Quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Terceira Semana do Advento - 3ª do Saltério, Livro I, Cor Litúrgica Roxa

 

Hoje: Dia do Reservista

 

Santos: Adelaide (imperatriz da Alemanha, viúva), Ageu (profeta bíblico do Antigo Testamento), Aitala e Apseu (mártires), Albina de Formies (virgem, mártir), Ananias, Azarias e Misael (jovens do Antigo Testamento, citados em Dn 3, 88), Beano de Aberdeen (bispo), Elias de Al-Muharraq (bispo), Irenião de Gaza (bispo), Jacó (patriarca bíblico do Antigo Testamento), Memnon de Éfeso (bispo), Nicolau Crisoberge (patriarca de Constantinopla), Valentim, Concórdio, Nadal e Agrícola (mártires), Bartolomeu de Florença (bem-aventurado), Guillerme de Fenol (monge, bem-aventurado), José Manyanet (presbítero, bem-aventurado), Maria dos Anjos (virgem, bem-aventurada), Reinaldo de Cîteaux (abade, bem-aventurado), Sebastião Maggi (presbítero, bem-aventurado).

 

Antífona: Estais perto, Senhor, e todos os vossos caminhos são verdadeiros. Desde muito aprendi que vossa aliança foi estabelecida para sempre. (Sl 118, 151-152)

 

Oração: Senhor nosso Deus, somos servos indignos e reconhecemos com tristeza as nossas faltas. Dai-nos a alegria do advento do vosso Filho, que vem para nos salvar. Por nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Isaías (Is 54, 1-10)
A misericórdia de Deus para com Israel

 

1Alegra-te, ó estéril, que nunca foste mãe, exulta e regozija-te, tu que nunca deste à luz; os filhos da mulher abandonada são mais numerosos do que os filhos da bem casada, diz o Senhor. 2Alarga o espaço de tua tenda e distende bastante as peles das tuas barracas; usa cordas bem longas e finca as estacas com segurança. 3Farás expansão para um lado e para outro e tua posteridade receberá em herança as nações que povoarão cidades abandonadas.

 

4Não tenhas medo, pois não sofrerás afronta alguma; nem te perturbes, pois não tens de que te envergonhar; esquecerás a vergonha sofrida na juventude e não te recordarás mais da humilhação da viuvez. 5Teu esposo é aquele que te criou, seu nome é Senhor dos exércitos; teu redentor, o santo de Israel, chama-se Deus de toda a terra. 6O Senhor te chamou, como a mulher abandonada e de alma aflita; como a esposa repudiada na mocidade, falou o teu Deus. 7Por um breve instante eu te abandonei, mas com imensa compaixão volto a acolher-te. 8Num momento de indignação, por um pouco ocultei de ti minha face, mas com misericórdia eterna compadeci-me de ti, diz teu salvador, o Senhor.

 

9Como fiz nos dias de Noé, a quem jurei nunca mais inundar a terra, assim juro que não me irritarei contra ti nem te farei ameaças. 10Podem os montes recuar e as colinas abalar-se, mas minha misericórdia não se apartará de ti, nada fará mudar a aliança de minha paz, diz o teu misericordioso Senhor. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura
Como a mulher abandonada o Senhor te chamou

 

Deus não está disposto somente a perdoar, mas ainda a esquecer completamente: Com profunda afeição te recebo de novo. Compreendamos bem quão longe está a imagem da realidade cotidiana: é tão difícil ao homem esquecer! Mas Deus esquece deveras, e cada um de nós fez a consoladora experiência disso. Se não abandonamos, pelo menos toda um série de pequenas vilezas de nossa vida cristã. Orgulho camuflado de cuidados e atenções para com os outros; vida de piedade ostensiva para arrancar alguns louvores dos homens, irascibilidade que na preocupação de evitar escândalo; avarezas glorificadas com hipotéticos cálculos de defesa do bem comum; jantares multiplicados e pretexto de conveniências sociais; preguiça ante o dever por motivo de saúde. Deus sanou muitas vezes estas nossas desagradáveis situações, dando-nos motivos de exclamar: Senhor, deste-me vida! (Salmo). Ainda hoje o Pai te dirige seu amorável convite. Ainda hoje estimula tua fidelidade. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

Salmo Responsorial: 29 (30), 2 e 4.5-6.11-12a e 13b (R/.2a)

Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!


2Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes, e não deixastes rir de mim meus inimigos! 4Vós tirastes minha alma dos abismos e me salvastes, quando estava já morrendo!


5Cantai salmos ao Senhor, povo fiel, dai-lhe graças e invocai seu santo nome! 6Pois sua ira dura apenas um momento, mas sua bondade permanece a vida inteira; se à tarde vem o pranto visitar-nos, de manhã vem saudar-nos a alegria.


11Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade! Sede, Senhor, o meu abrigo protetor! 12aTransformastes o meu pranto em uma festa, 13bSenhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 7, 24-30)
João é o mensageiro que prepara o caminho do Senhor

 

24Depois que os mensageiros de João partiram, Jesus começou a falar sobre João às multidões: “O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 25O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Ora, os que se vestem com roupas preciosas e vivem no luxo estão nos palácios dos reis. 26Então, o que fostes ver? Um profeta? Eu vos afirmo que sim, e alguém que é mais do que um profeta. 27É de João que está escrito: ‘Eis que eu envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o meu caminho diante de ti’. 28Eu vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João. No entanto, o menor no reino de Deus é maior do que ele”.

 

29Todo o povo ouviu e até mesmo os cobradores de impostos reconheceram a justiça de Deus, e receberam o batismo de João. 30Mas os fariseus e os mestres da lei, rejeitando o batismo de João, tornaram inútil para si mesmos o projeto de Deus. Palavra da Salvação

Leitura paralela: Mt 11, 7-19

 

 

Comentário o Evangelho

Maior que um profeta

 

Os altos elogios dirigidos a João Batista sublinham qualidades do Precursor que deveriam ser imitadas pelos discípulos de Jesus. Sua grandeza de espírito no cumprimento da missão recebida de Deus fê-lo digno de honra, mesmo que "o menor no Reino de Deus seja maior do que ele".


O Batista caracterizava-se por sua firmeza, em se tratando das coisas de Deus. Ele não era "como um caniço agitado pelo vento", que se inclina de um lado para o outro ao sabor das pressões ou de seus interesses pessoais. Seu destemor leva-lo-ia a opor-se a autoridade romana, num dos muitos gestos arbitrários desta.


Outro traço do Batista era sua pobreza radical. Escolhera suportar as agruras do deserto. Sua vestimenta reduzia-se a pedaços de peles de animal. Seu alimento era limitado ao estritamente necessário, contentando-se com o que encontrava nos arredores. Seu despojamento falava por si mesmo. Só alguém totalmente confiado à Providência seria capaz de viver assim.
Ele teve a sensibilidade de acolher o apelo de Deus que o transformaria em "mensageiro" de seu Messias. Daí ter-se lançado na tarefa de preparar-lhe o caminho, convocando o povo para a conversão. Nisto consistiu sua grandeza!  Assim, os discípulos de Jesus tinham em quem se inspirar na sua adesão ao Reino
. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas]

 

 

Oração da Assembleia (Liturgia Diária)

Pelo papa e pelos bispos, para que, com a força do Espírito Santo, continuem fiéis em sua missão, rezemos. Atendei-nos, Senhor.

Pela Igreja, povo de Deus, para que não esmoreça ante as dificuldades da evangelização, rezemos.

Pelas pessoas que não reconhecem Jesus como Senhor, para que voltem a atenção para a palavra salvadora, rezemos.

Pelos abandonados da sociedade, para que, tocados pela nossa caridade fraterna, sintam a presença de Deus, rezemos.

Pela atividade missionária da igreja, para que continue sendo presença iluminadora em meio aos pobres e aos desamparados, rezemos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Recebei, ó Deus, estas oferendas que escolhemos entre os dons que nos destes, e o alimento que hoje concedeis à nossa devoção torne-se prêmio da redenção eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Vivamos neste mundo com justiça e piedade, esperando a feliz esperança e o advento da glória de nosso grande Deus. (Tt 2, 12-13)

 

Oração Depois da Comunhão:

Aproveite-nos, ó Deus, a participação nos vossos mistérios. Fazei que eles nos ajudem a amar desde agora o que é do céu e, caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam. Por Cristo, nosso Senhor.

 

São Clemente Marchisio

 

Frequentou o seminário de Bra (Cuneo) no curso de Teologia e em 20 de setembro de 1856, aos 23 anos de idade, ordenou-se sacerdote. Discípulo de São José Cafasso, diretor dessa instituição em teologia e moral pastoral, passou dois anos na sede do Pensionato eclesiástico de Turim. Constatando que o pão e o vinho da Santa Missa não eram puros, modificou-os e daí derivou o nome de seu Instituto: "Irmãs das Hóstias". Continuou em Rivalba até sua morte. Em 1860, tomou posse da paróquia de Rivalba. Ali construiu um asilo para meninas e uma fiação - para dar trabalho para as jovens e assim evitar que fossem buscar trabalho em cidades grandes, o que facilmente as poderia corromper. Convidou as Vicentinas de Maria Imaculada, ordem fundada pelo beato Frederico Albert para lhes dar assistência. Quando estas vieram a faltar, substituiu-as por um grupo de jovens: o primeiro núcleo das filhas de São José. Até 1983, data em que foi beatificado pelo santo Papa João Paulo II, sua casa em Roma já possuía mais de 450 membros. A razão principal de sua existência foi o ministério paroquial, o cuidado das almas a exemplo de São Cura D'Ars e para todos outros padres.

 

 

Assumiu a nossa condição

Dom Aloísio Roque Oppermann

 

Chega a ser constrangedor para nós, raça humana, ver que Jesus, o Deus da glória, espírito perfeitíssimo, tenha aparecido em nosso meio, revestido da carne de nossa natureza. Somos um composto, bastante harmonioso, uma “simbiose” entre espírito e matéria. Quanto é do nosso conhecimento, tal fenômeno não se repete em nenhum lugar do universo. Ou os seres são pura matéria, ou são puros espíritos (anjos). No nosso caso, quando dizemos “eu”, é nossa alma que está falando, mas também o nosso corpo. Este interpenetra a alma; e esta influencia a saúde e desempenho do corpo. Pela queda dos nossos primeiros pais, a perfeição dessa unidade foi prejudicada.  Os gregos, por mais sábios que tenham sido, valorizaram tanto o espírito que chegaram a menosprezar o corpo, vale dizer, toda a matéria. Consideraram a natureza material do homem como um reles cárcere da alma. Isso levou muitos pensadores, também cristãos, a se desinteressarem pelo bem-estar corporal. Eis o pouco interesse pela higiene entre os antigos. A expectativa de vida era no máximo de 60 anos.

 

Por um mecanismo pendular da história, hoje, (pelo menos aparentemente), se procura fazer o contrário. Todos fazemos caminhadas, nos abstemos de alimentos gordurosos, frequentamos as salas de ginástica, tomamos banho, usamos perfumes, recorremos aos recursos da medicina...Mas resta uma ponta de dúvida nesse procedimento. Não estamos esquecendo os valores da alma? E diante da destruição que praticamos contra a natureza, não fica evidente que desprezamos o mundo material? As famosas tatuagens não mostram que estamos insatisfeitos com o nosso corpo? Parece que ainda não alcançamos a harmonia que o Eterno colocou em nossa natureza mortal. O Cristo veio, tornou-se um dos nossos, para ser o nosso Salvador. Não desprezou o corpo humano, preferiu nascer de uma mulher, sentiu cansaço e fome, aceitou a morte. Mostrou que a matéria é da vontade divina, e que por meio dela se pode alcançar a salvação. “Que é o homem, para dele vos lembrardes com tanto carinho?” (Sl 8, 5).

 

Sede firmes na fé, esforçando-se por conseguir convicções concretas e pessoais. (João Paulo II)