Quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sexta Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério, Livro III, cor Verde

 

Santos: Bento de Cagliari (monge, bispo), Constábile de Cava (abade), Donato, Secundiano, Rômulo e Companheiros (mártires de Porto Gruaro, perto de Veneza), Evermodo de Ratzeburg (monge, bispo), Faustino e Companheiros (prováveis mártires de Roma), Finan de Iona (bispo), Fintano de Clonenagh (abade), Habet-Deus de Luna (bispo, mártir), Lomano de Trim (bispo), Policrônio (bispo, mártir da Babilônia) , Silvino de Auchy (monge, bispo), Teódulo e Juliano de Cesaréia (mártires), Francisco Régis Clet (mártir da China, bem-aventurado), Frowin de Bellevaux (abade, bem-aventurado), Lucas Belludi (franciscano, bem-aventurado), William Richardson (mártir, bem-aventurado)

 

Antífona: Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e minha rocha; para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais. (Sl 30, 3-4)

 

Oração: Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Gênesis (Gn 9, 1-13)

Eis que vou estabelecer minha aliança convosco

 

1Deus abençoou Noé e seus filhos, dizendo-lhes: "Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra. 2Vós sereis objeto de medo e terror para todos os animais da terra, todas as aves do céu, tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar: eis que os entrego todos em vossas mãos. 3Tudo o que vive e se move vos servirá de alimento. Entrego-vos tudo, como já vos dei os vegetais. 4Contudo, não deveis comer carne com sangue, que é sua vida. 5Da mesma forma, pedirei contas do vosso sangue, que é vida, a qualquer animal. E ao homem pedirei contas da vida do homem, seu irmão. 6Quem derramar sangue humano, por mãos de homem terá seu sangue derramado, porque o homem foi feito à imagem de Deus. 7Quanto a vós, sede fecundos e multiplicai­-vos, enchei a terra e dominai-a". 8Disse Deus a Noé e a seus filhos: 9"Eis que vou estabelecer minha aliança convosco e com vossa descendência, 10com todos os seres vivos que estão convosco: aves, animais domésticos e selvagens, enfim, com todos os animais da terra, que saíram convosco da arca. 11Estabeleço convosco a minha aliança: nenhuma criatura será mais exterminada pelas águas do dilúvio, e não haverá mais dilúvio para devastar a terra". 12E Deus disse: "Este é o sinal da aliança que coloco entre mim e vós, e todos os seres vivos que estão convosco, por todas as gerações futuras. 13Ponho meu arco nas nuvens como sinal de aliança entre mim e a terra". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

 

Ponho meu arco nas nuvens como sinal de aliança

 

Deus renova com o homem sua promessa de fidelidade, incluída na bênção dada a Adão (Gn 1 ,26ss), e lhe confia o domínio da terra. Deus e o homem são aliados na edificação do mundo. "Para os crentes uma coisa é certa: a atividade humana individual e coletiva, ou seja, aquele ingente esforço com o qual os homens no curso dos séculos procuram melhorar as próprias condições de vida, considerado em si mesmo, corresponde às intenções de Deus... Os cristãos, portanto, não pretendem contrapor os produtos da inteligência e da capacidade do homem ao poder de Deus, como se a criatura racional fosse rival do Criador; pelo contrário, estão persuadidos de que as vitórias da humanidade são sinal da grandeza de Deus e fruto do seu inefável desígnio. E quanto mais cresce o poder dos homens, tanto mais se estende e se amplia sua responsabilidade, quer individual, quer coletiva. Por aí se vê como a mensagem cristã, longe de dispensar o homem do dever de edificar o mundo, longe de incitá-lo a desinteressar-se do bem dos seus semelhantes, ao invés, empenha-o em tudo isso, por uma obrigação ainda mais rigorosa". [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 101(102), 16-18. 19-21. 29 e 22-23 (R/. 20b)
O Senhor olhou a Terra do alto do céu

 

As nações respeitarão o vosso nome, e os reis de toda a terra, a vossa glória; quando o Senhor reconstruir Jerusalém e aparecer com gloriosa majestade, ele ouvirá a oração dos oprimidos e não desprezará a sua prece.

Para as futuras gerações se escreva isto, e um povo novo a ser criado louve a Deus. Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, e o Senhor olhou a terra do alto céu, para os gemidos dos cativos escutar e da morte libertar os condenados.

 

Assim também a geração dos vossos servos terá casa e viverá em segurança, e ante vós se firmará sua descendência. Para que cantem o seu nome em Sião e louve ao Senhor Jerusalém, quando os povos e as nações se reunirem e todos os impérios o servirem.

 

 

Evangelho: (Mc 8, 27-33)

Confissão messiânica de Pedro

 

Naquele tempo, 27Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesaréia de Filipe. No caminho perguntou aos discípulos: "Quem dizem os homens que eu sou?" 28Eles responderam: "Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas". 29Então ele perguntou: "E vós, quem dizeis que eu sou?" Pedro respondeu: "Tu és o messias". 30Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a seu respeito. 31Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da lei, devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias. 32Ele dizia isso abertamente. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo. 33Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: "Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens". Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Mt 16,13-20; Lc 9,18-21; Jo 6,67-71

 

Comentário do Evangelho

Tu és o Messias

 

A pessoa de Jesus não se enquadrava nas categorias da época e era interpretada de formas as mais variadas. Seu modo de ser austero e a maneira incisiva de sua pregação levavam alguns a confundi-lo com João Batista ou com Elias. Pensava-se que Jesus tivesse como que feito reviver em si estas figuras. A postura de Jesus era também identificada com as dos profetas do passado, cujas vidas pareciam servir-lhe de inspiração.

 

Jesus quis saber a opinião dos discípulos a seu respeito, por não estar bem seguro de como o consideravam. A resposta foi dada por Pedro, em nome do grupo, de maneira correta, e convenceu a Jesus. Ele, de fato, era o Messias.

 

Entretanto, o Mestre sentiu-se na obrigação de oferecer aos discípulos pistas para a correta compreensão de sua condição messiânica. Seu messianismo levá-lo-ia a confrontar-se com a rejeição das autoridades e com a morte violenta. Ele, no entanto, estava também destinado à ressurreição.

 

As expectativas em voga giravam em torno de um futuro Messias revestido de glória e poder. Os discípulos, pois, tiveram de fazer um esforço gigantesco para introduzir o sofrimento no messianismo do Mestre. Jamais se esperava um Messias sofredor, como Jesus se proclamava ser. Os discípulos viram-se, portanto, na obrigação de refazer seus esquemas. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Pe. Jaldimir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

 

Liturgia Diária (Paulinas e Paulus)

-Ajudai-nos a reconhecer-vos em vosso Filho, Jesus Cristo.

-Sede solícito e misericordioso com os mais necessitados.

-Conduzi ao vosso caminho os que estão seduzidos pelo pecado.

-Chamai ao vosso convívio os que morreram na vossa presença.

-Senhor, ensinai-nos a valorizar e respeitar vossa criação. Ouvi, Senhor, o nosso apelo.

 (preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que este sacrifício nos purifique e renove e seja fonte de eterna recompensa para os que fazem a vossa vontade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Deus amou tanto o mundo, que lhe deu o seu Filho único; quem nele crê não perece, mas possui a vida eterna. (Jo 3,16)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que nos fizestes provar as alegrias do céu, dai-nos desejar sempre o alimento que nos traz a verdadeira vida. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

 

Sete Santos Fundadores dos Servitas

 

Os Séculos XII e XIII assistiram, na Europa, a uma espécie de perda dos valores cristãos por parte da população católica e de setores religiosos. Isto motivou muitos leigos a se rebelarem. Homens comuns começaram a fundar confrarias de penitência, movimentos que buscavam vivenciar radicalmente o Evangelho, em contrapartida à ganância, ao luxo, aos prazeres fúteis e ao gosto pelo poder que imperavam. Algumas ordens são bem conhecidas: "dos Humilhados", "dos Pobres Normandos", "dos Valdenses", entre outras. Mas, uma delas, a "Ordem dos Servidores de Nossa Senhora", ou Servitas, que nasceu a 15 de agosto de 1233, em Florença, na Itália, estendeu seus conceitos a vários cantos do mundo. Tudo começou com um movimento religioso encabeçado por sete jovens, todos eles nobres e ricos, vindos de famílias aristocráticas e tradicionais daquela cidade. Abandonaram as roupas vistosas, jóias, dinheiro, até os cavalos, para se dedicarem às orações e à assistência aos pobres e doentes, afim de "vivenciar o compromisso cristão da pobreza, humildade e caridade". Eram eles: Bonfílio Monaldi, Bonaiuto Manetti, Manetti del'Antella, Amadio Amidei, Ugoccio Ugoccioni, Sostenio de Sosteni e Aleixo Falconieri. Conta a tradição que, numa de suas reuniões para orações, onde também liam poemas religiosos dedicados à virgem Maria, a imagem da santa, na frente da qual oravam, se mexeu. Segundo contaram depois, a Senhora mostrou-se de luto pela verdadeira guerra civil que tomava Florença. Brigavam pelo poder duas famílias poderosíssimas, os Guelfi e os Ghibelini. A partir desta experiência mística, os jovens se retiraram para a solidão do monte Senário, para organizar e colocar em prática um trabalho pela paz da cidade. A ordem recebeu apoio tanto das autoridades religiosas quanto sociais. Mais tarde, a capelinha inicial usada pelos sete fundadores foi transformada numa grande igreja dedicada a Nossa Senhora e, até hoje, é um dos mais visitados templos marianos de Florença. Com exceção de Aleixo, todos os outros fundadores foram ordenados padres. A atuação da Ordem dos Servitas, ou Servos de Maria, produziu frutos em muitos países, inclusive no Brasil, principalmente em São Paulo, Santa Catarina e Acre onde foram construídos vários conventos. Ainda há uma missão dela em Rio Branco, no Acre. Os "Sete Fundadores" foram canonizados pelo Papa Leão XIII, em 1888.

 

 

Acabou a devoção ao Coraçaõ de Jesus?

 

 

Dom Aloísio Roque Oppermann, Arcebispo de Uberaba - MG

 

Desde o Concílio esta piedade católica parece ter entrado em penumbra. Os Padres Conciliares falaram muito, mas muito mesmo, de Jesus. Mas não entraram na linguagem devocional e mística, que dominou vários séculos. Essa devoção cresceu por influência de santos místicos como Santa Gertrudes, e os contemplativos da escola francesa. A expressão “Sagrado Coração”, no entanto, está ausente dos documentos conciliares e também do Catecismo da Igreja Católica. Estaria extinta a piedade que nos trouxe tantos santos e santas? Ficaram sem chão o Apostolado da Oração, que dá uma base de espiritualidade a inúmeras pessoas das nossas Paróquias? Ficaram sem essência motivadora tantas Congregações, cujo carisma tem vínculo estreito com o “Coração de Jesus”?  O que teria levado o Concílio a não fazer uso dessa rica linguagem contemplativa?

 

Quer nos parecer que o Concílio evitou entrar em terrenos de quaisquer devoções, desenvolvidas por certas escolas de piedade, por mais ricas que fossem. Era preciso usar um linguajar que fosse entendido pelos outros cristãos, não católicos. Convinha evitar equívocos sobre a identidade de Jesus que, nas mentes confusas, já correspondia a duas pessoas quando se falava de Jesus e de seu Coração. Também era necessário retomar um vocabulário estritamente bíblico, que propiciasse o entendimento entre os seguidores de todas as escolas de piedade. Mas ninguém pense que a devoção ao Coração de Jesus não tenha raízes bíblicas. Ela está profundamente arraigada no cerne das Escrituras. Essa devoção quer dizer que Jesus se distingue pela sua misericórdia, e não pela severidade. “Tenho compaixão desse povo, porque há três dias me acompanha” (Mc 8, 2). Contemplando esse Coração, aprendemos a amar o semelhante, e adorar o Pai Celeste. A devoção é imorredoura, exatamente porque está visceralmente radicada nas Escrituras, e acerta em cheio a essência de Jesus. Talvez vamos diminuir o uso da palavra Coração, mas não deixaremos de sentir que Jesus é um Ser amoroso. É impossível deixar de sentir a bondade divina quando na Eucaristia repetimos as suas santas palavras: “Isto é o meu Corpo, entregue por vós” (Lc 22, 19). Essa devoção é como o Espírito Divino: está suposto, embora dele não falemos. [CNBB]

 

 

Aconteceu no dia 17 de fevereiro:

1973: Morte do compositor e instrumentista Pixinguinha. No dia 17 desse ano, Pixinguinha ia ser padrinho de batismo de um garoto, numa igreja em Ipanema. Estava em companhia do filho Alfredo e de sua nora, enquanto a cerimônia não começava, conversaram. De repente Pixinguinha sentiu-se mal. Não houve tempo para nada. A equipe médica chamada às pressas nada pode fazer. Pixinguinha morreu na sacristia da igreja da Paz, em Ipanema no Rio de Janeiro, às 4h30m do dia 17 de fevereiro de 1973. (www.agoravale.com.br)

 

 

 

A vida é mais simples quando somos simples. (Frei Edrian J. Pasini)