Quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Santos Cornélio e Cipriano (Papa e Bispo Mártires), Memória, 4ª do Saltério, cor Vermelha

 

Hoje: Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio

 

Santos: Cornélio,(bispo de Roma), Cipriano (bispo de Cartago), Eufêmia (virgem martirizada em 303 na Calcedônia), Rogério e Abdala (decapitados pelos mulçumanos em 852), Edith, Victor III (1087), Tomás de Foligno (confessor franciscano, ofs)

 

Antífona: Alegram-se nos céus os santos que a terra seguiram a Cristo. Por seu amor derramaram o próprio sangue; exultarão com ele eternamente.

 

Oração: Ó Deus, que em São Cornélio e São Cipriano destes ao vosso povo pastores dedicados e mártires invencíveis, fortificai, por suas preces, nossa fé e coragem, para que possamos trabalhar incansavelmente pela unidade da Igreja. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

 

Leitura: I Carta de S.Paulo aos Coríntios (1Cor 15, 1-11)
Paulo apresenta a essência da fé cristã

1Irmãos, quero lembrar-vos o evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes. 2Por ele sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim. De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão.

 

3Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; 4que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras; 5e que apareceu a Cefas e, depois, aos doze. 6Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. 7Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos. 8Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo.

 

9Na verdade, eu sou o menor dos apóstolos, nem mereço o nome de apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. 10É pela graça de Deus que eu sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril: prova é que tenho trabalhado mais do que os outros apóstolos - não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo. 11É isso, em resumo, o que eu e eles temos pregado e é isso o que crestes. Palavra do Senhor!

 

Comentando 1Cor 15, 1-11

É isso, em resumo, o que eu e eles 
temos pregado e é isso o que crestes

 

"Cristo ressuscitado" é o fundamento de nossa fé. Neste texto de Paulo estão as linhas principais do "Credo" cristão, e o mais antigo testemunho sobre a tradição da doutrina da Igreja das origens. Funda-se Paulo no "fato" da ressurreição de Cristo, a certeza basilar da fé cristã, certeza oferecida e confirmada por longa série de testemunhas que "viram" o "Ressuscitado". Este é o ensinamento da Igreja, este o "evangelho", a alegre notícia que trouxe a salvação e funda todas as outras realidades da fé, das quais é a suprema garantia. Aqui é afirmada a "tradição" da Igreja, ou seja, o ensinamento vivo que se transmite com base nas Escrituras. É-nos dado um estilo de anúncio na evangelização e na catequese. [BÍBLIA DO PEREGRINO, ©Paulus, 2002]

 

 

Salmo Responsorial: 117(118), 1-2.16ab-17.28 (R/.1)  
Daí graças ao Senhor, porque ele é bom!

 

1Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! "Eterna é a sua misericórdia!" 2A casa de Israel agora o diga: "Eterna é a sua misericórdia!"

 

16aA mão direita do Senhor fez maravilhas, 16ba mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas! 17Não morrerei, mas ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor!

 

28Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço! Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores!

 

Evangelho: Lucas (Lc 7, 36-50)
Jesus é portador da salvação

 

Naquele tempo, 36um fariseu convidou Jesus para uma refeição em sua casa. Jesus entrou na casa do fariseu e pôs-se à mesa. 37Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que Jesus estava à mesa, na casa do fariseu. Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume, 38e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com o perfume.

 

39Vendo isso, o fariseu que o havia convidado ficou pensando: "Se este homem fosse um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora". 40Jesus disse então ao fariseu: "Simão, tenho uma coisa para te dizer". Simão respondeu: "Fala, mestre!". 41"Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentas moedas de prata, o outro cinqüenta. 42Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou os dois. Qual deles o amará mais?" 43Simão respondeu: "Acho que é aquele ao qual perdoou mais". Jesus lhe disse: "Tu julgaste corretamente".

 

44Então Jesus virou-se para a mulher e disse a Simão: "Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. 45Tu não me deste o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. 46Tu não derramaste óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. 47Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco mostra pouco amor". 48E Jesus disse à mulher: "Teus pecados estão perdoados". 49Então, os convidados começaram a pensar: "Quem é este que até perdoa pecados?" 50Mas Jesus disse à mulher: "Tua fé te salvou. Vai em paz!" Palavra do Senhor

 

Leituras paralelas: Mt 26,6-13; Mc 14, 3-9; Jo 12, 1-11

 

 

Comentando João (Jo 3, 13-17)

Aquela que muito amou

 

O capacidade de Jesus acolher e perdoar os pecadores era sem limites. Em nenhuma circunstância ele se sentia desobrigado ou sem condições de dar mostras do que se passava em seu coração. Os pecadores eram sempre bem-vindos!


O episódio acontecido na casa do fariseu, que o convidou para uma refeição, é típico do modo de ser de Jesus. A chegada da pecadora, bem conhecida na cidade, e os gestos quase afetados de humildade e reconhecimento não chegaram a embaraçá-lo. Ele, que conhecia muito bem a história daquela mulher, via tudo aquilo com muita naturalidade.


A atitude do fariseu fazia contraponto com a de Jesus. Pondo sob suspeita a condição profética do Mestre, o anfitrião deu vazão aos seus pensamentos preconceituosos e malevolentes. É bem provável que atribuísse à passividade de Jesus intenções perversas em relação à mulher. Ou, então, deduzia: se é profeta e se deixa tocar por uma pecadora, é porque é ingênuo.


A intervenção de Jesus põe em confronto a atitude da mulher e a atitude do fariseu. Como o fariseu tinha convidado o Mestre por mera formalidade, sem sentir por ele nenhum afeto especial, podia dar-se ao direito de tratá-lo sem muita deferência. Foi o que manifestou desde o momento em que Jesus pisou naquela casa. Quanto à mulher, por saber-se perdoada e valorizada pelo Mestre, sentia-se livre para demonstrar-lhe seu amor, embora correndo o risco de ser mal interpretada. Seu gesto revelou a magnitude do amor e do perdão de Jesus.
[Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Lucas é único a mostrar os fariseus favoráveis a Jesus, a ponto de o convidarem para a mesa e de o prevenirem das insídias de Herodes. Quanto a “uma mulher pecadora”, o insólito está na condição da mulher, não nos seus gestos e manifestações de afeto. Para o fariseu, ela era legalmente impura e, como tal, devia ser repelida. Lucas apresenta esta unção de Jesus como uma cena de conversão sede de perdão. O fato traduz um dos temas favoritos de Lucas, que é misericórdia de Jesus pelos pecadores. O denário é o salário de um dia de trabalho agrícola. Água para os pés é o gesto de hospitalidade oriental. Lucas presta particular atenção à hospitalidade oferecida a Jesus por Marta a Maria e por Zaqueu. Indo ter com Jesus e mostrando publicamente a sua fé, a mulher obtém o perdão e a purificação espiritual. A paz recebida é o dom da salvação em ato. (Cf. Bíblias dos Capuchinhos)

 

Santos Cornélio e Cipriano

 

A liturgia une estes dois santos contemporâneos que morreram mártires no mesmo dia, mas com diferença de cinco anos. Cornélio foi papa nos anos 251-253. Durante seu pontificado surgiu um debate a propósito da conduta a seguir em relação àqueles que haviam negado a fé durante a perseguição. Os partidários de Novaciano acusaram-no de ser muito indulgente para com os que haviam renegado a fé ("lapsos") e separaram-se da Igreja.

 

Por causa dos êxitos obtidos com sua pregação, foi processado e exilado para o lugar hoje chamado Cività-Vecchia, onde morreu. Foi sepultado no cemitério de São Calisto. São Cipriano dirigiu-lhe várias cartas confortando-o.

 

 

São Cipriano

 

Mais numerosas são as notícias deste santo que emerge como uma das figuras mais empolgantes do século III. Pertencia a uma das mais nobres e ricas famílias de Cartago, capital romana na África do Norte. Quando ainda pagão, destacou-se como excelente advogado e mestre de retórica.

 

Sua conversão ao Cristianismo deu-se entre 35 a 40 anos de idade, comovido por observar a constância e serenidade dos mártires nas perseguições. A conversão modificou-o radicalmente. Decidiu praticar, sobretudo, as virtudes da caridade e da castidade. Fez voto de castidade e repartiu quase todos os bens entre os pobres.

 

O impacto social de sua conversão e de sua atitude foi enorme, dada sua fama anterior. Renunciou também a toda sua ciência profana, pois em seus escritos não cita nenhum dos autores pagãos que haviam alimentado seu pensamento até então.

 

Pouco tempo depois, foi ordenado sacerdote por sufrágio do clero e do povo e, ao morrer o bispo de Cartago, foi forçado a suceder-lhe no cargo.

 

Os anos de seu episcopado: 249-258, foram dos mais difíceis para a Igreja africana. Duas perseguições contra os cristãos, a de Décio e Valeriano, marcaram seu começo e seu fim e uma terrível peste grassou pelo norte da África, semeando mortes. Problemas doutrinários, por outro lado, agitavam a Igreja daquela região.

 

Quando em 249 o imperador Décio decretou a perseguição contra a Igreja, muitos católicos selaram a fé com o próprio sangue, outros, porém, fraquejaram. Não tardou que a perseguição chegasse a Cartago. Os pagãos reuniram-se no grande foro e, em altos e apaixonados gritos, exigiam a morte do bispo cristão, Cipriano. Este, em fervorosas orações, procurava conhecer a vontade de Deus. Para poupar o rebanho, embora dessa preferência ao martírio, achou mais acertado seguir o conselho do Evangelho: "Se vos perseguirem numa cidade, procurai outra". Do esconderijo pôde prestar grandes serviços à sua Igreja, exortando, consolando e animando os próprios fiéis.

 

Duas grandes questões disciplinares agitavam a Igreja naquele tempo e que ocasionaram escritos polêmicos: a primeira era a conduta a ser seguida em relação aos que nas ameaças e torturas da perseguição tinham fraquejado, apostatando. Eram chamados os "lapsos". Em Roma, havia surgido uma corrente rigorosa chefiada por Novaciano, que recusava terminantemente a reconciliação dos apóstatas; na África um certo Felicíssimo seguia uma praxe diametralmente oposta. O Papa Cornélio era propenso à demência, depois de salutar penitência. Cipriano teve que reagir contra Felicíssimo, inclinando-se por certo rigorismo, mais tarde mitigado por exigências pastorais. A segunda controvérsia era relativa ao valor do batismo administrado por hereges. O papa, seguindo a tradição, reconhecia válido o batismo dos hereges, contanto que tivessem sido observadas as condições de matéria e forma. Cipriano. que por formação tinha tido poucos contatos com a tradição, seguia uma lógica muito humana: "Não pode dar a fé, quem não a tem". A questão ficou sem solução, devido às dificílimas complicações da perseguição, em vigor.

 

Com a morte de Cipriano, a tradição de Roma tomou pé também na África e assim continuou sempre através dos séculos. No ano 258, a perseguição contra a Igreja recrudesceu: Cipriano foi denunciado, preso e processado. Existem as atas do seu processo e martírio escritas por testemunhas presentes à morte e que são de uma franqueza comovedora. O procônsul o interrogou: "Tu és Tácio Cipriano?" O bispo respondeu: "Sim, sou". "Tu viveste por muito tempo nesta sacrílega idéia e reuniste muitos homens na ímpia conspiração dos cristãos. Tu te fizeste inimigo dos deuses romanos. Por esta razão, com tua morte, serás uma advertência para aqueles que associaste a ti". Dito isso, leu a sentença: "Tácio Cipriano seja degolado a espada". O bispo Cipriano respondeu: "Graças a Deus!" Era o dia 14 de setembro do ano 258.

 

São Cipriano deixou-nos numerosos escritos doutrinais de grande importância. A coleção de suas 81 cartas é obra-prima da literatura latina e constitui preciosa fonte de informação sobre a vida eclesiástica daquele tempo. [O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, ©Vozes, 1997]

 

Desafio pessoal: doe exemplares de Bíblia a um amigo ou amiga; evangelize através da Palavra!

 

 

 

 

 

Dois homens olham pela mesma janela. Um vê a lama. O outro vê as estrelas! (Fredeick Langhridge)