Quinta-feira, 14 de outubro de 2010

28º Semana Comum (Ano “C”), 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Santos: São Calisto I, Papa e Mártir (Memória Facultativa); Dia Nacional da Pecuária, Angadreme de Beauvais (abadessa), Bernardo de Arpino (peregrino, mártir), Bocardo de Würzburg (monge, bispo), Carpônio, Evaristo e Prisciano (mártires de Cesaréia da Palestina), Domingos Lauricatus (eremita), Donaciano de Rheims (bispo), Fortunata de Cesaréia (virgem, mártir), Fortunato de Todi (bispo), Gaudêncio de Rimini (bispo, mártir), Justo de Lião (bispo), Manaco de Wales (abade), Rústico de Trèves (bispo), Saturnino e Lupo (mártires).

 

Antífona: Senhor, se levardes em conta as nossas faltas, quem poderá subsistir?  Mas em vós encontra-se o perdão, Deus de Israel. (Sl 129, 3-4)

 

Oração: Ó Deus, sempre nos proceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Carta de São Paulo aos Efésios (Ef 1, 1-10)
 Bendito seja Deus, pai de nosso Senhor Jesus Cristo

 

1PauIo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos e fiéis em Cristo Jesus: 2a vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 3Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. 4Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. 5EIe nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão da sua vontade, 6para o louvor da sua glória e da graça com que ele nos cumulou no seu Bem-amado. 7Pelo seu sangue, nós somos libertados. Nele, as nossas faltas são perdoadas, segundo a riqueza da sua graça, 8que Deus derramou profusamente sobre nós, abrindo-nos a toda a sabedoria e prudência. 9EIe nos fez conhecer o mistério da sua vontade, o desígnio benevolente que de antemão determinou em si mesmo, 10para levar à plenitude o tempo estabelecido e recapitular em Cristo, o universo inteiro: tudo o que está nos céus e tudo o que está sobre a terra. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo

 

Planificação-Amor: não estamos por certo habituados a ver juntos estes dois termos! "Planificação e uma expressão fria, lembra esquema, burocracia, números... E Paulo traça para nós e para todos os homens o plano universal do Amor. É o plano que leva à revolução da unidade. Plano envolvente, se o confrontarmos realisticamente com a crônica cotidiana em todos os níveis. É a superação de toda divisão, porque é o plano do "antipecado". Toda divisão tem suas raízes no pecado. Jesus Chefe convoca-nos a entrar a cada momento nesse plano. [Missal Cotidiano ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 97(98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R/.2a) 
O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações

 

1Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória.

 

2O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; 3arecordou o seu amor sempre fiel 3bpela casa de Israel.

 

3cOs confins do universo contemplaram 3da salvação do nosso Deus. 4Aclamai o Senhor Deus ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!

 

5Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa e da citara suave! 6Aclamai, com os clarins e as trombetas, ao Senhor, o nosso Rei!

 

Evangelho: Lucas (Lc 11, 47-54)
Desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias

 

Naquele tempo, disse o Senhor: 47"Ai de vós, porque construís os túmulos dos profetas; no entanto, foram vossos pais que os mataram. 48Com isso, vós sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais, pois eles mataram os profetas e vós construís os túmulos. 49Por isso que a sabedoria de Deus afirmou: Eu lhes enviarei profetas e apóstolos, e eles matarão e perseguirão alguns deles, 50a fim de que se peçam contas a esta geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, 51desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário. Sim, eu vos digo: serão pedidas contas disso a esta geração. 52Ai de vós, mestres da Lei, porque tomastes a chave da ciência. Vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar". 53Quando Jesus saiu dai, os mestres da Lei e os fariseus começaram a tratá-lo mal, e a provocá-lo sobre muitos pontos. 54Armaram ciladas, para pegá-lo de surpresa, por qualquer palavra que saísse de sua boca.  Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentando o Evangelho

O sangue dos profetas

 

A franqueza usada por Jesus no confronto com os seus adversários permitia-lhe entrever o que se passava no coração deles. Recusava-se a pactuar com sua hipocrisia, denunciando o modo como pretendiam agradar a Deus. Essa liberdade de Jesus em denunciar o comportamento dos seus adversários só podia torná-lo alvo de ódio feroz.


A experiência do Mestre estava em perfeita consonância com a dos profetas do passado. Também eles foram perseguidos e mortos, sem que o povo desse ouvido à apelos. Em outras palavras, preferiu-se calar a voz de Deus a acolhê-la com humildade e desejo de conversão.
Mais que todos os profetas e mensageiros do passado, Jesus era a voz privilegiada de Deus na história humana. Na condição de Filho, fora enviado para proclamar o caminho da salvação. Todas as suas palavras e suas ações deveriam levar as pessoas a se converterem para o Reino. No entanto, por parte de um grupo de escribas e fariseus, só encontrou fechamento e recusa de acolher o caminho que ele lhes propunha.


O Pai pedirá contas a esse grupo de pessoas, como pediu aos que derramaram o sangue dos profetas, desde a criação do mundo. Tamanha insensibilidade clama aos céus! Sua punição manifesta a rejeição divina de pactuar com a maldade. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B,  ©Paulinas, 1996]

 

Para sua reflexão: O profeta que denuncia crimes e anuncia desgraças é eliminado; depois se constrói para ele um mausoléu como homenagem póstuma. Profeta morto não fala. O esquema pode abranger várias gerações: uma elimina o profeta, outra lhe dedica o mausoléu. Todas são membros da mesma família.  Remontando a Abel, não o converte em profeta, mas denuncia os assassinos de profetas como fratricidas; herdeiros do pecado original contra a fraternidade. Zacarias (=Azarias) encerra a série histórica com a agravante do lugar onde se cometeu o assassinato. Falta ainda uma série Jesus, mas sua sorte fica apontada de obra para os leitores de Lucas. O “saber” no v.52 é provavelmente a compreensão da Escritura. Os letrados se arrogam o monopólio da sua compreensão; eles possuem a chave, e ninguém mais. A batalha próxima escolhe como campo a dialética, na qual os letrados se sentem fortes. Se o caçam em alguma palavra delituosa, apresentarão outra batalha mais grave. (Bíblia do Peregrino)

 

São Calixto I

 

 

 

 

"Todo pecado pode ser perdoado pela Igreja, cumpridas as devidas penitências". A frase conclusiva é do Papa Calisto I, ao se posicionar no combate às idéias heréticas, surgidas dentro do clero, que iam contra a Igreja. Calisto entendia muito bem de penitência. Na Roma do século II, ele nasceu num bairro pobre e foi escravo. Depois, liberto, sua sina de sofrimento, continuou. Trabalhando para um comerciante, fracassou nos negócios e foi obrigado a indenizar o patrão, mas decidiu fugir, indo se refugiar em Portugal. Encontrado, foi deportado para a ilha da Sardenha e punido com trabalhos forçados. Porém, foi nesta prisão que sua vida se iluminou.

 

Nas minas da Sardenha, ele tinha contato direto com os cristãos que também cumpriam penas por causa da sua religião. Ao vê-los heroicamente suportando o desterro, a humilhação e as torturas sem nunca perder a fé e a esperança, em Cristo, Calisto se converteu. Depois de alguns anos, os cristãos foram indultados e Calisto retornou à vida livre, indo se estabelecer na cidade de Anzio. Alí adquiriu reconhecimento dos cristãos, como diácono. Quando o Papa Zeferino, assumiu o governo chamou o diácono para trabalhar com ele. Deu à Calisto várias missões executadas com sucesso. Depois o nomeou responsável pelos cemitérios da Igreja.

 

Chamados de catacumbas, estes cemitérios subterrâneos da Via Ápia, em Roma, tiveram importância vital para os cristãos. Além de ali enterrarem seus mortos, as catacumbas serviam também para cerimônias e cultos, principalmente durante os períodos de perseguição. Calisto começou suas escavações, as organizou e valorizou. Nelas mandou construir uma capela, chamada Cripta dos Papas, onde estão enterrados quarenta e seis pontífices e cerca de duzentos mil mártires das perseguições contra os cristãos.

 

Com a morte do Papa Zeferino morreu, o clero e o povo elegeram Calisto para substituí-lo, mas ele sofreu muita oposição por causa de sua origem humilde de escravo. Hipólito, um dos grandes teólogos do catolicismo e pensadores da época, era o principal deles. Hipólito tinha um entendimento diferente sobre a Santíssima Trindade e desejava que determinados pecados não fossem perdoados. Entretanto o Papa Calisto I se manteve firme na defesa da Igreja, causando o rompimento de Hipólito e seus seguidores, respondendo a questão com aquela frase conclusiva. Anos depois, Hipólito se reconciliaria com a Igreja, tornado-se mártir da Igreja, por não negar sua fé em Cristo.

 

O Papa Calisto I governou por seis anos. Neste período concluiu o trabalho nas catacumbas romanas, conhecidas hoje como as catacumbas de São Calisto. Em 222 ele se tornou vítima da perseguição, foi espancado, e quase morto, jogado em um poço. Neste local agora se acha a Igreja de Santa Maria, em Transtévere, que guarda o seu corpo, em Roma. [www.paulinas.org.br]

 

 

O verdadeiro professor defende os seus alunos contra a sua própria influência. (Amos Alcott)