Quinta-feira, 15 de julho de 2010

São Boaventura, Bispo e Doutor, Memória, 2ª do Saltério,  cor Litúrgica Branca

 

 

Santos: Rodolfo Lunkenbein, Boaventura de Albano (bispo e doutor da Igreja, franciscano da primeira ordem), Justa, Rosália, Bem-Aventurado Catulino (diácono e mártir), Eutrópio, Zózima e Bonosa, Tiago (fundou a Igreja da Nisíbia), Ana Maria Javouhey, Inácio Azevedo

 

Antífona: O justo medita a sabedoria e sua palavra ensina a justiça, pois traz no coração a lei de seu Deus. (Sl 36, 30-31)

 

Oração: Concedei-nos, Pai todo-poderoso, que, celebrando a festa de São Boaventura, aproveitemos seus preclaros ensinamentos e imitemos sua ardente caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Isaías (Is 26, 7-9.12.16-19)

Senhor, hás de dar-nos a paz

 

7O caminho do justo é reto, e tu ainda aplainas a estrada ao justo. 8Sim, no caminho dos teus juízos esperamos em ti, Senhor; para o teu nome e para a tua memória volta-se o nosso desejo. 9Quando vem a noite anseia por ti a minh'alma e com a força do espírito te procuro no meu intimo. Quando brilharem na terra teus juízos, os habitantes do mundo aprenderão a ser justos'.

 

12Senhor, hás de dar-nos a paz, como nos deste a mão em nossos trabalhos. 16Senhor, eles a ti recorreram na angústia; exageraram na superstição, e veio-lhes o teu castigo. 17Como a mulher grávida, ao aproximar-se o parto geme e chora em suas dores, assim nós, Senhor, em tua presença.

 

18Concebemos e sofremos dores de parto, e o que geramos foi vento. Não demos à terra frutos de salvação, não fizemos nascer habitantes para o mundo. 19Reviverão os teus mortos e se levantarão também os meus mortos. Despertai, cantai louvores, vós que jazeis no pó! Senhor, é orvalho de luz o teu orvalho, e a terra trará à luz os falecidos. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Despertai, cantai louvores, vós que jazeis no pó!

 

Dir-se-ia ouvir neste texto o eco antecipado das músicas e cantos do banquete de festa preparado pelo pai misericordioso para o filho que retorna a ele após uma vida de extravios. "A senda do justo é reta". Mas quem é justo diante de Deus? Justo é aquele a quem Deus “justifica” aquele que se deixa justificar por Deus. O profeta tem uma visão de grande felicidade que se projeta ao futuro, quando Cristo concluir a história, devolvendo ao Pai toda a humanidade. Essa visão tem uma parte de atuação já no tempo: Cristo, o Ressuscitado, introduziu-nos na paz de Deus. Quem vive a própria fé, e na fé se prodigaliza para o bem dos irmãos, colabora na construção de uma humanidade mais feliz, na esperança de que o fim dos tempos torne estável e completa essa felicidade. Mais com as obras do que com as palavras, o cristão é testemunha. Em Cristo vivo e atuante em sua Igreja, os habitantes do mundo aprendem a justiça, o bem se difunde e os homens se amam como irmãos. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 101(102), 13-14ab e 15.16-18.19-21  (R/.20b)
O Senhor olhou a terra do alto do céu

 

Vós, Senhor, permanecei eternamente, de geração em geração sereis lembrado! Levantai-vos, tende pena de Sião, já é tempo de mostrar misericórdia! Pois vossos servos têm amor aos seus escombros e sentem compaixão de sua ruína.

 

As nações respeitarão o vosso nome, e os reis de toda a terra, a vossa glória; quando o Senhor reconstruir Jerusalém e aparecer com gloriosa majestade, ele ouvirá a oração dos oprimidos e não desprezará a sua prece.

Para as futuras gerações se escreva isto, e um povo novo a ser criado louve a Deus. Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, e o Senhor olhou a terra do alto céu, para os gemidos dos cativos escutar e da morte libertar os condenados.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 11, 28-30)
Em Cristo nos sentimos fortalecidos

 

Naquele tempo, tomou Jesus a palavra e disse: 28"Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso.

 

29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo e leve". Palavra da salvação!

 

Leituras paralelas para Mt 11, 25-30: Lc 10, 21-22

 

 

Comentando o Evangelho

Venham a mim!

 

A religião, no tempo de Jesus, tornara-se um fardo pesado, especialmente para as pessoas mais humildes do povo. Era impossível dar conta da sobrecarga de exigências. Por isso, estas pessoas eram vítimas do desprezo e do preconceito dos que se autoconsideravam superiores.


Jesus propôs-se a libertá-las do jugo religioso que lhes fora imposto. Na sua concepção, as exigências da religião se reduzem ao essencial o mandamento de amar a Deus e ao próximo e é o Espírito quem sugere ao discípulo os caminhos por onde deve trilhar. Os mandamentos, neste caso, não são meras imposições exteriores, onde o comportamento já está todo previsto. Antes, partem de dentro do coração e deixam ao ser humano um largo espaço para a criatividade e a generosidade.


A leveza e a suavidade do fardo imposto por Jesus decorrem da forma prazerosa como é assumido. Os discípulos têm consciência de assumi-lo com liberdade e, através dele, experimentar a submissão ao querer do Pai. O projeto de Jesus, portanto, realiza a pessoa, libertando-a do pesado jugo da religião tradicional.


Jesus é o Mestre a quem os discípulos devem dar ouvido. Diferentemente dos escribas, muitas vezes intransigentes e impacientes com as pessoas, Jesus é manso e humilde de coração. Ele sabe o quanto pode exigir de cada um. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Jesus expressa seu convite ao discipulado usando a imagem tradicional da Lei como “jugo”. Jesus, o intérprete oficial da Lei, promete alívio e descanso em sua escolha sapiencial. Não só os animais, também os homens carregam o jugo como sinal exercido de escravidão. Era um jugo curvo de madeira, apoiado com almofadas sobre os ombros, que servia para transportar cargas equilibradas. A imagem é frequente no Antigo Testamento: pode referir-se à Lei, à tirania estrangeira e também à sabedoria. Todos os genuínos pesquisadores da sabedoria são convidados a vir para Jesus. Em Jesus, a sabedoria divina reside e pode ser aprendida.

 

São Boaventura

 

 

Frei Boaventura era italiano, nasceu no ano de 1218, na cidade de Bagnoregio, em Viterbo, e foi batizado com o nome de João de Fidanza. O pai era um médico conceituado, mas, como narrava o próprio Boaventura, foi curado de uma grave enfermidade ainda na infância por intercessão de são Francisco.

 

Aos vinte anos de idade, ingressou no convento franciscano, onde vestiu o hábito e tomou o nome de Boaventura dois anos depois. Estudou filosofia e teologia na Universidade de Paris, na qual, em 1253, foi designado para ser o catedrático da matéria. Também foi contemporâneo de Tomás de Aquino, outro santo e doutor da Igreja, de quem era amigo e companheiro. Boaventura buscou a Ordem Franciscana porque, com seu intelecto privilegiado, enxergou nela uma miniatura da própria Igreja. Ambas nasceram contando somente com homens simples, pescadores e camponeses. Somente depois é que se agregaram a elas os homens de ciências e os de origem nobre. Quando frei Boaventura entrou para a Irmandade de São Francisco de Assis, ela já estava estabelecida em Paris, Oxford, Cambridge, Estrasburgo e muitas outras famosas universidades europeias.

 

Essa nova situação vivenciada pela Ordem fez com que Boaventura interviesse nas controvérsias que surgiam com as ordens seculares. Opôs-se a todos os que atacavam as ordens mendicantes, especialmente a dos franciscanos. Foi nesta defesa, como teólogo e orador, que teve sua fama projetada em todo o meio eclesiástico.

 

Em 1257, pela cultura, ciência e sabedoria que possuía, aliadas às virtudes cristãs, foi eleito superior-geral da Ordem pelo papa Alexandre IV. Nesse cargo, permaneceu por dezoito anos. Sua direção foi tão exemplar que acabou sendo chamado de segundo fundador e pai dos franciscanos. Ele conseguiu manter em equilíbrio a nova geração dos frades, convivendo com os de visão mais antiga, renovando as Regras, sem alterar o espírito cunhado pelo fundador. Para tanto dosou tudo com a palavra: para uns, a tranquilizadora; para outros, a motivadora.

 

Alicerçado nas teses de santo Agostinho e na filosofia de Platão, escreveu onze volumes teológicos, procurando dar o fundamento racional às verdades regidas pela fé. Além disso, ele teve outros cargos e incumbências de grande dignidade. Boaventura foi nomeado cardeal pelo papa Gregório X, que, para tê-lo por perto em Roma, o fez também bispo cardeal de Albano Laziale. Como tarefa, foi encarregado de organizar o Concílio de Lyon, em 1273.

 

Nesse evento, aberto em maio de 1274, seu papel foi fundamental para a reconciliação entre o clero secular e as ordens mendicantes. Mas, em seguida, frei Boaventura morreu, em 15 de julho de 1274, ali mesmo em Lyon, na França, assistido, pessoalmente, pelo papa que o queria muito bem. Foi canonizado em 1482 e recebeu o honroso título de doutor da Igreja. A sua festa litúrgica ocorre no dia se sua passagem para a vida eterna. [paulinas.org.br]

 

É um mal tentar com dinheiro o que se deveria conseguir com a virtude. (Marco T.Cícero)