Quinta-feira, 16 de junho de 2011

11ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Semana do Migrante

 

Santos: Nossa Senhora do Carmo (ou N.Srª do Monte Carmelo), Maria Madalena Postel, Vitalino, Hilarino, Atenogênio (bispo de Sebaste, na Armênia), Sisenando (Córdova), Bartolomeu dos Mártires

 

Antífona: Ouvi, Senhor, a voz do meu apelo, tende compaixão de mim e atendei-me; vós sois meu protetor, não me deixeis; não me abandoneis, ó Deus, meu salvador! (Sl 26, 7.9)

 

Oração: Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo

 

 

 

I Leitura: II Carta de Paulo aos Coríntios (2Cor 11, 1-11)

O apóstolo de compara aos seus adversários

 

Irmãos, 1oxalá pudésseis suportar um pouco de insensatez, da minha parte. Na verdade, vós me suportais. 2Sinto por vós um amor ciumento semelhante ao amor que Deus vos tem. Fui eu que vos desposei a um único esposo, apresentando-vos a Cristo como virgem pura. 3Porém, receio que, como Eva foi enganada pela esperteza da serpente, também vossos pensamentos se corrompam, afastando-se da simplicidade e pureza devidas a Cristo. 4De fato, se aparece alguém pregando outro Jesus, que nós não pregamos, ou prometendo um outro Espírito, que não recebestes, ou anunciando um outro evangelho, que não acolhestes, vós o suportais de bom grado.

 

5No entanto, entendo que em nada sou inferior a esses "super-apóstolos"! 6Mesmo que eu seja inábil na arte de falar, não o sou quanto à ciência: eu vo-lo tenho demonstrado em tudo e de todas as maneiras. 7Acaso cometi algum pecado, pelo fato de vos ter anunciado o evangelho de Deus gratuitamente, humilhando-me a mim mesmo para vos exaltar? 8Para vos servir, despojei outras Igrejas, delas recebendo o meu sustento.

 

9E quando, estando entre vós, tive alguma necessidade, não fui pesado a ninguém, pois os irmãos vindos da Macedônia supriram as minhas necessidades. Em todas as circunstâncias, cuidei - e cuidarei ainda - de não ser pesado a vós. 10Tão certo como a verdade de Cristo está em mim, essa minha glória não me será arrebatada nas regiões da Acaia. 11E por quê? Será porque eu não vos amo? Deus o sabe! Palavra do Senhor!

 

 

 

Comentando a I Leitura

Anunciei-vos, gratuitamente, o evangelho de Deus

 

Nossa mentalidade “tecnicista” nos predispõe ao mito da novidade. Habituados a ver sucederem-se vertiginosamente os métodos de trabalho, somos levados a crer que o novo é sempre o melhor, inclusive no plano dos valores. Em nosso inconsciente, pensamos aos valores como nos automóveis: quando se começa a produzir o último modelo, deve cessar automaticamente o fabrico do precedente. Entre o antigo e o novo, normalmente nos achamos predispostos ao novo, opondo-lhe o antigo.

 

Também para a vida cristão pode-se ter a mesma mentalidade. Começa-se então a estabelecer distinção entre evangelho e evangelho, entre Cristo e Cristo. Se rebaixamos a Palavra a simples palavra (com minúscula), afogamo-la em nosso mundo achacado de retórica, mundo da incomunicabilidade e da inflação das palavras. [Missal Cotidiano, © Paulus]

 

 

 

Salmo: 110 (111), 1-2.3-4.7-8 (R/7a)
Vossas obras, ó Senhor; são verdade e são justiça

 

Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração!

 

Que beleza e esplendor são os seus feitos! Sua justiça permanece eternamente! O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas.

 

Suas obras são verdade e são justiça, seus preceitos, todos eles, são estáveis, confirmados para sempre e pelos séculos, realizados na verdade e retidão.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 6, 7-15)

Assim deveis rezar: Pai nosso...

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7"Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. 8Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais. 9Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus.

 

11O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. 13E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. 14De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. 15Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes". Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentário o Evangelho

Faça-se a sua vontade

Nas entrelinhas do Pai-Nosso, escondem-se dois elementos da vontade do Pai que devem ser postos em prática pelos discípulos do Reino: o saber-se filho e o saber-se irmão e irmã. Filiação e fraternidade são dois eixos fundamentais na vida dos seguidores de Jesus.


Saber-se filho significa colocar o Pai celeste como centro da própria vida, sem dar lugar a nenhuma forma de idolatria. A vida do filho é polarizada pela vontade do Pai. Ela é o imperativo de sua ação.


Saber-se irmão e irmã significa colocar-se em pé de igualdade com o semelhante. A fraternidade leva o discípulo a recusar toda forma de tirania e opressão, que rebaixa o ser humano, sem reconhecer a dignidade que lhe é própria. Pelo contrário, a fraternidade gera partilha e perdão, fazendo com que todos tenham o alimento necessário para viver, e colocando um basta às divisões, entre irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai do Céu.


A ação do maligno visará sempre minar esses pilares da vida do discípulo, levando-o a ser infiel ao Pai, para adotar deuses estranhos, como os bens materiais, o prazer, a fama e tantos outros, e a romper com a fraternidade, recorrendo à vingança, à mentira, ao ódio, e, em certos casos, até à indiferença.


O pai-nosso descortina, para quem o reza, um horizonte diferente, no qual, o Pai e o próximo tornam-se um apelo irrecusável. Sem isto, reduz-se a um punhado de palavras vazias. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Oração da assembleia

Para que aceitemos e cumpramos a vontade de Deus e nossa oração lhe seja agradável. Atendei, Senhor, nosso pedido.

Para que a prática do perdão e da acolhida seja constante em nossa vida, rezemos.

Para que as famílias busquem sempre agir conforme os ensinamentos de Jesus, rezemos.

Para que os evangelizadores tenham amor, fidelidade e perseverança na missão, rezemos.

Para que a ciência esteja a serviço da vida e se paute por valores que promovam a dignidade humana, rezemos.

(preces espontâneas da assembleia)

 

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que pelo pão e vinho alimentais a vida dos seres humanos e os renovais pelo sacramento, fazei que jamais falte este sustento ao nosso corpo e à nossa alma. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Pai santo, guarda no teu nome os que me deste, para que sejam um como nós, diz o Senhor (Jo 17,11).

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, esta comunhão na eucaristia prefigura a união dos fiéis em vosso amor; fazei que realize também a comunhão na vossa Igreja. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: A oração do Pai-nosso foi ensinada por Jesus a pedido dos discípulos. Ela contém uma invocação e sete pedidos, três em honra de Deus, quatro a favor do homem. Com esta oração pedimos, agradecemos e nos renovamos. As três primeiras petições, vosso nome, vosso reino, vossa vontade, são na realidade uma só: o desejo ardente de que sua paternidade-maternidade se faça presente eficazmente no mundo. O nome, o reino e a lei são três eixos tirados do Antigo Testamento que expressam como deve ser a nova relação com Deus. “Venha nós o vosso reino” é pura fé, o desejo e a esperança de que o exercício de seu poder vá mudando a realidade presente até sua futura e plena transformação. A petição “Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu” não é fatalismo, nem espera passiva, e sim exprime o compromisso ativo do orante, consequência de fé e da esperança, para colaborar ativamente para que o reino de Deus se vá formando realidade aqui e agora. As quatro petições restantes nos mostram que a relação renovada com Deus só é possível na relação renovada entre nós. O orante pede a seu Pai-Mãe Deus a força para a caminhada, para começar, o alimento de cada dia. Por fim a oração pede o perdão de nossas ofensas com o compromisso acrescentado de perdoar os que nos ofendem, o auxílio na provação e a proteção contra o maligno. [Cf. Novo Testamento, Ave-Maria]

 

São Gregório Barbarigo

 

Proveniente de uma nobre família de Veneza, ficou órfão de mãe aos 4 anos de idade, mas o pai soube educar a seus filhos com suas atitudes exemplares, sendo confidente e conselheiro, recitando diariamente o pequeno ofício de N.Sra, até sua morte em 1687. Em 1643, aos 18 anos de idade tornou-se secretário do embaixador de Veneza na Alemanha até o ano de 1648, quando conheceu se tornou amigo de um Cardeal que seria um dia, papa: Fábio Chigi. Em 1655 tornou-se sacerdote (30 anos de idade). Foi bispo de Bérgamo e depois cardeal e bispo de Pádua. Sobretudo, nesta última cidade, pôde desenvolver plenamente seu trabalho pastoral, fundando escolas e instituições de caridade. Num período de peste fez o máximo na dedicação ao próximo. Seu coração é venerado no seminário diocesano de Pádua. Neste dia, por ordem do Papa João XXIII, de tão feliz memória, veneramos um santo de ciência e sabedoria admiráveis. Ele foi primeiro do Bispo da terra do Papa João XXIII, Bérgamo. Mais tarde, foi transferido para Pádua. Antes de ser padre e bispo, fora diplomata. Depois, cuidou do estudo das línguas orientais no seminário e fundou até uma imprensa poliglota.

 

Obra do Espírito

Dom Aldo Pagotto, Arcebispo Metropolitano da Paraíba - PB

 

Após 50 dias da celebração da Páscoa, os hebreus a prolongavam com a comemoração de Pentecostes: festa das colheitas dos frutos da terra prometida. Cristo deu novo significado aos referenciais da história da salvação. Ele é a verdadeira e definitiva Páscoa, passagem da morte à vida, vencendo a morte na cruz e manifestando a vida plena da ressurreição.

 

Jesus se manifesta aos discípulos na madrugada na qual ressuscita doando-lhes o Espírito, dom que recebeu do Pai. Transmite-lhes o legado da Páscoa, o Espírito no qual ressurreto. Assim Jesus continuará a sua missão de salvar a humanidade, estabelecendo a paz, o amor e a união entre os filhos e filhas de Deus, superando o pecado e todo mal (Jo 20, 19-23).

 

Pentecostes, a festa das colheitas e oferta das primícias, significava um misto de gratidão a Deus e de união fraterna; o congraçamento e concorporação do povo que habitava e trabalhava em várias partes. Povo espalhado, trazendo as primícias, primeiros frutos da colheita à cidade sagrada, Jerusalém. O cenário inspira os preceitos da liturgia ritual: uma profunda vivência da unidade fraterna e da partilha solidária.

 

Em Pentecostes, o Espírito se manifesta como sinal característico do amor e da unidade. O batismo no Espírito que Jesus prometeu agora se evidencia ao agregar na unidade e no amor todos os povos. Eles formarão a Igreja de Cristo, testemunha do Evangelho de Jesus e seus valores. Igreja que deverá estar disponível para servir e doar vida tal como o mestre.

 

Em Atos dos Apóstolos (At. 2,1 s), após a morte e a ressurreição de Jesus, os seus discípulos, que se agregaram restaurando a imagem negativa da covardia medrosa, se dispersaram na hora da paixão e da morte de cruz abandonando o mestre, exceto João. Não obstante intimidados pelo medo de perseguições por parte das autoridades judaicas e romanas, agora se articulam. Jesus no estado de ressurreto lhes comunica alento, vigor, audácia, coragem, devendo alcançar o mundo inteiro chamando todas as raças, nações, línguas, culturas.

 

Imagino hoje, ante a pluralidade de ofertas e buscas de felicidade, centradas em concretizações materiais. Muitas vezes busca-se um tipo de felicidade desprovida de valores humanitários, transcendentes. Como anunciar Cristo e a vida nova no Espírito, hoje? Como abordar um adolescente obcecado com a variedade tecnológica de última geração?

 

Como testemunhar valores do Evangelho nos centros de decisão política e econômica, anunciando referenciais para a convivência solidária e fraterna? Como anunciar a vida nova no Espírito de tal forma que incida no modo dos relacionamentos familiares e sociais, e como podemos nos tratar com maior respeito e dignidade humana?

 

É obra do Espírito que age em nosso interior comunicar-nos os dons de unidade, amor, sabedoria, inteligência, benignidade, mansidão, fortaleza, conselho, piedade, ciência, longanimidade... Um fato é certo: onde está o Espírito aí está a disponibilidade para ir ao encontro e promover a unidade na caridade. Quem se abre ao Espírito, como Maria, torna-se serviçal e disponível para toda iniciativa. Os frutos virão ao seu tempo. A nós cabe semeá-los. A obra é dele e seu mérito também.

 

Deus & Pai na Bíblia

 

Deus-Pai: No AT raramente se aplica a Deus o nome de Pai (Dt 32,6s; 2Sm 7,14; Sl 89,27; Eclo 51,10). Jesus fala com frequência de “vosso Pai”, “teu Pai”, “vosso Pai do céu”e chama a Deus pelo nome de “Pai”: quando anuncia o Reino de Deus (Mt 13,43; 20,23; 25,34; Lc 12,32); quando se refere à ação do Espírito (Mt 10,20), ao conhecimento de Cristo (Mt 16,17), à oração (Mt 18,19), à recompensa (Mt 6,1); quando insiste na Providência do Pai (Mt 6,26-32; 10,29; Lc 12,30).

 

Cristo dá a Deus o nome de Pai (Mt 5,16.45.48; 7,21; 11,25; 24,36; Lc 10,22; Mc 13,32). Revela a Deus como seu próprio Pai (Mc 14,36; Mt 7,21; 11,27; 16,27; 26,39; Jo 2,16; Lc 2,49).

 

Para Paulo Deus é o “nosso Deus e Pai (1Ts 3,13; 2Ts 2,16; 1Cor 1,3; 2Cor 1,2; Gl 1,3; 4,6; Ef 1,2; Cl 1,12s; Rm 8,15). João penetra mais no sentido da paternidade divina ao dizer que o homem é “gerado por Deus” (Jo 2,16; 3,3).

 

Nunca tenhamos pressa ao trabalhar para Deus. Estamos ao seu dispor.

Fazemos a sua obra e não a nossa. (P.Mortier)