada em forma negativa: “O que vos parece odioso, não o façais a vosso próximo. Eis a Lei! Tudo mais é apenas explicação: Ide e aprendei”.


Os discípulos foram instruídos a buscar em si próprios – em suas necessidades e em seus anseios – a regra conveniente de conduta. Dispensam-se as recompensas e os reconhecimentos. A ação flui na mais absoluta gratuidade, na qual o discípulo encontra a alegria e se sente recompensado. Dispensam-se, também, os legalismos casuístas e as restrições. O critério da ação está no coração de quem faz o bem ao próximo.


Alguém poderia objetar que este critério é perigoso, podendo gerar uma forma velada de egoísmo, no qual o indivíduo reduz o próximo a seus esquemas mesquinhos. Este preceito, porém, deverá ser entendido junto com o que Jesus ensinou mais adiante: “Sede perfeitos, como o Pai celeste é perfeito”. O verdadeiro discípulo tende a alargar o seu coração para torná-lo grande como o coração do Pai. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1996)

 

Leituras paralelas:  Mt 18,19; Mc 11,24; Lc 18, 1-8, Jo 14, 13. (Eficácia da Oração)

 

 

 

Oração da assembleia: (LITURGIA DIÁRIA)

-Senhor, ensinai-nos a viver conforme vossa vontade e não segundo desejos egoístas: Senhor, vinde em nosso auxílio.

-Abençoai os pais e as mães, para que guiem os filhos no caminho do bem.

-Atendei à súplica dos doentes e dos sofredores de nossa sociedade.

-Iluminai os que se empenham no anúncio de vossa palavra.

-Ajudai-nos a fazer aos outros o bem que gostaríamos que nos fosse feito.

-(Preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Sede propício, ó Deus, às nossas preces e, acolhendo as oferendas do vosso povo, fazei com que os nossos corações se voltem para vós Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Quem pede recebe; quem procura encontra; e ao que bate abrir-se-á. (Mt 7,8)

 

Oração Depois da Comunhão:

Senhor nosso Deus, fazei que os sagrados mistérios, instituídos para a nossa salvação, nos sirvam de remédio hoje e sempre. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: O próprio Deus convida a pedir e promete dar. Ele mesmo convida a procurar e se deixa encontrar. Deus é mais Pai que qualquer pai humano; qualquer paternidade imita a Deus. Por seu amor paterno, quer dar “coisas boas”, não satisfazer caprichos prejudiciais, ou seja, Ele supera sempre as nossas expectativas segundo a Sua vontade; não nos atende necessariamente da forma como desejamos! Não peça coisas necessariamente materiais, mas aquilo que contribui para o crescimento espiritual: a salvação, a sabedoria...

 

São Patrício

 

Aos 16 anos de idade foi preso por piratas irlandeses e vendido como escravo na Ilha. Após seis anos, conseguindo escapar, foi recebido pelo seu parente monge, no Mosteiro de Marmontier, centro de difusão da vida monástica na França. Mais tarde partiu para Lerins e acolhido por Germano de Auxerre, partiu com ele para uma missão apostólica na Inglaterra. Sentia vocação para evangelizar os irlandeses. Consagrado Bispo, partiu para a Ilha no ano 432, com a idade aproximada de cinquenta anos. Sem apoio político, conseguiu a conversão da Irlanda, a primeira terra não romanizada, não incorporada ao cristianismo. A partir de 423, tudo mudou, pela pregação de são Patrício, num prazo tão breve que na sua morte, trinta anos após, sua missão estava praticamente concluída. Ali fundou vários mosteiros, alicerce da evangelização, o qual a Inglaterra e depois os germanos do Norte aderiram construir em seus países: os filhos e filhas dos reis tinham se convertido em monges e virgens consagradas a Cristo e inumeráveis foram os que os seguiram. Essa Ilha se converteu em lugar da difusão missionária de toda Europa setentrional.

 

Nosso Incrível Planeta

Dom Aloísio Roque Oppermann scj, Arcebispo de Uberaba - MG

 

A terra, dentro do contexto dos astros, possui dimensões muito modestas. Até pobres.  Não passa de um grão de areia diante do tamanho ciclópico de algumas estrelas, ou, pior ainda, diante do tamanho das galáxias. Mas como a história do big bang nos leva a concluir, todo o universo é antrópico.  Isso é, desde o primeiro bilionésimo de segundo as coisas foram se direcionando, para que como término da obra da criação aparecesse o ser humano, o topo da criação visível. Para que a vida, em sua constituição mais complexa, pudesse aparecer, fez-se necessário um hábitat, uma casa, onde toda a vida vegetal e animal pudesse se estabelecer. Eu não vou agradecer à terra, nem ao big bang, nem à natureza, os imensos privilégios com que fomos distinguidos. Essa abundância de seres e de vida foi planejada pelo Pai Criador, que quis isso tudo, dizendo sua Palavra. “No princípio criou Deus o céu e a terra” (Gen 1,1). A esse Deus eu agradeço, extasiado por sua sabedoria e poder. (E por seu amor por nós). Se a terra, olhando seu tamanho relativo, é quase insignificante, suas características, favoráveis à vida são estupendas e até únicas. Nosso planeta tem água líquida, base para toda a condução da atividade vital. Tem atmosfera, com gases suficientes para purificar os processos vitais. Tem camada de ozônio, para proteger contra as irradiações devastadoras vindas de outros astros. Possui rotação constante sobre um eixo, que facilita a exposição alternada ao sol, evitando o frio absoluto ou o calor excessivo. Tem uma distância ideal do sol para manter uma temperatura necessária para a vida. Paremos por aqui. Os outros planetas todos, ou são uma fornalha de calor, ou uma geladeira total. Não tem atmosfera, não tem defesa contra os raios perniciosos; são secos, sem água líquida; giram à deriva, ou nem giram nunca; a gravidade é exagerada, ou é tão fraca que tudo se perde pelo espaço... Não existe planeta gêmeo da terra. Então vamos cuidar melhor disso que recebemos como dádiva das mãos divinas. “Encham e submetam a terra” (Gen 1, 28). Isso de submeter a terra        (e todo o universo)  deve ser entendido no sentido de cuidar. Pode haver o uso de tudo, mas um uso sustentável, como em boa hora lembra a Campanha da Fraternidade deste ano de 2011.

 

O vício é como a flecha: facilmente se introduz, mas dificilmente se extrai. (Paul Albert)

 

Aconteceu no dia 17 de março de 1901: Uma exibição de 71 quadros de Vincent van Gogh em Paris, onze anos após sua morte, causa grande sensação;